{"id":2650,"date":"2011-02-24T09:31:57","date_gmt":"2011-02-24T16:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2650"},"modified":"2011-02-24T10:09:52","modified_gmt":"2011-02-24T17:09:52","slug":"uhf-cavalos-de-corrida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/02\/24\/uhf-cavalos-de-corrida\/","title":{"rendered":"UHF  &#8211; Cavalos de Corrida"},"content":{"rendered":"<p>20.06.2003<\/p>\n<p>UHF<\/p>\n<p>Cavalos de Corrida<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/UHF2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/UHF2.jpg\" alt=\"\" title=\"UHF2\" width=\"450\" height=\"511\" class=\"alignnone size-full wp-image-2652\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/UHF2.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/UHF2-264x300.jpg 264w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nos 25 anos de carreira, um auto-retrato em forma de \u00f3pera-rock. Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro, Joad, numa viagem que se inicia no rock e n\u00e3o se sabe onde termina. \u201cLa Pop End Rock\u201d<\/p>\n<p>35 epis\u00f3dios sobre droga, solid\u00e3o, estrada, amores, separa\u00e7\u00f5es. E sobre os putos \u2013 os f\u00e3s \u201cn\u00famero um\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/uhf_laPopEndRock.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/uhf_laPopEndRock.jpg\" alt=\"\" title=\"uhf_laPopEndRock\" width=\"210\" height=\"210\" class=\"alignnone size-full wp-image-2651\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/uhf_laPopEndRock.jpg 210w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/uhf_laPopEndRock-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.forumfantastik.net\/forum\/threads\/72390-UHF-La-Pop-End-Rock\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" width=\"480\" height=\"390\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/o7dEUGUlJJM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>2003 n\u00e3o \u00e9 boa altura para se fazerem \u00f3peras rock. Aconselha a prud\u00eancia a que se apague, pelo menos, o termo \u201c\u00f3pera\u201d. Os UHF fizeram ouvidos de mercador e foram para a frente com o seu \u00faltimo projecto, uma \u201c\u00f3pera rock\u201d intitulada \u201cLa Pop End Rock\u201d, lan\u00e7ada \u2013 oh, heresia! \u2013 em duplo CD, com o r\u00f3tulo a assinalar 25 anos de carreira.<br \/>\nOs UHF podem n\u00e3o ser o grupo mais sofisticado do mundo mas ser\u00e3o, e sobre isso haver\u00e1 poucas d\u00favidas, um dos mais coerentes e corajosos. Sempre fizeram o que acahavam que devia ser feito, sem olhar a preconceitos nem se deixando levar pelos ventos da moda. \u201cLa Pop End Rock\u201d \u00e9, segundo os pr\u00f3prios, uma \u201cobra ficcionada sobre a carreira oficial e a vida n\u00e3o documentada dos UHF\u201d. Ficcionada ou n\u00e3o, as letras e as notas informativas sobre cada tema, que podem ser lidas no \u201clivrete\u201d fornecido independentemente (n\u00e3o cabia na caixa de pl\u00e1stico) do CD, remetem para ou descrevem epis\u00f3dios nos quais \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o descortinar perip\u00e9cias e personagens reais que atravessaram a vida do grupo.<br \/>\nAnt\u00f3nio Manuel Ribeiro (AMR) \u00e9 Joad, o her\u00f3i, como Peter Gabriel o fora, com o pseud\u00f3nimo Rael, em \u201cThe Lam Lies Down on Broadway\u201d. As restantes personagens incluem uma fada, Ana, um cr\u00edtico, um f\u00e3, o velho pastel, Dhi, um dealer, o agente e duas groupies. E um coro (personificado num \u201cgrito de m\u00e3e\u201d, no \u201chome da garagem\u201d ou na \u201cvoz da serpente\u201d), que a intervalos sublinha ou antecipa a ac\u00e7\u00e3o, proclamando em registo \u00e9pico: \u201cgenial\u201d, \u201chospital\u201d, \u201canormal\u201d, \u201ctribunal\u201d. O tema de abertura, \u201cNascer\/Os Primeiros Acordes\u201d, conta com a interven\u00e7\u00e3o de uma orquestra sinf\u00f3nica e, l\u00e1 mais para a frente, \u00e9 poss\u00edvel escutar-se naipes de cordas, al\u00e9m das guitarras de Ant\u00f3nio C\u00f4rte-Real, o piano de Jorge Manuel Costa e, claro, a voz, mas tamb\u00e9m os sintetizadores, de AMR.<br \/>\nAo todo s\u00e3o 35 hist\u00f3rias\/epis\u00f3dios\/fragmentos, em registos que v\u00e3o do confessional ao descritivo, do esoterismo m\u00edstico dos contactos com uma misteriosa fada ao realismo exacerbado da vida na estrada \u2013 \u201cMais frango, n\u00e3o\u201d, brada AMR em \u201cuma hist\u00f3ria com (a)gente\u201d. Hist\u00f3rias que falam da droga, do \u00e1lcool, da noite, da solid\u00e3o, das ressacas, do desencanto, da desist\u00eancia, do abandono e da reconcilia\u00e7\u00e3o. De amores passageiros e amores que deixam marcas para sempre. Encontros e separa\u00e7\u00f5es. Gl\u00f3ria e rotina. Da alegria e das puls\u00f5es suicid\u00e1rias. Dos palcos, das terras por onde se passa at\u00e9 se lhes esquecer os nomes, e dos hot\u00e9is. Dos cr\u00edticos e de can\u00e7\u00f5es. Dos putos \u2013 os f\u00e3s, todos \u201cn\u00famero um\u201d. Da raiva, de quimeras e de guitarras el\u00e9ctricas. De Joey Ramone. Do rock \u2018n\u2019 roll. E, em ep\u00edlogo, do DJ que \u201ccomo ningu\u00e9m, quer matar a cantiga\u201d.<\/p>\n<p>Um G\u00e9nero Que Fez Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Foi nos anos 70 que o g\u00e9nero \u201c\u00f3pera rock\u201d levou ao absurdo a f\u00f3rmula do \u201c\u00e1lbum conceptual\u201d que animou uma fatia razo\u00e1vel do rock progressivo. Se o rock progressivo era sonho, ambi\u00e7\u00e3o e literatura, a \u201c\u00f3pera rock\u201d foi tatro e exagero. \u201cTommy\u201d e \u201cQuadrophenia\u201d, dos The Who, permanecem como paradigmas de um g\u00e9nero que, j\u00e1 no ocaso da d\u00e9cada, originou \u201cThe Wall\u201d, dos Pink Floyd e que antes passara, mais ou menos camuflado, por \u201cTje Lamb Lies Down On Broadway\u201d, dos Genesis. J\u00e1 \u201cHair\u201d, \u201cOh, Calcut\u00e1\u201d ou \u201cJesus Christ Superstar\u201d inserem-se sobretudo na tradi\u00e7\u00e3o do teatro musicado, no \u201cmusic hall\u201d, imbu\u00eddo do esp\u00edrito \u201chippie\u201d, mais do que no teatro popular, de cabaret e cariz ideol\u00f3gico marcadamente de esquerda, desenvolvidas por Brecht, Kurt Weill e Hans Eisler. Antepassados da \u00f3pera rock, encontramo-los recuando aos anos 60, em obras como \u201cS. F. Soeeow\u201d, dos Pretty Things (da qual se diz ter influenciado Peter Townshend na idealiza\u00e7\u00e3o dos seus projectos megal\u00f3manos com os The Who) ou \u201cThe Story of Simon Simopath\u201d, da banda inglesa de pop psicad\u00e9lica Nirvana.<br \/>\nNa actualidade, m\u00fasicos\/escritores como Philip Glass, Laurie Anderson, Robert Ashley, Meredith Monk, Heiner M\u00fcller ou Tod Machover subtrairam ao g\u00e9nero o \u201crock\u201d, substituindo-o por \u201cv\u00eddeo\u201d, \u201cmultim\u00e9dia\u201d, \u201cperfomative art\u201d, \u201cprogram\u00e1tico\u201d, etc., de acordo com concep\u00e7\u00f5es que revertem as formas tradicionais do teatro para os novos moldes permitidos pela introdu\u00e7\u00e3o das novas tecnologias electr\u00f3nicas, tanto ao n\u00edvel gr\u00e1fico e cenogr\u00e1fico como musical. Os UHF apenas pretenderam contar uma hist\u00f3ria. A sua hist\u00f3ria. Com circunst\u00e2ncia e alguma pompa. \u201c\u00d3pera rock\u201d oblige&#8230;<\/p>\n<p>Pela Estrada Certa<\/p>\n<p>As pretens\u00f5es dos UHF s\u00e3o mais modestas. Embora AMR, referindo-se \u00e0 efem\u00e9ride do 25\u00ba anivers\u00e1rio do grupo, afirme, sem falsas mod\u00e9stias: \u201cSe f\u00f4ssemos americanos est\u00e1vamos a caminho de sermos carimbados no rock \u2018n\u2019 roll hall of fame!\u201d. Em vez de um \u00e1lbum de tributo (\u201csignifica em geral que j\u00e1 se est\u00e1 com os p\u00e9s para certo s\u00edtio!&#8230;\u201d) preferiu a \u201cprovoca\u00e7\u00e3o\u201d do formato \u201c\u00f3pera rock\u201d. \u201cResolvemos ser n\u00f3s a fazer a nossa hist\u00f3ria antes que aparecesse algu\u00e9m a fazer alguma parvoada\u201d.<br \/>\nFazer este duplo \u00e1lbum exigiu dedica\u00e7\u00e3o a tempo inteiro. S\u00f3 \u201cLa pop end rock\u201d, chave do \u00e1lbum, garante o veterano rocker nacional, \u201cpassou por tr\u00eas arranjos diferentes\u201d. \u201cLa Pop End Rock\u201d \u00e9 \u00e1lbum que permitir\u00e1 aos admiradores do grupo, al\u00e9m da m\u00fasica, deliciar-se com a decifra\u00e7\u00e3o das charadas que se encontram disseminadas pelas letras (quem \u00e9 \u201cAime eme ra\u201d?). \u201cLa Pop End Rock\u201d tem orquestra, tem can\u00e7\u00f5es com a for\u00e7a de \u201cCavalos de Corrida\u201d, tem uma m\u00edstica que o grupo, a mal ou a bem, tem conseguido manter intacta e bem colada ao corpo.<br \/>\nH\u00e1 quem odeie, quem encolha os ombros com desd\u00e9m, mas tamb\u00e9m quem sinta uma curiosidade irresist\u00edvel de espreitar para dentro de \u201cLa Pop End Rock\u201d, nem que seja para avaliar o estado do rock em Portugal. Hist\u00f3ricos ou dinoss\u00e1urios, n\u00e3o desistem de dar o salto em frente e de n\u00e3o estancarem o fluxo de adrenalina que continua a escorrer sempre que se liga uma guitarra el\u00e9ctrica \u00e0 corrente. AMR, Joad, \u00e9 o her\u00f3i com uma causa, o sobrevivente, o noct\u00edvago-agora-menos que fala dos Velvet, dos Doors, de Neil Young, de Keith Richards e de Peter Hammill, que afirma que \u201co rock portugu\u00eas \u00e9 do mais bem escrito do mundo\u201d e que permanece \u00e0 boca de cena a cantar \u201cDo c\u00e9i ao inferno, pode ser assim, do c\u00e9u ao inferno, sem sair daqui!\u201d. Provocat\u00f3rio, \u201cLa Pop End Rock\u201d \u00e9 um \u00e1lbum sem papas na l\u00edngua que obrigou mesmo a que se lhe colasse na capa o r\u00f3tulo \u201clinguagem expl\u00edcita\u201d. AMR \u00e9 um peda\u00e7o vivo da tradi\u00e7\u00e3o do rock \u2018n\u2019 roll em busca, ainda e sempre, da reden\u00e7\u00e3o. \u201cPor tr\u00eas minutos na vida\/ Acharei a felicidade\/Na can\u00e7\u00e3o prometida\/ A minha felicidade\u201d.<br \/>\nEntre os naipes de violinos, o piano introspectivo, as guitarras galopantes e melodias que n\u00e3o cessam de dar a volta ao que sempre se trauteou dos UHF, descobrem-se boas can\u00e7\u00f5es: \u201cUm Anjo no meu quarto\u201d, \u201cFora da garagem, j\u00e1!\u201d, o sarc\u00e1stico \u201cQuero um lugar no top ingl\u00eas\u201d, \u201cUma hist\u00f3ria com (a)gente\u201d, \u201cjoey Ramone\u201d, \u201cA noite inteira\u201d, \u201cA l\u00e1grima caiu\u201d, \u201cPor uma guitarra el\u00e9ctrica\u201d, \u201cAqui vamos n\u00f3s\/sem disfarce\u201d, a velvetiana \u201cMem\u00f3rias de hotel\u201d, \u201cPor tr\u00eas minutos de vida\u201d, \u201cAi eme ra\u201d&#8230; Joad h\u00e1-de continuar a procurar, pela estrada, a que seja perfeita. A cantar \u201cEu escolhi a estrada certa\u201d. A m\u00e1scara de AMT \u00e9 transparente.<\/p>\n<p>UHF<br \/>\nLa Pop End Rock<br \/>\n2xCD Capitol, distri. EMI-VC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20.06.2003 UHF Cavalos de Corrida Nos 25 anos de carreira, um auto-retrato em forma de \u00f3pera-rock. Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro, Joad, numa viagem que se inicia no rock e n\u00e3o se sabe onde termina. \u201cLa Pop End Rock\u201d 35 epis\u00f3dios sobre droga, solid\u00e3o, estrada, amores, separa\u00e7\u00f5es. E sobre os putos \u2013 os f\u00e3s \u201cn\u00famero um\u201d. 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