{"id":1896,"date":"2010-04-05T05:03:36","date_gmt":"2010-04-05T12:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1896"},"modified":"2010-04-05T05:03:36","modified_gmt":"2010-04-05T12:03:36","slug":"anne-clark-entrevista-poesia-electronica-na-aldeia-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/05\/anne-clark-entrevista-poesia-electronica-na-aldeia-global\/","title":{"rendered":"Anne Clark: Entrevista &#8211; Poesia Electr\u00f3nica Na Aldeia Global"},"content":{"rendered":"<p>26.09.1997<br \/>\nPoesia Electr\u00f3nica Na Aldeia Global<\/p>\n<p>No novo \u00e1lbum, \u201cWord Processing\u201d, Anne Clark entregou os seus textos nas m\u00e3os de gente como Global Youth, Sleepers Revenge ou Juno Reactor. Uma s\u00e9rie de remisturas tecno que oblitera o lado po\u00e9tico desta autora que se apresentar\u00e1, amanh\u00e3, ao vivo, na Aula Magna, com um espect\u00e1culo ac\u00fastico.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/AnneClark_Wordprocessing.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/AnneClark_Wordprocessing.jpeg\" alt=\"\" title=\"AnneClark_Wordprocessing\" width=\"585\" height=\"599\" class=\"alignnone size-full wp-image-1897\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/AnneClark_Wordprocessing.jpeg 585w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/AnneClark_Wordprocessing-292x300.jpg 292w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/30609772\/Anne_Clark_-_Wordprocessing__The_Remix_Project_.part1.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Parte 1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/30610467\/Anne_Clark_-_Wordprocessing__The_Remix_Project_.part2.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Parte 2)<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KDjBKXHBQUk&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KDjBKXHBQUk&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u201cA anarquia criativa\u201d \u00e9 o m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o seguido por Anne Clark, com o qual tem procurado estruturar um novo papel para a linguagem po\u00e9tica. Entre o niilismo punk, o romantismo ac\u00fastico e o processamento electr\u00f3nico.<br \/>\nFM &#8211; Nos anos 80 esteve ligada ao projecto Psychic TV, cujos m\u00e9todos de trabalho passavam por processos de manipula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do som e da palavra. J\u00e1 fez alguma coisa semelhante?<br \/>\nAC &#8211; Hoje em dia o meu trabalho tem mais a ver com um combate contra a manipula\u00e7\u00e3o das imagens do que com a linguagem propriamente dita, que est\u00e1 a sofrer. Afastei-me do tipo de trabalho efectuado pelos Psychic TV ou, antes, pelos Throbbing Gristle. De uma forma ou de outra toda a gente usa a linguagem como uma forma de manipula\u00e7\u00e3o. Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 manipula\u00e7\u00e3o. Tanto pode ser negativa como positiva.<br \/>\nFM &#8211; \u201cWord Processing\u201d assenta numa base lectr\u00f3nica tecno. N\u00e3o acha que, a este n\u00edvel, se pode falar ainda de manipula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do som?<br \/>\nAC &#8211; H\u00e1 um lado ritual, quando milhares de pessoas se juntam a dan\u00e7ar ao som de m\u00fasica tecno. \u00c9 um regresso ao tribalismo, algo necess\u00e1rio, agora que deixou de existir seguran\u00e7a e se est\u00e3o a perder os valores religiosos. N\u00e3o penso que seja negativo o facto de uma quantidade de pessoas ficarem ligadas pela m\u00fasica.<br \/>\nFM &#8211; Qual \u00e9 o lado positivo?<br \/>\nAC &#8211; As pessoas sentirem que fazem parte de uma tribo, sentirem-se confort\u00e1veis. H\u00e1 como que uma liberta\u00e7\u00e3o e uma partilha. Acontece o mesmo com um livro, a pintura, o cinema ou a televis\u00e3o. As pessoas l\u00eaem um livro para saberem se h\u00e1 mais algu\u00e9m a pensar como elas.<br \/>\nFM &#8211; Concorda com a utiliza\u00e7\u00e3o de drogas como o \u201cecstasy\u201d para refor\u00e7ar esse estado de esp\u00edrito?<br \/>\nAC &#8211; N\u00e3o, nem dessa nem de outra droga qualquer. J\u00e1 h\u00e1 tantas maneiras para sair da realidade que n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios os qu\u00edmicos. Mas as pessoas que sentem essa necessidade n\u00e3o devem ser proibidas de o fazer.<br \/>\nFM &#8211; O que pensa da utiliza\u00e7\u00e3o de textos subliminares?<br \/>\nAC &#8211; Interessei-me bastante por t\u00e9cnicas desse tipo, no passado, mas acabei por ach\u00e1-las lament\u00e1veis. Eram algo de amea\u00e7ador.<br \/>\nFM &#8211; No fundo da caixa do seu novo CD est\u00e1 impresso um texto com informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica detalhada relativa \u00e0 grava\u00e7\u00e3o, um jarg\u00e3o saturado que acaba por esconde rmais do que revelar&#8230;<br \/>\nAC &#8211; Todo este projecto tem a ver com levar o meu material at\u00e9 aos seus limites, atrav\u00e9s da tecnologia. Precisamente o \u201cword processing\u201d do t\u00edtulo. N\u00e3o coloquei quaisquer reservas ou limita\u00e7\u00f5es aos diversos autores das remisturas, tiveram inteira liberdade para fazer o que quisessem. Nalguns casos processaram as minhas palavras de maneiras bastantes estranhas&#8230; Gosto bastante das faixas remisturadas pelos Mouse On Mars, e de \u201cNida\u201d, pelos Saafi Bros.<br \/>\nFM &#8211; \u201cA linguagem \u00e9 um v\u00edrus\u201d como escreveu uma vez \u201cWilliam Burroughs?<br \/>\nAC &#8211; \u201cDo espa\u00e7o exterior\u201d, n\u00e3o \u00e9? Parece que os incas tamb\u00e9m vieram de l\u00e1&#8230; um v\u00edrus? N\u00e3o creio. A linguagem, no seu todo, enquanto fonte imediata de imagens, est\u00e1 a desaparecer.<br \/>\nFM &#8211; Com a substitui\u00e7\u00e3o da linguagem por outras formas de comunica\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica, como a realidade virtual, os poetas correm o risco de ficar sem emprego?<br \/>\nAC &#8211; Penso que sim [risos]. A informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a tornar-se cada dia que passa mais sensacionalista, mais tabl\u00f3ide. Tudo se reduz ao superficial, deixou de haver profundidade. H\u00e1 milh\u00f5es de revistas e jornais a falarem de todas as coisas, enquanto os livros a s\u00e9rio s\u00e3o cada vez menos.<br \/>\nFM &#8211; No romance de George Orwell \u201c1984\u201d, o governo apagava sucessivamente as palavras, como forma de aumento de poder e de controlo. Sem palavras n\u00e3o h\u00e1 pensamento.<br \/>\nAC &#8211; Penso que a situa\u00e7\u00e3o actual tem mais a ver com as formas de poder de Aldous Huxley do \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d, do que com George Orwell. Em Orwell \u00e9 o controlo atrav\u00e9s do medo. No \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d \u00e9 o controlo atrav\u00e9s do prazer e do consumo. A \u00fanica forma de resit\u00eancia a isto \u00e9 tentar modificar o estilo de vida, n\u00e3o comprar um carro novo todos os anos ou trocar de mulher de tr\u00eas em tr\u00eas meses&#8230;<br \/>\nFM &#8211; Acredita na exist\u00cancia da alma humana?<br \/>\nAC &#8211; Acredito na energia humana. Quanto \u00e0 alma, gostaria realmente que ela existisse.<br \/>\nFM &#8211; Costuma referir-se a um \u201canarquia criativa\u201d que determina os seus m\u00e9todos de trabalho.<br \/>\nAC &#8211; O que tento fazer \u00e9 atravessar o mundo e procurar compreend\u00ea-lo, as coisas que fazemos uns aos outros. As pessoas v\u00eam ter comigo para me mostrar novos sons e novos textos.<br \/>\nFM &#8211; Procura fazer passar nos seus textos alguma forma de mensagem expl\u00edcita, como fazia na altura em que fazia parte da cena punk dos anos 70?<br \/>\nAC &#8211; Limito-me a mostrar, enquanto indiv\u00edduo, as minhas reflex\u00f5es sobre o mundo que me rodeia. Na altura do punk aconteceram uma quantidade de coisas malucas ao mesmo tempo; as pessoas juntavam-se para tocar sem nunca terem pegado num instrumento antes. Eu gostava de poesia e de m\u00fasica. Por que n\u00e3o reunir as duas?<br \/>\nFM &#8211; As palavras tanto podem ferir como curar. Qual o efeito das suas?<br \/>\nAC &#8211; Como toda a gente, provoco as duas coisas. Espero que os meus textos ajudem a curar, mas sei que j\u00e1 feri as pessoas &#8211; faz parte da natureza humana.<br \/>\nFM &#8211; O que pensa de uma cantora como Diamanda Galas? \u00c9 algu\u00e9m que pode deixar marcas profundas&#8230;<br \/>\nAC &#8211; Adoro-a. Gostaria de um dia trabalhar com ela. Lembro-me de assistir a um concerto dela, h\u00e1 alguns anos, em Londres, e de ver pessoas a sentirem um sofrimento f\u00edsico. \u00c9 uma \u201cperformer\u201d que desafia realmente a audi\u00eancia e que se pode tornar assustadora.<br \/>\nFM &#8211; Vai fazer algum tipo de \u201cperfomance\u201d no concerto de Lisboa?<br \/>\nAC &#8211; Vou trazer uma banda de seis pessoas e um dan\u00e7arino. M\u00fasica gerada exclusivamente por meios electr\u00f3nicos corre o risco de se tornar muito aborrecida de se ver, com uma quantidade de m\u00e1quinas e apenas uma pessoa.<br \/>\nFM &#8211; A seguir a este disco j\u00e1 est\u00e1 a preparar outro, sobre a poesia de Rilke.<br \/>\nAC &#8211; Gosto de experimentar diferentes estilos e ambientes. Como ser humano que sou, posso acordar numa manh\u00e3 com um determinado estado de esp\u00edrito e mudar ao longo do dia para outro. \u00c9 um \u201cwork in progress\u201d constante. Num dia posso estar voltada para a m\u00fasica electr\u00f3nica e no seguinte preferir uma linguagem ac\u00fastica, mais intimista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>26.09.1997 Poesia Electr\u00f3nica Na Aldeia Global No novo \u00e1lbum, \u201cWord Processing\u201d, Anne Clark entregou os seus textos nas m\u00e3os de gente como Global Youth, Sleepers Revenge ou Juno Reactor. 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