{"id":2155,"date":"2010-05-12T07:38:32","date_gmt":"2010-05-12T14:38:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2155"},"modified":"2010-05-12T07:38:32","modified_gmt":"2010-05-12T14:38:32","slug":"cristina-branco-%e2%80%93-album-de-fado-nao-faco-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/12\/cristina-branco-%e2%80%93-album-de-fado-nao-faco-entrevista\/","title":{"rendered":"Cristina Branco \u2013 \u00c1lbum de Fado N\u00e3o Fa\u00e7o &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>28.01.2005<br \/>\nCristina Branco \u2013 \u00c1lbum de Fado N\u00e3o Fa\u00e7o<br \/>\n\u201cUlisses\u201d \u00e9 o fruto de uma mulher inquieta que, \u00e1lbum ap\u00f3s \u00e1lbum, vem procurando centrar-se no seu destino. Ou seja, como ela aqui diz, o fado pode esperar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco.jpg\" alt=\"\" title=\"cristinaBranco\" width=\"450\" height=\"719\" class=\"alignnone size-full wp-image-2157\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco-187x300.jpg 187w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O fado ningu\u00e9m sabe bem o que \u00e9. Anda toda a gente a ditar leis sem saber do que est\u00e1 a falar. O percurso dentro da m\u00fasica popular portuguesa tem ra\u00edzes mais fortes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco_Ulisses.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco_Ulisses.jpg\" alt=\"\" title=\"cristinaBranco_Ulisses\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2156\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco_Ulisses.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco_Ulisses-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/cristinaBranco_Ulisses-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/116030252\/Cristina_Branco_-_Ulisses__2005_.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"560\" height=\"340\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LKd-wFIfpyg&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LKd-wFIfpyg&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"560\" height=\"340\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>S\u00e3o viagens interiores, um percurso em v\u00e1rias direc\u00e7\u00f5es que levou Cristina Branco do fado para a can\u00e7\u00e3o popular urbana e, nesta, at\u00e9 \u00e0 recria\u00e7\u00e3o de cantautores como Fausto, Jos\u00e9 Afonso, Vitorino e Joni Mitchell, e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o das palavras de David Mour\u00e3o-Ferreira, Cam\u00f5es, J\u00falio Pomar e Paul \u00c9luard, entre outros.<br \/>\nCristina Branco n\u00e3o procurou a unidade mas a liberdade, e \u00e9 este o tema que atravessa cada uma das notas e can\u00e7\u00f5es de \u201cUlisses\u201d, o seu mais recente \u00e1lbum. Um disco de adequa\u00e7\u00e3o a uma m\u00fasica mais \u201ctranquila\u201d que o fado mas tamb\u00e9m de \u201cdesconcerta\u00e7\u00e3o\u201d, de mergulho no caos e de procura de sentidos que o expliquem. A voz \u00e9 cristalina, rica em \u201cnuances\u201d, mas o estado de esp\u00edrito que presidiu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o nem sempre foi o mais luminoso. \u201cUlisses\u201d \u00e9 o fruto de uma mulher inquieta que, \u00e1lbum ap\u00f3s \u00e1lbum, vem procurando centrar-se no seu destino. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es, apenas uma vontade e uma escolha de autores que n\u00e3o foi inocente. E um porto de abrigo, \u00cdtaca, o seu filho, Martim. Ela diz: \u201cPerdi-me tantas vezes neste caminho, foi t\u00e3o dif\u00edcil retomar o rumo, acreditar outra vez&#8230; erguer-me de novo depois de desistir&#8230; at\u00e9 chegar a Ulisses\u201d. O fado pode esperar.<\/p>\n<p>FM \u2013 Desta vez aconteceu mesmo o que j\u00e1 amea\u00e7ara. \u201cUlisses\u201d \u00e9 uma despedida do fado. Um passo demasiado arriscado?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Os passos s\u00e3o sempre arriscados, desde o primeiro disco. Nunca fui de cantar aquilo que os outros me aconselham a cantar. Canto apenas aquilo que me apetece. N\u00e3o senti que estivesse a correr qualquer risco.<\/p>\n<p>FM \u2013 O que lhe apeteceu, exactamente?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Cantar noutras l\u00ednguas, as m\u00fasicas de que gosto. Apeteceu-me ir \u00e0 procura de outros caminhos, da\u00ed o piano&#8230;<\/p>\n<p>FM \u2013 Houve quem dissesse que em cada disco seu \u00e9 deixada uma pista para o seguinte&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 H\u00e1 pistas, mas n\u00e3o s\u00e3o postas l\u00e1 deliberadamente. Em \u201cSensus\u201d havia \u201cO meu amor\u201d, com contrabaixo, que j\u00e1 n\u00e3o tinha nada de fado. Mas se pensarmos apenas nesses termos, ent\u00e3o o pr\u00f3ximo disco ser\u00e1 de m\u00fasica electr\u00f3nica (risos)!&#8230;<\/p>\n<p>FM \u2013 Est\u00e1 a pensar no tema que fecha o novo disco, \u201cFundos\u201d, com aquela batida de \u201cdrum \u2018n\u2019 bass\u201d?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Uma maluqueira! Fizemos som com esse tema, sobre aquela base. No fim, quando j\u00e1 tinha gravado todas as partes vocais, o N\u00e1n\u00e1, o t\u00e9cnico de som, chamou-me e perguntou-me o que \u00e9 que eu podia fazer com aquilo, qualquer coisa engra\u00e7ada. Eu pus-me a fazer aqueles arabescos. Quando os franceses da Universal ouviram, gostaram e decidiram que ficaria para \u00faltima faixa.<\/p>\n<p>FM \u2013 Come\u00e7ou por ser \u201carrumada\u201d no grupo das novas fadistas. Com este disco transitou para o de cantoras como a Am\u00e9lia Muge ou a Filipa Pais. Tem consci\u00eancia disso?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 \u00c9 um universo que tem amais a ver comigo. \u00c9 uma m\u00fasica que me deixa mais tranquila do que o fado.<\/p>\n<p>FM \u2013 Mais tranquila como?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 \u00c9 uma express\u00e3o muito minha. D\u00e1-me tranquilidade, parece-me uma heran\u00e7a mais justa do que o fado. O fado ningu\u00e9m nunca sabe muito bem o que \u00e9. Anda toda a gente a\u00ed a ditar leis sem saber do que est\u00e1 a falar. O percurso dentro da m\u00fasica popular portuguesa \u00e9 muito mais seguro, com ra\u00edzes mais fortes.<\/p>\n<p>FM \u2013 Em \u201cUlisses\u201d canta com um sotaque brasileiro, em castelhano, franc\u00eas e ingl\u00eas&#8230; Muitas l\u00ednguas para um disco s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 S\u00e3o muitas l\u00ednguas para uma mi\u00fada t\u00e3o pequenina (risos). \u00c9 uma viagem. O portugu\u00eas do Brasil tem uma explica\u00e7\u00e3o [\u201cSonhei que estava em Portugal\u201d] muito t\u00e9cnica. Cantei o poema em portugu\u00eas sem sotaque e soava horr\u00edvel, foneticamente. Tenho cantado sempre sem sotaque temas brasileiros mas neste caso n\u00e3o resultava. O castelhano foi usado em \u201cAlfonsina y el mar\u201d. Neste disco h\u00e1 espelhos, reflexos, dualidades. \u201cAlfonsina\u201d fala do suic\u00eddio e isso sim, tem a ver com o nosso fado, a hist\u00f3ria da saudade. \u00c9 um tema lindo de morrer. Voc\u00eas cr\u00edticos est\u00e3o sempre a perguntar porqu\u00ea, porque \u00e9 que esta gaja lhe deu na tola para fazer isto! H\u00e1 muitas coisas que n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o racional. Se calhar queria uma resposta mais filos\u00f3fica&#8230;<\/p>\n<p>FM \u2013 O Paul \u00c9luard?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 \u201cLibert\u00e9\u201d. \u00c9 um tema incontorn\u00e1vel da l\u00edngua francesa. Independentemente disso, o poema tem cores magn\u00edficas. Este \u00e1lbum era suposto ser sobre a liberdade, nem sequer era para se chamar \u201cUlisses\u201d. Pretendi fazer um disco sobre a liberdade. Mas algumas diverg\u00eancias com os franceses da editora fizeram que sa\u00edsse assim. Eu estava no p\u00f3s-parto, n\u00e3o me apetecia aturar aqueles gajos, \u201cdeixem-me em paz\u201d, deixei estar&#8230; Mas o \u201cLibert\u00e9\u201d tem muito a ver comigo, tem tamb\u00e9m a ver com uma \u00e9poca do nosso pa\u00eds que foi extremamente vivida, \u00e0 qual n\u00e3o perten\u00e7o mas felizmente tenho pais que me deixaram essa heran\u00e7a, que me explicaram bem qual o valor da liberdade. O \u00e1lbum \u00e9 controverso tamb\u00e9m porque me apeteceu contrariar aqueles senhores que queriam que fizesse um \u00e1lbum de fado. Disse-lhes: \u201c\u00e1lbum de fado n\u00e3o fa\u00e7o!\u201d.<\/p>\n<p>FM \u2013 Houve muitas press\u00f5es nesse sentido?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 N\u00e3o houve press\u00f5es&#8230; mas eles achavam que era o momento indicado para gravar um \u00e1lbum de fado, quando eu j\u00e1 tinha tudo preparado para fazer dois discos, um com autores estrangeiros, outro com portugueses. Seria talvez demasiado megal\u00f3mano, mas j\u00e1 tinha tudo preparado, antes de ter o meu filho. Depois foi o caos, fiquei completamente perdida. E isso tamb\u00e9m est\u00e1 neste disco.<\/p>\n<p>Desorienta\u00e7\u00e3o \u2013 da\u00ed estas direc\u00e7\u00f5es todas?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Claro!<\/p>\n<p>FM \u2013 Mas no estrangeiro, independentemente do nome da artista, n\u00e3o querem acima de tudo ouvir fado?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Pelo contr\u00e1rio. As pessoas que v\u00eam aos meus concertos, v\u00eam ouvir-me a mim. \u00c9 claro que antes as coisas n\u00e3o funcionavam assim, o meu concerto era vendido como um concerto de fado. Hoje \u00e9 a Cristina Branco e acabou. As pessoas que ainda associarem o meu nome ao fado est\u00e3o enganadas.<\/p>\n<p>FM \u2013 Ainda h\u00e1 as guitarras&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Sim, e essa liga\u00e7\u00e3o manter-se-\u00e1. A sonoridade da guitarra \u00e9 muito importante para aquilo que fa\u00e7o.<\/p>\n<p>FM \u2013 H\u00e1 quem diga que a sensibilidade, a emo\u00e7\u00e3o com que canta em \u201cUlisses\u201d \u00e9 a mesma do fado, mas ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco &#8211; &#8230; tudo seria fado! O que n\u00e3o \u00e9 verdade. Houve mesmo quem dissesse que \u201cA case of you\u201d, da Joni Mitchell, era \u201cfado urbano\u201d!&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Cheg\u00e1mos, pois, \u00e0 Joni Mitchell. Aqui o passo foi mesmo arriscado&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Tem um percurso semelhante ao meu, a v\u00e1rios n\u00edveis. Ela fala da vida como eu a interpreto. E h\u00e1 muitas particularidades na vida dela que se assemelham \u00e0 minha. Por exemplo, estar sempre \u00e0 margem da popularidade, ir sempre pelo caminho que acho ser o correcto. Conhe\u00e7o a Joni Mitchell desde pequenina. \u201cA case of you\u201d \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es mais especiais dela. Toda a gente canta o \u201cBoth Sides Now\u201d ou o \u201cBlack Crow\u201d, mas \u201cA case of you\u201d tem a ver com o caos e a decad\u00eancia.<\/p>\n<p>FM \u2013 Porqu\u00ea essa preocupa\u00e7\u00e3o com o caos e a decad\u00eancia?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Porque tenho que compreender, para continuar, para seguir em frente. Enquanto de vive dentro de uma bolha, no meio do caos, consegue-se sobreviver, deixando que as coisas aconte\u00e7am. A vida est\u00e1 bem. Mas fazer um disco como este obriga a entrar no caos e a tentar perceber, a tentar resolver algum caos interior. Entro dentro dos autores que canto&#8230;<\/p>\n<p>FM \u2013 Vitorino, Fausto e Jos\u00e9 Afonso s\u00e3o tr\u00eas desses autores em que entrou.<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 A letra do Vitorino, de \u201cNavio Triste\u201d, foi escrita de prop\u00f3sito para este disco. \u201cPorque me olhas assim\u201d \u00e9 uma das baladas de amor do Fausto, aquele seu outro lado, para mim o mais sedutor. \u00c9 costume olharmos para o Fausto como um cantor de interven\u00e7\u00e3o, com aquele ar muito \u201cJos\u00e9 M\u00e1rio Branco\u201d! N\u00e3o \u00e9 nada! \u00c9 um g\u00e9nio que gosta de viver naquele caos, com um lado muito bonito.<br \/>\nO Jos\u00e9 Afonso \u00e9 uma paix\u00e3o. Quando h\u00e1 aqueles concertos de homenagem, onde est\u00e3o presentes os meus cantores de elei\u00e7\u00e3o, vou sempre ouvi-los. As m\u00fasicas do Zeca t\u00eam algo que j\u00e1 n\u00e3o acontece mais e n\u00e3o sei se voltar\u00e1 a acontecer, que \u00e9 a simplicidade aliada a uma genialidade indescrit\u00edvel. \u201cRedondo voc\u00e1bulo\u201d \u00e9, de novo, e assumidamente, sobre o caos, todas as imagens que passam por dentro cada vez que nos encontramos num momento de desespero.<\/p>\n<p>FM \u2013 Depois h\u00e1 Cam\u00f5es, Vasco Gra\u00e7a-Moura, Jos\u00e9 Lu\u00eds Gordo, J\u00falio Pomar, Mour\u00e3o-Ferreira&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 O Vasco Gra\u00e7a-Moura tamb\u00e9m escreveu de prop\u00f3sito o \u201cCristal\u201d~para \u201cUlisses\u201d, bem como Jos\u00e9 Lu\u00eds Gordo, com o \u201cSete peda\u00e7os de vento\u201d. Mour\u00e3o-Ferreira \u00e9 incontorn\u00e1vel, tem que aparecer sempre. Aquilo que tem de simples, tem de genial, tudo o que est\u00e1 por detr\u00e1s das palavras&#8230; Vou sempre descobrindo coisas novas. \u00c9 o meu Ary dos Santos! O \u201cCirce\u201d, do J\u00falio Pomar, foi ele que me pediu para cantar uma coisa dele, na festa de lan\u00e7amento de um livro, com a m\u00fasica feita em tempo \u201crecord\u201d. O tema \u00e9 o amor mais sensual, como \u00e9 o de \u201cSensus\u201d.<\/p>\n<p>FM \u2013 E h\u00e1 \u201cGaivota\u201d, o \u00fanico fado de \u201cUlisses\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Muito antes de me oferecer um disco da Am\u00e1lia, o meu av\u00f4, que gostava muito de ler e de m\u00fasica, mostrou-me esse poema e leu-mo. Quando o ouvi pela primeira vez cantado, j\u00e1 o meu av\u00f4 tinha desaparecido, foi \u201cchocante\u201d sentir a liga\u00e7\u00e3o entre a m\u00fasica e as palavras como me tinham sido lidas.<\/p>\n<p>FM \u2013 Entre todas estas viagens, h\u00e1 alguma direc\u00e7\u00e3o que se sobreponhas \u00e0s outras?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 \u00c9 o meu disco mais pessoal, o disco das minhas vontades. Ao contr\u00e1rio dos outros, este n\u00e3o \u00e9 inocente. Por muito confuso que seja, por mais confus\u00e3o que cause \u00e0s pessoas, sobretudo as que v\u00e3o escrever sobre ele (risos), \u00e9 mesmo assim, a minha desconcerta\u00e7\u00e3o interior. N\u00e3o sei se todos os poemas convergem para o mesmo centro ou se divergem para sentidos diferentes.<\/p>\n<p>FM \u2013 \u00c9 o primeiro disco seu editado no formato Super \u00c1udio CD. Teve alguma influ\u00eancia nesta mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Sim, apeteceu-me que as coisas soassem todas grandes. Som de filme. E as fotografias da capa pertencem todas \u00e0 sess\u00e3o de \u201cSensus\u201d. Tamb\u00e9m me recusei a fazer fotografias. Convivo muito mal com a minha imagem. Odeio fazer televis\u00e3o, tirar fotografias. N\u00e3o gosto de me ver. E depois de ter o filho, estava zangada, n\u00e3o me apetecia fazer nada. Ainda pensei em pedir ao J\u00falio Pomar para me fazer uma capa, at\u00e9 porque uma parte da obra dele \u00e9 dedicada ao Ulisses e \u00e0s sereias, mas depois ambos conclu\u00edmos que n\u00e3o era por ali, o formato \u00e9 muito pequeno, n\u00e3o iria revelar nada da sua obra nem sobre mim.<\/p>\n<p>FM \u2013 O nascimento do seu filho foi importante na g\u00e9nese de \u201cUlisses\u201d?<\/p>\n<p>Cristina Branco \u2013 Sim, enquanto n\u00f3mada que sou, n\u00e3o h\u00e1 um s\u00edtio geogr\u00e1fico que eu defina como minha casa. A minha \u00cdtaca \u00e9, definitivamente, o Martim, o meu filho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28.01.2005 Cristina Branco \u2013 \u00c1lbum de Fado N\u00e3o Fa\u00e7o \u201cUlisses\u201d \u00e9 o fruto de uma mulher inquieta que, \u00e1lbum ap\u00f3s \u00e1lbum, vem procurando centrar-se no seu destino. Ou seja, como ela aqui diz, o fado pode esperar. O fado ningu\u00e9m sabe bem o que \u00e9. 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