{"id":2233,"date":"2010-05-26T02:45:08","date_gmt":"2010-05-26T09:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2233"},"modified":"2010-05-26T02:45:08","modified_gmt":"2010-05-26T09:45:08","slug":"setima-legiao-%e2%80%9csexto-sentido%e2%80%9d-muda-sonoridade-do-grupo-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/26\/setima-legiao-%e2%80%9csexto-sentido%e2%80%9d-muda-sonoridade-do-grupo-entrevista\/","title":{"rendered":"S\u00e9tima Legi\u00e3o: \u201cSexto Sentido\u201d Muda Sonoridade Do Grupo &#8211; entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>19.02.1999<br \/>\n\u201cSexto Sentido\u201d Muda Sonoridade Do Grupo<br \/>\nLegi\u00e3o Estrangeira<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/setimaLegiao_SextoSentido.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/setimaLegiao_SextoSentido.jpg\" alt=\"\" title=\"setimaLegiao_SextoSentido\" width=\"465\" height=\"457\" class=\"alignnone size-full wp-image-2234\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/setimaLegiao_SextoSentido.jpg 465w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/setimaLegiao_SextoSentido-300x294.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/125300000\/Sexto_Sentido.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KedD9uRm5rY&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KedD9uRm5rY&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Seis anos depois de \u201cO Fogo\u201d, os S\u00e9tima Legi\u00e3o voltaram a reunir-se para gravar um novo \u00e1lbum, \u201cSexto Sentido\u201d, um trabalho marcado pela tecnologia e pelo tratamento de samples que funde a alma da S\u00e9tima numa alface virtual. M\u00fasica menos f\u00edsica e mais mental, nas palavras do grupo. E muito mais internacional.<\/p>\n<p>T\u00e3o ou mais surpreendente do que a mudan\u00e7a radical nos m\u00e9todos de trabalho e grava\u00e7\u00e3o deste novo \u00e1lbum da S\u00e9tima \u00e9 o facto de, passado um interregno de seis anos, os intervenientes serem os memso e, ainda por cima, estarem sintonizados na mesma onda musical. Um caso de f\u00e9 inabal\u00e1vel num projecto e num conceito que passou a ter forma exclusiva nas m\u00e1quinas e nas mentes dos m\u00fasicos. \u201cSexto Sentido\u201d existe apenas enquanto utopia sonora e espa\u00e7o convergente de diversas sensibilidades unidas pelo prop\u00f3sito da descoberta e reconvers\u00e3o. Daquilo a que, com boa vontade, ainda poderemos chamar tradi\u00e7\u00e3o, mas agora j\u00e1 transmutada num mutante abstracto que se alimenta do imagin\u00e1rio planet\u00e1rio. O P\u00daBLICO samplou as ideias de tr\u00eas dos alquimistas, Gabriel Gomes, Pedro Oliveira e Paulo Abelho.<br \/>\nFM &#8211; Ao escutar-se \u201cSexto Sentido\u201d tem-se a impress\u00e3o de que a m\u00fasica se esgota numa dimens\u00e3o exterior, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 anterior realidade do grupo, como \u00e0 pr\u00f3pria fisicalidade do som. Como conceitos a pairarem num mundo de imponderabilidade&#8230;<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; Isso deve-se ao diferente m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o que utiliz\u00e1mos. Nem toda a gente estava disposta a ir para uma garagem passar quatro meses a ensaiar. Foi muito mais f\u00e1cil agarrar nos compositores e respectivas composi\u00e7\u00f5es e junt\u00e1-los consoante a disponibilidade de cada um.<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; Al\u00e9m do facto de cada um de n\u00f3s ter desenvolvido, entretanto, diferentes m\u00e9todos de trabalho.<br \/>\nFM &#8211; As composi\u00e7\u00f5es deixaram de ser assinadas pelo colectivo para passarem a ser assinadas pelos nomes pr\u00f3prios dos m\u00fasicos, em diversas combina\u00e7\u00f5es.<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; O que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja um interc\u00e2mbio e uma comunh\u00e3o.<br \/>\nFM &#8211; Querem dizer que, embora tivessem seguido carreiras separadas, acabaram todos por convergir ao mesmo tempo numa est\u00e9tica comum?<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; O que acontece \u00e9 que, desde o in\u00edcio, h\u00e1 15 anos, que somos amigos. Continu\u00e1mos todos a andar juntos, a sairmos \u00e0 noite, com neg\u00f3cios comuns&#8230;<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; O Pedro, sobretudo, serviu de elo entre todos. Mas o que uniu tudo foi a mat\u00e9ria musical. E isso \u00e9 que foi o mais engra\u00e7ado. Embora separados, quando nos junt\u00e1mos para est\u00fadio, est\u00e1vamos todos no mesmo s\u00edtio.<br \/>\nFM &#8211; Como \u00e9 que surgiu a ideia de erguer toda a arquitectura de \u201cSexto Sentido\u201d com alicerces nos samplers? \u00c9 um mundo alheio \u00e0 S\u00e9tima Legi\u00e3o antiga&#8230;<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; \u00c9 verdade que oper\u00e1mos com base em samples e nos sintetizadores, mas sem qualquer sentido arquivista.<br \/>\nPEDRO OLIVEIRA &#8211; Deix\u00e1mos de respeitar as regras de um grupo pop. Este disco \u00e9 um disco de v\u00e1rios compositores com um elo comum.<br \/>\nFM &#8211; Mas n\u00e3o acham que \u00e1lbum soa um pouco a produto de laborat\u00f3rio?<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; Us\u00e1mos m\u00e9todos diferentes para trabalhar o som. \u00c9 evidente que, quando se trabalha com tecnologia, tem que se utilizar m\u00e9todos laboratoriais. Mas acho que, por exemplo, nas figuras da gaita-de-foles ou do acorde\u00e3o, tent\u00e1mos criar \u201ctakes\u201d o mais espont\u00e2neos poss\u00edvel, gravados \u00e1 primeira. Inclusive, deix\u00e1mos algumas coisas que n\u00e3o quisemos corrigir. A grande inova\u00e7\u00e3o deste disco \u00e9, de facto, o som.<br \/>\nFM &#8211; No caso das vocaliza\u00e7\u00f5es sobre vozes sampladas, de que forma \u00e9 que esta interac\u00e7\u00e3o modifica a interpreta\u00e7\u00e3o em tempo real? Esta quest\u00e3o dirige-se, como \u00e9 \u00f3bvio, ao Pedro.<br \/>\nPEDRO OLIVEIRA &#8211; \u00c9 intuitivo. Quando sentes que algu\u00e9m est\u00e1 a cantar ao teu lado, de uma maneira n\u00e3o f\u00edsica, isso molda a nossa maneira de cantar. Se n\u00e3o houvesse a voz de uma senhora do campo a cantar, eu cantaria, de certeza, e outra maneira.<br \/>\nFM &#8211; At\u00e9 que ponto \u201cSexto Sentido\u201d foi composto, n\u00e3o s\u00f3 no, mas com o pr\u00f3prio est\u00fadio?<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; Sobretudo na fase final, nos \u00faltimos meses, come\u00e7\u00e1mos a simplificar as coisas. Sem d\u00favida que houve pormenores que s\u00f3 apareceram no est\u00fadio.<br \/>\nFM &#8211; Concordam que, com este disco, a S\u00e9tima respira j\u00e1 alguns ares de m\u00fasica de dan\u00e7a?<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; H\u00e1 uma sonoridade mais contempor\u00e2nea, mais pr\u00f3xima de algumas correntes actuais. Mas n\u00e3o se trata de um \u201cbeat\u201d de m\u00fasica de dan\u00e7a. Mas, se reparar, todos os concertos da S\u00e9tima Legi\u00e3o eram de dan\u00e7a, as pessoas dan\u00e7avam do princ\u00edpio ao fim&#8230;<br \/>\nFM &#8211; \u201cSexto Sentido\u201d \u00e9 um disco de fus\u00e3o. Em que sentido \u00e9 que aceitam, se \u00e9 que aceitam, este termo?<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; N\u00e3o se tratou de agarrar em tudo e meter numa panela, mas de fundir as sonoridades, os instrumentos ac\u00fasticos com os electr\u00f3nicos.<br \/>\nFM &#8211; Mas na\u00f5 concordam que a sonoridade global do disco se insere numa vertente internacional bastante identific\u00e1vel?<br \/>\nPEDRO OLIVEIRA &#8211; N\u00e3o foi propositado. Mas o que \u00e9 isso de ser ou n\u00e3o portugu\u00eas? Os Gaiteiros de Lisboa, por exemplo, est\u00e3o cada vez menos portugueses.<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; Tem a ver com a produ\u00e7\u00e3o, com a forma de tratar os om. E a\u00ed, concordo, \u00e9 um som mais interbnacional do que portugu\u00eas. Outro exemplo: ouvi no outro dia os DNA, t\u00eam um som exactamente igual aos U2&#8230; Incr\u00edvel. Mas s\u00e3o portugueses. O som de uma banda de recolha?<br \/>\nPEDRO OLIVEIRA &#8211; Desde o in\u00edcio tivemos sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter como objectivo est\u00e9tico o aproveitamento da portucalidade, da tradi\u00e7\u00e3o, etc&#8230; H\u00e1 15 anos us\u00e1vamos uma gaita-de-foles apenas porque ficava bem. Nunca quisemos fazer qualquer transposi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o para m\u00fasica pop.<\/p>\n<p>Alfaces e Fractais<\/p>\n<p>FM &#8211; Existem fac\u00e7\u00f5es diferentes na S\u00e9tima, uma mais tecnol\u00f3gica e outra mais ac\u00fastica? Referimo-nos ao Paulo Marinho&#8230;<br \/>\nPEDRO OLIVEIRA &#8211; N\u00e3o, embora n\u00e3o exer\u00e7a muito, tamb\u00e9m tem o fasc\u00ednio pelos computadores. Ali\u00e1s, o papel dele, neste disco, foi o mais ingrato, por ser o \u00fanico m\u00fasico cem por cento ac\u00fastico. Ingrato, por n\u00e3o poder repetir neste caso o que sempre fez. No passado havia algumas coisas prvis\u00edveis, sabia-se sempre onde \u00e9 que entrava um solo de gaita. Neste disco ele fez um esfor\u00e7o de n\u00e3o ser previs\u00edvel, no sentido de produzir um som muito menos trabalhado. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o com alguma gra\u00e7a, inclusive h\u00e1 algumas \u201cgralhas\u201d que opt\u00e1mos, ou optou ele, por aproveitar. Muitas vezes esper\u00e1vamos que ele fizesse de determinada maneira e ele fazia exactamente o oposto.<br \/>\nFM &#8211; A capa do \u00e1lbum insiste na tecla tecnol\u00f3gica. \u00c9 um fractal?<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; N\u00e3o. \u00c9 uma alface. Com filtros.<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; reflecte a dualidade da terra e da tecnologia. Ema simbisose biol\u00f3gica.<br \/>\nFM &#8211; T\u00eam opini\u00e3o sobre o actual retorno aos sintetizadores anal\u00f3gicos?<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; Houve uma altura em que se passou do anal\u00f3gico para sistemas como o \u201cPCM\u201d, com pequenas amostras de som pr\u00e9-programados no sintetizador. Acabou por acontecer uma certa satura\u00e7\u00e3o disso. Eram aqueles sons e s\u00f3 aqueles. Agora, construir algo a partir do zero, que \u00e9 o que acontece no anal\u00f3gico, \u00e9 muito mais fascinante, em termos de criatividade.<br \/>\nFM &#8211; Usaram sintetizadores anal\u00f3gicos neste disco?<br \/>\nGABRIEL GOMES &#8211; Sim, como um JP 8000, dos anos 80, que recupera todos os anal\u00f3gicos da Roland antigos, sintetizados na mesma m\u00e1quina.<br \/>\nFM &#8211; Nada de Moogs nem A.R.P.?<br \/>\nPAULO ABELHO &#8211; Eu tenho um Korg MS-10 onde \u00e9 poss\u00edvel criar qualquer coisa de raiz. Posso partir do ru\u00eddo branco e da\u00ed construir um novo som em tempo real. O que vai acontecer na pr\u00f3xima fase \u00e9 o aparecimento de uma nova tecnologia que utiliza estes m\u00e9todos de s\u00edntese, mas j\u00e1 em conjunto com samplersd. Todas as marcas est\u00e3o a lan\u00e7ar anal\u00f3gicos, mas mesmo isso vai chegar a um limite. \u00c9 preciso inventar novos m\u00e9todos de s\u00edntese, como j\u00e1 acontece com a Yamaha, com s\u00edntese FM, que recorre a algoritmos. Mas nunca vou samplar uma gaita-de-foles (a n\u00e3o ser que pretenda desmontar ou manipular o seu som), se puder usar o instrumento real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19.02.1999 \u201cSexto Sentido\u201d Muda Sonoridade Do Grupo Legi\u00e3o Estrangeira LINK Seis anos depois de \u201cO Fogo\u201d, os S\u00e9tima Legi\u00e3o voltaram a reunir-se para gravar um novo \u00e1lbum, \u201cSexto Sentido\u201d, um trabalho marcado pela tecnologia e pelo tratamento de samples que funde a alma da S\u00e9tima numa alface virtual. 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