{"id":2341,"date":"2010-06-21T08:02:07","date_gmt":"2010-06-21T15:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2341"},"modified":"2010-06-21T08:02:07","modified_gmt":"2010-06-21T15:02:07","slug":"ana-moura-aconteceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/06\/21\/ana-moura-aconteceu\/","title":{"rendered":"Ana Moura &#8211; Aconteceu"},"content":{"rendered":"<p>29.10.2004<br \/>\nAna Moura<br \/>\n\u00c0 porta, \u00e0 espera<br \/>\nAconteceu \u00e9 uma mais madura etapa. Mas o grande Fado ainda est\u00e1 \u00e0 espera.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura.jpg\" alt=\"\" title=\"anaMoura\" width=\"450\" height=\"534\" class=\"alignnone size-full wp-image-2343\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura-252x300.jpg 252w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ana Moura<br \/>\nAconteceu<br \/>\n2xCD, ed. E distri. Universal.<br \/>\n6\/10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura_Aconteceu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura_Aconteceu.jpg\" alt=\"\" title=\"anaMoura_Aconteceu\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-2342\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura_Aconteceu.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/anaMoura_Aconteceu-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/104271037\/Ana_Moura_-_Aconteceu__2CDS_.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><br \/>\npwd: oneil<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XO9tw-DAArU&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XO9tw-DAArU&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Ana Moura \u00e9 mais uma das novas fadistas que vieram dar um rosto e uma voz novos ao fado. Ou melhor, mais do que apenas engrossar o lote, ela \u00e9 \u201cuma\u201d. Uma voz diferente das outras, quente e sensual (alguns furos mais grave que a da generalidade das suas colegas) que agora se apresenta no seu segundo \u00e1lbum, \u201cAconteceu\u201d, depois de no ano passado ter gravado \u201cGuarda-me a Vida na M\u00e3o\u201d. Algu\u00e9m com influ\u00eancia no al\u00e9m deve t\u00ea-la ouvido e atendido ao seu pedido. \u201cAconteceu\u201d tem uma m\u00e3o com v\u00e1rios trunfos, a come\u00e7ar pela voz, mais trabalhada e maturada, e a terminar num report\u00f3rio bem escolhido e conduzido. O CD \u00e9 duplo e divide-se em dois discos, o primeiro, \u201c\u00c0 porta do fado\u201d, preenchido por fado musicado, o segundo, \u201cDentro de Casa\u201d, dedicado ao fado tradicional. Ana Moura navega livremente no primeiro, sobre poemas de Sophia de Mello Breyner (\u201cAtrav\u00e9s do teu cora\u00e7\u00e3o\u201d) ou Nat\u00e1lia Correia (\u201cCreio\u201d) e m\u00fasica de Toz\u00e9 Brito, Jorge Fernando, Jo\u00e3o Pedro Pais ou do \u201cjazzman\u201d italiano Arrigo Cappelletti, mas o seu cora\u00e7\u00e3o dispara com o segundo, num fado da meia-noite, num fado corrido ou num fado Ac\u00e1cio.<br \/>\nAna Moura n\u00e3o \u00e9 \u2013 n\u00e3o quer ser? \u2013 fadista de grandes arrebatamentos ou dolorosos extremos. A sua voz e os eu canto preferem o embalo doce, o sussurro ao ouvido, os tempos m\u00e9dios que hipnotizam e fazem suavemente sobressair o sentido das palavras. (&#8230;a poesia\/N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 caligrafia\/S\u00e3o coisas do sentimento\u201d) canta em \u201cAo poeta perguntei\u201d, de Alberto Janes. E, no mesmo poema: \u201cComo a express\u00e3o e os jeitos\/Que p\u2019ra cantar\/Se v\u00e3o dando \u00e0 voz\u201d. Percebe-se que \u00e9 uma intuitiva que se entrega \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e ao sentimento, sem resist\u00eancias, e por isso com a naturalidade e a flu\u00eancia de quem canta como respira. Ou com o rasto ex\u00f3tico que ficou dos tempos em que cantava m\u00fasica pop com o grupo Sexto Sentido, a infiltrar-se por entre as s\u00edlabas e as interjei\u00e7\u00f5es de \u201cAmor de uma noite\u201d, \u201cCreio\u201d e \u201cAtrav\u00e9s do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nNo segundo CD o sentido interior muda e escurece. \u201cHoje tudo me entristece\u201d mostra uma fadista a trabalhar a trag\u00e9dia, mas ainda a rondar do lado de fora da dor, embora j\u00e1 com a imagina\u00e7\u00e3o e a cor do sangue. Fadista e n\u00e3o cantora de fados, a separa\u00e7\u00e3o e op\u00e7\u00e3o s\u00e3o dela. \u201cPassos na rua\u201d d\u00e1 a ver ornamenta\u00e7\u00f5es de ave, a prometer voos mais altos. H\u00e1 ainda \u201cDentro da tempestade\u201d onde \u201ch\u00e1 restos de verdade\/A que a dor tirou sentido\u201d, com a guitarra a golpear uma voz que se despede. \u201cAconteceu\u201d mostra uma fadista a caminho. O que, para j\u00e1, aconteceu, chega para nos acariciar e fazer acreditar num futuro promissor. Falta a solid\u00e3o que torna \u00fanico o fado de quem o canta.<\/p>\n<p>Fado ou Fadistas?<br \/>\nAna Moura nasceu em Santar\u00e9m, h\u00e1 24 anos. Ribatejana, como Cristina Branco. Tamb\u00e9m como Cristina Branco, a Holanda, onde se encontra em digress\u00e3o, \u00e9 ponto importante do seu roteiro de viagem. A transi\u00e7\u00e3o do poprock para o fado foi r\u00e1pida e passou por um convite de Maria da F\u00e9 para cantar no \u201cSenhor Vinho\u201d. Nessa altura o seu report\u00f3rio e experi\u00eancia eram curtos mas os amigos (Jorge Fernando, Manuel Martins, a pr\u00f3pria Maria da F\u00e9) ajudaram. Depois de em \u201cGuarda-me a vida na m\u00e3o\u201d ter contado com uma composi\u00e7\u00e3o de Pedro Ayres de Magalh\u00e3es e a guitarra de Pedro J\u00f3ia, \u201cAcontecendo\u201d imp\u00f4s-lhe a necessidade de gravar um CD inteiro s\u00f3 de fados tradicionais. Os fados musicados est\u00e3o no outro disco porque algumas pessoas, j\u00e1 lhos tinham oferecido. Acabou por sair um disco duplo.<br \/>\n\u201cEm est\u00fadio senti que era dif\u00edcil escolher. Ach\u00e1mos engra\u00e7ado separar os dois g\u00e9neros\u201d. Uma das faixas de \u201c\u00e0 porta do fado\u201d, \u201cAtrav\u00e9s do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d, leva um violoncelo, experi\u00eancia instrumental \u00fanica fora das normas. \u201cEnt\u00e3o no fado tradicional, nem sequer com contrabaixo toco, \u00e9 s\u00f3 guitarra portuguesa, guitarra e baixo\u201d.<br \/>\n\u201cNovo fado\u201d \u00e9 express\u00e3o que para Ana Moura n\u00e3o tem raz\u00e3o de existir. Novos fadistas, sim. \u201cN\u00e3o faz sentido falar em \u2018novo fado\u2019. Assim como aconteceu com a gera\u00e7\u00e3o da Am\u00e1lia, quando se dizia que ela tamb\u00e9m cantava novo fado, por causa dos poetas que cantou, tamb\u00e9m neste momento h\u00e1 letras de poetas que s\u00e3o intemporais, mas h\u00e1 outras que n\u00e3o podem ser cantadas por esta gera\u00e7\u00e3o. O que de novo tentamos trazer ao fado \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o e uma ou outra novidade ao n\u00edvel dos arranjos musicais\u201d.<br \/>\nInsiste em que um fado apenas faz sentido e pode ser cantado com o cora\u00e7\u00e3o quando a letra \u00e9 totalmente interiorizada. \u201cH\u00e1 coisas que eu sei que ainda n\u00e3o sinto\u201d, reconhece com a sinceridade de quem assume que s\u00f3 agora a estrada se come\u00e7ou a revelar, \u201cpode ser que daqui a uns anos&#8230;\u201d. Os versos de Nat\u00e1lia Correia, em \u201cCreio\u201d \u2013 \u201c\u00e9 como se fosse uma ora\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 esses adora-os e canta-os como se fossem seus: \u201cCreio em amores lunares\/Com piano ao fundo\/Creio nas lendas\/Nas fadas, nos atlantes\u201d. N\u00e3o \u00e9 ora\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de rezar. E se ontem foi na pop que acreditava, hoje o fado apoderou-se de todo o seu espa\u00e7o e roubou-lhe todo o seu tempo.<br \/>\n\u201cO fado passou a fazer parte da minha vida\u201d. Demorou quatro anos at\u00e9 essa assun\u00e7\u00e3o tomar conta dela a cem por cento. \u201cMudou por completo a minha vida, eu estava a estudar durante o dia, aguentei a escola durante um ano, entretanto passei a viver mais durante a noite que de dia e abandonei os estudos. A minha vida passou a ser literalmente fado\u201d.<br \/>\nEstranha forma de vida, dir\u00e3o alguns. Numa casa de fados ou numa casa de espect\u00e1culos. \u201c\u00c9 diferente, nas casas de fado h\u00e1 a proximidade das pessoas, \u00e9 uma coisa muito \u00edntima, de improviso, enquanto que nas salas \u00e9 um espect\u00e1culo, com um alinhamento mais ou menos feito\u201d. \u201cMais ou menos\u201d porque o humor muda e Ana Moura s\u00f3 canta \u201co que lhe apetece\u201d. \u201cSe me apetecer cantar outra coisa, eu canto, altero\u201d. Em qualquer dos casos, \u201co fado acontece\u201d. Como uma coincid\u00eancia. Ali\u00e1s, a sua vida tem sido assim, a vida e a carreira, \u201cfeitas de coincid\u00eancias\u201d.<br \/>\nComo coincidentes s\u00e3o a voz com a imagem glamorosa do seu corpo como aparece retratado na capa e nas imagens de promo\u00e7\u00e3o, onde veste um decotado vestido vermelho sobre fundo verde de vegeta\u00e7\u00e3o escura. Poderia passar por uma capa dos Roxy Music se Ana n\u00e3o explicasse o seu fundamento. \u201cgosto muito do vermelho. O vermelho e preto s\u00e3o as minhas cores preferidas. O s\u00edtio das fotos foi o Pal\u00e1cio da Pena em Sintra, lugar que adoro\u201d. Lugar ideal para se cantar o \u201castral mais puro\u201d, dito nos versos de Nat\u00e1lia Correia. O que mais ir\u00e1 acontecer a Ana Moura, s\u00f3 o fado o dir\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29.10.2004 Ana Moura \u00c0 porta, \u00e0 espera Aconteceu \u00e9 uma mais madura etapa. Mas o grande Fado ainda est\u00e1 \u00e0 espera. Ana Moura Aconteceu 2xCD, ed. E distri. Universal. 6\/10 LINK pwd: oneil Ana Moura \u00e9 mais uma das novas fadistas que vieram dar um rosto e uma voz novos ao fado. 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