{"id":1970,"date":"2010-04-15T05:26:44","date_gmt":"2010-04-15T12:26:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1970"},"modified":"2010-04-15T05:26:44","modified_gmt":"2010-04-15T12:26:44","slug":"dancas-ocultas-respiram-em-novo-disco-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/15\/dancas-ocultas-respiram-em-novo-disco-entrevista\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7as Ocultas Respiram Em Novo Disco &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>19.06.1998<br \/>\nDan\u00e7as Ocultas Respiram Em Novo Disco<br \/>\nAr De Fole<br \/>\n\u201cAr\u201d, segundo \u00e1lbum do grupo de concertinas de \u00c1gueda, Dan\u00e7as Ocultas, recria as micropaisagens do universo dos foles, ao mesmo tempo que respira as altitudes c\u00f3smicas da serra. Artur Fernandes carregou nos bot\u00f5es para o P\u00daBLICO.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Dan\u00e7as-Ocultas-Ar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Dan\u00e7as-Ocultas-Ar.jpg\" alt=\"\" title=\"Dan\u00e7as Ocultas - Ar\" width=\"400\" height=\"358\" class=\"alignnone size-full wp-image-1971\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Dan\u00e7as-Ocultas-Ar.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Dan\u00e7as-Ocultas-Ar-300x268.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/file\/78064725\/2fe12774\/DancasOcultas_Ar1998.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Bi7CRzlLU3o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Bi7CRzlLU3o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Compor formas de m\u00fasica original para concertina \u00e9 o objectivo priorit\u00e1rio dos Dan\u00e7as Ocultas. Mesmo que, para tal, seja preciso inventar um instrumento novo, como a concertina baixo, e reprimir as tenta\u00e7\u00f5es de virtuosismo.<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cAr\u201d respira ambientalismo por todos os poros&#8230;<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Do t\u00edtulo, o mais simples poss\u00edvel, \u00e0 capa, com um m\u00ednimo de texto, a preocupa\u00e7\u00e3o foi que a m\u00fasica pudesse dizer tudo a partir do elemento, o ar, que faz funcionar o nosso instrumento. Foi-se embusca de imagens que se inserissem no contexto est\u00e9tico abordado neste disco, esse tal ambientalismo ou paisagismo.<\/p>\n<p>FM &#8211; Podemos falar de micropaisagens?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Sem d\u00favida nenhuma. O report\u00f3rio inclu\u00eddo tem bastantes pormenores. Poder\u00edamos falar, quase, na teoria do caos, em que h\u00e1 o macropormenor, o m\u00e9dio pormenor e o micropormenor. Existe um balan\u00e7o, um ritmo instalado e depois, a\u00ed dentro, aparece uma melodia deste, um pormenor daquele, uma resposta de um terceiro, at\u00e9 se chegar \u00e0 densidade que procur\u00e1mos para este disco.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>FM &#8211; Esse trabalho exige um determinado tipo de experimenta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Seis ou sete dos temas j\u00e1 tinham sido tocados nos concertos. Fomos experimentando coisas mais arriscadas. Apercebemo-nos de que m\u00fasicas mais densas, com mais contrapontos mel\u00f3dicos e informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o eram rejeitadas pelo p\u00fablico. Mas no fundo o que continuamos a fazer \u00e9 ir buscar aquilo que eu chamo a vontade do instrumento. H\u00e1 determinados contornos t\u00e9cnicos dos dedos que s\u00e3o extremamente f\u00e1ceis e que por vezes resultam em coisas absurdas mas que, se forem bem arranjadas, podem funcionar bastante bem. Arranjos que foram feitos na totalidade em oficina, por todos os elementos do grupo.<\/p>\n<p>FM &#8211; Aparecem a tocar pela primeira vez uma concertina baixo.<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Precis\u00e1vamos de ter mais notas nos graves. Ou mand\u00e1vamos construir uma concertina com mais bot\u00f5es na m\u00e3o esquerda, ou invent\u00e1vamos n\u00f3s uma solu\u00e7\u00e3o. Foi o que fizemos. Junt\u00e1mos duas partes esquerdas &#8211; de baixos &#8211; de concertinas e um fole maior, par apoder ter mais interesse c\u00e9nico. No lado que acrescent\u00e1mos pusemos as tais notas que falatavam.<\/p>\n<p>FM &#8211; Que fontes de inspira\u00e7\u00e3o jorraram em \u201cAr\u201d?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; A grande refer\u00eancia \u00e1 Astor Piazzolla, a quem fizemos uma esp\u00e9cie de homenagem no tema de abertura, \u201cEscalada\u201d. Outras refer\u00eancias importantes foram Riccardo Tesi, Kepa Junkera, John Kirkpatrick e a Sharon Shannon. Mas nunca num sentido seguidista.<\/p>\n<p>FM &#8211; Todos esses nomes n\u00e3o dispensam, de uma maneira ou de outra, exibir o seu virtuosismo, ao contr\u00e1rio das Dan\u00e7as Ocultas&#8230;<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Sem d\u00favida. Poder\u00e1 haver a\u00ed um factor gen\u00e9tico. Por exemplo, os bascos, como o Kepa Junkera, s\u00e3o muito mais \u201cvirtuoses\u201d do que os portugueses, n\u00e3o s\u00f3 no acorde\u00e3o como noutros instrumentos tradicionais. Mas n\u00f3s procuramos o nosso valor e n\u00e3o as nossas limita\u00e7\u00f5es. Valorizar a express\u00e3o em dtrimento do virtuosismo. E virtuosismo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tocar depressa&#8230; Sentomo-nos bem a tocar dentro de determinada est\u00e9tica, a tal m\u00fasica paisagista, e tentamos explor\u00e1-la da melhor forma poss\u00edvel. De resto, tanto o Kepa Junkera como o Riccardo Tesi gostaram imenso do nosso primeiro disco.<\/p>\n<p>FM &#8211; Por falar em qualidade musical e aus\u00eancia de virtuosismo, o tema \u201cPinguim no meu jardim\u201d tem alguma coisa a ver com o Penguin Cafe Orchestra?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Tem. \u00c9 um tema do Bitocas, o t\u00e9cnico de som do grupo, que sempre gostou muito dos Penguin Cafe. O tema \u00e9 uma esp\u00e9cie de homenagem a uma certa forma e fazer m\u00fasica que \u00e9 a do grupo ingl\u00eas.<\/p>\n<p>FM &#8211; A influ\u00eancia da m\u00fasica b\u00falgara n\u00e3o \u00e9 muito evidente em \u201cBulgar\u201d&#8230;<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Sim&#8230; \u00c9 uma quest\u00e3o de acentua\u00e7\u00f5es. A divis\u00e3o r\u00edtmica est\u00e1 l\u00e1, um compasso de 7\/4, no in\u00edcio e no fim do tema. No entanto, n\u00e3o quisemos acentuar demasiado para n\u00e3o se perder o tal lado contemplativo.<\/p>\n<p>FM &#8211; O que s\u00e3o as ilus\u00f5es de \u201cQuatro ilus\u00f5es\u201d?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; S\u00e3o ilus\u00f5es r\u00edtmicas. \u00c9 uma valsa um pouco mais r\u00e1pida em que, de vez em quando, o ritmo tern\u00e1rio se transforma em bin\u00e1rio, passando a ser uma marcha. S\u00e3o quatro melodias que se v\u00e3o metamorfoseando ritmicamente.<\/p>\n<p>FM &#8211; H\u00e1 alguma raz\u00e3o para continuarem a n\u00e3o deixar entrar mais nenhum instrumento, al\u00e9m da concertina, no grupo?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Mas tentamos que o grupo n\u00e3o seja o projecto para um instrumento&#8230; A maior parte das forma\u00e7\u00f5es instrumentais, do tipo quarteto de saxofones, quarteto de harm\u00f3nicas, ou trio de cordas, baseiam o report\u00f3rio em adapta\u00e7\u00f5es, de m\u00fasica cl\u00e1ssica ou outra qualquer. N\u00f3s fazemos m\u00fasica nova para a concertina. Acabamos por ser um projecto mais de quatro pessoas que, por acaso, tocam o mesmo instrumento.<\/p>\n<p>FM &#8211; Al\u00e9m da sua participa\u00e7\u00e3o nos Sons da Lusofonia, faz tamb\u00e9m parte de outro grupo, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Sim, os 4 Portango, em que tocamos Piazzolla. Fizemos a banda sonora do filme \u201cMortinhos por Chegar a Casa\u201d [de Carlos da Silva e George Sluizer] e particip\u00e1mos recentemente na Cimeira Mundial de Tango.<\/p>\n<p>FM &#8211; Vai ser dif\u00edcil arrumar este disco nas prateleiras das lojas. \u201cM\u00fasica ambiental\u201d, \u201cworld music\u201d, \u201cespecial instrumentos\u201d?&#8230;<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Talvez uma estante s\u00f3 para as Dan\u00e7as Ocultas. Em termos internacionais, poder\u00e1 ser inclu\u00eddo em \u201cworld music\u201d, embora n\u00e3o goste muito da designa\u00e7\u00e3o, porque toda a m\u00fasica \u00e9 \u201cworld\u201d.<\/p>\n<p>FM &#8211; Onde \u00e9 que foi tirada a foto da capa?<\/p>\n<p>ARTUR FERNANDES &#8211; Num local da serra do Caramulo chamado Urgueira, no concelho de \u00c1gueda. \u00c9 Portugal, como poderia ser a Col\u00f4mbia ou o Tibete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19.06.1998 Dan\u00e7as Ocultas Respiram Em Novo Disco Ar De Fole \u201cAr\u201d, segundo \u00e1lbum do grupo de concertinas de \u00c1gueda, Dan\u00e7as Ocultas, recria as micropaisagens do universo dos foles, ao mesmo tempo que respira as altitudes c\u00f3smicas da serra. Artur Fernandes carregou nos bot\u00f5es para o P\u00daBLICO. 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