{"id":1985,"date":"2010-04-17T07:05:26","date_gmt":"2010-04-17T14:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1985"},"modified":"2010-04-17T07:05:26","modified_gmt":"2010-04-17T14:05:26","slug":"amelia-muge-responde-%e2%80%9ctaco-a-taco%e2%80%9d-a-recusa-de-tres-anos-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/17\/amelia-muge-responde-%e2%80%9ctaco-a-taco%e2%80%9d-a-recusa-de-tres-anos-entrevista\/","title":{"rendered":"Am\u00e9lia Muge Responde \u201cTaco A Taco\u201d A Recusa De Tr\u00eas Anos &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>11.09.1998<br \/>\nAm\u00e9lia Muge Responde \u201cTaco A Taco\u201d A Recusa De Tr\u00eas Anos<br \/>\nQuatro Pistas Para Uma Identidade<br \/>\n\u201cTaco a Taco2 \u00e9 o terceiro \u00e1lbum de originais de Am\u00e9lia Muge. Editado com tr\u00eas anos de atraso, porque antes n\u00e3o foi considerado \u201csuficientemente interessante para o mercado\u201d, \u00e9 nele que a cantora se descobre e desdobra vocalmente atrav\u00e9s dos sintetizadores para chegar a uma nova forma de irrever\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ameliaMuge_TacoATaco.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ameliaMuge_TacoATaco.jpeg\" alt=\"\" title=\"ameliaMuge_TacoATaco\" width=\"336\" height=\"337\" class=\"alignnone size-full wp-image-1986\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ameliaMuge_TacoATaco.jpeg 336w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ameliaMuge_TacoATaco-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ameliaMuge_TacoATaco-299x300.jpg 299w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/78965138\/AmeliaMugeTacoaTaco.part1.rar.html\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Parte 1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/78998980\/AmeliaMugeTacoaTaco.part2.rar.html\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Parte 2)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/79003860\/AmeliaMugeTacoaTaco.part3.rar.html\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Parte 3)<br \/>\npwd: FADO<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cEGVkB58lkM&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cEGVkB58lkM&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u201cTaco a Taco\u201d permitiu a Am\u00e9lia Muge avan\u00e7ar mais uma etapa no seu percurso de autodescoberta e de pesquisa de novas formas de interven\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Mais do que politicamente correcto, o \u00e1lbum deixa o ouvinte completa liberdade de interpreta\u00e7\u00e3o. Um jogo de escondidas com a modernidade que passa pela interac\u00e7\u00e3o com a tecnologia para chegar \u00e0 descoberta d euma nova identidade musical.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>FM &#8211; Que diferen\u00e7as existem, ao n\u00edvel da l\u00f3gica e dos processos de cria\u00e7\u00e3o, entre \u201cTaco a Taco\u201d e os seus dois \u00e1lbuns anteriores, \u201cM\u00fagica\u201d e \u201cTodos os Dias\u201d?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; \u00c0 medida que fui avan\u00e7ando para este trabalho &#8211; e talvez muito marcada pela morte de uma pessoa a quem eu admirava especialmente, o M\u00e1rio Viegas, em particular por um dos seus \u00faltimos trabalhos, \u201cEuropa N\u00e3o, Portugal Nunca\u201d &#8211; questionei-me sobre o que se poder\u00e1 entender como politicamente correcto no sentido de uma maior liberdade musical. Todos os modelos, por muito bons que sejam, com o tempo acabam por caducar. N\u00e3o na sua natureza, mas na sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>FM &#8211; Refere-se \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de um modelo essencialmente \u00e9tico para um modelo est\u00e9tico?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; Se calhar a passagem de uma \u00e9tica para uma outra \u00e9tica diferente&#8230; Ainda tomando como refer\u00eancia, ao n\u00edvel da interven\u00e7\u00e3o, o M\u00e1rio Viegas, ele tinha uma lucidez e uma capacidade de cr\u00edtica social que, inclusive, passava pela m\u00fasica. Era capaz de pegar em coisas do Zeca e diz\u00ea-las. Havia nele uma tentativa, quase t\u00e1gica, desesperada, de voltar um pouco ao contr\u00e1rio esses valores, no sentido de ir ao encontro da necessidade das pessoas de se sentirem mais leves em rela\u00e7\u00e3o ao seu passado e ao seu futuro. Era a\u00ed que entrava a lucidez, a intelig\u00eancia e o humor, uma arma perigosa.<\/p>\n<p>FM &#8211; Como definiria a linha est\u00e9tica de \u201cTaco a Taco\u201d?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; O principal foram cada momento, cada tema e o que se passa dentro de cada tema. Como se, de repente, aquilo que nos preocupa no nosso dia-a-dia, coisas mosntruosas, como a polui\u00e7\u00e3o, deixassem de ser determinantes para eu trabalhar melhor. No fundo, tentei encontrar respostas novas no spr\u00f3prios materiais de cria\u00e7\u00e3o. Como se tivesse havido um corte com as coisas a que eu estava mais apegada para me voltar sobre aquilo que, de facto, estava a fazer. Senti-me completamente liberta. Esse mundo antigo de refer\u00eancias, sociais e pol\u00edticas, era como se n\u00e3o estivesse presente.<\/p>\n<p>P\u00f3s- Moderna?<\/p>\n<p>FM &#8211; Comparando com os discos anteriores, cresceu a import\u00e2ncia dos arranjos e da produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; Digamos que houve mais espa\u00e7o e mais tempo. Normalmente, a press\u00e3o para se fazer as coisas \u00e9 enorme. Enquanto se decide como se faz ou n\u00e3o se faz, anda-se ali muito tempo sem perceber., at\u00e9 os pr\u00f3prios recursos que se tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Neste caso, como todo o \u00e1lbum foi gravado antes de haver uma editora, sobrou um espa\u00e7o menos condicionante.<\/p>\n<p>FM &#8211; Nota-se que o est\u00fadio esteve mais presente do que \u00e9 habitual, nos tratamentos electr\u00f3nicos da voz, por exemplo&#8230;<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; Passei daquela fase, quase elementar, de gravar em casa, directamente, a voz, um piano ou um adufe, para um est\u00e1dio onde, de repente, passei do gravador normal para um gravador de quatro pistas. [N.R.: Na verdade, de oito pistas, como explicou Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Martins, produtor de \u201cTaco a Taco\u201d, que acompanhou de perto as grava\u00e7\u00f5es do disco, ainda nesta fase dom\u00e9stica.] Comecei a ter vontade de perceber o que era esse mundo. A grande quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a do som sintetizado em si &#8211; e este disco come\u00e7ou por ser gravado s\u00f3 com sons sintetizados -, mas a forma como esse som actua sobre n\u00f3s. Que novas est\u00e9ticas \u00e9 que essa tecnologia e esse novo som determinam. Cheguei a uma forma final em que essa tecnologia age como uma esp\u00e9cie de interfer\u00eancia no som ac\u00fastico.<\/p>\n<p>FM &#8211; Ess quest\u00e3o, da tecnologia electr\u00f3nica e das suas aplica\u00e7\u00f5es, introduz um outro tipo de discuss\u00e3o mais vasta. At\u00e9 que ponto \u00e9 que essa interioriza\u00e7\u00e3o, digamos assim, da tecnologia, determinou uma inflex\u00e3o profunda na sua m\u00fasica?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; J\u00e1 em \u201cM\u00fagica\u201d essa quest\u00e3o me espantava. Ser\u00e1 que havia dois caminhos paralelos, eu a puxar para um lado e o Jos\u00e9 Martins e o mundo dele, dos instrumentos electr\u00f3nicos, a fugir para o outro? Quanto mais ouvia m\u00fasicos como o Hector Zazou ou a Laurie Anderson fui percebendo que mesmo algumas das tecnologias que eles usam ser\u00e3o no futuro artefactos tradicionais velh\u00edssimos. Descobri neste novo disco o papel que as novas tecnologias poder\u00e3o ter nas m\u00fasicas tradicionais ou simplesmente ac\u00fasticas. Para mim representou a descoberta de mim pr\u00f3pria como int\u00e9rprete. Enquanto antes compunha umas linhas mel\u00f3dicas mais ou menos adaptadas ao sentido do texto, um trabalho, digamos, de registo do real, agora como que descobri em mim outras vozes, a partir da an\u00e1lise das vozes sintetizadas. Um efeito de microsc\u00f3pio, de penetrar mais fundo. Claro que se o Bobby McFerrin ou a Laurie Anderson me estivessem a ouvir fartavam-se de rir, porque eles j\u00e1 descobriram isto h\u00e1 muito tempo. Eu n\u00e3o. E n\u00e3o cheguei aqui por um desejo de ser mais \u201cmoderna\u201d, mas pela entrada progressiva, no meu universo sonoro, que sempre foi muito ac\u00fastico, do trabalho do Jos\u00e9 Martins.<\/p>\n<p>FM &#8211; Uma Am\u00e9lia Muge p\u00f3s-moderna?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; Sempre fui muito reticente em rela\u00e7\u00e3o a esses conceitos. Nunca houve, como agora, uma modernidade t\u00e3o igual. A tend\u00eancia \u00e9 sermos modernos todos da mesma maneira. A ideia de modernidade manifestou-se sempre atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos e da forma como estes estabilizam. Dou-lhe um exemplo. O tema de abertura, \u201cAi, flores\u201d. Fiz este tema durante uma campanha pol\u00edtica. Aquela coisa de levantar o bra\u00e7o porque estamos nesta esta\u00e7\u00e3o mas se calhar na esta\u00e7\u00e3o seguinte v\u00e3o ser outros a levant\u00e1-lo. O tema tinha um bocado essa carga pol\u00edtica. E de repente, quando estava a ordenar o alinhamento de disco, reparei que alguns dos primeiros versos dos nossos cancioneiros s\u00e3o \u201cas flores do verde pinho dizei-me novas do meu amigo\u201d? Surgiu uma segunda leitura do tema a partir de uma interac\u00e7\u00e3o, um \u201ctaco-ataco\u201d, entre o que tinha escrito e essa presen\u00e7a long\u00ednqua, que anunciava as novidades, das cantigas de amigo. As flores adquiriram um valor simb\u00f3lico. \u00c9 toda uma simbologia que tamb\u00e9m est\u00e1 presente na simagens da capa, que juntam desde sinais da inform\u00e1tica a hieroglifos eg\u00edpcios. Descobri neste disco a for\u00e7a que t\u00eam os pr\u00f3prios significados, independentemente das inten\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias da escrita.<\/p>\n<p>FM &#8211; Se Jos\u00e9 Afonso tivesse sido mulher, poderia perfeitamente ter assinado interpreta\u00e7\u00f5es como as de \u201cInda bem que h\u00e1 esquim\u00f3s\u201d. \u00c9 outra das facetas interessantes de \u201cTaco a Taco\u201d, uma corresponde^ncia com o lado mais experimentalmente daquele compositor&#8230;<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; Concretamente, nesse tema, trata-se de um poema do Ant\u00f3nio Grabato Dias, que sempre teve pena que o Zeca n\u00e3o musicasse: \u201cIsto era mesmo para o Zeca!\u201d \u201cInda bem que h\u00e1 esquim\u00f3s\u201d est\u00e1 de facto muito afonsino, talvez porque o sentisse quase como uma encomenda&#8230; Cantei-o imaginando o Zeca a cant\u00e1-lo. Depois, l\u00e1 est\u00e1, este \u00e9 um disco onde o lado mais irreverente dos artistas de quem gosto veio mais ao de cima. Existe uma falsa irrever\u00eancia nos dias de hoje. Parece que basta haver meia d\u00fazia de palavras de ordem e meia d\u00fazia de gritos no \u201cproscenium\u201d e j\u00e1 somos todos revolucion\u00e1rios. Mas no que continuamos a fazer todos os dias continuamos a estar prisioneiros das conven\u00e7\u00f5es. Na pr\u00f3pria liberdade de cria\u00e7\u00e3o h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es, para n\u00e3o falar de proibi\u00e7\u00f5es&#8230; \u201cTaco a Taco\u201d s\u00f3 n\u00e3o saiu h\u00e1 tr\u00eas anos porque n\u00e3o o acharam suficientemente interessante para o mercado&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; Para al\u00e9m dos espect\u00e1culos com Jorge Palma e o grupo b\u00falgaro Pirin Folk Ensemble, colabora\u00e7\u00e3o da qual sair\u00e1 em breve um registo em disco, em que ponto se encontra outro dos seus projectos, um \u00e1lbum baseado em romances tradicionais portugueses?<\/p>\n<p>AM\u00c9LIA MUGE &#8211; O projecto \u201cRomances\u201d \u00e9 uma encomenda da Comiss\u00e3o dos Descobrimentos, onde, al\u00e9m de mim, colaboram S\u00e9rgio Godinho, Jo\u00e3o Afonso, os Vai de Roda, Brigada V\u00edtor Jara e Gaiteiros de Lisboa. Eu participo com dois temas, acompanhada por m\u00fasicos dos Gaiteiros, aquele romance da donzela guerreira e um romance da D. Ol\u00edvia, recolhido na Madeira, para o qual n\u00e3o se conhece, sequer, qualquer vers\u00e3o musicada, com arranjo do Jos\u00e9 Manuel David, dos Gaiteiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11.09.1998 Am\u00e9lia Muge Responde \u201cTaco A Taco\u201d A Recusa De Tr\u00eas Anos Quatro Pistas Para Uma Identidade \u201cTaco a Taco2 \u00e9 o terceiro \u00e1lbum de originais de Am\u00e9lia Muge. 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