{"id":2358,"date":"2010-06-23T08:34:10","date_gmt":"2010-06-23T15:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2358"},"modified":"2010-06-23T08:34:10","modified_gmt":"2010-06-23T15:34:10","slug":"musica-portuguesa-que-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/06\/23\/musica-portuguesa-que-futuro\/","title":{"rendered":"M\u00fasica Portuguesa, Que Futuro?"},"content":{"rendered":"<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Vitorino \u2013 \u201cSe pudesse, gostava de cantar em s\u00e9rvio, ou em ga\u00e9lico. Em ingl\u00eas \u00e9 que n\u00e3o\u2026 Por isso \u00e9 que comecei a cantar em castelhano [num \u00e1lbum recente, \u201cLa Habana 99\u201d, com report\u00f3rio cubano e a presen\u00e7a do Septeto Habanero]\u2026\u201d<br \/>\n\u201cOs textos em ingl\u00eas que muitas bandas cantam est\u00e3o sintacticamente errados.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Am\u00e9lia Muge \u2013 \u201cNada do que o Fernando Pessoa escreveu em ingl\u00eas o impediu de escrever o que escreveu em portugu\u00eas. E o E\u00e7a teve um cargo importante no consulado em Paris. Eu canto em portugu\u00eas, porque \u00e9 a maneira de resolver, em mim pr\u00f3pria, influ\u00eancias que recebo de muitos s\u00edtios. Fazer uma can\u00e7\u00e3o com a mesma mat\u00e9ria, a mesma l\u00edngua, com que penso. Um poema \u00e9, antes de mais, uma base de trabalho sonora\u201d<\/p>\n<p>Miguel Cardona \u2013 \u201cEscrevo em portugu\u00eas e em ingl\u00eas. Quando \u00e9 um \u2018rapport\u2019 autobiogr\u00e1fico, escrevo em portugu\u00eas. \u00c9 a \u00fanica via para ser sincero comigo mesmo. As coisas n\u00e3o me acontecem em ingl\u00eas. Nas quando aio da minha vida, j\u00e1 posso recorrer ao ingl\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Jorge Dias \u2013 \u201cEst\u00e1 associada a quem canta em ingl\u00eas uma ideia de antipatriotismo. \u00c9 uma estupidez completa. N\u00e3o h\u00e1 coisa que mais me entriste\u00e7a do que poder absorver uma islandesa como a Bj\u00f6rk, uns judeus belgas ou uns tipos franceses, todos a cantar em ingl\u00eas, e n\u00e3o conseguir ver ningu\u00e9m do meu pa\u00eds a conseguir vingar l\u00e1 fora, a conseguir mostrar que em Portugal se fazem coisas t\u00e3o actuais e t\u00e3o interessantes como no resto da Europa, sem ser remetido para a categoria do exotismo.\u201d<\/p>\n<p>Rui Reininho \u2013 \u201cOs brasileiros apropriaram-se da linguagem de computador e j\u00e1 falam em \u2018downlodar\u2019 ou \u2018browsar\u2019.\u201d<br \/>\n\u201cNo outro dia reparei num cartaz de uma \u2018rave\u2019. \u00c9 impressionante como se faz uma solicita\u00e7\u00e3o destas sem uma \u00fanica palavra em portugu\u00eas. \u00c9 uma tentativa de globalizar. Em Atenas ou no Senegal seria a mesma coisa. \u00c9 tudo a mesma tribo.\u201d<br \/>\n\u201c\u00c9 importante a defesa da l\u00edngua portuguesa. Aprendi um bocado isso com os nossos amigos galegos. N\u00e3o lhes passa pela cabe\u00e7a cantar em ingl\u00eas. E, se calhar, em certos aspectos, at\u00e9 s\u00e3o mais moderna\u00e7os do que n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>Miguel Cardona \u2013 \u201cOs espanh\u00f3is dobram tudo. Tem a ver com uma certa ideia de na\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, enquanto artistas, reportamo-nos muitas vezes a coisas exteriores. Um guitarrista fala do seu \u2018amp\u2019, num som de \u201cRhodes\u201d, h\u00e1 toda uma linguagem corrente em ingl\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>FM \u2013 O presente, parte 2. As editoras s\u00e3o as bruxas da hist\u00f3ria, porque s\u00f3 promovem o produto que vem de fora. Os \u201cmedia\u201d s\u00e3o vil\u00f5es, porque s\u00f3 escrevem sobre m\u00fasica chinesa. O Estado n\u00e3o apoia. H\u00e1 preconceitos e barreiras a romper.<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 \u201cO rock cantado em portugu\u00eas n\u00e3o sofre da mesma injec\u00e7\u00e3o de espuma que o ingl\u00eas. \u00c9 poss\u00edvel ler nos jornais \u2018revivals\u2019 de Bob Dylan ou Pink Floyd, com a cumplicidade de toda a gente, que n\u00e3o passam de meras manobras de promo\u00e7\u00e3o de limpeza de fundo de cat\u00e1logo. Com certeza que n\u00e3o v\u00e3o buscar os NZZN ou os Tantra e promov\u00ea-los na Am\u00e9rica\u2026\u201d<\/p>\n<p>Vitorino \u2013 A r\u00e1dio n\u00e3o passa m\u00fasica portuguesa, enquanto as percentagens de m\u00fasica anglo-americana s\u00e3o brutais. O Minist\u00e9rio da Cultura s\u00f3 d\u00e1 for\u00e7a ao cinema. Tem que come\u00e7ar a apoiar a m\u00fasica portuguesa. Os Beatles foram condecorados pela Rainha.\u201d<br \/>\nJorge Dias \u2013 \u201cAs bandas que cantam em ingl\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o passam na r\u00e1dio. N\u00e3o por cantarem nesta ou naquela l\u00edngua, mas porque n\u00e3o t\u00eam o apoio de uma grande campanha de \u2018marketing\u2019. N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o. As pessoas limitam-se a colar-se a modelos de sucesso. Como, com raras excep\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se consegue criar c\u00e1 nenhum desses modelos, ningu\u00e9m liga. Quem est\u00e1 nos centros de decis\u00e3o pertence \u00e0 gera\u00e7\u00e3o do Rui, dos que conquistaram para a m\u00fasica a l\u00edngua portuguesa, mas que, de repente, fecharam os olhos. Existe hoje um caciquismo, entre aspas, nos \u2018media\u2019 e, sobretudo, nas editoras. Apresenta-se uma banda a cantar em ingl\u00eas e \u00e9 recusada s\u00f3 por esse facto, nem sequer chegam a ouvir.\u201d<\/p>\n<p>Rui Reininho \u2013 \u201cTenho pena de que ningu\u00e9m tenha rompido aquela barreira do meio milh\u00e3o de discos. Toda a gente encravou nos 300 mil. \u00c9 uma barreira psicol\u00f3gica.\u201d<\/p>\n<p>FM &#8211; O futuro. Globalizar ou resistir. O que \u00e9 que podemos fazer?<br \/>\nTalvez socializar.<\/p>\n<p>Am\u00e9lia Muge \u2013 \u201cAs coisas que v\u00eam do Norte t\u00eam uma conota\u00e7\u00e3o de tecnologicamente mais avan\u00e7adas, enquanto o \u00e9tnico estaria umbilicalmente ligado a um certo terceiro-mundismo. A imagem da m\u00fasica, da cultura portuguesa, enquanto for passivamente vendida sob estas conota\u00e7\u00f5es de mercado, tem que submeter-se \u00e0 m\u00e1xima do \u2018quanto mais \u00e9tnico \u2018 melhor. Se calhar o circuito que vende os Madredeus n\u00e3o \u00e9 o mesmo que vende a m\u00fasica tradicional portuguesa, no seu sentido folcl\u00f3rico.\u201d<\/p>\n<p>Vitorino \u2013 \u201cH\u00e1 uma grande m\u00fasica deste s\u00e9culo, a m\u00fasica anglo-americana dos anos 60 e 70, conotada com um movimento social universal. Depois entrou numa decad\u00eancia horr\u00edvel, quando come\u00e7ou a ficar visual, a ouvir-se atrav\u00e9s dos \u2018clips\u2019. Subverteu-se a escuta. No Midem latino de Miami as estat\u00edsticas afirmavam que nos \u00faltimos tr\u00eas anos a m\u00fasica anglo-sax\u00f3nica j\u00e1 tinha perdido no mundo um espa\u00e7o de 6 por cento para as m\u00fasicas de express\u00e3o castelhana. A \u00fanica possibilidade que temos de exportar uma m\u00fasica cantada em portugu\u00eas no mundo \u00e9 fazer uma alian\u00e7a com os brasileiros, como os espanh\u00f3is t\u00eam com toda a Am\u00e9rica Latina e as Cara\u00edbas. Infelizmente os brasileiros fecharam-se a n\u00f3s nos anos 60, coincidindo com a ditadura.\u201d<br \/>\n\u201cA salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o dos meios. Dentro de uns dois anos eu ou o Rui Reininho podermos gravar em casa sozinhos. Os anglo-sax\u00f3nicos inventaram os \u2018media\u2019 e n\u00f3s vamos aproveitar e socializ\u00e1-los.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[&#8230;] Vitorino \u2013 \u201cSe pudesse, gostava de cantar em s\u00e9rvio, ou em ga\u00e9lico. 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