{"id":2506,"date":"2010-12-24T09:29:59","date_gmt":"2010-12-24T16:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2506"},"modified":"2010-12-24T09:29:59","modified_gmt":"2010-12-24T16:29:59","slug":"talking-heads-modern-talking","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/12\/24\/talking-heads-modern-talking\/","title":{"rendered":"Talking Heads: Modern Talking"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>19.12.2003<br \/>\nTalking Heads<br \/>\nModern Talking<br \/>\n\u00c9 a colect\u00e2nea definitiva. N\u00e3o apenas mais can\u00e7\u00f5es sobre edif\u00edcios e comida; \u00e9 um objecto que n\u00e3o cabe na estante da pop de consumo. Quer dar uma prenda inteligente e obscena?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TalkingHeads.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TalkingHeads.jpg\" alt=\"\" title=\"TalkingHeads\" width=\"450\" height=\"237\" class=\"alignnone size-full wp-image-2507\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TalkingHeads.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TalkingHeads-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sharetera.com\/music\/Talking-Heads---Once-In-A-Lifetime-Box-Set-267416.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"450\" height=\"278\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-io-kZKl_BI?fs=1&amp;hl=pt_PT\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-io-kZKl_BI?fs=1&amp;hl=pt_PT\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"450\" height=\"278\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Por uma vez na vida, saiu a antologia perfeita. \u201cOnce in a Lifetime\u201d, dos Talking Heads, tra\u00e7a o roteiro e tira o retrato a uma das bandas americanas que, nos anos 70, tirou o rock do lodo do punk e inventou a \u201cnew wave\u201d cerebral.<br \/>\nOs Pere Ubu tinham (e t\u00eam&#8230;) a esquizofrenia, a imagem certa do seu l\u00edder gordo e a ess\u00eancia do rock de garagem injectada nas veias. Os Devo eram os palha\u00e7os cibern\u00e9ticos que lan\u00e7aram a pop electr\u00f3nica para um micro-ondas. Os Suicide rasparam o fundo e recolheram as crostas. Os Television passeavam a eleg\u00e2ncia e a dose certa de electricidade. Os Tuxedomoon apaixonaram-se pela Europa e pelas suas valsas enquanto os Residents se \u201climitaram\u201d a inventar um universo pr\u00f3prio, original e apocal\u00edptico que at\u00e9 hoje continua a esburacar a alma da m\u00fasica popular.<br \/>\nForam estes os pilares que, nos EUA, suportaram a passagem entre duas d\u00e9cadas \u2013 dos 70 coloridos para o cinzentismo dos 80 \u2013 e ajudaram quem mal sabia afinar a guitarra a tornar-se m\u00fasico a s\u00e9rio. Houve, \u00e9 certo, outros, mas cuja influ\u00eancia para o desenrolar do futuro n\u00e3o se fez tanto sentir: The Feeelies, Ramones, Wall of Voodoo&#8230;<br \/>\nOs Talking Heads tinham tudo isso \u2013 a loucura, o circo, a dor, a eleg\u00e2ncia e o dil\u00favio \u2013 mais uma cabe\u00e7a descomunal e o olhar acutilante que usaram para escalpelizar o \u201camerican way of life\u201d, atrav\u00e9s de m\u00fasica e de imagens que recuperaram para o rock o conceito \u201carty\u201d sem lhe tirar um pingo de adrenalina nem tirar o tapete debaixo dos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Para\u00edso<br \/>\n\u201cOnce in a Lifetime\u201d \u00e9 diferente das habituais colect\u00e2neas, a come\u00e7ar pelo formato da embalagem: uma barra\/livro de cart\u00e3o com capa refor\u00e7ada que, aberto, medir\u00e1 \u00e0 vontade um metro de comprimento o que lhe retira, desde logo, qualquer possibilidade de ser arrumada numa prateleira vulgar de CDs.<br \/>\nAs imagens exteriores parecem, \u00e0 primeira vista, as e um calend\u00e1rio que copiou o estilo de Gauguin. Na frente, um beb\u00e9 rodeado de borboletas sorri para um casal de filhotes de lobo. Poderia ser a imagem id\u00edlica do para\u00edso perdido. Abre-se o \u201clivro\u201d, por\u00e9m, e a inoc\u00eancia desaba. Uma mulher, em nu frontal com os detalhes \u00e0 vista, salta no ar em pose de ginasta. Um negro em bermudas pratica boxe contra uma \u00e1rvore. Um adolescente, tamb\u00e9m nu, sorri-se com express\u00e3o idiota, indiferente a que lhe tenha sido arrancado o sexo, com o sangue (o artista n\u00e3o poupou no vermelho) a escorrer entre as pernas.<br \/>\nH\u00e1 mais sangue na \u00e1rvore, outro lobo (este de ar feroz) e, completamente desfasado de tudo o resto, um BMW negro. Tudo em cen\u00e1rio outonal, ouro, azul e mar. Adiante, num segundo tr\u00edptico (com falsas divis\u00f5es em \u201ctrompe l\u2019oeil\u201d): homens e mulheres vestidos como vieram ao mundo, cujos pormenores anat\u00f3micos n\u00e3o poderiam ser mais realistas, convivem com uma leoa, ao fundo a mesma paisagem, mas agora em tons de Ver\u00e3o. A um canto, uma \u00e1rvore tem gravado um enigm\u00e1tico \u201cVal\u00eancia 2001\u201d. A fechar, na contracapa, cinco mulheres (nuas), divertem-se num banho de folhagem, uma delas alimentando um urso beb\u00e9 sob o olhar de uma cor\u00e7a e uma leoa. Cada um interpretar\u00e1 como quiser. Assinam a dupla Vladimir Dubossarsky e Alexander Vinogradov.<br \/>\nDissimulados sob as pinturas, escondem-se os quatro CDs, tr\u00eas \u00e1udio \u2013 magnanimamente remasterizados (incompreensivelmente n\u00e3o existe remasteriza\u00e7\u00e3o de nenhum \u00e1lbum individual dos Talking Heads!) \u2013 e um DVD. O livro, de 80 p\u00e1ginas, oferece tudo o que h\u00e1 para saber da hist\u00f3ria do grupo, da cronologia e pormenores de grava\u00e7\u00e3o de cada disco a diversos ensaios sobre a banda (inclusive pelos pr\u00f3prios elementos), passando por 127 fotos, com data e localiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA m\u00fasica passa em revista toda a discografia, da estreia \u201cTalking Heads\u201977\u201d a \u201cNaked\u201d (1988). Conv\u00e9m come\u00e7ar mesmo pelo in\u00edcio, de maneira a soltar um \u201cahhh!\u201d de admira\u00e7\u00e3o perante os tr\u00eas temas anteriores ao primeiro \u00e1lbum, o swing de mel de \u201cSugar on my tongue\u201d, o single \u201cLove \u2013 Building on Fire\u201d, com um extraordin\u00e1rio arranjo de metais a preparar o terreno para a orgia funky de \u201cRemain in Light\u201d, e \u201cI wish you wouldn\u2019t say that\u201d.<br \/>\nNo DVD alinham-se 13 clips (tr\u00eas in\u00e9ditos), intercalados por pequenos mon\u00f3logos de americanos an\u00f3nimos, em alus\u00f5es mais ou menos obl\u00edquas ao conceito \u201cAo menos uma vez na vida\u201d. Oportunidade para se ouvir uma idosa contar como descobriu tardiamente a sexualidade ou um adolescente congratulando-se por pequenos actos de vandalismo cometidos em festas particulares (ao mesmo tempo que d\u00e1 conselhos de como se deve fazer). Os v\u00eddeos propriamente ditos incluem os cl\u00e1ssicos \u201cWild wild life\u201d, \u201cBurning down the house\u201d, \u201cAnd she was\u201d, \u201cthis must be the place (naive melody)\u201d, \u201cThe lady don\u2019t mind\u201d e \u201cRoad to nowhere\u201d, mostrando o que j\u00e1 se sabia, que os Talking Heads eram imbat\u00edveis na arte de projectar uma imagem de modernismo desconstrutivista. Com um desconjuntado David Byrne a dan\u00e7ar como uma marioneta e refer\u00eancias constantes a edif\u00edcios e objectos dom\u00e9sticos do quotidiano, cruzamento de \u201cready-mades\u201d e \u201ccartoons\u201d desenhados por um assassino psicopata. A transfigura\u00e7\u00e3o (v\u00e1rios rostos para o mesmo corpo) funciona de forma invulgar em \u201cWild wild life\u201d, contando com a participa\u00e7\u00e3o, entre outros, do actor John Goodman ou com a sobreposi\u00e7\u00e3o de rostos e labaredas de \u201cBurning down the house\u201d.<br \/>\n\u201cMore Songs about Buildings and Food\u201d, t\u00edtulo do segundo \u00e1lbum, explica muita coisa. V\u00eaem-se os corpos dos pr\u00f3prios Talking Heads fragmentados num painel de centenas de polaroids, ao estilo David Hockney, e uma fotografia a\u00e9rea do territ\u00f3rio dos EUA. O segredo, como em Laurie Anderson, est\u00e1 nessa viagem-rel\u00e2mpago entre a microscopia e a vis\u00e3o a\u00e9rea. A primeira, como na orelha ampliada at\u00e9 ao absurdo de David Lynch, em \u201cBlue Velvet\u201d, desmonta as texturas, os tecidos, as c\u00e9lulas e os \u00e1tomos de uma realidade feita de logros e apar\u00eancias. \u201cYou may ask yourself why\u201d, canta Byrne em \u201cOnce in a Lifetime\u201d, interrogando-se e interrogando-nos sobre a vacuidade da sociedade de consumo, como voltaria a fazer mais tarde no filme \u201cTrue Stories\u201d. A segunda, ver de cima, permite captar o quadro completo, cada uma e o conjunto de todas as ac\u00e7\u00f5es levadas a cabo em simult\u00e2neo \u2013 a vis\u00e3o do poder.<br \/>\nNo \u201cclip\u201d final, \u201cRoad to Nowhere\u201d, David Byrne repete a mesma dan\u00e7a desarticulada do in\u00edcio, \u201cOnce in a Lifetime\u201d, correndo como um encontro do vazio. Pura ilus\u00e3o. Est\u00e1 parado e \u00e9 o caleidosc\u00f3pio de luzes e sombras, dos pr\u00e9dios e dos autom\u00f3veis, das lojas e dos sacos de compras, das \u201cdiet cokes\u201d e dos \u201chamburguers\u201d, dos \u201cpeep shows\u201d e das esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o, dos an\u00fancios e das ideologias, dos assassinos sem motivo e da crueldade sistem\u00e1tica, tudo e nada, que gira em volta das cabe\u00e7as demasiado despertas. Talking Heads. Elas falam. Agora, gra\u00e7as ao quadro geral de \u201cOnce in a Lifetime\u201d, deixa de haver desculpa para n\u00e3o as ouvirmos.<br \/>\nEste Natal quer oferecer uma prenda brilhante, inteligente e obscena? Fa\u00e7a o seu ar mais inocente e arrisque \u201cOnce in a Lifetime\u201d. Ao menos uma vez na vida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TH.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TH.jpg\" alt=\"\" title=\"TH\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2508\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TH.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TH-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/TH-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Talking Heads<br \/>\nOnce In A Lifetime<br \/>\n3xCD + DVD EMI, distri. EMI-VC<br \/>\n10\/10<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19.12.2003 Talking Heads Modern Talking \u00c9 a colect\u00e2nea definitiva. 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