{"id":1892,"date":"2010-04-04T08:32:09","date_gmt":"2010-04-04T15:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1892"},"modified":"2010-04-04T08:32:09","modified_gmt":"2010-04-04T15:32:09","slug":"rui-miguel-abreu-apresenta-primeiro-volume-de-%e2%80%9ceasy-listening%e2%80%9d-nacional-um-luxo-estereofonico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/04\/rui-miguel-abreu-apresenta-primeiro-volume-de-%e2%80%9ceasy-listening%e2%80%9d-nacional-um-luxo-estereofonico\/","title":{"rendered":"Rui Miguel Abreu apresenta primeiro volume de \u201ceasy listening\u201d nacional Um Luxo Estereof\u00f3nico"},"content":{"rendered":"<p>20.06.1997<br \/>\nRui Miguel Abreu apresenta<br \/>\nprimeiro volume de \u201ceasy listening\u201d nacional<br \/>\nUm Luxo Estereof\u00f3nico<br \/>\n\u201cPortugal de Luxe\u201d \u00e9 um objecto t\u00e3o \u201ckitsch\u201d quanto sedutor. Uma dama loura e carnuda apresenta em pose er\u00f3tica, no meio de plumas e holofotes, este primeiro volume de \u201cum \u2018cocktail\u2019 estereof\u00f3nico\u201d para apreciadores de fibra e nost\u00e1lgicos da naftalina.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/portugalDeLuxe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/portugalDeLuxe.jpg\" alt=\"\" title=\"portugalDeLuxe\" width=\"120\" height=\"118\" class=\"alignnone size-full wp-image-1893\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jKFfL4wi8Ho&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jKFfL4wi8Ho&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u00c9 a estreia do \u201ceasy listening\u201d, do bom e verdadeiro, em Portugal. A iniciativa deve-se a Rui Miguel Abreu, respons\u00e1vel por esta compila\u00e7\u00e3o que a Norte Sul acaba de lan\u00e7ar no mercado. \u201cPortugal de Luxe\u201d inclui cl\u00e1ssicos como \u201c\u00d3culos de Sol\u201d, \u201cMissing You\u201d, \u201cLisboa \u00e0 Noite\u201d e \u201cOh!\u201d. Melodias com que os nosso pais se deleitavam e hoje acenam com um estranho encanto aos ouvidos sobrecarregados de informa\u00e7\u00e3o do auditor dos tempos modernos.<br \/>\nRui Miguel Abreu tem 28 anos de idade. Ainda n\u00e3o era nascido quando pairavam no \u00e9ter as notas ex\u00f3ticas e tropicais do Thilo\u2019s Combo. Descobriu esta m\u00fasica, motivado pela leitura da enciclop\u00e9dia \u201cIncredible Strange Music\u201d, onde \u201cse falava de nomes esquisit\u00edssimos como a Yma Sumac ou o Esquivel\u201d. Na Feira da Ladra come\u00e7ou a comprar alguns discos\u201d que se encaixavam no \u2018easy listening\u2019. H\u00e1 cerca de dois anos come\u00e7ou a reparar que este seu interesse \u201ctinha um eco l\u00e1 fora\u201d, quando surgiram no mercado nacional as edi\u00e7\u00f5es \u201cSound Gallery\u201d ou \u201cSound Spectrum\u201d que, \u201cde alguma maneira, pegavam no \u2018easy listening\u2019\u201d.<br \/>\nA partir da\u00ed foi s\u00f3 \u201csomar dosi e dois\u201d. Rui Miguel Abreu trabalha presentemente numa editora, a Norte Sul, subsidi\u00e1ria da casa Valentim de Carvalho, que tem uma longa hist\u00f3ria atr\u00e1s de si. Mostrou o projecto \u00c0s chefias e pediu para investigar os arquivos. Deram-lhe carta branca. \u201cMergulhei \u00e0 procura de coisas\u201d, diz. Depois, partiu para as audi\u00e7\u00f5es na companhia de Fernando Cortez, um t\u00e9cnico hist\u00f3rico da Valentim, j\u00e1 com 50 anos de casa. \u201cia-lhe perguntando, ele lembrava-se de algumas coisas, mais tarde, a partir de conversas com muitas pessoas, fui chegando a alguns nomes. A partir daqui forma meses e meses, com o Pedro Tenreiro, outro AR [artistas &#038; report\u00f3rio] da Norte Sul, a ouvir as fitas originais e a seleccion\u00e1-las.\u201d<br \/>\nNa altura em que se procuram novos nomes para a m\u00fasica portuguesa, tarefa na qual a pr\u00f3pria editora Norte Sul est\u00e1 empenhada, que sentido faz desenterrar do ba\u00fa das mem\u00f3rias nomes como os de Thilo\u2019s Combo (de Thilo Krassmann), o Conjunto Acad\u00e9mico Jo\u00e3o Paulo, Mafalda Sofia ou Nat\u00e9rcia Barreto (dos \u201c\u00d3culos se sol\u201d&#8230;)? para Rui Miguel Abreu, parece n\u00e3o haver d\u00favidas de que as pessoas, conforme a gera\u00e7\u00e3o a que pertencem, se voltaram a interessar, ou come\u00e7am a interessar-se, por este g\u00e9nero de m\u00fasica. O compilador de \u201cportugal de Luxe\u201d tem uma explica\u00e7\u00e3o para o fen\u00f3meno. \u201cA ess\u00eancia da pop \u00e9 reembalar e tornar a dar.\u201d Mas encontra factores mais concretos. \u201cpor exemplo, no cinema, h\u00e1 uma s\u00e9rie de recupera\u00e7\u00f5es dos her\u00f3is dos anos 60, do 007 \u00e0 Miss\u00e3o Imposs\u00edvel, passando agora pelo Santo, s\u00e9ries que marcaram muito as pessoas das d\u00e9cadas de 60 e 70. passa-se o mesmo na moda, onde os estilistas voltaram a pegar nas marcas dessa altura e a inseri-las na roupa.\u201d<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica, Rui Miguel Abreu vai ainda mais longe. \u201cAcredito que parte do \u2018trip-hop\u2019 ajudou a voltar a meter estes sons na ordem do dia. porque come\u00e7aram a ser sampladas sobretudo as bandas sonoras dessa \u00e9poca. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o projecto que lidera a Mo\u2019Wax se chama Unkle, acho que tem a ver com a s\u00e9rie de televis\u00e3o The Man From Unkle. Como n\u00e3o \u00e9 \u00c0 toa que os Portishead samplaram o Lallo Schiffrin, conseguindo o que muitos anos de culto n\u00e3o foram capazes de fazer. Assim como n\u00e3o \u00e9 por acaso que bandas como os Massive Attack foram, sub-repticiamente, metendo este tipod e som na ordem do dia. Tudo isto criou uma predisposi\u00e7\u00e3o para se voltar a ouvir este tipo de m\u00fasica. \u00c9 um efeito muito semelhante ao que aconteceu com a banda sonora de \u2018Pulp Fiction\u2019, ao incluir aquele tema do Dick Dale, de repente come\u00e7aram a sair uma s\u00e9rie d ecompila\u00e7\u00f5es de \u2018surf music\u2019 dos anos 60.\u201d Em suma, para Rui Miguel Abreu, \u201cquando h\u00e1 um \u2018clic\u2019 qualquer que chama a aten\u00e7\u00e3o da spessoas para uma determinada coisa, geralmente gera-se uma onda e curiosidade, que \u00e9 um argumento muito forte de vendas\u201d.<br \/>\nA quest\u00e3o que se p\u00f5e, a partir do momento em qu eeste volume de \u201cportugal de Luxe\u201d se encontra dispon\u00edvel nas lojas (o segundo j\u00e1 est\u00e1 igualmente pronto a ser lan\u00e7ado), \u00e9 saber quem vai ouvir esta m\u00fasica de que o tempo voltou a abrir m\u00e3o.Os mais velhos, que ainda se lembram? Os mais novos, que acham piada? Uma elite bem informada adepta das del\u00edcias do \u201ckitsch\u201d? Para Rui Miguel Abreu, h\u00e1 \u201cduas formas diferentes de a ouvir\u201d. \u201cEu e o Pedro Tenreiro, quando partimos para a investiga\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo, t\u00ednhamos em mente uma compila\u00e7\u00e3o que, para o nosso meio, funcionasse como funcionou l\u00e1 fora o \u2018Sound Gallery\u2019, o \u2018Sound Spectrum\u2019 ou o \u2018Inflight Entertainment\u2019, ou seja, uma compila\u00e7\u00e3o dirigida a pessoas que t\u00eam algumas refer\u00eancias neste tipo de som, nomeadamente atrav\u00e9s do \u2018trip-hop\u2019. Isto porque n\u00f3s n\u00e3o ouvimos esta m\u00fasica em primeira m\u00e3o, na r\u00e1dio. Quando \u00e9ramos crian\u00e7as, j\u00e1 se ouvia outro tipo de coisas, eu cresci com o \u2018boom\u2019 do rock portugu\u00eas, n\u00e3o foi com isto. S\u00f3 que, quando mostr\u00e1mos a compila\u00e7\u00e3o aos nossos patr\u00f5es, eles come\u00e7aram a perceber que esta m\u00fasica iria dizer alguma coisa tamb\u00e9m \u00e0 gera\u00e7\u00e3o que a consumiu em primeira m\u00e3o.\u201d<br \/>\n\u00c9 que, de facto, para al\u00e9m de umcerto diletantismo que leva ao consumo, \u201ca posteriori\u201d, do \u201ceasy listening\u201d original, h\u00e1 esses tais mais velhos, que n\u00e3o se esqueceram. \u201cTenho informa\u00e7\u00f5es\u201d, adianta Rui Miguel Abreu, \u201cde que, nas lojas da Valentim, n\u00e3o h\u00e1 dia que o \u2018\u00d3culos de Sol\u2019 toque numa loja e que eles n\u00e3o vendam tr\u00eas ou quatro CD. Se estiverem l\u00e1 pessoas de uma determinada idade, v\u00e3o logo a correr ao balc\u00e3o perguntar onde \u00e9 que isto est\u00e1.\u201d\u201dPortugal de Luxe\u201d \u00e9, ent\u00e3o, seja qual for a perspectiva em que se ou\u00e7a, um luxo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20.06.1997 Rui Miguel Abreu apresenta primeiro volume de \u201ceasy listening\u201d nacional Um Luxo Estereof\u00f3nico \u201cPortugal de Luxe\u201d \u00e9 um objecto t\u00e3o \u201ckitsch\u201d quanto sedutor. 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