{"id":2004,"date":"2010-04-19T08:18:43","date_gmt":"2010-04-19T15:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2004"},"modified":"2010-04-19T08:20:51","modified_gmt":"2010-04-19T15:20:51","slug":"musica-dos-aneis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/19\/musica-dos-aneis\/","title":{"rendered":"M\u00fasica Dos An\u00e9is"},"content":{"rendered":"<p>21.12.2001<br \/>\nM\u00fasica Dos An\u00e9is<br \/>\nLord of the Rings, do sueco Bo Hansson, \u00e9 apenas um dos muitos discos inspirados na Terra M\u00e9dia criada por Tolkien, cujas fantasias liter\u00e1rias casaram bem com as drogas e as vis\u00f5es dos m\u00fasicos dos anos 60 e 70.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/boHannson_LordoftheRings.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/boHannson_LordoftheRings.jpg\" alt=\"\" title=\"boHannson_LordoftheRings\" width=\"245\" height=\"245\" class=\"alignnone size-full wp-image-2005\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/boHannson_LordoftheRings.jpg 245w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/boHannson_LordoftheRings-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=DXPQ2R1U\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FzdjztxmDHk&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FzdjztxmDHk&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>A m\u00fasica est\u00e1 no cerne de cada linha de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Descontando a dimens\u00e3o wagneriana poss\u00edvel de descortinar na constru\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica desta obra monumental, toda a escrita de Tolkien flui de forma musical. Tolkien, conv\u00e9m n\u00e3o esquec\u00ea-lo, foi professor de l\u00ednguas antigas em Oxford, em particular de ingl\u00eas medieval e d o gal\u00eas. Cada s\u00edlaba, a mais subtil entoa\u00e7\u00e3o das palavras pronunciadas na antiga l\u00edngua da Terra M\u00e9dia, nomeadamente o \u00e9lfico, nas suas duas modalidades, o \u201cquenya\u201d e o \u201csindarin\u201d, derivam de um estudo apurado, tendo o seu autor levado em conta n\u00e3o s\u00f3 a grafia como a musicalidade de cada termo.<br \/>\nTolkien inventou toda uma geografia e uma Hist\u00f3ria, da mesma forma que criou para elas uma linguagem original coerente, possuidora de uma gram\u00e1tica e etimologias pr\u00f3prias. Neste aspecto, \u00e9 elucidativa a explica\u00e7\u00e3o sobre este processo dada pelo escritor, no programa televisivo \u201cJ.R.R.T. \u2013 A Portrait of John Ronald Reuel Tolkien\u201d (realizado em 1992). \u201cquando escrevo, come\u00e7o sempre pelos nomes2. Tolkien n\u00e3o s\u00f3 radicou o seu novo vocabul\u00e1rio em ra\u00edzes etimol\u00f3gicas genu\u00ednas, como se deu ao cuidado de lhes conferir um grafismo e uma fon\u00e9tica m\u00e1gicos que, de igual modo, entroncavam nas antigas civiliza\u00e7\u00f5es c\u00e9lticas. De imediato reconhecemos em nomes da \u201cl\u00edngua antiga\u201d, como Arwen, Beregond, D\u00e9agol, D\u00fanedain, Elberethgilthoniel, \u00c9owyn, Gil-Galad ou Gwaihir, ora resson\u00e2ncias ga\u00e9licas ora do ciclo medieval arturiano. \u201cA Elbereth Gilthoniel silivren penna m\u00edriel, o menel agalr elenath! Na-chared palan-d\u00edriel. O galadhremmin ennorath, fanuilos, le linnathon nef aear, s\u00ed nef aeron!\u201d&#8230; Quem dominar a l\u00edngua \u00e9lfica, decerto entender\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Pop e Rock<br \/>\nN\u00e3o se esgota, por\u00e9m, na estrutura formal (nomes das personagens, lugares, etc.) a m\u00fasica que em \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d se faz ouvir em todo o seu esplendor. Desde os constantes c\u00e2nticos \u00e9lficos (e os reinos dos elfos, como Rivendell ou Lothlorien s\u00e3o em si mesmos filigranas musicais&#8230;) aos encantamentos de Gandalf que atravessam a trilogia, passando pelo poema de Bilbo Baggins, a m\u00fasica confunde-se com a pr\u00f3pria ac\u00e7\u00e3o, numa imensa sinfonia em tr\u00eas andamentos cujo \u201cfinale\u201d n\u00e3o poderia ser mais surpreendente&#8230;<br \/>\nPor tudo isto se compreende que \u201cO Senhor dos An\u00e9is2 tenha deixado marcas na m\u00fasica pop e no rock, em particular nas d\u00e9cadas de 60 e 70, quando o seu impacto foi maior. O onirismo ou realismo fant\u00e1stico (ou fant\u00e1stico real?) de Tolkien encontrou terreno f\u00e9rtil na imagina\u00e7\u00e3o e nos discos de n\u00e3o poucos m\u00fasicos para os quais as drogas alucinog\u00e9neas, o Psicadelismo e, posteriormente, o Rock Progressivo, funcionavam como catalisadores de uma vis\u00e3o do homem e do mundo que os anos 80 pulverizaram nas engrenagens de uma m\u00e1quina devoradora de sonhos.<br \/>\nEnt\u00e3o, por\u00e9m, a loucura e a desmesura ditavam as suas leis. Exemplo extremo de visionarismo (para muitos de totalitarismo&#8230;) e da emancipa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica equivalentes aos de Tolkien, e o que mais longe foi ao p\u00f4r em pr\u00e1tica um c\u00f3digo musical e lingu\u00edstico aut\u00f3nomo, deu-o o baterista e compositor Christian Vander, em Fran\u00e7a, na alvorada dos \u201csixties\u201d, com o grupo Magma.<br \/>\nVander, amante de Wagner, Coltrane e dos Van Der Graaf Generator (desse outro grande poeta e vision\u00e1rio chamado Peter Hammill), delineou o seu cosmos pessoal com sede no planeta Kobaia, conferindo-lhe, como l\u00edngua pr\u00f3pria na qual todos os discos do grupo haveriam de ser cantados, o kobaiano. Na hist\u00f3ria delirante sa\u00edda da mente do m\u00fasico franc\u00eas, os maus da fita, que haveriam de invadir o planeta Terra, respondiam, no \u00e1lbum de 1974, \u201cKh\u00f6ntark\u00f6sz\u201d, pelo nome de Orks, clara alus\u00e3o aos orcs de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Curiosamente, Vander \u00e9 hoje um dedicado estudioso de magia negra&#8230;<br \/>\nQuatro anos antes de os Magma prenderem o rock no seu anel-garra, o sueco Bo Hansson fora mais literal, ao gravar \u201cLord of the Rings\u201d, s\u00famula prog\/jazz\u00edstica que retratava algumas das situa\u00e7\u00f5es da narrativa \u00e9pica de Tolkien.<br \/>\nOs exemplos da incid\u00eancia da obra de Tolkien na m\u00fasica popular sucedem-se: Jack Bruce chamou \u201cTo Isengard\u201d (regi\u00e3o onde se localizava a torre de Orthanc, a fortaleza de Saruman) a uma das faixas do seu \u00e1lbum de 1969, \u201cSongs for a Taylor\u201d. Em 1970, os Camel inclu\u00edram \u201cNimrodel\u201d no seu longa-dura\u00e7\u00e3o, \u201cMirage\u201d. \u201cLothlorien\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de uma das can\u00e7\u00f5es de \u201cRing of Hands\u201d, \u00e1lbum de 1971 dos Argent.<br \/>\nJ\u00e1 na \u00e9poca de confronto com o punk, Fish cortou a primeira s\u00edlaba a \u201cSimarillion\u201d (o genesis mitol\u00f3gico da Terra M\u00e9dia) e chamou ao seu grupo Marillion\u201d.<br \/>\nAinda no per\u00edodo de decad\u00eancia do Progressivo para o Neo-Prog, apareceram os espanh\u00f3is Galadriel, a rainha dos elfos. Tamb\u00e9m espanh\u00f3is, os Amarok dedicaram uma suite do \u00e1lbum \u201cCanciones de los Mundos Perdidos\u201d a \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. A banda de hardrock Glass Hammer cultiva uma obsess\u00e3o pela obra de Tolkien. Tamb\u00e9m \u201cheavy bangers\u201d, os Rivendell n\u00e3o escondem onde foram buscar inspira\u00e7\u00e3o para o seu nome. Na Alemanha, a electr\u00f3nica de contornos m\u00edsticos caiu nas m\u00e3os do grupo Gandalf.<br \/>\nMesmo o jazz foi sens\u00edvel ao fasc\u00ednio exercido por Tolkien. M\u00fasicos como o trompetista Don Cherry ou o vibrafonista Dave Pike compuseram dedicat\u00f3rias a \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d.<br \/>\nEm Portugal, ainda na d\u00e9cada de 70, Manuel Cardoso, guitarrista dos Tantra, assumiu, como alterego, Frodo, ainda que, neste caso, o formato da cabe\u00e7a (monstruosa, em bico) da personagem n\u00e3o coincidisse em absoluto com a que Tolkien idealizara para o hobbit&#8230;<br \/>\nRefira-se, para terminar, o pr\u00f3ximo projecto j\u00e1 anunciado por Rick Wakeman: um \u00e1lbum intitulado \u201cMaster of the Rings\u201d, inteiramente dedicado \u00c0 tem\u00e1tica em causa. \u00c9 bastante prov\u00e1vel que a este, Tolkien, se fosse vivo, n\u00e3o desse a sua aprova\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.12.2001 M\u00fasica Dos An\u00e9is Lord of the Rings, do sueco Bo Hansson, \u00e9 apenas um dos muitos discos inspirados na Terra M\u00e9dia criada por Tolkien, cujas fantasias liter\u00e1rias casaram bem com as drogas e as vis\u00f5es dos m\u00fasicos dos anos 60 e 70. 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