{"id":2666,"date":"2011-03-16T08:50:15","date_gmt":"2011-03-16T15:50:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2666"},"modified":"2011-03-16T08:50:15","modified_gmt":"2011-03-16T15:50:15","slug":"fado-cristina-branco-e-mafalda-arnauth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/03\/16\/fado-cristina-branco-e-mafalda-arnauth\/","title":{"rendered":"Fado: Cristina Branco e Mafalda Arnauth"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>23.05.2003 <\/p>\n<p>Fado<\/p>\n<p>S\u00e3o duas vozes capitais do novo fado. No mais recente \u00e1lbum de Mafalda Arnauth, Encantamento, escutamos uma voz mais serena, alada e \u201ccantabile\u201d do que nos discos anteriores. Com &#8220;Sensus&#8221;, Cristina Branco avan\u00e7a mais um passo para fora do fado tradicional.  Disco onde a poesia e a voz rivalizam em erotismo, tem a ousadia das coisas belas.<\/p>\n<p>SER FADISTA \u00c9 ENTREGAR-SE \u00c0 VIDA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/MafaldaArnauth2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/MafaldaArnauth2.jpg\" alt=\"\" title=\"MafaldaArnauth2\" width=\"450\" height=\"239\" class=\"alignnone size-full wp-image-2667\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/MafaldaArnauth2.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/MafaldaArnauth2-300x159.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mafaldaArnauth_Encantamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mafaldaArnauth_Encantamento.jpg\" alt=\"\" title=\"mafaldaArnauth_Encantamento\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2669\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mafaldaArnauth_Encantamento.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mafaldaArnauth_Encantamento-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mafaldaArnauth_Encantamento-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/351581291\/Mafalda_Arnauth_-_Encantamento.rar \" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" width=\"480\" height=\"390\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/5kvIq2WUEPc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Depois de \u201cMafalda Arnauth\u201d, produzido por Jo\u00e3o Gil, e \u201cEsta Voz que me Atravessa\u201d, produzido por Am\u00e9lia Muge, \u201cEncantamento\u201d tem auto-produ\u00e7\u00e3o da fadista. O resultado \u00e9 o seu melhor \u00e1lbum de sempre. Pelos temas e pela voz. A fadista tomou quase tudo em m\u00e3os. \u201cn\u00e3o quis deixar nada em m\u00e3os alheias, decido assumir toda a responsabilidade. A parceria maior que tenho neste disco \u00e9 o Lu\u00eds Oliveira, que se encarregou da direc\u00e7\u00e3o musical e dos arranjos. Neste disco as letras voltam a ser minhas&#8230; E a responsabilidade de algo que esteja menos bem \u00e9 tamb\u00e9m minha. Digamos que a minha personalidade se tornou mais vincada. O disco resulta de um crescimento e de uma auto-descoberta t\u00e3o grande que n\u00e3o seria justo p\u00f4r outras pessoas a assumirem a responsabilidade pelas minhas decis\u00f5es\u201d.<br \/>\nResponsabilidade que Arnauth assume como fruto de uma seguran\u00e7a que antes n\u00e3o se manifestara: \u201cuma seguran\u00e7a que adveio do prazer que me deu. Sou uma mistura de racional e emocional, e o racional consegue fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do trabalho. O emocional voltou a ter espa\u00e7o para se expressar, coisa que no segundo disco n\u00e3o aconteceu, por cansa\u00e7o e por estar a trabalhar com pessoas com muito mais experi\u00eancia do que eu, o que gerou em mim um certo respeito\u201d.<br \/>\nAlgo mudou entretanto, como resultado desse processo de auto-descoberta. Mafalda centrou as aten\u00e7\u00f5es no corpo, for\u00e7ou-o a disciplinar-se. Tr\u00eas factores contribu\u00edram para essa mudan\u00e7a: \u201cO primeiro factor vital foi a sa\u00fade. O templo onde tudo isto acontece, o meu corpo. Precisava de uma paragem no final de 2001, todo o trabalho de estrada tinha sido desgastante. O segundo factor foi ter deixado de fumar. De repente pude reencontrar a minha voz e redescobrir novas possibilidades em termos de interpreta\u00e7\u00e3o. Quando tomamos conta do nosso corpo ficamos com muito mais for\u00e7a para tudo o que vem a seguir. Um terceiro factor foi ter voltado a compor\u201d.<\/p>\n<p>O Fado \u00c9 Sereno<\/p>\n<p>Desprende-se da audi\u00e7\u00e3o de \u201cEncantamento\u201d uma sensa\u00e7\u00e3o de serenidade. Sem rodeios: dos tr\u00eas \u00e1lbuns j\u00e1 gravados pela fadista, \u201cEncantamento\u201d \u00e9 aquele em que Mafalda canta melhor. Algo que nasce \u201cda respira\u00e7\u00e3o, da tal hist\u00f3ria de ter acabado com o tabaco\u201d. A fadista tamb\u00e9m teve aulas de canto, \u201cde coloca\u00e7\u00e3o de voz\u201d, que a ajudaram, sobretudo a tranquilizar-se. \u201cN\u00e3o me formataram a voz mas deram-me sa\u00fade ao instrumento. Sinto que est\u00e1 muito bem. O sopro, a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante a falar como a cantar, o facto de eu conseguir fazer essa gest\u00e3o do ar, p\u00f5e naturalmente tudo no s\u00edtio, deixando outra margem para a inspira\u00e7\u00e3o. Antes era uma das minhas dificuldades. S\u00f3 a inseguran\u00e7a, a ansiedade, s\u00f3 isso j\u00e1 aperta o ar. Quando n\u00e3o temos que nos preocupar com isso, a aten\u00e7\u00e3o passa imediatamente para outro lado\u201d.<br \/>\nO trabalho de est\u00fadio teve a sua quota-parte nestes resultados. Mafalda teve o est\u00fadio totalmente \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. \u201cO Lu\u00eds Oliveira e o Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Pedro, que faz o som do disco, formam uma sociedade e t\u00eam os dois um est\u00fadio que, al\u00e9m de ser muito caseiro, \u00e9 topo de gama ao n\u00edvel t\u00e9cnico. Os m\u00fasicos tiveram dois meses para gravar, mais um para as misturas\u201d. Sobrou tempo. N\u00e3o houve press\u00f5es. \u201cA editora teve alguma dificuldade em perceber como \u00e9 que est\u00e1 tanto tempo a fazer um disco. Para a maior parte das pessoas \u00e9 uma loucura, ter um est\u00fadio s\u00f3 para n\u00f3s\u201d.<br \/>\nPreocupa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o vulgares nos fadistas vulgares mas que Mafalda Arnauth considera essenciais. Funcionou uma filosofia de vida que passa pela aprendizagem constante. \u201cEnquanto estudei Veterin\u00e1ria tive uma cadeira, de Toxicologia, que me abriu os olhos para o ser humano hoje e como era h\u00e1 30 anos atr\u00e1s. Em 30 anos, os nossos corpos deixaram de ser as for\u00e7as da natureza que eram. N\u00e3o digo que toda a gente seja assim, mas eu pago mais caro do que as outras pessoas. Apesar de ter um corpo forte, com personalidade, sinto que sou fr\u00e1gil. O ritmo da vida \u00e9 hoje superior, o stress que apanhamos, a comida, tudo nos fragiliza. Tive que encontrar uma disciplina. \u00c9 claro que h\u00e1 outras pessoas que continuam a ser for\u00e7as da Natureza, por mais que fa\u00e7am as maiores desgra\u00e7as\u201d.<br \/>\nH\u00e1 quem diga que quanto maiores s\u00e3o os excessos melhor se canta o fado. Para Mafalda, n\u00e3o. \u201cAt\u00e9 h\u00e1 quem diga que eu, neste momento, tenho voz a mais&#8230;\u201d, diz a sorrir. Como \u00e9 isso? \u201cVoz a mais, por se sentir menos esfor\u00e7o a cantar, sem aquela necessidade de sofrimento que ainda est\u00e1 um bocadinho inerente ao canto\u201d. Em \u201cencantamento\u201d sente-se o prazer. Incluindo \u201co prazer que se pode tirar das pr\u00f3prias dificuldades\u201d. \u201cporque o percurso deste disco \u00e9 extremamente doloroso, fruto do tal crescimento\u201d, diz a fadista. \u201cTentei fazer algo feliz de um processo que foi doloroso\u201d. Ser fadista \u00e9, ent\u00e3o, uma \u201cfilosofia de vida\u201d, uma \u201centrega \u00e0 vida\u201d. Filosofia que pratica, \u201cembora n\u00e3o os mesmos n\u00facleos nem nos mesmos ambientes\u201d que fizeram o fado no passado. \u201cSer fadista \u00e9 isso, \u00e9 a pessoa que vive, que absorve uma quantidade de experi\u00eancias e que as transporta para o canto. O que eu absorvo \u00e9 que \u00e9 diferente do que absorve a maior parte das pessoas. Continuo a sentir um canto melanc\u00f3lico. Hoje j\u00e1 consigo ver nas fadistas da minha gera\u00e7\u00e3o as suas diferen\u00e7as\u201d. E v\u00ea-las assim: Cristina Branco, \u201ccada vez mais uma fadista que se alimenta da poesia\u201d, Mariza, a \u201cfadista de fa\u00edsca, de garra\u201d, M\u00edsia, \u201cuma fadista cosmopolita\u201d. Cada uma delas \u201ca absorver v\u00e1rias \u00e1reas do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Matar Saudades<\/p>\n<p>Mafalda Arnauth continua a frequentar as casas de fado. Para \u201cmatar saudades\u201d. D\u00e1 raz\u00e3o a Argentina Santos que ainda h\u00e1 pouco tempo dizia ao P\u00fablico que \u00e9 imposs\u00edvel aos novos fazer carreira sem passar pelas casas de fado. \u201cPassei por l\u00e1 e continuo a sentir a necessidade de ir, mas n\u00e3o no mesmo formato. Se j\u00e1 n\u00e3o vou com a mesma frequ\u00eancia \u00e9 porque foi l\u00e1 que aprendi, nem tudo coisas boas. Mas a minha natureza n\u00e3o se enquadra numa casa fechada. Argentina Santos tem o seu trono, o seu lugar de culto. Se um dia tiver a minha casa de fados, naturalmente que tamb\u00e9m terei que estar l\u00e1. Mas hoje prefiro ir cantar a uma casa de fado e sentir gozo do que estar l\u00e1 uma noite inteira. At\u00e9 porque n\u00f3s, da nova gera\u00e7\u00e3o, torn\u00e1mo-nos umas \u201cpequenas estrelas\u201d. Numa casa de fado onde est\u00e1 algu\u00e9m a cantar diariamente, com uma entrega total, n\u00e3o tenho coragem de chegar l\u00e1, e por ter algum estatuto, chegar, cantar cinco ou seis fados e ir para casa. Estaria a obrigar algu\u00e9m, provavelmente muito mais cansado do que eu, a ter que cantar outra vez. \u00c9 um respeito que continuo a ter\u201d.<\/p>\n<p>O Problema Dos T\u00edtulos<\/p>\n<p>\u201cEncantamento\u201d termina com um \u201cFado Arnauth\u201d. A pr\u00f3pria n\u00e3o receia ser acusada de pretensiosismo e explica a raz\u00e3o de ser do t\u00edtulo: \u201cesse t\u00edtulo existe porque estive dois ou tr\u00eas meses a tentar dar t\u00edtulos \u00e0s m\u00fasicas o que, com a SPA [Sociedade Portuguesa de Autores], \u00e9 imposs\u00edvel. T\u00eam sempre registado um t\u00edtulo igual! Por exemplo, tinha \u2018Na palma da minha m\u00e3o\u2019, mas n\u00e3o dava, tentei cinco ou seis t\u00edtulos, acabou por ter que ser \u2018Da palma da minha m\u00e3o\u2019. O \u2018Fado Arnauth\u2019 foi \u201cFeiti\u00e7o\u2019, o \u2018Sem limite\u2019 n\u00e3o p\u00f4de ser \u2018Sem limites\u2019, \u2018Bendito fado\u2019 teve que ficar \u2018Bendito fado, bendita gente\u2019, \u2018\u00c9 sempre cedo\u2019 chamava-se \u2018Acorda cora\u00e7\u00e3o\u2019&#8230; Impressionante. O \u201cFado Arnauth\u201d foi um rel\u00e2mpago, nascido da frustra\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nE \u201cEncantamento\u201d, foi tamb\u00e9m assim? \u201cEsse foi um encantamento total. Um cantamento, encantamento que vem do canto. Um encantamento com a vida que passa. Porque \u00e9 que, de repente, me sinto uma pessoa saud\u00e1vel? H\u00e1 quem diga que o desapego \u00e0 vida, um instinto anti-vida, \u00e9 necess\u00e1rio. Eu penso precisamente o contr\u00e1rio, acho que este encantamento vem de cantar \u00e0 vida, da supera\u00e7\u00e3o do dia-a-dia. A minha vida ser\u00e1 tanto mais rica quanto mais gostar at\u00e9 das coisas menos boas. Embora hoje este amor pela vida esteja algo \u2018d\u00e9mod\u00e9\u2019&#8230; J\u00e1 esteve mais na moda ser-se feliz.\u201d<br \/>\nTamb\u00e9m a s\u00edndrome \u2018Nova Am\u00e1lia\u2019 esteve mais na moda. Hoje \u201cas novas fadistas que est\u00e3o a aparecer t\u00eam o cuidado de ter particularidades pr\u00f3prias, uma personalidade marcada\u201d. Mafalda Arnauth at\u00e9 exagera um pouco, a ponto de continuar sem gravar um \u00fanico fado de Am\u00e1lia. L\u00e1 vir\u00e1 o dia. \u201cHei-de fazer isso! Mas quando o fizer, n\u00e3o ser\u00e3o s\u00f3 fados dela. Ser\u00e1 como uma prenda que darei a mim pr\u00f3pria\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEncantamento\u201d \u00e9 composto por 14 temas, com m\u00fasica de Lu\u00eds Oliveira e poemas de Mafalda Arnauth, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de \u201cAs Fontes\u201d, de Sophia de Mello Breyner, \u201cCavalo \u00e0 Solta\u201d, com letra de Fernando Tordo, e \u201cNo teu poema\u201d, com versos de Jos\u00e9 Lu\u00eds Tinoco. Acompanham a fadista Jos\u00e9 Elmiro Nunes (guitarra portuguesa), Lu\u00eds Oliveira (guitarra cl\u00e1ssica) e Jo\u00e3o Penedo (contrabaixo). Os convidados s\u00e3o Jo\u00e3o Ferreira Rosa, em \u201cDa palma da minha m\u00e3o\u201d, e a cantora de jazz M\u00f3nica Ferraz, em \u201c\u00d3 voz da minha alma\u201d.<\/p>\n<p>EROS \u00c9 BRANCO<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CristinaBranco3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CristinaBranco3.jpg\" alt=\"\" title=\"CristinaBranco3\" width=\"450\" height=\"280\" class=\"alignnone size-full wp-image-2668\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CristinaBranco3.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CristinaBranco3-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/cristinaBranco_Sensus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/cristinaBranco_Sensus.jpg\" alt=\"\" title=\"cristinaBranco_Sensus\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2670\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/cristinaBranco_Sensus.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/cristinaBranco_Sensus-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/cristinaBranco_Sensus-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/71763168\/Cristina_Branco_-_2003_-_Sensus.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" width=\"480\" height=\"390\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Jsg-XNJFCJI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cSensus\u201d \u00e9 um disco de poesia er\u00f3tica de autores luso-brasileiros como Vinicius de Moraes, Chico Buarque, David Mour\u00e3o-Ferreira, Pedro-Homem de Melo, Cam\u00f5es, Vasco Gra\u00e7a Moura, Maria Teresa Horta, Pedro T\u00e1men e Eug\u00e9nio de Andrade. Com William Shakespeare a deitar tamb\u00e9m a sua pitada de sal a uma m\u00fasica em que Cust\u00f3dio Castelo se encarrega de dar sentido aos sons.<br \/>\nTudo partiu de um poema de David Mour\u00e3o-Ferreira que deu o nome ao \u00e1lbum anterior de Cristina Branco, \u201cCorpo Iluminado\u201d. Mour\u00e3o-Ferreira volta a estar presente, desta feita, com \u201cAssim que te despes\u201d. Assim Cristina Branco se despe de preconceitos. Fado dos sentidos. Fado-carne. Fado picante? Cristina garante que se sente, neste novo registo, \u201ccomo peixe na \u00e1gua\u201d.<br \/>\nA capa calhou ficar talvez um pouco sugestiva demais, provocando todo o tipo de associa\u00e7\u00f5es. A cantora n\u00e3o tem culpa, ri-se com gosto e salta imediatamente para o cerne da quest\u00e3o: \u201cToda a gente pensa logo, poesia er\u00f3tica e tal&#8230;\u201d. \u00c9 este \u201ctal\u201d que importa esclarecer. Tenham clama, \u00e9 tudo cient\u00edfico: \u201cinicialmente pretendi que fosse um documento sobre a sociedade portuguesa desde a \u00e9poca medieval at\u00e9 agora. Como \u00e9 que os portugueses viam a sexualidade. Acabou por n\u00e3o ser, porque entretanto trope\u00e7\u00e1mos no Shakespeare, no Vinicius e no Chico&#8230;\u201d. Apesar da vertente did\u00e1ctica, Cristina assume que \u201cSensus\u201d tem \u201cuma linguagem mais ousada, embora sem cair no \u00f3bvio\u201d, do que os \u00e1lbuns anteriores.<br \/>\nMas \u201cSensus\u201d fala de sexualidade ou de erotismo? \u201cTem as duas coisas. Sem utilizar as palavras concretas\u201d, como faz quest\u00e3o em frisar. \u201cPastoras da estrela\u201d, um dos bel\u00edssimos temas de \u201cSensus\u201d, composto por Miguel Carvalhinho, soa a m\u00fasica antiga, situando o fado nas noites trovadorescas de antanho. \u00c9 pecado, clamariam as vozes censoras. \u00c9 pecado sentir e tirar prazer da m\u00fasica. \u201cSensus\u201d destila esse pecado e quem nos absolver\u00e1 desta lux\u00faria? \u201cA abordagem musical do Cust\u00f3dio tem algo que bebe em tempos muito remotos\u201d. A voz de Cristina faz o resto, lan\u00e7ando-nos no caminho da perdi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSem miseric\u00f3rdia pelos fracos, Cristina garante que \u201cainda pretende ir mais longe\u201d. Na revolu\u00e7\u00e3o do fado, bem entendido. E recorda que, nos prim\u00f3rdios, o \u201cfado era cantado por prostitutas\u201d, o que lhe conferia um car\u00e1cter, digamos, n\u00e3o de pecado mortal, mas venial.<br \/>\nQuanto a Cristina Banco, o seu canto afasta-se cada vez mais das formas tradicionais do fado. \u201cPorque n\u00e3o contar apenas uma hist\u00f3ria?\u201d. As hist\u00f3rias de \u201cSensus\u201d incluem um \u201cSoneto de separa\u00e7\u00e3o\u201d, de Vinicius de Moraes, \u201cO meu amor\u201d, de Chico Buarque, \u201cNinfas\u201d, de Cam\u00f5es, \u201cSoneto destru\u00eddo\u201d, de Gra\u00e7a Moura, \u201cAs m\u00e3os e os frutos\u201d, de Eug\u00e9nio de Andrade e \u201cO sabor de saber\u201d, de Rui Branco. Hist\u00f3rias, afinal, de amor que uns dizem que vem antes e outros que vem depois. Cristina Branco destaca uma, \u201cO meu amor\u201d, uma esp\u00e9cie de \u201cimpress\u00e3o digital\u201d. Come\u00e7a assim: \u201cO meu amor\/Tem um jeito manso que \u00e9 s\u00f3 seu\/E que me deixa louca\/Quando me beija a boca\/A minha pele fica toda arrepiada\/E me beija com calma e fundo\/At\u00e9 minha alma se sentir beijada\u201d.<\/p>\n<p>Tocam em \u201cSensus\u201d Cust\u00f3dio Castelo (guitarra cl\u00e1ssica, baixo), Alexandre Silva (guitarra cl\u00e1ssica), Fernando Maia (baixo), Miguel Carvalhinho (guitarra cl\u00e1ssica), Andr\u00e9 Dequech (piano) e Ben Wolf (contrabaixo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23.05.2003 Fado S\u00e3o duas vozes capitais do novo fado. No mais recente \u00e1lbum de Mafalda Arnauth, Encantamento, escutamos uma voz mais serena, alada e \u201ccantabile\u201d do que nos discos anteriores. Com &#8220;Sensus&#8221;, Cristina Branco avan\u00e7a mais um passo para fora do fado tradicional. 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