{"id":2175,"date":"2010-05-14T03:33:27","date_gmt":"2010-05-14T10:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2175"},"modified":"2010-05-14T03:33:27","modified_gmt":"2010-05-14T10:33:27","slug":"gaiteiros-de-lisboa-bocas-do-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/14\/gaiteiros-de-lisboa-bocas-do-inferno\/","title":{"rendered":"Gaiteiros de Lisboa &#8211; Bocas do Inferno"},"content":{"rendered":"<p>28.11.1997<br \/>\nE Que Tudo Mais V\u00e1 Para O Inferno<br \/>\nGaiteiros de Lisboa<br \/>\nBocas do Inferno (9)<br \/>\nEd. e distri. Farol<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/gaiteirosDeLisboa_BocasDoInferno.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/gaiteirosDeLisboa_BocasDoInferno.jpg\" alt=\"\" title=\"gaiteirosDeLisboa_BocasDoInferno\" width=\"450\" height=\"442\" class=\"alignnone size-full wp-image-2176\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/gaiteirosDeLisboa_BocasDoInferno.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/gaiteirosDeLisboa_BocasDoInferno-300x294.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/71559114\/gaiteiros_de_lisboa__bocas_do_inferno.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cu1b5tgoQ-8&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cu1b5tgoQ-8&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>B\u00e1rbaros! O grito saiu de algumas bocas mais angustiadas pela audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum de estreia dos Gaiteiros de Lisboa, \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d, ao repararem que o mundo da m\u00fasica tradicional j\u00e1 n\u00e3o era redondo. Bocas do inferno. Os Gaiteiros n\u00e3o se ralam, inventando as regras musicais porque se regem, instrumentos do demo e todo um imagin\u00e1rio elaborado a partir de uma mem\u00f3ria colectiva for\u00e7osamente contaminada. Este esp\u00edrito de transgress\u00e3o, que de imediato remete para o arqu\u00e9tipo localizado no Norte da Europa nos suecos Hedningarna &#8211; presente, mais do que no \u201cfait divers\u201d do uso de instrumentos mutantes, na constru\u00e7\u00e3o de harmonias vocais, entre a polifonia pura e a \u201cdrone\u201d &#8211; manifesta-se, contudo, neste segundo \u00e1lbum da banda de uma forma mais subtil do que em \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d, cuja prioridade m\u00e1xima foi o estabelecimento de um espa\u00e7o novo na m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional.<br \/>\n\u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d, pela originalidade da sua proposta e pelo consequente risco nela envolvida, foi obrigado a for\u00e7ar as portas, entrando de supet\u00e3o e assumindo-se como manifesto. \u201cBocas do Inferno\u201d surge j\u00e1 com o caminho aberto pelo reconhecimento, da parte do p\u00fablico, das regras e fun\u00e7\u00f5es que regem a conduta est\u00e9tica dos Gaiteiros. Com este reconhecimento surgiu a tranquilidade. Por isso, \u201cBocas do Inferno\u201d trocou, de forma feliz, a tens\u00e3o e a explos\u00e3o por uma articula\u00e7\u00e3o mais complexa e menos impositiva do som, atenuando-lhe os extremos mas ganhando na elabora\u00e7\u00e3o de novas pistas sonoras, algumas das quais simplesmente deslumbrantes. Como se os Gaiteiros tivessem deixado de habitar um castelo, para ocuparem um pal\u00e1cio, dedicando todo o tempo a mobil\u00e1-lo e decor\u00e1-lo.<br \/>\nEm termos vocais, as polifonias sintetizam o que h\u00e1 de mais arcaico na tradi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas antigas com a sofistica\u00e7\u00e3o que resulta da tal contamina\u00e7\u00e3o do tempo &#8211; pela tecnologia, pela saud\u00e1vel \u201cimpureza\u201ddos ouvidos, pela assimila\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria e pela aten\u00e7\u00e3o a uma nova sensibilidade na forma de perceber o legado tradicional. Dois exemplos: \u201cLeva leva\u201d, conectando o Algarve a Tr\u00e1s-Os-Montes, ostenta o selo Hedningarna mas tamb\u00e9m, na alus\u00e3o a um ritual da pesca, o mesmo balan\u00e7o de ondas recriado por Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco em \u201cCantiga de alevantar\u201d, provando que as marcas deixadas por este m\u00fasico nos Gaiteiros fizeram alguns sulcos; \u201cMilho grosso\u201d, tema popular da Beira-Baixa, ganha, por seu lado, as cores africanas de umas marimbas e de um tambor de cordas, formulando um enunciado \u201cworld music\u201d.<br \/>\nEsta simbiose do antigo e do novo, das ra\u00edzes e da inova\u00e7\u00e3o, est\u00e1 tamb\u00e9m presente nas composi\u00e7\u00f5es dos dois Gaiteiros que, neste segundo \u00e1lbum, se destacam como os p\u00f3los criativos do grupo: Carlos Guerreiro e Jos\u00e9 Manuel David. \u00c9 algo que se torna evidente em \u201cTri\u00e2ngulo m\u00e2ngulo\u201d, do primeiro, uma polifonia estruturada com requinte, e \u201cAgora que eu vou cantar\u201d, do segundo, \u201ccante\u201d alentejano transformado, paradoxalmente, em cad\u00eancia sideral e em ref\u00fagio uterino no ventre se uma sanfona.<br \/>\nDe um registo ainda mais contempor\u00e2neo e, suspiro, p\u00f3s-moderno nasce \u201cTrompa da moda\u201d, a meio caminho entre o progressivo-urbano de uma trompa e o verde de uma gaita galega. \u201cSegadinhas\u201d, um instrumental com base num tema popular de S\u00e3o Jo\u00e3o do Campo, na Serra do Ger\u00eas, deve ouvir-se muitas vezes, com devo\u00e7\u00e3o. Os sinos repicam no remanso do sil\u00eancio.<br \/>\n\u201cCiau xau Macau\u201d e \u201cWash post\u201d, um original do compositor norte-americano John Philip Sousa, introuzem uma nota de humor que mais n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o outra forma, esta socialmente aceite, de transgress\u00e3o. Vozes chinesas, flauta chinesa, tambor chin\u00eas, pratos chineses, tamborete chin\u00eas, \u201cshawn\u201d (da fam\u00edlia das bombardas) chinesa. Anabela Assis \u00e1 a \u201cChina Girl\u201d de servi\u00e7o. O final tem foguetes. \u201cCiao xau Macau\u201d, at\u00e9 \u00e0 vista. A marcha de Philip Sousa \u00e9 um brinquedo nas m\u00e3os dos Gaiteiros, que nem os Residents&#8230;<br \/>\nBem portugu\u00eas e mais ortodoxo \u00e9 \u201cFolia do Esp\u00edrito\u201d, recolhido pelos Gaiteiros nos A\u00e7ores. Se neste tema a cromorna \u00e9 utilizada como simples ornamento, j\u00e1 no tema seguinte, \u201cCromorna\u201d, ocupa o centro das aten\u00e7\u00f5es, inserindo-se na vertente da \u201cm\u00fasica antiga\u201d, cada vez entendida como uma esp\u00e9cie de raiz nobre da \u201cfolk2. \u201cCondessa\u201d, um original de Carlos Guerreiro sobre um romance popular de Lisboa, \u00e9 pura s\u00e1tira. Instrumental, ao modo dos Incredible String Band (sons de vina drag\u00e3o, serafina, flauta de bisel&#8230;), e textual, fazendo reviver o esp\u00edrito (j\u00e1 n\u00e3o era sem tempo) da ilustre Filarm\u00f3nica Fraude. \u201cN\u00f3s daqui e v\u00f3s dali\u201d (Tr\u00e1s-Os-Montes) traz a ancestral combina\u00e7\u00e3o dos bombos, paus e gaita-de-foles, sem ferir susceptibilidades. E a refor\u00e7ar esta nota de uma certa condescend\u00eancia com a delicadeza, as derradeiras bocas n\u00e3o v\u00eam do Inferno. Ou talvez venham. Malditas chulas que n\u00e3o nos largam. N\u00e3o largaram nem os Gaiteiros de  Lisboa, s\u00f3 que a sua \u201cChula gaiteira\u201d tem a dedicat\u00f3ria a Zeca Afonso e ri-se de si pr\u00f3pria, com uma esp\u00e9cie de preg\u00e3o a publicitar o disco. Leve agora e pague depois N\u00e3o perca esta oportunidade&#8230; Gaita!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28.11.1997 E Que Tudo Mais V\u00e1 Para O Inferno Gaiteiros de Lisboa Bocas do Inferno (9) Ed. e distri. Farol LINK B\u00e1rbaros! O grito saiu de algumas bocas mais angustiadas pela audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum de estreia dos Gaiteiros de Lisboa, \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d, ao repararem que o mundo da m\u00fasica tradicional j\u00e1 n\u00e3o era redondo. 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