{"id":2223,"date":"2010-05-25T04:30:22","date_gmt":"2010-05-25T11:30:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2223"},"modified":"2010-05-25T04:32:07","modified_gmt":"2010-05-25T11:32:07","slug":"maria-ana-bobone-lanca-%e2%80%9csenhora-da-lapa%e2%80%9d-de-noite-na-igreja-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/25\/maria-ana-bobone-lanca-%e2%80%9csenhora-da-lapa%e2%80%9d-de-noite-na-igreja-entrevista\/","title":{"rendered":"Maria Ana Bobone Lan\u00e7a \u201cSenhora Da Lapa\u201d De Noite, Na Igreja &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>29.01.1999<br \/>\nMaria Ana Bobone Lan\u00e7a \u201cSenhora Da Lapa\u201d<br \/>\nDe Noite, Na Igreja<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/mariaAnaBobone_SraDaLapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/mariaAnaBobone_SraDaLapa.jpg\" alt=\"\" title=\"mariaAnaBobone_SraDaLapa\" width=\"450\" height=\"450\" class=\"alignnone size-full wp-image-2225\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/mariaAnaBobone_SraDaLapa.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/mariaAnaBobone_SraDaLapa-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/mariaAnaBobone_SraDaLapa-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><object width=\"560\" height=\"340\"><div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/56h6OZd6MmU&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/56h6OZd6MmU&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"560\" height=\"340\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Em \u201cLuz Destino\u201d, Maria Ana Bobone fazia flutuar a sua voz entre o cravo e as entoa\u00e7\u00f5es barrocas de Jo\u00e3o Paulo Esteves da Silva e a guitarra portuguesa de Ricardo Rocha, na nave de uma igreja abandonada. Os tr\u00eas voltaram ao mesmo local, trocaram de posi\u00e7\u00f5es e o resultado \u00e9 \u201cSenhora da Lapa\u201d, verdadeiramente o \u00e1lbum de estreia da cantora. Cl\u00e1ssico, ideal para meditar, assombrado pelos ecos da noite.<\/p>\n<p>Maria Ana Bobone vem do fado, sente como enraizadamente portuguesa a m\u00fasica que canta e n\u00e3o esconde o desejo de, um dia, gravar um disco inteiro com report\u00f3rio cl\u00e1ssico. \u201cSenhora da Lapa\u201d, editado com o selo M.A. (uma esp\u00e9cie de variante, mais rom\u00e2ntica, da ECM), leva mais longe o gosto pelo intimismo e pela religiosidade que j\u00e1 despontava em \u201cLuz Destino\u201d. A par da voz, brilham as palavras de Fernando Pessoa e de Sebasti\u00e3o da Gama. O P\u00daBLICO conversou com a cantora.<\/p>\n<p>FM &#8211; Em \u201cSenhora da Lapa\u201d os intervenientes s\u00e3o os mesmos, mas a hierarquia mudou&#8230;<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Resolvemos, desta vez, fazer um disco meu. Era suposto ser um disco de \u201clullabies\u201d [can\u00e7\u00f5es de embalar], mas acabaram por ir surgindo outras m\u00fasicas diferentes. Tudo isto porque o Tod [director da editora] achava que a minha voz era a ideal para cantar esse tipo de can\u00e7\u00f5es. Podia ter alguma gra\u00e7a fazer um disco desses&#8230; Mesmo assim h\u00e1 algumas semelhan\u00e7as em can\u00e7\u00f5es como \u201cJesus embala o Menino\u201d e \u201cLuar\u201d, que parece uma m\u00fasica infantil e depois se complica, \u00e0 maneira do seu autor, o Jo\u00e3o Paulo&#8230;<br \/>\nFM &#8211; Est\u00e1 a cantar cada vez mais pr\u00f3ximo de um certo registo cl\u00e1ssico&#8230;<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Se tivesse de catalogar o meu estilo era, sem d\u00favida, mais para o cl\u00e1ssico, embora entre aspas, entre muitas aspas&#8230;<br \/>\nFM &#8211; O fado ficou definitivamente para tr\u00e1s?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Acho que n\u00e3o. A m\u00fasica deste disco \u00e9 muito portuguesa, tem algumas ra\u00edzes no fado. Mas \u00e9 verdade que quis sempre explorar outros caminhos. As can\u00e7\u00f5es deste disco n\u00e3o s\u00e3o, de todo, fados, mas sinto nelas essa portugalidade. Deve l\u00e1 haver qualquer coisa na estrutura&#8230;<br \/>\nFM &#8211; A quem se deve a escolha dos poemas, entre os quais sobressaiem dois de Sebasti\u00e3o da Gama, incluindo as duas vers\u00f5es do t\u00edtulo-tema?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; And\u00e1mos, o Jo\u00e3o Paulo e eu, a vasculhar em alguma material que ele j\u00e1 tinha feito. \u201cSenhora da Lapa\u201d foi feita de prop\u00f3sito para o disco, assim como o outro poema de Sebasti\u00e3o da Gama, usado em \u201cABC\u201d.<br \/>\nFM &#8211; Sentiu particular prazer em cantar algum dos poetas que aparecem no disco?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Talvez o Fernando Pessoa, em \u201cFlux\u201d, bem como a Maria Pimentel Montenegro, em \u201cDos teus olhos\u201d.<br \/>\nFM &#8211; Como se processou a transi\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, em \u201cLuz Destino\u201d, para o protagonismo de \u201cSenhora da Lapa\u201d?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; O outro disco n\u00e3o era um disco meu! Eles j\u00e1 tinham feito o disco todo e chamaram-me \u00e0 \u00faltima hora para cantar. Fui apenas mais um instrumento. Neste disco, pelo contr\u00e1rio, foi tudo moldado a mim. Eles compuseram e tocaram para mim. Da\u00ed as tais can\u00e7\u00f5es de embalar que eles tamb\u00e9m achavam muito paropriadas para a minha voz.<br \/>\nFM &#8211; Quer dizer que, pelo menos nesta primeira fase da sua carreira, ainda n\u00e3o det\u00e9m o controle sobre a orienta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica a seguir?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; N\u00e3o tenho muito, n\u00e3o! Se fosse eu a escolher exactamente o que queria, seria eu sozinha a fazer o disco! N\u00e3o tenho controle no sentido em que respeito a personalidade e op\u00e7\u00f5es dos outros m\u00fasicos. \u00c9 um bocado: \u2018Olhem, eu sou isto, o que \u00e9 que queres, o bra\u00e7o, a perna, o joelho ou o p\u00e9?\u2019 Posso perfeitamente n\u00e3o escolher o p\u00e9!&#8230; Quer dizer que n\u00e3o canto tudo o que me puseram \u00e0 frente. Ali\u00e1s havia, \u00e0 partida, algumas can\u00e7\u00f5es com que n\u00e3o me identificava. Da\u00ed que o disco tivesse demorado algum tempo a sair [um ano e meio]. Porque quis acrescentar-lhe mais duas ou tr\u00eas m\u00fasicas mais mexidas: \u201cHortel\u00e3-mourisca\u201d, \u201cTernura\u201d e \u201cEspelho quebrado\u201d, que \u00e9 um fado. Achava o alinhamento original todo muito igual, lento, embora, claro, este n\u00e3o seja um disco para dan\u00e7ar, mas, pelo contra\u00b4rio, um convite \u00e0 reflex\u00e3o, \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFM &#8211; A presen\u00e7a, no disco, de um saxofonista, Peter Epstein, n\u00e3o deixa de fazer lembrar outra colabora\u00e7\u00e3o, muito antiga, entre uma fadista e um saxofonista: Am\u00e1lia Rodrigues e Don Byas&#8230;<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; \u00c9 uma mera coincid\u00eancia. O saxofonista aparece porque j\u00e1 tinha gravado com o Jo\u00e3o Paulo num disco dele, instrumental, chamado \u201cMergulho\u201d. O Tod Garfinkle, da editora, resolveu misturar no meu disco o saxofone, at\u00e9 porque o Peter j\u00e1 manifestara antes o seu apre\u00e7o pela minha m\u00fasica. Adaptou-se lindamente ao \u201cfeeling\u201d do disco.<br \/>\nFM &#8211; Prefere ouvir-se a si pr\u00f3pria a cantar fado, acompanhada por guitarras e violas, ou neste tipo de report\u00f3rio, acompanhada por piano?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Ou\u00e7o-me a mim pr\u00f3pria de uma maneira que s\u00f3 eu conhe\u00e7o. Ningu\u00e9m mais sabe. Sinto-me bem das duas maneiras. Mas, muito mais do que uma casa de fados, gosto do ambiente de uma igeja, como aquela onde gravei este disco, onde as condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas s\u00e3o fabulosas.<br \/>\nFM &#8211; Em que altura e em que condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que foi gravado o \u00e1lbum?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Foi espectacular! J\u00e1 com o \u201cLuz Destino\u201d senti a mesma sensa\u00e7\u00e3o, de estar numa igreja grande e vazia, \u00e0 noite, \u00e0 uma da manh\u00e3, com tudo fechado, sil\u00eancio l\u00e1 fora, s\u00f3 com umas luzinhas acesas. Eu cantava mesmo de frente para o altar, com o gravador em cima do altar. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o \u00fanica, poder cantar \u00e0 vontade, soltar tudo! Fabulos!<br \/>\nFM &#8211; Ainda canta em casas de fado?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Nunca cantei, por sistema, em casas de fado. Tenho algumas saudades, mas a verdade \u00e9 que o meu actual estilo de vida &#8211; tenho aulas de canto de manh\u00e3 e dou aulas de m\u00fasica, \u00e0 tarde, num col\u00e9gio particular &#8211; n\u00e3o mo permite. Com o tempo que me sobra, trato da minha carreira.<br \/>\nFM &#8211; Emancipou-se, ent\u00e3o, em definitivo, do grupo de fadistas de que fazia parte com outros jovens fadistas, o Alma Nova?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Isso j\u00e1 \u00e9, completamente, hist\u00f3ria. Claro que, se o Jo\u00e3o Braga me convidar para um espect\u00e1culo, eu vou com todo o gosto e alinho. Eu j\u00e1 gravei, j\u00e1 fiz, j\u00e1 andei mais do que os outros, mas h\u00e1 sempre uma rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFM &#8211; O contrato com a M.A. prev\u00ea a edi\u00e7\u00e3o de mais discos?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Vou dizer uma coisa fant\u00e1stica: n\u00e3o existe nenhum contrato! [Risos.] \u00c9 tudo feito na base da boa-f\u00e9. O Tod gosta da kinha m\u00fasica, a editora paga-nos, tem sido tudo impec\u00e1vel. Nunca vi isto em mais lado nenhum. E n\u00e3o h\u00e1 exclusividade. A qualquer momento posso decidir outra coisa qualquer. \u00c9 um bom recado para as editoras. Acho que \u00e9 a maneir amais honesta de trabalhar. Se n\u00e3o estiver satisfeita, ou a editora n\u00e3o estiver satisfeita, acabamos a rela\u00e7\u00e3o. O que obriga ambas as partes e esfor\u00e7arem-se para se aproximarem.<br \/>\nFM &#8211; J\u00e1 pensou alguma vez em gravar um disco s\u00f3 com report\u00f3rio cl\u00e1ssico?<br \/>\nMARIA ANA BOBONE &#8211; Sim, j\u00e1 me passou pela cabe\u00e7a. Mas ainda n\u00e3o estou preparada, nem conhe\u00e7o report\u00f3rio suficiente. Era mais por achar gra\u00e7a, n\u00e3o como estilo de vida. Tenho uma personalidade um bocado inst\u00e1vel. Gosto de fazer v\u00e1rias coisas, de n\u00e3o me prender a uma s\u00f3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29.01.1999 Maria Ana Bobone Lan\u00e7a \u201cSenhora Da Lapa\u201d De Noite, Na Igreja Em \u201cLuz Destino\u201d, Maria Ana Bobone fazia flutuar a sua voz entre o cravo e as entoa\u00e7\u00f5es barrocas de Jo\u00e3o Paulo Esteves da Silva e a guitarra portuguesa de Ricardo Rocha, na nave de uma igreja abandonada. 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