{"id":2523,"date":"2010-12-28T10:09:37","date_gmt":"2010-12-28T17:09:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2523"},"modified":"2010-12-28T10:13:36","modified_gmt":"2010-12-28T17:13:36","slug":"john-cale-hobosapiens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/12\/28\/john-cale-hobosapiens\/","title":{"rendered":"John Cale &#8211; &#8220;HoboSapiens&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>24.10.2003<br \/>\nJohn Cale<br \/>\nHoboSapiens<br \/>\nEMI, distri. EMI-VC<br \/>\n8\/10<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale.jpg\" alt=\"\" title=\"JohnCale\" width=\"450\" height=\"289\" class=\"alignnone size-full wp-image-2525\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale-300x192.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o perdeu pitada da f\u00faria que destilou nos Velvet. O novo \u00e1lbum tempera a viol\u00eancia com a experimenta\u00e7\u00e3o. Como o gal\u00eas j\u00e1 n\u00e3o fazia desde Music For A New Society.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale_hoboSapiens.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale_hoboSapiens.jpg\" alt=\"\" title=\"JohnCale_hoboSapiens\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2524\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale_hoboSapiens.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale_hoboSapiens-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/JohnCale_hoboSapiens-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.noiset.com\/john-cale--hobosapiens\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sq3-nxEMZyw?fs=1&amp;hl=pt_PT\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sq3-nxEMZyw?fs=1&amp;hl=pt_PT\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>John Cale, o gal\u00eas ex-Velvet Underground das m\u00e3os de ferro (tocava piano como se envergase umas luvas de boxe, dizia a malograda Nico, a prop\u00f3sito da sua participa\u00e7\u00e3o, como produtor e multinstrumentista, no \u00e1lbum \u201cThe End&#8230;\u201d). Bom, Cale n\u00e3o tem s\u00f3 as m\u00e3os de ferro. A cabe\u00e7a tamb\u00e9m.<br \/>\n\u201cHobosapiens\u201d, o seu mais recente \u00e1lbum de est\u00fadio, co-produzido por Nick Frangle, dos Lemon Jelly, e o primeiro num espa\u00e7o de sete anos, confirma todas as virtudes, reduzindo ao m\u00ednimo os defeitos, deste m\u00fasico que desde sempre mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o quase esquizofr\u00e9nica entre a m\u00fasica pop (a saber, can\u00e7\u00f5es) e o experimentalismo (a saber, o risco formal \u2013 Cale fez parte, nos anos 60, do c\u00edrculo do guru da escola minimalista, em vers\u00e3o zen, LaMonte Young, e gravou o \u00e1lbum \u201cChurch of Anthraz\u201d com Tery Riley). Virtudes que se revelam de imediato na primeira faixa, intitulada \u201cZen\u201d, precisamente: a coragem de arriscar, misturar e refundir c\u00e9lulas mel\u00f3dicas e r\u00edtmicas, ideias e choques, atrav\u00e9s da fragmenta\u00e7\u00e3o, do uso intensivo de samples e de arranjos idealizados por forma a tirar o maior partido das novas tecnologias \u201cPro Tools\u201d que tem vindo a explorar nos \u00faltimos dois anos.<br \/>\nOs defeitos, aqui bastante minorados, limitam-se a essa tal s\u00edndrome das luvas de boxe (inexistente, por exemplo, no seu parente espiritual, Peter Hammill), sem que, todavia, tal impe\u00e7a a detona\u00e7\u00e3o das granadas emocionais. N\u00e3o que Cale (que hoje e a manh\u00e3 se apresenta na Aula Magna de Lisboa) seja um brutamontes, nada disso; acontece apenas ser frequente a voz dar ideia de estar sempre um passo \u00e0 frente do resto, tal a avidez de esmurrar a cara seja de quem for. \u201cHobosapiens\u201d \u00e9 um combate que s\u00f3 termina quando o advers\u00e1rio vai ao tapete por K.O. E esse advers\u00e1rio \u00e9 o mundo.<br \/>\n\u201cReading my mind\u201d prova ser a primeira grande can\u00e7\u00e3o, servida por uma batida rock sem descanso e uma guitarra afinada pelo diapas\u00e3o de \u201cHeroes\u201d, de Bowie (a prop\u00f3sito, o prop\u00f3sito, o pr\u00f3prio Cale gravou um disco de rock-rock que poucos mencionam ou que menosprezam: \u201cHoni Soit\u201d) e um coro \u201cdoo-wop\u201d: Dif\u00edcil resistir.<br \/>\n\u201cthings\u201d \u00e9 Cale \u201cvintage violence\u201d com ex-Velvet a evidenciar a sua veia Dylaniana. \u201cLook horizon\u201d parte de sugest\u00f5es etno, borbulha com efeitos electr\u00f3nicos, faz contraponto vocal com uma declama\u00e7\u00e3o no feminino e \u00e9 passada a ferro por uma orquestra digital que evoca tanto a dupla Brian Eno\/Cluster como a absoluta e impenetr\u00e1vel bizarria que \u00e9 \u201ctilt\u201d, de Scott Walker, disco do qual se tem falado para fazer uma compara\u00e7\u00e3o \u2013 abusiva \u2013 com \u201cHobosapiens\u201d.<br \/>\nA habitual propens\u00e3o para nomear can\u00e7\u00f5es com nomes pr\u00f3prios com cau\u00e7\u00e3o cultural (segundo uma heran\u00e7a classizante que cristalizou em \u201cParis 1919\u201d e, dispensando por completo a pop e o rock, em \u201cThe Academy in Peril\u201d) manifesta-se em \u201cMagritte\u201d e \u201cArchimedes\u201d. O primeiro \u00e9 outro dos momentos altos de \u201cHobospaiens\u201d, verdadeiramente surrealista na estrutura, alternando violoncelo, filtragens e falsettos vocais, efeitos de luz e \u00e1gua e pormenores hammillianos, como tudo se desenrolasse no fundo de um lago, oculto por um v\u00e9u de mist\u00e9rio. J\u00e1 \u201cArchimedes\u201d condescende no \u201cgroove\u201d sincopado do \u201cdrum \u2018n\u2019 bass\u201d embora Cale fa\u00e7a gala em destruir as expectativas de quem gostaria que este fosse um disco de dan\u00e7a. Apesar de haver \u201cBicycle\u201d, o mais dan\u00e7\u00e1vel e redundante dos temas do \u00e1lbum. A t\u00e9cnica pode ser essa mas o objectivo \u00e9 outro, soando \u201cArchimedes\u201d como um falso calipso, cortado por um espantoso interl\u00fadio orquestral (?) imune a quaisquer defini\u00e7\u00f5es.<br \/>\nCale, que j\u00e1 trabalhara com Brian Eno em \u201cFear\u201d (uma das grandes e mais alucinadas obras do ex-Velvet) e \u201cCaribbean Sunset\u201d, demonstra n\u00e3o ter esquecido os ensinamentos do mestre das \u201cestrat\u00e9gias obl\u00edquas\u201d, nos arranjos de \u201cCaravan\u201d, escorrendo tanta lava como em \u201cLodger\u201d, de Bowie. Tema de viagem, como o era \u201cSanities\u201d de \u201cMusic For a New Society\u201d, ainda e sempre o expoente m\u00e1ximo, a solo, do artista.<br \/>\nDeixando \u201cBicycle\u201d circular em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 meta, ao som de campainhas e balir de carneiros, deixando claro que Cale n\u00e3o \u00e9 propriamente os Kraftwerk, o \u00e1lbum entra na sua fase final no per\u00edodo mais amea\u00e7ador, aquele onde Cale se sente como peixe em \u00e1guas pantanosas. Um par de temas, \u201cTwilight Zone\u201d e \u201cLetter from abroad\u201d, arrasam, moem os miolos, provocam suores frios. Tudo aquilo que seria suposto o rock provocar. Cale d\u00e1 forte em \u201cTwilight Zone\u201d, moldando uma argamassa de vozes de comando \u2013 \u201cGive up the ghost!\u201d, \u201cBring out the dead!\u201d, \u201cGet on with your work!\u201d, \u201cKick out the jams!\u201d \u2013 guitarra sulf\u00farica e harmonias vocais em convuls\u00e3o. Em \u201cLetter from abroad\u201d, inspirado num document\u00e1rio para a televis\u00e3o da jornalista Saira Shah sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o pelos talib\u00e3s, a guitarra derrama chumbo fundido sobre sonoridades orientais e uma batida demon\u00edaca, com Cale a cantar como se estivesse possu\u00eddo. Ou vivesse o \u00faltimo dia de vida. O coro eleva-se num \u201cmaelstrom\u201d de agonia. Gritos. \u201cThey\u2019re cutting their heads off in the soccer fields&#8230;\u201d. Meira Asher adoraria ter sido ela a compor o tema. A revista \u201cUncut\u201d lembra-se de citar, a prop\u00f3sito da sequ\u00eancia coral, o compositor Ligeti (ou Lee Getty, como foi chamado nas legendas de um document\u00e1rio transmitido recentemente no Canal 2 da RTP, supostamente cultural).<br \/>\nMais experi\u00eancias de som e tempero de \u201cdrum \u2018n\u2019 bass\u201d condimentam \u201cThings X\u201d, cultivando Cale aquele tom vocal et\u00edlico que, como bom gal\u00eas e noutras ocasi\u00f5es, nunca se coibiu de exibir, antes do pano baixar na balada \u00e9pica final, \u201cOver her head\u201d. Supostamente de amor. \u201cEla v\u00ea chamas na cozinha\/Uma vis\u00e3o do inferno\u201d e \u201cEla ama toda a gente\/Ela at\u00e9 me ama a mim\u201d. E o tema dispara com o rock \u2018n\u2019 roll mais incendi\u00e1rio que se possa imaginar, embora Brian Eno tivesse acendido o f\u00f3sforo, enquanto contava uma anedota, em \u201cBlank Frank\u201d, do \u00e1lbum \u201cHere Comes the Warm Jets\u201d. Depois disto, quem apaga o fogo?<br \/>\n\u201cHobosapiens\u201d tira John Cale da reserva e lan\u00e7a-o de novo para a frente de batalha. Aos 61 anos, \u00e9 obra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>24.10.2003 John Cale HoboSapiens EMI, distri. EMI-VC 8\/10 N\u00e3o perdeu pitada da f\u00faria que destilou nos Velvet. O novo \u00e1lbum tempera a viol\u00eancia com a experimenta\u00e7\u00e3o. Como o gal\u00eas j\u00e1 n\u00e3o fazia desde Music For A New Society. 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