{"id":1945,"date":"2010-04-11T07:31:06","date_gmt":"2010-04-11T14:31:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1945"},"modified":"2010-04-11T07:31:06","modified_gmt":"2010-04-11T14:31:06","slug":"trans-am-vigiam-a-america-em-%e2%80%9cthe-surveillance%e2%80%9d-entrevista-a-nathan-means","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/11\/trans-am-vigiam-a-america-em-%e2%80%9cthe-surveillance%e2%80%9d-entrevista-a-nathan-means\/","title":{"rendered":"Trans AM Vigiam A Am\u00e9rica Em \u201cThe Surveillance\u201d &#8211; Entrevista a Nathan Means &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>27.03.1998<br \/>\nTrans AM Vigiam A Am\u00e9rica Em \u201cThe Surveillance\u201d<br \/>\nQuando O Dique Rebenta<br \/>\nCom \u201cThe Surveillance\u201d, os Trans AM tornaram-se na mais formid\u00e1vel m\u00e1quina de ritmos do p\u00f3s-rock. Para esse efeito constru\u00edram o seu \u201cKling Klang\u201d privado, transportando para os anos 90 o conceito do est\u00fadio como unidade port\u00e1til de composi\u00e7\u00e3o musical, criado h\u00e1 duas d\u00e9cadas pelos Kraftwerk. E Nathan means explicou ao P\u00daBLICO por que raz\u00e3o na Am\u00e9rica, em 1998, se instalou a paran\u00f3ia.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/transAM_theSurveillance.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/transAM_theSurveillance.jpg\" alt=\"\" title=\"transAM_theSurveillance\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-1946\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/transAM_theSurveillance.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/transAM_theSurveillance-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/159540770\/Trans_am_-_The_surveillance-1998.ofn.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BP6ps1qPR1U&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BP6ps1qPR1U&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Antes de responderem \u00e0s quest\u00f5es propriamente ditas, os Trans AM fizeram quest\u00e3o que fosse publicado um pequeno manifesto que, por si s\u00f3, explica o essencial dos seus processos criativos: \u201cN\u00e3o somos nenhuma esp\u00e9cie de colectivo pol\u00edtico-art\u00edstico como s\u00e3o, por exemplo, os Negativland. Todos temos as nossas concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que discutimos ocasionalmente entre n\u00f3s. Mas a nossa m\u00fasica quase nunca \u00e9 concebida como um espa\u00e7o pol\u00edtico limitativo, que \u00e9 aquilo que a maior parte dos cr\u00edticos pensa de n\u00f3s. A m\u00fasica de \u2018The Surveillance\u2019 foi composta como resultado de uma busca nossa, mais ou menos casual, e da experimenta\u00e7\u00e3o com novos sons e equipamentos. Os aspectos pol\u00edticos e te\u00f3ricos dos nossos \u00e1lbuns s\u00e3o sempre concebidos \u2018a posteriori\u2019, como uma superestrutura que seja capaz de impor a cada trabalho alguma esp\u00e9cie de coer\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cThe Surveillance\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de tem\u00e1tica violenta que fala da paran\u00f3ia e dos medos escondidos da Am\u00e9rica em 1998&#8230;<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Sim, os t\u00edtulos falam todos de uma linguagem rid\u00edcula que se est\u00e1 a vulgarizar, de propaganda de sistemas de seguran\u00e7a para as casas, iniciativas anticrime, pol\u00edticas de toler\u00e2ncia zero e comunidades fechadas. Noto cada vez mais sinais que mostram que a resposta da Am\u00e9rica ao problema da pobreza e a outros problemas sociais a ela associados est\u00e1 a passar de uma situa\u00e7\u00e3o com base na assist\u00eancia social para outra de diminui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios que se concentra na repress\u00e3o e em meter cada vez mais pessoas nas pris\u00f5es. Um certo n\u00edvel de paran\u00f3ia &#8211; que instiga medo e avers\u00e3o \u00e0s classes sociais mais baixas, cada vez mais responsabilizadas pelo aumento da criminalidade &#8211; \u00e9 extremamente \u00fatil ao poder, como forma de vender o seu programa ao povo americano.<\/p>\n<p>FM &#8211; Qual \u00e9 o inferno mais pr\u00f3ximo. O de \u201cBrave New World\u201d, de Aldous Huxley, ou o de \u201c1984\u201d, de George Orwell?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; \u201c1984\u201d deu-nos a ideia para o conceito do \u201cBig Brother Is Watching Us\u201d [\u201cO Grande Irm\u00e3o Est\u00e1 a Observar-nos\u201d, uma das m\u00e1ximas do livro de Orwell]. Infelizmente, nos Estados Unidos, esta esp\u00e9cie de paran\u00f3ia dirige-se mais ao \u201cGrande Governo\u201d 8atingindo, como consequ\u00eancia, algunsesfor\u00e7os comunit\u00e1rios que visam a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida&#8230;), e menos ao \u201cGrande Neg\u00f3cio\u201d, o qual, pessoalmente, considero mil vezes mais amea\u00e7ador. Evidentemente, a distin\u00e7\u00e3o entre os dois pode ser suspeita, mas&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; A tecnologia \u00e9 uma arma. De que forma a manipulam?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Os instrumentos s\u00e3o t\u00e3o respons\u00e1veis pela composi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es como n\u00f3s.<\/p>\n<p>FM &#8211; Existe actualmente uma dicotomia curiosa entre as bandas de p\u00f3s-rock. Enquanto grupos como voc\u00eas, os Tortoise ou os Labradford tocam uma m\u00fasica mais org\u00e2nica (anal\u00f3gica?), outras, como os Microstoria ou os Oval, t\u00eam um som mais doentio, como se as m\u00e1quinas estivessem infectadas por um v\u00edrus.<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Nunca tinha pensado nisso antes, mas vejo onde quer chegar. No nosso caso e no das outras duas bandas que refere, derivamos todos de uma est\u00e9tica tipicamente americana, em que toc\u00e1mos todos ao vivo em grupos rock ou punk antes de nos fecharmos em est\u00fadio com a electr\u00f3nica e com todos os aspectos que andam associados ao p\u00f3s-rock. N\u00e3o conhe\u00e7o bem a hist\u00f3ria dos Oval, mas sei que s\u00e3o dois tipos alem\u00e3es que talveaz n\u00e3o tenham tido essa forma\u00e7\u00e3o ao vivo que costumam ter as bandas americanas.<\/p>\n<p>FM &#8211; Constru\u00edram um est\u00fadio privado especialmente para a grava\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum. \u00c9 a vossa vers\u00e3o do est\u00fadio Kling klang que os Kraftwerk constru\u00edram na d\u00e9cada de 70?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Sim, constru\u00edmos o nosso pr\u00f3prio Kling Klang. S\u00f3 que depois da grava\u00e7\u00e3o tivemos de o desmontar porque os senhorios da cave em que estava instalado se mudaram. Estamos \u00e0 procura de um novo local para voltar a construir o est\u00fadio, numa base permanente.<\/p>\n<p>FM &#8211; J\u00e1 definiram o som do novo \u00e1lbum como possuindo uma \u201cqualidade perigosa\u201d. Podem ser mais espec\u00edficos?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; O nosso \u201csom Especial\u201d \u00e9 o que resulta da explosividade do nosso som ao vivo. Quer\u00edamos, por exemplo, que a bateria soasse t\u00e3o gigantesca como em \u201cWhen The Levee Breaks\u201d (\u201cQuando o dique rebenta\u201d) dos led Zeppelin. Nos dias de hoje, em que somos agredidos por todos os lados pelo \u201crock domesticado\u201d de grupos como os Stone Temple Pilots, Live ou Three Eye Blind, nada \u00e9 mais perigoso ou controverso do que os rock \u201ccom os tomates no s\u00edtio\u201d.<\/p>\n<p>FM &#8211; Qual destes dois discos acham que representa melhor o esp\u00edrito dos anos 90: \u201cThe Man Machine\u201d dos Kraftwerk ou \u201cMetal Machine Music\u201d de Lou Reed?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Nem um nem outro. Infelizmente os anos 90 s\u00e3o provavelmente representados pelo \u00e1lbum mais recente dos Third Eye Blind ou por Puff Daddy. As r\u00e1dios comerciais est\u00e3o a tornar-se cada vez mais d\u00f3ceis e inimaginativas \u00e0 medida que as esta\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo compradas pelas multinacionais. Em Washington D.C., por exemplo, os programas at\u00e9 cheiram mal! \u00c9 um fen\u00f3meno de homogeneiza\u00e7\u00e3o corporativista que est\u00e1 a tornar-se evidente por toda a parte.<\/p>\n<p>FM &#8211; O in\u00edcio de \u201cArmed Response\u201d \u00e9 puro metal sobre metal, esmagamento de guitarras e ru\u00eddo. Os Trans AM t\u00eam o mesmo esp\u00edrito punk, por exemplo, dos This Heat, nos anos 80?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Sem d\u00favida. O nosso esp\u00edrito \u00e9 esse mesmo. Da mesma forma que os AC\/DC eram t\u00e3o punks como os Ramones. Quer uma quer outra destas bandas baseavam a sua m\u00fasica em acordes inacreditavelmente simples e numa energia bruta que ainda hoje impressiona, em contraste com a neuratesnia que vigora na m\u00fasica comercial dos anos 90. E adoro os This Heat!. Sinto-me lisonjeado que tenha pensado neles ao ouvir o nosso \u00e1lbum.<\/p>\n<p>FM &#8211; Falou-se h\u00e1 pouco dos Kraftwerk. As programa\u00e7\u00f5es de \u201cAccess control\u201d misturam \u201cThe man machine\u201d com \u201cAutobahn\u201d. \u201cProwler\u2019 97\u201d, \u201cShadow Boogie\u201d e \u201cHome Security\u201d tamb\u00e9m soam muito a esta banda germ\u00e2nica. Os Kraftwerk s\u00e3o a influ\u00eancia principal em \u201cThe Surveillance\u201d?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; \u201cHome Security\u201d \u00e9 a can\u00e7\u00e3o mais kraftwerkiana do \u00e1lbum. \u201cProwler\u2019 97\u201d sugere-me mais a m\u00fasica de \u201cbreakdance\u201d ou um filme de suspense. \u201cAccess control\u201d acabou por se parecer um bocado com uma banda finlandesa chamada Panasonic. Se puder v\u00ea-los ao vivo, n\u00e3o hesite. S\u00e3o espantosos!<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cThe Surveillance\u201d pode tamb\u00e9m ser encarado como um jogo de e sobre o poder. Como \u00e9 que se termina este jogo?<\/p>\n<p>NATHAN MEANS &#8211; Gostaria de poder dizer que a m\u00fasica tem o poder de uma \u00fanica arma pol\u00edtica, necess\u00e1ria para combater o terror do tal Estado de Seguran\u00e7a que mencionei h\u00e1 pouco, mas n\u00e3o acredito que seja verdade&#8230;<\/p>\n<p>Nota:<br \/>\nOs Trans AM v\u00e3o tocar a Espanha no pr\u00f3ximo dia 10 de Junho e gostariam de poder actuar em Portugal. Nathan Means refeiur o prazer que isso lhe daria. De passagem diz que fala um pouco de espanhol e que o baterista do grupo, Sebastian, \u00e9 argentino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>27.03.1998 Trans AM Vigiam A Am\u00e9rica Em \u201cThe Surveillance\u201d Quando O Dique Rebenta Com \u201cThe Surveillance\u201d, os Trans AM tornaram-se na mais formid\u00e1vel m\u00e1quina de ritmos do p\u00f3s-rock. Para esse efeito constru\u00edram o seu \u201cKling Klang\u201d privado, transportando para os anos 90 o conceito do est\u00fadio como unidade port\u00e1til de composi\u00e7\u00e3o musical, criado h\u00e1 duas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[565,18],"tags":[607,39],"class_list":["post-1945","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas-1998","category-pos-rock","tag-nathan-means","tag-trans-am"],"views":2903,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1945"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1947,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1945\/revisions\/1947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}