{"id":2274,"date":"2010-06-02T08:50:02","date_gmt":"2010-06-02T15:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2274"},"modified":"2010-06-02T08:50:02","modified_gmt":"2010-06-02T15:50:02","slug":"barro-doce-dulce-pontes-fala-de-%e2%80%9co-primeiro-canto%e2%80%9d-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/06\/02\/barro-doce-dulce-pontes-fala-de-%e2%80%9co-primeiro-canto%e2%80%9d-entrevista\/","title":{"rendered":"Barro Doce: Dulce Pontes Fala De \u201cO Primeiro Canto\u201d &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>01.10.1999<br \/>\nBarro Doce<br \/>\nDulce Pontes Fala De \u201cO Primeiro Canto\u201d, O Seu \u00c1lbum Mais Recente<br \/>\nLiberta das l\u00e1grimas do fado, Dulce Pontes renovou a sua imagem e a sua m\u00fasica. No seu novo \u00e1lbum, \u201cO Primeiro Canto\u201d, cobriu-se de barro, despiu-se da electr\u00f3nica e das roupas para encontrar a nudez essencial do canto, expresso nos quatro elementos e numa busca insaci\u00e1vel de novas sonoridades.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/dulcePontes_OPrimeiroCanto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/dulcePontes_OPrimeiroCanto-300x300.jpg\" alt=\"\" title=\"dulcePontes_OPrimeiroCanto\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2275\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/dulcePontes_OPrimeiroCanto-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/dulcePontes_OPrimeiroCanto-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/dulcePontes_OPrimeiroCanto.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/376657220\/dulce_pontes_o_primeiro_canto.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/guOKjSv0SsE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/guOKjSv0SsE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Kepa Junkera, Myrdhin, Anders Norudde (dos Hednongarna), Justin Vali, Wayne Shorter, Trilok Gurtu, Jacques Morelenbaum, Maria Jo\u00e3o e Waldemar Bastos participam todos no novo \u00e1lbum de Dulce Pontes, \u201cO Primeiro Canto\u201d. Dulce Pontes explicou ao P\u00daBLICO a sua aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cworld music\u201d e a redescoberta de si pr\u00f3pria. Atrav\u00e9s da nudez \u2013 do corpo, da alma e da voz.<br \/>\nFM \u2013 Como \u00e9 que conseguiu juntar tanta gente importante para participar neste disco?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Os nossos caminhos cruzaram-se, numa ou noutra altura. Identifiquei-me com o tipo de linguagens que todos eles desenvolvem. Apareceu primeiro o conceito, a composi\u00e7\u00e3o dos temas e, a partir da\u00ed, surgiu a ideia concreta do tipo de sonoridades que queria ouvir. Fui estabelecendo os contactos\u2026<br \/>\nFM \u2013 Em \u201c\u00c9 t\u00e3o grande o Alentejo\u201d juntou um didjeridoo australiano, uma gaita-de-foles sueca e o cante alentejano dos Ganh\u00f5es de Castro Verde. Combina\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo, pouco vulgar, n\u00e3o acha?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 A ideia inicial previa apenas o didjeridoo mas achei que n\u00e3o funcionava por si s\u00f3. Quando o Anders chegou ao est\u00fadio e ouvi o timbre da gaita-de-foles, senti que era isso mesmo que fazia l\u00e1 falta.<br \/>\nFM \u2013 Qual a fun\u00e7\u00e3o dos quatro elementos no contexto de \u201cO Primeiro Canto\u201d?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Serviram como fio condutor de uma busca \u2013 o regresso a uma certa origem, a uma nudez essencial que est\u00e1 presente em todas as coisas e em todas as pessoas. Ao mesmo tempo tem rela\u00e7\u00e3o com outro tipo de busca, de sonoridades ligadas ao vento ou \u00e0 \u00e1gua, por a\u00ed fora, at\u00e9 tentei transmitir o som das pedras. Liga\u00e7\u00f5es a um lado cultural mas tamb\u00e9m tel\u00farico. Como encontrei, por exemplo, nos Ganh\u00f5es de Castro Verde, na for\u00e7a da sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 terra.<br \/>\nFM \u2013 Esse processo foi um retrocesso, um andar para tr\u00e1s at\u00e9 \u00e0 fonte?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Foi um processo intenso, continua a ser, \u00e9 um processo de uma vida inteira. \u00c9 f\u00e1cil estabelecer rela\u00e7\u00f5es esot\u00e9ricas neste \u00e1lbum mas n\u00e3o foi isso que pretendi. Claro que h\u00e1 algum esoterismo inerente mas n\u00e3o foi premeditado. \u00c9 unicamente a procura de uma certa nudez.<br \/>\nFM \u2013 Dedica um dos temas do \u00e1lbum, precisamente o t\u00edtulo-tema, a Jos\u00e9 Afonso. At\u00e9 que ponto ele foi importante para a g\u00e9nese deste disco?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Pode fazer-se um paralelo entre os m\u00e9todos que ele utilizava e os que segui neste disco. E aprendo sempre, cada vez que ou\u00e7o os seus discos. Aprendo, sobretudo, uma atitude perante a vida que se transmite atrav\u00e9s da m\u00fasica.<br \/>\nFM \u2013 \u00c9 verdade que fez grava\u00e7\u00f5es de campo antes de entrar em est\u00fadio?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Sim, andei por Miranda-do-Douro, Sendim, por Idanha-A-Nova, Castro Verde. Mas acabei por n\u00e3o aproveitar grandes coisas. Pretendo desenvolver com ele um trabalho relacionado s\u00f3 com folclore. Quando parti para essa pesquisa j\u00e1 tinha a maioria dos temas compostos e senti, em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho de campo, que at\u00e9 acabava por haver uma riqueza menor em compara\u00e7\u00e3o ao que tinha recolhido.<br \/>\nFM \u2013 At\u00e9 que ponto \u00e9 que este disco determinou uma diversifica\u00e7\u00e3o dos seus registos vocais? H\u00e1 mais e diferentes vozes em \u201cO Primeiro Canto\u201d que em todos os seus discos anteriores juntos\u2026<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Tudo isso se prende com a voz ser um instrumento. Mais uma sonoridade ao servi\u00e7o do todo. Foi tamb\u00e9m uma busca da delicadeza, n\u00e3o s\u00f3 da for\u00e7a. Consegui com este tipo de sonoridade diferentes \u201cnuances\u201d e formas de interpretar, antes era mais dif\u00edcil, com toda a parafern\u00e1lia electr\u00f3nica. Era mais pe\u00e7a for\u00e7a. Comecei a sentir que era muito mais fiel a mim pr\u00f3pria havendo mais espa\u00e7o para a voz.<br \/>\nFM \u2013 \u201cModinha das Saias\u201d \u00e9 um canto a tr\u00eas entre si, Maria Jo\u00e3o e a cantora l\u00edrica Gemma Bertagnolli.<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Encontrei Gemma Bertagnolli nos espect\u00e1culos que fiz com o Ennio Morricone, em Roma. Houve uma grande empatia, fic\u00e1mos no mesmo camarim. Quanto \u00e0 Maria Jo\u00e3o, j\u00e1 a admiro h\u00e1 muito tempo e sempre tive vontade de trabalhar com ela. Fiz a \u201cModinha das Saias\u201d quando ia a caminho de Miranda, a pensar numa imagem que o T\u00f3 Pinheiro da Silva me descrevera: um vulc\u00e3o na ilha Graciosa em cuja cratera a luz entra numa determinada perspectiva e onde existe uma reverbera\u00e7\u00e3o de onze segundos. N\u00e3o sei porqu\u00ea, pensei em n\u00f3s tr\u00eas naquele s\u00edtio. Grav\u00e1mos as tr\u00eas ao mesmo tempo, nada de \u201ctakes\u201d separados.<br \/>\nFM \u2013 A presen\u00e7a neste disco de tantos convidados ilustres vai facilitar-lhe a entrada no mercado da \u201cworld music\u201d? Kepa Junkera j\u00e1 a convidou para \u201cBilbao: 00h00\u201d. Podem seguir-se mais convites\u2026<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Mercado com o qual me identifico muito, muito mesmo. Estou a lembrar-me de uma jam session que fiz h\u00e1 uns tempos em Israel, onde estava tamb\u00e9m o Salif Keita. Cantei com irlandeses e com um grupo de percuss\u00f5es hindu. Ao todo, \u00e9ramos para a\u00ed uns 50. Foi uma jam session \u201cnon stop\u201d.<br \/>\nFM \u2013 Fez algum tipo de investiga\u00e7\u00e3o sobre os instrumentos, alguns deles bastante ex\u00f3ticos, aos quais recorre no \u00e1lbum?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Fui fazendo viagens. Em rela\u00e7\u00e3o ao Carlos Blanco Fadol, por exemplo, foi uma coincid\u00eancia muito gira. Ele apareceu, de repente, no ensaio do concerto que eu fiz c\u00e1 com a Ces\u00e1ria \u00c9vora e a Marisa Monte, a dizer que tinha 1800 instrumentos \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o. Ele tem um museu de m\u00fasica \u00e9tnica em Alicante, constr\u00f3i instrumentos, j\u00e1 escreveu livros. A coincid\u00eancia m\u00e1xima foi ele ter-me dito que andava j\u00e1 h\u00e1 algum tempo a investigar a constru\u00e7\u00e3o de instrumentos relacionados com os quatro elementos. Nessa altura, mal ele sabia o que eu andava a fazer\u2026<br \/>\nFM \u2013 Sente alguma empatia com algum instrumento em especial?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Para al\u00e9m de a minha voz poder sentir-se mais ou menos confort\u00e1vel com algum instrumento, gosto do desafio, de explorar coisas diferentes. A forma como o Jacques [Morelenbaum] escreve os arranjos para solistas \u00e9 fabuloso. \u00c9 como se ele cantasse ao mesmo tempo. Lembro-me quando lhe mandei os demos, escrevi alguns textozinhos a explicar, \u00e0s vezes de forma muito metaf\u00f3rica, qual era a ideia de cada um. Pensei que ele n\u00e3o ia perceber nada, mas n\u00e3o, percebeu de forma impressionante o que eu pretendia. Ele \u00e9 uma grande parte deste trabalho.<br \/>\nFM \u2013 Quem \u00e9 a figura que aparece na capa?<br \/>\nDULCE PONTES \u2013 Sou eu, coberta de barro. Estava mesmo nua. Quis transmitir a ideia de que o corpo \u00e9 apenas um inv\u00f3lucro. A posi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os pode sugerir um dar e receber impl\u00edcitos. Tamb\u00e9m uma espera, uma aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01.10.1999 Barro Doce Dulce Pontes Fala De \u201cO Primeiro Canto\u201d, O Seu \u00c1lbum Mais Recente Liberta das l\u00e1grimas do fado, Dulce Pontes renovou a sua imagem e a sua m\u00fasica. 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