{"id":2257,"date":"2010-05-31T06:25:32","date_gmt":"2010-05-31T13:25:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2257"},"modified":"2010-05-31T06:25:32","modified_gmt":"2010-05-31T13:25:32","slug":"entrevista-com-meira-asher-%e2%80%9cvamos-la-purificar-o-mundo%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/31\/entrevista-com-meira-asher-%e2%80%9cvamos-la-purificar-o-mundo%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Meira Asher: \u201cVamos L\u00e1 Purificar O Mundo\u201d"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>02.07.1999<br \/>\nEntrevista Com Meira Asher<br \/>\n\u201cVamos L\u00e1 Purificar O Mundo\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/MeiraAsher1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/MeiraAsher1-280x300.jpg\" alt=\"\" title=\"MeiraAsher1\" width=\"280\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2259\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/MeiraAsher1-280x300.jpg 280w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/MeiraAsher1-957x1024.jpg 957w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/MeiraAsher1.jpg 1519w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher2-300x260.jpg\" alt=\"\" title=\"meiraAsher2\" width=\"300\" height=\"260\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2260\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher2-300x260.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher2.jpg 736w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com \u201cSpears Into Hooks\u201d, editado no princ\u00edpio deste ano, Meira Asher pretendeu \u201cespelhar os traumas e a viol\u00eancia do mundo, para que as pessoas compreendam o que se passa\u201d. Depois de um apocal\u00edptico concerto no Porto, o P\u00daBLICO falou, por sua conta e risco, com esta israelita que gosta de provocar os fan\u00e1ticos e para quem o torturado se transforma, inevitavelmente, no torturador. Purifica\u00e7\u00e3o pelo dil\u00favio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher_SpearsIntoHooks.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher_SpearsIntoHooks.jpg\" alt=\"\" title=\"meiraAsher_SpearsIntoHooks\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2258\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher_SpearsIntoHooks.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher_SpearsIntoHooks-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/meiraAsher_SpearsIntoHooks-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/letitbit.net\/download\/6849.db6ed87d6037ffe1179647d70\/_1999__Spears_into_Hooks.zip.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Vtqwiw-8NJA&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Vtqwiw-8NJA&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>A intensidade do discurso de Meira Asher tem a mesma for\u00e7a e o mesmo car\u00e1cter de desafio que est\u00e3o presentes nos seus discos e, de forma ainda mais radical, como o Porto teve oportunidade de testemunhar, nos espect\u00e1culos ao vivo. A \u201cworld music\u201d deixou de ser uma coisa inofensiva, quando a israelita entrou em cena.<br \/>\nFM \u2013 No concerto do fim-de-semana passado no Porto, parte da assist\u00eancia n\u00e3o conseguiu suportar a viol\u00eancia da sua m\u00fasica. Costuma acontecer isso com frequ\u00eancia?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Talvez n\u00e3o estivessem suficientemente preparados. Mas os que ficaram ouviram com aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 me aconteceu tocar em recintos absolutamente vazios, em que as pessoas rejeitaram em absoluto a minha m\u00fasica. No Porto houve emo\u00e7\u00f5es desencontradas, de choque e excita\u00e7\u00e3o. Em todos os meus concertos h\u00e1 sempre gente que sai. Se isso n\u00e3o acontecesse \u00e9 que ficaria preocupada.<br \/>\nFM \u2013 O que aconteceu entre \u201cDissected\u201d e \u201cSpears Into Hooks\u201d? N\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre estes dois trabalhos\u2026<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 \u201cDissected\u201d representou o culminar de dez anos em que estive envolvida no estudo da m\u00fasica cl\u00e1ssica o Norte da \u00cdndia e das percuss\u00f5es africanas. Usei processos de composi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos quais procurei formas diferentes de express\u00e3o para a l\u00edngua hebraica. \u201cSpears Into Hooks\u201d \u00e9 um \u00e1lbum conceptual. Nunca me considerei integrada na m\u00fasica \u00e9tnica. N\u00e3o se trata de uma influ\u00eancia, mas de uma viv\u00eancia. Foi isso que fiz quando estudei m\u00fasica indiana. Durante sete ou oito anos dediquei-me exclusivamente a cantar no estilo \u201cdhrupad\u201d.<br \/>\nFM \u2013 Ao contr\u00e1rio de \u201cDissected\u201d, em que os elementos ac\u00fasticos eram preponderantes, \u201cSpears Into Hooks\u201d \u00e9 um disco que, em termos formais, se pode conotar com a m\u00fasica electr\u00f3nica industrial.<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Deixei Israel h\u00e1 dois anos para ir viver no Ocidente, onde me familiarizei, de forma natural, com a electr\u00f3nica. Decidi explorar a problem\u00e1tica das rela\u00e7\u00f5es entre a Palestina e Israel atrav\u00e9s deste meio, o que me permitiu atingir o n\u00edvel de intensidade e de ru\u00eddo que procurava.<br \/>\nFM \u2013 Por que raz\u00e3o gravou \u201cSpears Into Hooks\u201d em Ljubljana, na Eslov\u00e9nia, a cidade sede dos Laibach?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Conhe\u00e7o e aprecio bastante os Laibach. Fizeram um trabalho importante, de grande discernimento pol\u00edtico e social. Abriram as mentes das pessoas. S\u00e3o artistas completos. Escolhi esta cidade por outras raz\u00f5es, encontrei l\u00e1 m\u00e9todos de trabalho que me agradaram. Depois de um curto per\u00edodo em que vivi em Londres, regressei a Israel j\u00e1 com os textos do \u00e1lbum prontos. Trabalhei nessa altura com um ingl\u00eas, Jeremy Azies, m\u00fasico e etnomusicologista, especialista na m\u00fasica funer\u00e1ria dos Camar\u00f5es. Os temas \u201cTiring night\u201d e \u201cWeekend away break\u201d, por exemplo, foram escritos em conjunto pelos dois. Londres n\u00e3o me inspirou. \u00c9 uma cidade demasiado virada para a moda e para as \u00faltimas tend\u00eancias. J\u00e1 tinha alguns conhecimentos na Eslov\u00e9nia e estabeleci os meus contactos, sobretudo atrav\u00e9s do Aldo, um dos m\u00fasicos do grupo Borghesia, que acabou por funcionar, um pouco, como produtor executivo na Eslov\u00e9nia. Encontrei na Eslov\u00e9nia a energia certa para gravar. Al\u00e9m disso, \u00e9 um lugar com ra\u00edzes balc\u00e2nica, que s\u00e3o tamb\u00e9m, em particular, as minhas, uma vez que o meu pai \u00e9 b\u00falgaro e os meus av\u00f3s maternos s\u00e3o russos, mais exactamente da Let\u00f3nia.<br \/>\nFM \u2013 \u201cSpears Into Hooks\u201d pode ser encarado como a \u201cm\u00fasica do mundo\u201d contempor\u00e2neo?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 A \u201cworld music\u201d n\u00e3o pode ser aquilo que a ind\u00fastria quer que ela seja. \u201cWorld Music\u201d pode ser facilmente aquilo que fa\u00e7o., embora pare\u00e7a n\u00e3o se adaptar ao termo. A escolha da minha m\u00fasica para a programa\u00e7\u00e3o do festival do Porto foi muito inteligente, j\u00e1 que ela reflecte a realidade actual do M\u00e9dio Oriente. H\u00e1 quem se contente em fazer can\u00e7\u00f5es com base no verso e no refr\u00e3o. Eu n\u00e3o. Se algu\u00e9m espeta uma faca no est\u00f4mago de outra pessoa, eu quero que se ou\u00e7a o som das tripas a sangrar.<br \/>\nFM \u2013 Disse que duas das doen\u00e7as que afectam o indiv\u00edduo neste final do s\u00e9culo XX s\u00e3o a cobardia e a apatia. S\u00e3o os seus principais inimigos?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Sim. Quando se passa sucessivamente por v\u00e1rias guerras, e por toda a esp\u00e9cie de viol\u00eancia, como acontece no L\u00edbano, por exemplo, ao fim de 32 anos de ocupa\u00e7\u00e3o, acaba por se desenvolver a apatia. E por crescer uma \u201cpele de elefante\u201d, como eu costumo dizer. Uma armadura de apatia que faz da pessoa um cobarde. Deixa-se de querer mostrar os ferimentos, de falar sobre o assunto. De encarar de frente o problema.<br \/>\nFM \u2013 Em que \u00e9 que o mundo se est\u00e1 a tornar?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Caminha para a globaliza\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, no sentido do conforto econ\u00f3mico. Funciona sobre o princ\u00edpio simples da acumula\u00e7\u00e3o de poder. Gira tudo em torno do poder e n\u00e3o se pode fazer nada contra isso. Faz parte da nossa natureza, acumular mais e mais poder at\u00e9 nos tornarmos o vencedor absoluto.<br \/>\nFM \u2013 \u201cSpears Into Hooks\u201d reflecte experi\u00eancias pessoais, sem d\u00favida, mas que tamb\u00e9m v\u00e3o buscar material \u00e0 mem\u00f3ria colectiva\u2026<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Sim, acredito que uma parte da Hist\u00f3ria da Europa \u2013 de h\u00e1 50 anos atr\u00e1s \u2013 se transferiu para o M\u00e9dio Oriente, para um pequeno local chamado Israel. Foi uma das consequ\u00eancias do Holocausto. Da\u00ed o paralelo que estabele\u00e7o entre o holocausto nazi e o holocausto palestiniano. Quem sofreu torturas e vagueia por a\u00ed cheio de traumas, provocados pelo Holocausto, pode tornar-se facilmente o torturador. Como uma crian\u00e7a maltratada pelos pais que, em adulta, se torna o pai que maltrata os filhos. \u00c9 um desenvolvimento natural. Ou um contradesenvolvimento\u2026 \u201cSpears Into Hooks\u201d espalha amor de uma maneira negativa. Pretende espelhar os traumas e a viol\u00eancia para que as pessoas compreendam o que se passa.<br \/>\nFM \u2013 No seu espect\u00e1culo, a frase \u201cBirkenau, aqui e agora\u201d repete-se de forma obsessiva, como um sinal de alarme.<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Sim, tudo continua, independentemente do nome do campo de concentra\u00e7\u00e3o. Os princ\u00edpios permanecem os mesmos.<br \/>\nFM \u2013 Tem alguma explica\u00e7\u00e3o para os horrores que aconteceram na II Guerra Mundial?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 N\u00e3o se pode racionalizar. Foi uma esp\u00e9cie de\u2026 \u00e9 dif\u00edcil explicar por palavras\u2026 como se as coisas se juntassem todas num determinado sentido para dar origem a um acontecimento anormal. O mais importante foi o que aconteceu depois, os desenvolvimentos que deram origem \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e, por consequ\u00eancia, da Europa e do M\u00e9dio Oriente.<br \/>\nFM \u2013 \u00c9 uma pessoa religiosa?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 N\u00e3o, de maneira nenhuma.<br \/>\nFM \u2013 N\u00e3o acredita em nada?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 Acredito no poder que nos faz viver e agir. Acredito que existe uma energia que nos conduz. Acredito na intui\u00e7\u00e3o. E nas pessoas. O que tento dizer e partilhar com as pessoas \u00e9 algo muito simples: \u201cO que \u00e9 que pode desenvolver-se a partir de uma realidade violenta?\u201d e \u201cEstamos, de facto, prontos, para trazer mais crian\u00e7as a um mundo dominado pela viol\u00eancia?\u201d. Somos suficientemente respons\u00e1veis? \u00c9 justo?<br \/>\nFM \u2013 Um dos temas mais fortes de \u201cSpears Into Hooks\u201d \u00e9 \u201cThe Flood\u201d, o dil\u00favio. O Apocalipse est\u00e1 pr\u00f3ximo?<br \/>\nMEIRA ASHER \u2013 \u00c9 a hist\u00f3ria cl\u00e1ssica da B\u00edblia, um grande livro de poesia. A vers\u00e3o em ingl\u00eas soa de forma completamente diferente do original em hebraico. Gosto de provocar os fan\u00e1ticos. Em \u201cThe Flood\u201d \u2013 que, segundo a Cabala, se assemelha muito ao Holocausto, raz\u00e3o por que pus o tema sobre Birkenau logo a seguir -, escolhi aquela parte em que Deus diz a No\u00e9: \u201c\u2019Ok, man\u2019, prepara-te!\u201d [Risos.] Vamos l\u00e1 purificar o mundo um bocadinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>02.07.1999 Entrevista Com Meira Asher \u201cVamos L\u00e1 Purificar O Mundo\u201d Com \u201cSpears Into Hooks\u201d, editado no princ\u00edpio deste ano, Meira Asher pretendeu \u201cespelhar os traumas e a viol\u00eancia do mundo, para que as pessoas compreendam o que se passa\u201d. 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