{"id":1948,"date":"2010-04-12T09:07:17","date_gmt":"2010-04-12T16:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1948"},"modified":"2010-04-12T09:07:17","modified_gmt":"2010-04-12T16:07:17","slug":"entrevista-com-os-ui-debaixo-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/12\/entrevista-com-os-ui-debaixo-da-vida\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Os Ui: Debaixo Da Vida"},"content":{"rendered":"<p>17.04.1998<br \/>\nEntrevista Com Os Ui<br \/>\nDebaixo Da Vida<br \/>\nO novo dos Tortoise \u00e9 bom, o novo dos Trans AM \u00e9 muito bom, mas o novo dos Ui, \u201cLifelike\u201d, \u00e9 fora de s\u00e9rie. Aqui se mistura o grande funk com o \u201cdub\u201d e o experimentalismo kraut servido por dois baixos poderos\u00edssimos e o gosto pelo \u201criff\u201d. O P\u00daBLICO falou com o \u201cgrandmaster\u201d Sasha Frere-Jones e confirmou o que j\u00e1 adivinhara: Os This Heat s\u00e3o os av\u00f3s do p\u00f3s-rock.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/uilifelike.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/uilifelike.jpg\" alt=\"\" title=\"uilifelike\" width=\"500\" height=\"450\" class=\"alignnone size-full wp-image-1949\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/uilifelike.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/uilifelike-300x270.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=VNADG8O5\" target=\"_blank\">LINK<\/a>(The 2-Sided EP\/The Sharpie (1993-1995))<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/p-cWZVH2INI&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/p-cWZVH2INI&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Demorou um ano e meio a preparar mas valeu a pena esperar por \u201cLifelike\u201d, o mais recente \u00e1lbum dos Ui. Mas o pensamento do seu principal mentor, Sasha Frere-Jones, entre recorda\u00e7\u00f5es vafas de Sun Ra, umas brinacdeiras com os Stereolab, a devo\u00e7\u00e3o aos This Heat e o espanto por conversar com algu\u00e9m que ouviu os seus discos, est\u00e1 agora mais voltado para o seu filho de nove meses. \u00c9 que \u201ch\u00e1 coisas mais importantes do que o rock\u2019n\u2019roll\u201d, como ele pr\u00f3prio admite.<\/p>\n<p>FM &#8211; Ui \u00e9 um nome bastante estranho. Tem algum significado especial?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Tem v\u00e1rios. H\u00e1 uma pe\u00e7a de Bertolt Brecht chamada \u201cAscen\u00e7\u00e3o e Queda de Arturo Ui\u201d, uma pe\u00e7a antifascista sobre Adolf Hitler. E David Lee Roth, dos Van Halen, gravou um \u00e1lbum em espanhol em que no meio de todas as can\u00e7\u00f5es solta um grito lancinate: \u201cUuuiii\u201d. Depois as letras \u201cU\u201d e \u201dI\u201d pronunciam-se \u201cyou\u201d and \u201cI\u201d [\u201ctu\u201d e \u201ceu\u201d], exprimem uma rela\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cThe 2-Sided EP \/ The Sharpie\u201d, composto por material antigo, foi recentemente editado em Portugal. \u00c0 semelhan\u00e7a do que acontece com outros grupos de p\u00f3s-rock, nota-se que ouviram muito os This Heat. \u00c9 verdade?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Ah, sim! [solta uma exclama\u00e7\u00e3o de prazer]. A\u00ed est\u00e1 uma banda que adoro. \u00c9 engra\u00e7ado estar a mencion\u00e1-los, ontem mesmo ofereci um disco dos This Heat ao autor do \u201cdesign\u201d da capa de \u201cLifelike\u201d, Richard McGuire. E h\u00e1 uma hip\u00f3tese de tocarmos com Charles Hayward l\u00e1 para o final do ano. Os This Heat s\u00e3o sem d\u00favida uma enorme (\u201chuge\u201d) influ\u00eancia.<\/p>\n<p>FM &#8211; Cada um destes discos representa uma fase diferente do grupo ?<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>SASHA FRERE-JONES &#8211; \u201cThe Sharpie\u201d foi um \u201csingle\u201d gravado h\u00e1 tr\u00eas anos por obriga\u00e7\u00f5es contratuais com a Soul Static Sound. \u201cThe 2-Sided EP\u201d \u00e9 mais ou menos dessa altura, j\u00e1 n\u00e3o me lembro bem, foi gravado logo a seguir ao \u00e1lbum \u201cSidelong\u201d, que, ali\u00e1s, j\u00e1 continha parte do que viria a ser \u201cThe Sharpie\u201d. Era uma altura em que procur\u00e1vamos fazer temas mais longos para discos de doze polegadas e durante o qual os meus interesses giravam um pouco em torno do \u201cdrum\u2019nbass\u201d. Clem Waldmann, o nosso baterista, toca como um baterista de \u201cbreakbeats\u201d, apenas t\u00ednhamos que o mandar tocar e depois aceler\u00e1vamos a fita&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; Um pouco mais tarde, em 1995, fizeram uma digress\u00e3o com os Tortoise e os Labradford, cuja m\u00fasica \u00e9 bastante ambiental, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vossa, que \u00e9 de uma energia por vezes quase brutal&#8230;<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Eis uma compara\u00e7\u00e3o inteligente. \u00c9 das primeiras pessoas a notar esse lado energ\u00e9tico da nossa m\u00fasica, vejo que ouviu os nossos discos, o que n\u00e3o acontece com a maior parte dos jornalistas musicais com quem tenho falado [N.R. &#8211; Nesta altura, a nossa perplexidade s\u00f3 era compar\u00e1vel ao estado de d\u00favida que se instalou relativamente ao jornalismo praticado em terras do Tio Sam&#8230;].<\/p>\n<p>FM &#8211; Bom, mas como \u00e9 que conseguiram esse desempenho energ\u00e9tico em est\u00fadio, em \u201cLifelike\u201d? \u00c9 verdade que demoraram cerca de um ano e meio a grav\u00e1-lo?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Mais ou menos. N\u00e3o estivemos esse tempo todo em est\u00fadio mas foi quanto demorou a arranjar e a juntar o material necess\u00e1rio. Houve partes que j\u00e1 estavam feitas desde Junho de 1996, como os metais. N\u00e3o houve propriamente ao longo desse ano e meio a inten\u00e7\u00e3o de fazer um disco. este acabou por surgir quase por acidente. Masmo as tais grava\u00e7\u00f5es com instrumentos de sopro foram feitas para serem integradas num disco de \u201cdrum\u2019n\u2019bass\u201d que t\u00ednhamos gravado com os Stereolab em Londres. Outro tema, \u201cBlood in the Air\u201d, destinava-se a uma colect\u00e2nea da Techno Animal, onde acabou por aparecer com o t\u00edtulo \u201cThe Next Feeding\u201d. Em \u201cLifelike\u201d, nesse tema, uma vez mais, aceler\u00e1mos a bateria. S\u00f3 a partir de Maio do ano passado \u00e9 que comecei a fazer em est\u00fadio, em colabora\u00e7\u00e3o com Greg Frey, o engenheiro de som, todo o trabalho de mistura e edi\u00e7\u00e3o. Senti-me como se tivesse o \u00e1lbum j\u00e1 todo feito em casa e com o tempo e a liberdade de poder transform\u00e1-lo no que quisesse, com \u201coverdubs\u201d, montagens, etc.<\/p>\n<p>FM &#8211; Vive em Brooklyn, em Nova Iorque. N\u00e3o h\u00e1 registos de qualquer liga\u00e7\u00e3o dos Ui \u00e0 cena \u201cdowntown\u201d da cidade? Um tema como \u201cNews to go farther\u201d tem um balan\u00e7o muito jazzy&#8230;<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Essa liga\u00e7\u00e3o ao jazz surge sobretudo pelo lado de Wilbo Wright, que j\u00e1 tocou com Marc Ribot. Agora rela\u00e7\u00f5es do grupo com a \u201cdowntown\u201d nunca houve. Tamb\u00e9m n\u00e3o conhecemos muitos m\u00fasicos da cidade, mas se conhec\u00eassemos n\u00e3o seriam decerto dessa \u00e1rea, n\u00e3o gosto da m\u00fasica que fazem.<\/p>\n<p>FM &#8211; sob a designa\u00e7\u00e3o de Uilab, gravaram em colabora\u00e7\u00e3o com os Stereolab o mini CD \u201cFires\u201d onde se incluem quatro vers\u00f5es diferentes de um tema de Brian Eno, \u201cSt. Elm\u2019s Fire\u201d. Houve alguma raz\u00e3o especial para essa escolha?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Foi uma ideia que surgiu quando and\u00e1vamos em digress\u00e3o pela Europa, arranj\u00e1mos uma semana para gravar. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tinha na cabe\u00e7a, discuti isso com eles e acab\u00e1mos por gravar as vers\u00f5es em Londres. H\u00e1 outra can\u00e7\u00e3o feita de parceria com os Stereolab, com uma sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica composta por Wilbo e Clem que n\u00e3o aparece em \u201cFires\u201d e que ser\u00e1 editada num pr\u00f3ximo single.<\/p>\n<p>FM &#8211; Em \u201cFires\u201d aparece tamb\u00e9m o tema \u201cImpulse Rah\u201d, creditado como uma composi\u00e7\u00e3o de Sun Ra de parceria com os Ui e os Stereolab&#8230;<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; S\u00f3 a linha de baixo \u00e9 que pertence a Sun Ra, ou, pelo menos, soa como se pertencesse a Sun Ra&#8230; Acho que faz parte de um dos seus \u00e1lbuns, n\u00e3o me consigo lembrar de qual. Em todo o caso, achei que devia incluir o nome dele na ficha t\u00e9cnica. [Nesta altura, Sasha cantarolou a tal linha de baixo&#8230;]. \u00c9 sem d\u00favida de Sun Ra!<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cLess Time\u201d \u00e9 o \u00fanico tema creditado como Ui\u2026<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; \u00c9 um dos meus temas favoritos. Ensai\u00e1mo-lo pela primeira vez h\u00e1 muitos anos, na Am\u00e9rica. Quer\u00edamos incluir em \u201cFires\u201d outra cosia qualquer que fosse diferente e decidimos ouvir as fitas de ensaio. Come\u00e7\u00e1mos todos a entoar a melodia! [Sasha volta a imitar a linha de baixo&#8230;].<\/p>\n<p>FM &#8211; \u00c9 verdade que os Ui n\u00e3o t\u00eam qualquer espect\u00e1culo ao vivo programado para os pr\u00f3ximos meses?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Acontece que tenho um filho com nove meses e decidi consagrar os tempos mais pr\u00f3ximos apenas \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>FM &#8211; Decidiu? \u00c9 voc\u00ea quem toma as decis\u00f5es pelo grupo?<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Eis uma quest\u00e3o algo controversa&#8230; Mas neste caso acontece que os outros membros da banda tamb\u00e9m t\u00eam em casa filhos pequenos para cuidar. Por mais que gostemos todos de tocar ao vivo, achamos que a fam\u00edlia \u00e9 mais importante. H\u00e1 coisas mais importantes que o rock\u2019n\u2019roll [risos]! O meu filho \u00e9 uma delas [N.R. &#8211; Seguiu-se um interessante di\u00e1logo particular sobre os filhos de uns e de outros e os respectivos nomes que acabou por ir dar a Jo\u00e3o Gilberto, da\u00ed que&#8230;]. Sou um f\u00e3 da bossa-nova: Jo\u00e3o Gilberto, Os Mutantes, Caetano Veloso&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; Para terminar, fale-nos na sua actividade como DJ, sob o pseud\u00f3nimo The Calvinist, e da sua pr\u00f3pria editora, Bingo.<\/p>\n<p>SASHA FRERE-JONES &#8211; Toda a gente me pergunta sobre The Calvinist. N\u00e3o sou propriamente um DJ profissional, acontece apenas que, por vezes, quando saio \u00e0 noite, ponho uns discos de que gosto a tocar. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Bingo, \u00e9 diferente. Os Uilab, por exemplo, foram editados por n\u00f3s, na Am\u00e9rica. Tamb\u00e9m existe uma compila\u00e7\u00e3o chamada \u201cThe Day my Favourite Insect Died\u201d com grupos de rock alem\u00e3es da cidade de Waldheim, como os Notwist, a tocarem m\u00fasica electr\u00f3nica. Vamos lan\u00e7ar a seguir um disco dos The Tide and Tickle Trio e outro de Derek Bailey com uma s\u00e9rie de gente a fazer as sec\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas e ele a tocar guitarra por cima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>17.04.1998 Entrevista Com Os Ui Debaixo Da Vida O novo dos Tortoise \u00e9 bom, o novo dos Trans AM \u00e9 muito bom, mas o novo dos Ui, \u201cLifelike\u201d, \u00e9 fora de s\u00e9rie. Aqui se mistura o grande funk com o \u201cdub\u201d e o experimentalismo kraut servido por dois baixos poderos\u00edssimos e o gosto pelo \u201criff\u201d. 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