{"id":1903,"date":"2010-04-06T08:41:01","date_gmt":"2010-04-06T15:41:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1903"},"modified":"2010-04-06T08:42:21","modified_gmt":"2010-04-06T15:42:21","slug":"carlos-e-vasco-martins-lancam-%e2%80%9coutras-indias%e2%80%9d-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/06\/carlos-e-vasco-martins-lancam-%e2%80%9coutras-indias%e2%80%9d-entrevista\/","title":{"rendered":"Carlos e Vasco Martins lan\u00e7am \u201cOutras \u00cdndias\u201d &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>10.10.1997<br \/>\nCarlos e Vasco Martins lan\u00e7am \u201cOutras \u00cdndias\u201d<br \/>\n\u201cUm tipo a bater numas cordas, a fazer um som e a cantar\u201d<br \/>\nCarlos e Vasco Martins partilham uma filosofia comum, com ra\u00edzes no zen. Recusam as etiquetas. Cabo Verde \u00e9 o mundo. E o jazz um ponto &#8211; ou uma ponte &#8211; de partida para o caminho do Oriente que ambos perseguem. Em \u201cOutras \u00cdndias\u201d, tudo se prende a algo ancestral: \u201cUm tipo a bater numas cordas, a fazer um som e a cantar.\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/carlosMartinsVascomartins_outrasIndias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/carlosMartinsVascomartins_outrasIndias.jpg\" alt=\"\" title=\"carlosMartinsVascomartins_outrasIndias\" width=\"120\" height=\"108\" class=\"alignnone size-full wp-image-1904\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em \u201cOutras \u00cdndias\u201d Carlos Martins e Vasco Martins fizeram, com sucesso, a fus\u00e3o das ra\u00edzes musicais de Cabo Verde com um discurso contemplativo que n\u00e3o hesitou em voltar as costas ao jazz. Para Carlos Martins, \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o do seu ideal de uma lusofonia verdadeiramente universal. Para Vasco Martins, uma abertura no seu ref\u00fagio \u201cnew age\u201d com sede no Atl\u00e2ntico. Uma descoberta a dois.<\/p>\n<p>FM &#8211; Quando \u00e9 que se encontraram e como surgiu a ideia de fazer este disco?<br \/>\nCarlos Martins &#8211; Conhecemo-nos h\u00e1 uns anos atrav\u00e9s de um amigo comum, o Jo\u00e3o Freire, uma pessoa que sempre se interessou por Cabo Verde. Numa ocasi\u00e3o em que ele e o Vasco estiveram em Portugal, andaram \u00e0 minha procura, s\u00f3 que o encontro n\u00e3o se proporcionou. Nessa altura eu tocava com a Constan\u00e7a Capdeville e com a Olga Pratts, que tamb\u00e9m me disse que o Vasco era de Cabo Verde e compunha. Fiquei com curiosidade em saber quem era, ainda por cima algu\u00e9m com o mesmo apelido do que eu&#8230; At\u00e9 que nos encontr\u00e1mos finalmente em Roterd\u00e3o, numa confer\u00eancia sobre a di\u00e1spora cabo-verdiana. Eu ia falar sobre o que os emigrantes podem fazer fora do seu pa\u00eds, em termos culturais. O Vasco ia falar da m\u00fasica de Cabo Verde. Desse primeiro encontro resultou numa ida a Amsterd\u00e3o, durante um dia inteiro. Esse dia inteiro fez este disco. Desde a visita oa museu Van Gogh at\u00e9 \u00e0s conversas que tivemos. Cheg\u00e1mos ao hotel e toc\u00e1mos um bocado. Vimos que as coisas funcionavam.<br \/>\nVasco Martins &#8211; Eu tinha levado apenas uma guitarra para fazer uma demosntra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica de Cabo Verde.<br \/>\nFM &#8211; J\u00e1 conheci a trilogia atl\u00e2ntica, \u201cSouthbound Music\u201d, do Vasco Martins?<br \/>\nCarlos Martins &#8211; J\u00e1 tinha ouvido algumas coisas e n\u00e3o era o tipo de m\u00fasica que eu queria fazer.<br \/>\nFM &#8211; E o Vasco, j\u00e1 tinha ouvido antes a m\u00fasica do Carlos?<br \/>\nVasco Martins &#8211; Era um desconhecido, s\u00f3 sabia que era um m\u00fasico de jazz com talento.<br \/>\nFM &#8211; Como \u00e9 que os universos de ambos se ligaram? Esse passeio de que falaram deve ter sido bonito, mas depois como \u00e9 que a coisa funcionou no est\u00fadio?<br \/>\nCarlos Martins &#8211; A vantagem \u00e9 que tudo foi articulado em Cabo Verde. Estive l\u00e1 cinco dias antes de vir para c\u00e1. esses cinco dias \u00e9 que fizeram com que o som se consolidasse. O que se passa \u00e9 que h\u00e1 uma alma dentro de cada um de n\u00f3s que junta, que ro\u00e7a numa extremidade do mesmo universo. Um universo de gostos comuns, apet\u00eancias comuns e sonoridades comuns. Depois sobressaiu ainda uma certa vis\u00e3o zen da m\u00fasica, uma certa orientalidade.<br \/>\nFM &#8211; Os discos do Vasco n\u00e3o chegam ao Continente&#8230;<br \/>\nVasco Martins &#8211; Gravo pela Celluloid francesa, mas os discos s\u00e3o mal distribu\u00eddos em Portugal. saem em Espanha, nos Estados Unidos, na Alemanha. Continuo a fazer m\u00fasica electr\u00f3nica, mas tamb\u00e9m sinf\u00f3nica e outras coisas.<br \/>\nFM &#8211; A m\u00fasica da sua trilogia \u00e9 bastante universalista. De que forma trabalhou nela a influ\u00eancia da m\u00fasica de Cabo Verde?<br \/>\nVasco Martins &#8211; H\u00e1 duas formas de ver a quest\u00e3o. Uma \u00e9 a intui\u00e7\u00e3o do ambiente onde o artista vive. A outra \u00e9 o aproveitamento das ra\u00edzes, das tradi\u00e7\u00f5es. Eu utilizo ambas. Na m\u00fasica da trilogia, est\u00e1 presente a tem\u00e1tica de Cabo Verde, mas n\u00e3o a utilizo de uma maneira objectiva, dou pinceladas, sou mais um impressionista.<br \/>\nFM &#8211; \u201cOutras \u00cdndias\u201d \u00e9 um disco de uma grande serenidade, bastante diferente do seu discurso mais jazz\u00edstico&#8230;<br \/>\nCarlos Martins &#8211; Uma das coisas que mais gostei de discutir a prop\u00f3sito deste disco \u00e9 o facto de existir uma poesia do mundo, ligada a uma certa dramaticidade da vida, que \u00e9 algo constante em mim.<br \/>\nescrevo desde mi\u00fado. Quando andava na quarta classe, a minha alcy\u00abunha era o \u201cCam\u00f5es\u201d, porque escrevia versos. E continuo a escrever, s\u00f3 que agora mais m\u00fasica do que texto. Mas h\u00e1 a presen\u00e7a constante da poesia. Logo, n\u00e3o sou um \u00fanico Carlos Martins, nem quero s\u00ea-lo. N\u00e3o tenho a m\u00ednima culpa de que as pessoas precisem mais de um \u00fanico Carlos Martins, para se equilibrarem na sua cr\u00edtica.<br \/>\nFM &#8211; O Vasco Martins funcionou como um catalisador dessa sua vis\u00e3o po\u00e9tica?<br \/>\nCarlos Martins &#8211; Este disco s\u00f3 foi poss\u00edvel de fazer entre mim e o Vasco. Por isso \u00e9 que arranj\u00e1mos um nome, \u201cOutras \u00cdndias\u201d, que quer dizer exactamente \u201coutras coisas\u201d, n\u00e3o digo quais, nem interessa explicar.<br \/>\nFM &#8211; A filosofia inerente a este disco n\u00e3o anda longe da partilhada por R\u00e3o Kyao, ou anda?<br \/>\nCarlos Martins &#8211; A orientalidade n\u00e3o \u00e9 um factor que me inspire musicalmente, linearmente, do tipo \u201ceu penso oriental, a m\u00fasica \u00e9 oriental\u201d. A orientalidade est\u00e1 em mim como sensibilidade. O que se passa aqui \u00e9 que ando \u00e1 procura de outro caminho, do Caminho do Oriente. \u00c0 procura do fado, da morna e do choro lento. Mas sem tudo o queo que o Vasco tem de Cabo Verde eu n\u00e3o tocaria desta maneira. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o interactiva.<br \/>\nFM &#8211; Este projecto enquadra-se na est\u00e9tica \u201cnew age\u201d?<br \/>\nVasco Martins &#8211; A \u201cnew age\u201d \u00e9 muito contestada na Europa porque \u00e9 tida como um ap\u00eandice de filosofias orientalistas americanas. Hoje em dia, a \u201cnew age\u201d j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 isso. H\u00e1 bons m\u00fasicos de \u201cnew age\u201d a fazerem bons trabalhos, algun deles m\u00fasicos de jazz.<br \/>\nFM &#8211; Precisamente, h\u00e1, sobretudo da parte dos puristas, quem n\u00e3o veja com bons olhos essa \u201cfuga\u201d de muitos m\u00fasicos de jazz para essa outra \u00e1rea musical&#8230;<br \/>\nCarlos Martins &#8211; N\u00e3o sou preto, n\u00e3o sou americano, n\u00e3o vivo em Nova Iorque, n\u00e3o tenho que representar coisa nenhuma do jazz, tenho \u00e9 que adaptar \u00e0 minha m\u00fasica e \u00e0 minha tradi\u00e7\u00e3o tudo aquilo que aprendi do jazz, que \u00e9 uma das linguagens mais belas deste s\u00e9culo e que se tornou universal pela capacidade de improvisar e sair do seu pr\u00f3prio mundo e de elaborar mundos novos a uma velocidade vertiginosa. Para mim este disco \u00e9 um descanso. \u00c9 uma atitude assumida. H\u00e1 quanto tempo \u00e9 que existem uma guitarra e uma voz a cantar? \u00c9 ancestral. Antes da \u201cnew age\u201d, antes do jazz, existiu sempre um tipo a bater numas cordas, a fazer um som e a cantar. \u00c9 isso que se passa neste disco, estou-me perfeitamente nas tintas para o resto. Isto para mim representa um tipo a cantar sobre as harmonias de umas cordas. \u00c9 antigo, \u00e9 o que eu sinto e \u00e9 o que praticava quando era mi\u00fado, com uma flautazinha no jardim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10.10.1997 Carlos e Vasco Martins lan\u00e7am \u201cOutras \u00cdndias\u201d \u201cUm tipo a bater numas cordas, a fazer um som e a cantar\u201d Carlos e Vasco Martins partilham uma filosofia comum, com ra\u00edzes no zen. Recusam as etiquetas. Cabo Verde \u00e9 o mundo. 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