{"id":2147,"date":"2010-05-11T04:28:24","date_gmt":"2010-05-11T11:28:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2147"},"modified":"2010-05-11T04:28:24","modified_gmt":"2010-05-11T11:28:24","slug":"malicorne-l%e2%80%99extraordinaire-tour-de-france-d%e2%80%99-adelard-rosseau-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/05\/11\/malicorne-l%e2%80%99extraordinaire-tour-de-france-d%e2%80%99-adelard-rosseau-conj\/","title":{"rendered":"Malicorne &#8211; L\u2019Extraordinaire Tour de France d\u2019 Ad\u00e9lard Rosseau (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>21.11.1997<br \/>\nFOLK<br \/>\nPedro de Grenoble e o Companheiro Ma\u00e7on<br \/>\nVamos de esp\u00edrito afiado e alma enamorada. A inicia\u00e7\u00e3o espera por n\u00f3s. Adeptos ou n\u00e3o da escola ma\u00e7\u00f3nica, saibamos viajar at\u00e9 onde o fogo e a imagina\u00e7\u00e3o nos levar, com Ad\u00e9lard Rousseau, Mestre Carpinteiro e Companheiro do Dever. \u00c9 a reedi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muito aguardada, de \u201cL\u2019Extraordinaire Tour de France d\u2019Ad\u00e9lard Rousseau\u201d, \u00e1lbum de 1978 dos Malicorne e uma das obras-primas da m\u00fasica de raiz tradicional francesa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/malicorne_LextraordinaireTourDeFrance.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/malicorne_LextraordinaireTourDeFrance.jpg\" alt=\"\" title=\"malicorne_LextraordinaireTourDeFrance\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2148\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/malicorne_LextraordinaireTourDeFrance.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/malicorne_LextraordinaireTourDeFrance-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/malicorne_LextraordinaireTourDeFrance-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=25WFNCAV\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/U_Z6jnPODFA&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/U_Z6jnPODFA&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se esgotam neste disco as novidades. Os f\u00e3s do grupo liderado por Gabriel Yacoub passam a partir de agora a ter tamb\u00e9m \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m desta, a reedi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum seguinte dos Malicorne, \u201cLe Bestiaire\u201d, outra pe\u00e7a indispens\u00e1vel, o posterior \u201cLe Balan\u00e7oir en Feu\u201d, \u201cEn Public\u201d, uma interessante colec\u00e7\u00e3o de registos ao vivo no Canad\u00e1, da era dourada, e \u201cVox\u201d, colect\u00e2nea de temas vocais \u201ca capella\u201d, que inclui duas composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas. Sa\u00fade-se ainda a chegada do \u00e1lbum de Gabriel e Marie Yacoub, anterior aos Malicorne, \u201cPierre de Grenoble\u201d, outra j\u00f3ia de valor inestim\u00e1vel. Quem ainda n\u00e3o tem, pode al\u00e9m disso adquirir os \u00e1lbuns a solo de Gabriel Yacoub, do ac\u00fastico e tradicional\u00edssimo \u201cTrad. Arr.\u201d ao fabuloso \u201cBel\u201d, passando pelo dispens\u00e1vel \u201cElementary Level of Faith\u201d, o curioso \u201cQuattre\u201d e o novo \u201cBabel\u201d que j\u00e1 pouco tem a ver com o universo folk mas agradar\u00e1, decerto, aos apreciadores da \u201cchanson fran\u00e7aise\u201d. Todas estas reedi\u00e7\u00f5es, com o selo acousteack\u201d, n\u00e3o t\u00eam qualquer rela\u00e7\u00e3o com as anteriores, dedicadas aos primeiros quatro \u00e1lbuns dos Malicorne, da responsabilidade da Hexagone.<br \/>\nMas \u00e9 \u201cL\u2019Extraordinaire Tour de France d\u2019 Ad\u00e9lard Rosseau\u201d que, em primeiro lugar, se constitui como \u00e1lbum de aquisi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria dos Malicorne. A come\u00e7ar pela apresenta\u00e7\u00e3o, que inclui uma reprodu\u00e7\u00e3o pormenorizada do livro com texto e gravuras narrando a viagem inici\u00e1tica pelo territ\u00f3rio franc\u00eas da personagem principal, passando pela grava\u00e7\u00e3o e, claro, terminando numa m\u00fasica sublime que, em Fran\u00e7a, na \u00e9poca, apenas os M\u00e9lusine ter\u00e3o conseguido igualar. Como j\u00e1 acontecera em \u201cAlmanach\u201d, outra das obras m\u00e1ximas do grupo, comp\u00eandio herm\u00e9tico de rituais agr\u00edcolas e religiosos correspondentes aos doze meses do ano, \u201cAd\u00e9lard Rosseau\u201d \u00e9 um \u00e1lbum tem\u00e1tico onde a peregrina\u00e7\u00e3o f\u00edsica coincide com a ilumina\u00e7\u00e3o interior. S\u00e3o diversas etapas dessa viagem, em forma de di\u00e1rio, que aqui nos s\u00e3o relatadas, em diversos registos e estados de alma, numa jun\u00e7\u00e3o de \u201cfolk rock\u201d electrificado (\u201cLa danse des damn\u00e9s\u201d, \u201cSi l\u2019amour prenait racine\u201d, \u201cA Paris, la grande ville\u201d, com o convidado Dan Ar Bras na guitarra el\u00e9ctrica), intricadas harmonias \u201ca capella\u201d (\u201cLa Conduite\u201d, \u201cLes Couleurs\u201d) e baladas cuja magia \u00e9 dif\u00edcil de descrever. Tudo nos Malicorne batia certo. As polifonias criadas pelas vozes de Gabriel e Marie, como em \u201cLa Complainte du coureur de bois\u201d, n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o. a solo, o encantamento n\u00e3o era menor. \u201cLe mari jaloux &#8211; La valse druze\u201d e \u201cUne fille dans le d\u00e9sepoir\u201d, por Marie, ou \u201cL\u2019auberge sanglante\u201d e \u201cCompagnons qui roulez en Provence\u201d (um arrasador \u00e9pico, num tom que viria a ser recuperado, a solo, em \u201cBel\u201d), por Gabriel, fazem-nos acreditar, por mais dolorosas que sejam as hist\u00f3rias, na felicidade, transportando-nos para outra dimens\u00e3o na qual todas as fantasias s\u00e3o poss\u00edveis. Era ainda uma alquimia instrumental \u00fanica, na maneira como os Malicorne combinavam as guitarras el\u00e9ctricas e os sintetizadores com instrumentos antigos como a sanfona, a gaita-de-foles, a viola de amor, o \u00f3rg\u00e3o positivo ou a cromorna, para inventar a tradi\u00e7\u00e3o do Futuro e emo\u00e7\u00f5es sem nome. Depois, muitos anos antes dos Hedningarna, j\u00e1 os Malicorne se entregavam \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o, com resultados que transcendiam a simples manipula\u00e7\u00e3o sonora, como se verifica na evocativa abertura do \u00e1lbum, \u201cLa Conduite\u201d, onde o som de serrotes cortando madeira, sob as indica\u00e7\u00f5es do mestre, simboliza a partida e a mat\u00e9ria-prima da obra inici\u00e1tica. Os Malicorne provaram que a perfei\u00e7\u00e3o existe. Bastou seguirem o lema ma\u00e7\u00f3nico: \u201cPe\u00e7am e recebereis; batam e abrir-vos-\u00e3o a porta; Procurem e achar\u00e3o\u201d. Fa\u00e7am como eles. (Acousteack, distri. MC &#8211; Mundo da Can\u00e7\u00e3o, 10)<\/p>\n<p>\u201cLe Bestiaire\u201d, o \u00e1lbum seguinte dos Malicorne, editado originalmente em 1979, \u00e9 outra obra conceptual, desta feita um besti\u00e1rio que analisa o aspecto m\u00e1gico e simb\u00f3lico dos animais. \u00c9 um \u00e1lbum mais \u201cprogressivo\u201d, no modo como equilibra a vertente Rock e as ra\u00edzes Folk ac\u00fasticas. Logo no tema de abertura, \u201cLes sept jours de Mai\u201d, se percebe que o grupo refor\u00e7ou a parte dos arranjos, tornando-os mais complexos e estruturando-os em diferentes andamentos. \u201cla Mule\u201d, por seu turno, \u00e9 uma das t\u00edpicas polifonias em que todos os elementos do grupo se juntam para criar intricadas catedrais a v\u00e1rias vozes (aqui, a recordar outro grupo progressivo, os Gentle Giant&#8230;). \u201cLa branle des chevaux\u201d faz a alian\u00e7a da M\u00fasica Antiga com a energia dos grupos da actual vaga escandinava. A m\u00fasica medieval, na t\u00f3nica dos Gryphon, marca presen\u00e7a em \u201cLe ballet des coqs\u201d, aparecendo a veia experimental no bizarro \u201cLa chasse gallery\u201d, no qual a voz de Gabriel volta a mostrar toda a sua versatilidade e poder expressivo. Ele e Marie sobem \u00e0s estrelas montados numa sanfona astral, num dos temas mais misteriosos e de maior beleza de \u201cLe Bestiaire\u201d, \u201cLes transformations\u201d, sobre o poder m\u00e1gico que permite a um ser humano transformar-se num animal a fim de poder realizar os seus desejos. (Acosuteack, distri. MC &#8211; Mundo da Can\u00e7\u00e3o, 9).<\/p>\n<p>Em 1973 os Malicorne ainda n\u00e3o eram nascidos, mas no c\u00e9rebro de Gabriel et Marie Yacoub germinava j\u00e1 a semente do que viria a ser uma das m\u00fasicas de raiz tradicional mais originais de sempre. Foi nesse ano que o ent\u00e3o casal (desgra\u00e7ado o dia em que o franc\u00eas se divorciou dela para casar com uma americana&#8230;) gravaram \u201cPierre de Grenoble\u201d, um \u00e1lbum inteiramente tradicional mas onde j\u00e1 eram percept\u00edveis algumas das direc\u00e7\u00f5es que iriam ser seguidas pelos Malicorne: o gosto e o requinte das vozes (\u201cLe prince d\u2019Orange\u201d, \u201cLa fleur de Lys\u201d, para comparar com a vers\u00e3o do mesmo tema inclu\u00edda em \u201cLe Galant Noy\u00e9\u201d, pelo colectivo de m\u00fasicos do clube Le Bourdon), a explora\u00e7\u00e3o dos timbres e das \u201cdrones\u201d quentes da sanfona e da gaita-de-foles, e uma percep\u00e7\u00e3o clara de um modo de trabalhar sobre o report\u00f3rio tradicional franc\u00eas, no sentido de ser criada uma m\u00fasica inteiramente original. Menos sofisticado do que a m\u00fasica dos Malicorne, umbilicalmente ligado \u00e0s ra\u00edzes tradicionais (compare-se o modo como Marie usava a voz, aqui e nos Malicorne), \u201cPierre de Grenoble\u201d constitui outra pe\u00e7a-chave para se perceber a g\u00e9nese de todo o \u201cfolk revival\u201d que teve lugar em Fran\u00e7a nos anos 70, fora da Bretanha, personificado, de forma superlativa, al\u00e9m dos Malicorne, por grupos como os M\u00e9lusine, La Bamboche, Maluzerne e Le Grand Rouge. Deleitem-se a ouvir o t\u00edtulo-tema e fiquem a saber que  o psicadelismo espreita onde menos se espera&#8230; (boucherie Productions, distri. MC &#8211; Mundo da Can\u00e7\u00e3o, 9).<\/p>\n<p>J\u00e1 nos tempos que correm, continua a haver quem prefira as sonoridades mais profundas e ancestrais das sanfonas e das gaitas-de-foles \u00e0 futilidade das cordas dedilhadas. \u00c9 o caso do Trio de Patrick Bouffard &#8211; Patrick Bouffard, sanfona, Benoit Mager, gaita-de-foles (\u201ccornemuse\u201d), e Cyril Roche, acorde\u00e3o diat\u00f3nico &#8211; que em \u201cRevenat de Paris&#8230;\u201d, que julgamos ser o seu \u00e1lbum de estreia, assinam uma m\u00fasica de tonalidades envolventes e de uma sensualidade r\u00edtmica e mel\u00f3dica que n\u00e3o deixa de fazer lembrar o primeiro \u00e1lbum dos Ad Vielle Que Pourra. Inteiramente instrumental e contando com a presen\u00e7a de v\u00e1rios convidados, \u201cRevenat de Paris\u201d esgota praticamente as combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre aqueles tr\u00eas instrumentos, com a vantagem de que em nenhuma ocasi\u00e3o a m\u00fasica soa a exerc\u00edcio de estilo e a garantia de que acima de tudo, para o Trio Patrick Bouffard, est\u00e1 o prazer do di\u00e1logo e da descoberta. (Boucherie Productions, distri. MC &#8211; Mundo da Can\u00e7\u00e3o, 9)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.11.1997 FOLK Pedro de Grenoble e o Companheiro Ma\u00e7on Vamos de esp\u00edrito afiado e alma enamorada. A inicia\u00e7\u00e3o espera por n\u00f3s. 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