{"id":2368,"date":"2010-06-28T06:46:02","date_gmt":"2010-06-28T13:46:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2368"},"modified":"2010-06-28T06:48:32","modified_gmt":"2010-06-28T13:48:32","slug":"ana-da-silva-menina-que-estas-a-janela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/06\/28\/ana-da-silva-menina-que-estas-a-janela\/","title":{"rendered":"Ana da Silva: Menina Que Est\u00e1s \u00c0 Janela"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>01.10.2004<br \/>\nN\u00e9on<br \/>\nAna da Silva<br \/>\nMenina Que Est\u00e1s \u00c0 Janela<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva.jpg\" alt=\"\" title=\"anaDaSilva\" width=\"450\" height=\"681\" class=\"alignnone size-full wp-image-2372\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo partiu de um sonho e do desejo de fazer algo sozinha depois do fim das Raincoats. Ana da Silva sonhou que andava \u00e0 deriva no mar, procurando tocar a luz de um farol. Chamou ao seu disco de estreia \u201cLighthouse\u201d, que sair\u00e1 em Novembro pela editora das Chicks On Speed.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva_The-Lighthouse.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva_The-Lighthouse.jpg\" alt=\"\" title=\"anaDaSilva_The Lighthouse\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2369\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva_The-Lighthouse.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva_The-Lighthouse-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaDaSilva_The-Lighthouse-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/diFnmrvBzkM&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/diFnmrvBzkM&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Um farol brilha na escurid\u00e3o. Em volta o mar agitado por ondas alterosas envolve-lhe o corpo, aproximando-a e afastando-a, num incessante movimento de fluxo e refluxo, da luz que brilha no cimo da torre de pedra. Ana da Silva, madeirense a viver em Londres e antigo elemento do grupo \u201cindie\u201d The Raincoats, teve este sonho e aproveitou-o para t\u00edtulo e mote central do seu \u00e1lbum de estreia a solo, \u201cThe Lighthouse\u201d, a editar em Novembro na editora das Chicks on Speed.<br \/>\n\u201cThe Lighthouse\u201d \u00e9 a torre de orienta\u00e7\u00e3o. Ana da Silva, ora com os olhos postos no mar ora fixos nos recantos do seu quarto interior, parece uma crian\u00e7a perdida, a correr \u00e0 chuva atr\u00e1s de um imposs\u00edvel brinquedo. A m\u00fasica, escrita, arranjada e executada pela pr\u00f3pria, \u00e9 assumidamente simples e introspectiva. O autocolante da capa chama-lhe \u201celectric folk\u201d mas \u00e9 falso. O universo de faz de conta, a presen\u00e7a dos elementos naturais e uma forte dimens\u00e3o imag\u00e9tica recordam ocasionalmente os mundos escondidos de Lisa Germano. Mas Ana da Silva n\u00e3o pretende mais do que retratar (ela pinta e faz fotografia como passatempo) estados de esp\u00edrito provocados por coisas t\u00e3o humanas como a amizade, o medo e a tentativa de encontrar um sentido para a exist\u00eancia.<br \/>\nO disco foi sendo feito aos poucos. As palavras foram-se juntando, depois vieram os sons, num beijo estreito. Extinto o grupo que t\u00e3o rasgados elogios recebeu de Kurt Cobain, dos Nirvana (uma digress\u00e3o conjunta chegou a estar marcada s\u00f3 que entretanto o poeta do \u201cgrunge\u201d morreu), Ana da Silva n\u00e3o ficou parada: \u201cResolvi que havia de fazer qualquer coisa sozinha e comecei lentamente a pensar em como fazer, a escolher umas letras, a mexer um bocadinho na guitarra, at\u00e9 que encontrei uma aparelhagem electr\u00f3nica que me permitiu fazer tudo eu pr\u00f3pria, um pequeno sequenciador com teclado acoplado, uma maquineta Yamaha.\u201d As m\u00fasicas foram surgindo para acompanhar as letras. \u201cFui andando, trabalhando sempre, tive que aprender tudo o que tinha a ver com tecnologia MIDI, arranjei um gravador&#8230; Antes n\u00e3o percebia nada, fui aprendendo por mim pr\u00f3pria&#8230;\u201d<br \/>\nPor fim, chegou a um resultado definitivo, pegou na grava\u00e7\u00e3o e mostrou-a a Paul Smith, patr\u00e3o da editora Blast First que j\u00e1 tinha editado um disco das Raincoats. \u201cPara lhe pedir a opini\u00e3o e conselhos, \u00e9 uma pessoa muito conhecedora que gosta de coisas diferentes.\u201d Ele gostou e mostrou-a por sua vez \u00e0s Chicks on Speed, quando estas foram a Londres dar um concerto. A Chicks tamb\u00e9m gostaram de \u201cThe Lighthouse\u201d e ficou decidido que o \u00e1lbum sairia no selo delas. Pelo meio, um dos temas, \u201cModinha\u201d, conta com a participa\u00e7\u00e3o de Stuart Moxham, ex-Young Marble Giants. Um tema de Ant\u00f3nio Carlos Jobim e o \u00fanico cantado em portugu\u00eas. \u201cEsta can\u00e7\u00e3o foi feita antes do meu disco e faz parte do projecto de uma editora francesa com vers\u00f5es de m\u00fasicas do Jobim. O Stuart telefonou-me a perguntar se eu queria cantar uma m\u00fasica do Jobim, eu disse que sim e escolhi esta, que n\u00e3o conhecia.\u201d<br \/>\nDepois h\u00e1 a luz e as sombras que atravessam janelas, v\u00e1rias janelas. A janela de um hospital, diante da qual Ana da Silva passou um dia inteiro, numa visita \u00e0 m\u00e3e internada, agarrada ao seu m\u00f3dulo electr\u00f3nico \u2013 \u201c\u00e9 uma coisa pequena, com uma ficha para ligar \u00e0 electricidade e levei uns auscultadores\u201d, que deu origem ao instrumental \u201cHospital Window\u201d. Ou as janelas sobre as asas do avi\u00e3o em que viajava para a Madeira e onde comp\u00f4s \u201cTwo Windows over the wings\u201d.<br \/>\n\u201cAs janelas separam o aqui do resto\u201d, diz. O \u201caqui\u201d \u00e9 \u201cThe Lighthouse\u201d, o lado de dentro, dos sonhos e das hist\u00f3rias, o \u201cresto\u201d pode ser a passagem do tempo e a observa\u00e7\u00e3o das coisas. Ou as m\u00fasicas que ao longo dos \u00faltimos anos foi ouvindo, \u201cblues\u201d, Chemical Brothers, Jim White, Miss Kittin. O farol, \u201cuma janela de luzes\u201d, o tal sonho. \u201cEu estava na \u00e1gua e queria chegar ao farol mas ficava ali, para a frente e para tr\u00e1s, sem o alcan\u00e7ar.\u201d A capa, uma foto tirada por Ana numa praia em Sunderland, ao p\u00e9 de Newcastle, mostra uma onda. \u201cEstava no cais, quando vinha uma onda havia outra que a empurrava para tr\u00e1s, nunca chegavam a bater, sen\u00e3o tinha morrido\u201d (risos) \u2013 \u201cgosto do mar\u201d. E gosta que a sua m\u00fasica crie imagens nas pessoas que a ouvem. \u201csou uma pessoa bastante visual, sou capaz de estar a ver um filme e estar  interessada mais no que estou a ver do que na hist\u00f3ria. Gosto de olhar para as coisas, de tirar fotografias, de pintar.\u201d<br \/>\n\u201cThe Lighthouse\u201d \u00e9 um disco melanc\u00f3lico mas Ana da Silva recusou a autobiografia expl\u00edcita. \u201cSenti-me um pouco como uma crian\u00e7a perdida\u201d. \u201cCalhou\u201d, explica, \u201cescrever nos momentos de maior melancolia, quando se est\u00e1 sozinho com os pr\u00f3prios pensamento\u201d. Mas esclarece de seguida: \u201cMas n\u00e3o sou depressiva! O que eu sempre quis fazer com as minhas m\u00fasicas \u00e9 que, apesar de terem melancolia e mostrarem a solid\u00e3o, apresentam sempre uma nota positiva. Muitas das can\u00e7\u00f5es acabam no fim por mostrar uma certa esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Escrever Cuidadosamente Palavras<br \/>\nCada can\u00e7\u00e3o de \u201cThe Lighthouse\u201d traz consigo um pequeno filme, um fragmento de viagem ou de mem\u00f3rias. \u201cFriend\u201d fala da \u201camizade e da separa\u00e7\u00e3o, geogr\u00e1fica, ou quando uma das pessoas morre\u201d. \u201cRunning in the rain\u201d \u00e9 um bocado mais complicada, escrita na terceira pessoa. \u201c\u00c0s vezes escrevo na primeira pessoa mas nestes casos prefiro que n\u00e3o se saiba, n\u00e3o sou eu que estou a pensar isso, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 uma autobiografia. Esta tem mais pedacinhos, \u00e9 sobre uma mulher que continua a correr, apesar da chuva, \u00c0 procura de alguma coisa&#8230;\u201d E Ana da Silva, anda \u00e0 procura de qu\u00ea? \u201cn\u00e3o sei, ando sempre a tentar descobrir coisas novas.\u201d E como a inspira\u00e7\u00e3o vem quando menos se espera, Ana nunca se separa de uma caneta mesmo que esta, na maior parte das vezes, sirva para concretizar gestos t\u00e3o comezinhos como o \u201cpreenchimento de um cheque\u201d ou \u201capontar um n\u00famero de telefone\u201d. Em casa escreve e apaga e escreve outra vez cuidadosamente cada palavra, com um l\u00e1pis e uma borracha.<br \/>\nO fasc\u00ednio da imagem torna-se ainda mais evidente em \u201cIn awe of a painting\u201d. \u201cVi um filme sobre o pintor Jean-Michel Basquiat, de quem gosto imenso, passa-se em Nova Iorque e senti-me como se estivesse dentro de um filem. H\u00e1 uma cena que me marcou, onde algu\u00e9m sente as l\u00e1grimas virem aos olhos apenas pela vis\u00e3o de um quadro. Essa capacidade de se ser tocado por uma pintura achei extremamente interessante. \u2018In awe\u2019 significa esse estado de esp\u00edrito entre o espanto e o \u00eaxtase.\u201d<br \/>\n\u201cDisco ball\u201d \u00e9 o aproveitamento de um equ\u00edvoco. \u201cH\u00e1 um disco da Madonna em que ela canta \u2018I feel I just been born\u2019. Mas a primeira vez em que ouvi essa can\u00e7\u00e3o percebi \u2018I feel like a disco ball\u2019, percebi mal. Gostei imenso deste novo verso e como ela n\u00e3o o tinha escrito achei que o podia utilizar. O problema estava em escrever o qu\u00ea sobre algu\u00e9m que se sente como uma bola de discoteca. A resposta \u00e9 que ela reflecte o que est\u00e1 em volta. H\u00e1 coisas que nos fazem brilhar e coisas que nos quebram.\u201d A terminar \u201cClimbing wall\u201d fala do amadurecimento, do que sentimos \u00e0 medida que a vida vai passando. \u201cAmadurecemos, mas h\u00e1 sempre em n\u00f3s uma parte, a tal crian\u00e7a perdida. Quando somos novos achamos que as pessoas s\u00e3o o aspecto que t\u00eam. Se t\u00eam cabelos brancos s\u00e3o velhos, se n\u00e3o t\u00eam s\u00e3o novos, as pessoas de meia-idade s\u00e3o outra coisa. N\u00e3o \u00e9 assim. H\u00e1 pouca coisa que muda dentro de n\u00f3s, aprendemos algumas coisas, ficamos mais ou menos tolerantes. Eu fiquei mais tolerante, entendo que as pessoas s\u00e3o todas diferentes. Somos aquilo que somos por dentro e \u00e9 dif\u00edcil fugir a isso. Temos que procurar limar as nossas arestas mais agudas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01.10.2004 N\u00e9on Ana da Silva Menina Que Est\u00e1s \u00c0 Janela Tudo partiu de um sonho e do desejo de fazer algo sozinha depois do fim das Raincoats. Ana da Silva sonhou que andava \u00e0 deriva no mar, procurando tocar a luz de um farol. 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