{"id":1888,"date":"2010-04-04T08:25:55","date_gmt":"2010-04-04T15:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1888"},"modified":"2010-04-04T08:25:55","modified_gmt":"2010-04-04T15:25:55","slug":"sergio-godinho-facto-de-domingo-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/04\/sergio-godinho-facto-de-domingo-entrevista\/","title":{"rendered":"S\u00e9rgio Godinho &#8211; Facto de Domingo: Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>04.06.1997<br \/>\nFACTO DE DOMINGO<br \/>\nO dia de domingo foi passado por S\u00e9rgio Godinho a escrever mais um punhado de excelentes can\u00e7\u00f5es que reuniu no seu novo \u00e1lbum, \u201cDomingo no Mundo\u201d. Onde a dan\u00e7a das palavras se vestiu de experi\u00eancias musicais partilhadas com uma s\u00e9rie de outros m\u00fasicos e arranjadores. Afinal, como o seu autor as define, \u201ccan\u00e7\u00f5es como entidades aut\u00f3nomas\u201d. Ou como seres vivos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/sg_domingonomundo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/sg_domingonomundo.jpg\" alt=\"\" title=\"sg_domingonomundo\" width=\"250\" height=\"250\" class=\"alignnone size-full wp-image-1889\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/sg_domingonomundo.jpg 250w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/sg_domingonomundo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.de\/files\/11871027\/S_rgioGodinho.rar.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7XdIgeLBj7o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7XdIgeLBj7o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Convid\u00e1mos S\u00e9rgio Godinho a contar, uma a uma, as hist\u00f3rias de cada can\u00e7\u00e3o de \u201cDomingo no Mundo\u201d. Can\u00e7\u00f5es diversas. Can\u00e7\u00f5es abertas. A muitas vozes. Com direc\u00e7\u00e3o musical de Manuel Faria e participa\u00e7\u00f5es, entre outros m\u00fasicos, de Manuel Faria, Nuno Rafael, B\u00e1rbara Lagido, Carlos Guereiro, Tito Paris, Andr\u00e9 Sousa Machado, Jo\u00e3o Nuno Represas, Kalu, Rui J\u00fanior, Tom\u00e1s Pimentel, Flak, Lu\u00eds San payo, Carlos Azevedo, Jo\u00e3o Aguardela, Sandra Baptista, Irene Lima e Ricardo Rocha. \u201cUm rsico mais do que assumido, mas aliciante, de fazer um disco em que v\u00e1rias pessoas tomassem conta dos arranjos.\u201d Um risco que acohe o \u201chip-hop\u201d, a electr\u00f3nica industrial e o arraial dos Sitiados e acabou por resultar num dos \u00e1lbuns mais diversificados, mas tamb\u00e9m mais estimulantes, do autor de \u201cPano-Cru\u201d. \u00c9 um facto. De domingo.<\/p>\n<p>\u201cSer ou n\u00e3o ser\u201d<br \/>\nArranjo: Kalu<br \/>\n\u201cuma can\u00e7\u00e3o que existia j\u00e1 nos disco dos Gaiteiros mas com um nome diferente. N\u00e3o foi inocentemente que pus o Carlos Guerreiro a tocar gaita-de-foles no meio, de repente provoca uma quebra estil\u00edstica, a contrastar com aquele universo martelo do \u2018loop\u2019 do in\u00edcio (&#8230;) \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o sobre os artes\u00e3os, dos sopradores de ferro e vidro.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o respir!\u201d<br \/>\nArranjo: Kalu<br \/>\n\u201cTem uma parte \u2018rapada\u2019. Prescindir da melodia \u00e9, neste caso, uma certa urg\u00eancia. \u00c9 a hist\u00f3ria em tr\u00eas tempos de um jovem \u2018junkie\u2019. Uma espe retrato, n\u00e3o moralista. A primeira parte passa-se num bairro, estilo Casal Ventoso, a segunda \u00e9 a sua descida \u00e0 cidade, para viver \u2018na Rotunda do Marqu\u00eas de Sade\u2019 e a terceira, a ressaca disso tudo e a constata\u00e7\u00e3o de que vive num s\u00edtio onde n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que o aopie. H\u00e1 a falta de respostas mas tamb\u00e9m uma certa autocomplac\u00eancia, no universo de um \u2018junkie\u2019. E um certo fasc\u00ednio, muito d\u00fabio, porque sen\u00e3o as pessoas n\u00e3o era atra\u00eddas para a hero\u00edna. H\u00e1 que retratar isso tamb\u00e9m ,sob pena de n\u00e3o se estar consonate com um fen\u00f3meno que perpassa todo o tecido social portugu\u00eas e que \u00e9 uma trag\u00e9dia, para a qual as actuais respostas s\u00e3o completamente desadequadas. \u00c9 um permanente desassossego, de ter e n\u00e3o ter as coisas, entre ter e n\u00e3o ter a dose. Uma ang\u00fastia que \u00e9 tamb\u00e9m uma met\u00e1fora para o desassossego de uma gera\u00e7\u00e3o. Em termos musicais, o uso da \u2018slide guitar\u2019, pelo Nuno Rafael, dos Despe e Siga resulta bastante enriquecedora.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCorreio Azul\u201d<br \/>\nArranjo: Manuel Faria<br \/>\n\u201cAs minhas palavras devem algo \u00e0 poesia de Cam\u00f5es. O Cam\u00f5es tem uma grande clareza, joga com os conceitos de uma forma muito simples. Tem uma modernidade por vezes assustadora, mas muito estimulante. Muitas vezes n\u00e3o nos apercebemos de quantas frases dele bailam no nosso inconsciente. Ao escrever esta can\u00e7\u00e3o, de repente o refr\u00e3o surgiu todo feito e eu nem me apercebi que o Cam\u00f5es se estava a insinuar. \u00c9 uma hist\u00f3ria de um encantamento e da normaliza\u00e7\u00e3o desse encatamento de uma forma muito positiva. O Tito Paris aparece porque sola muito bem na guitarra, num disco em que estas praticamente n\u00e3o existem. N\u00e3o pretendi utiliz\u00e1-lo como um m\u00fasico especificamente africano.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDomingo no mundo\u201d<br \/>\nArranjo: Manuel Faria<br \/>\n\u201cUso aqui um \u2018loop\u2019 que determina o que vai ser a can\u00e7\u00e3o. Um \u2018loop\u2019 industrial, um bocado assustador. O Manuel compreendeu muito bem o que havia nos quatro tempos desta can\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma descompress\u00e3o, depois uma parte mais pesada, com guitarras em distor\u00e7\u00e3o e onde eu uso um megafone. D\u00e1-me gozo usar sons que evocam atmosferas teatrais. Trata de um tema candente, embora em Portugal em vias de diminui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o trabalho infantil. Em termos narrativos, a ideia \u00e9 um rapaz que trabalha num s\u00edtio, que em princ\u00edpio seria a coisa mais festiva do mundo,  fogo-de-artif\u00edcio, mas \u00e9 a coisa que o faz penar. H\u00e1 uma sugest\u00e3o de que ele teria deitado fogo \u00e0 f\u00e1brica&#8230; Ou nao&#8230; Gosto destas hist\u00f3rias em que h\u00e1 ambiguidade, com um final aberto&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs armas do amor\u201d<br \/>\nArranjo: Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco<br \/>\n\u201cAqui o universo das coisas ditas, declamadas, est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o \u2018rap\u2019, com rima livre e depois uma parte l\u00edrica cantada. Comecei a escrever este texto &#8211; de certo modo, um rio, que vai avan\u00e7ando e apanhando coisas pelas margens &#8211; sobre a sida e, mais do que a sida, sobre os aliados da sida: o preconceito, a ignor\u00e2ncia, a incompet\u00eancia e a condescend\u00eancia, que fazem com que a sida prospere. \u00c9 uma den\u00fancia. (&#8230;) J\u00e1 n\u00e3o trabalhava com o Jos\u00e9 M\u00e1rio h\u00e1 muitos anos. adfast\u00e1mo-nos em termos criativos. Neste caso fui ter com ele, apeteceu-me que ele trouxesse uma outra contribui\u00e7\u00e3o. A ideia surgiu quando estava a ouvir um daqueles discos do Zeca que ele arranjou, nomeadamente o \u2018Venham mais cinco\u2019, um dos melhores que ele fez, bastante superior ao \u2018Cantigas do Maio\u2019. Apeteceu-me que ele trouxesse as suas ousadias. Esta can\u00e7\u00e3o prestava-se a isso.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a vida (o que \u00e9 que se h\u00e1-de fazer?\u201d<br \/>\nArranjo: Manuel Faria<br \/>\n\u201cS\u00e3o \u2018flashes\u2019 da adolesc\u00eancia. Representa um repouso no disco. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o pop muito simples sobre um adolescente \u00e0 procura de caminhos para a vida. N\u00e3o tem hist\u00f3ria, com um refr\u00e3o superpositivo. Tenho filhos na adolesc\u00eancia e elees e eos seus amigos d\u00e3o-me um espelho distorcido daquilo que eu sou. Procuro olhar para a minha pr\u00f3pria adolesc\u00eancia e ver como \u00e9 que tinha reagido h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, como \u00e9 que eu era, o que \u00e9 que perdi pelo caminho, o que \u00e9 que encontrei&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cMesa\u201d<br \/>\nLetra: Alexandre O\u2019Neill<br \/>\nArranjo: Tom\u00e1s Pimentel<br \/>\n\u201cJ\u00e1 trabalhara com o O\u2019Neill em \u201cPr\u00e9-Hist\u00f3rias\u201d. Tive uma ideia, que n\u00e3o foi para a frente, de fazer um disco s\u00f3 com poetas musicados, por uma vez prescindir das minhas palavras, mas tenho alguma dificuldade em encontrar as minhas m\u00fasicas nas palavras dos poetas. Mas o O\u2019Neill \u00e9 uma refer\u00eancia importante, era um tipo com uma musicalidade nas palavras enorme, com um prazer l\u00fadico nas palavras que tem a ver com o meu. Aqui achei engra\u00e7ado tamb\u00e9m pegar nos sopros de uma maneira um bocado desconstru\u00edda, como o pr\u00f3prio texto \u00e9, e fazer uma am\u00e1lgama algo pontilhista.\u201d<\/p>\n<p>\u201cLamento de Rimbaud\u201d<br \/>\nArranjo: R\u00e1dio Macau<br \/>\n\u201cBasicamente, \u00e9 a mesma vers\u00e3o do espect\u00e1culo \u2018Filhos de Rimbaud\u2019, embora um pouco melhorada. As percuss\u00f5es s\u00e3o mais bem trabalhadas. N\u00e3o havia registos, nem gravados nem filmados, e achei que era uma pena perder-se pelo caminho. \u00c9 o exemplo d euma can\u00e7\u00e3o que eu n\u00e3o faria sem um contexto bem determinado. Em Rimbaud encontrei uma liberdade po\u00e9tica extraordin\u00e1ria. As \u00faltimas coisas que escreveu, \u2018Ilumina\u00e7\u00f5es\u2019 e \u2018Uma Esta\u00e7\u00e3o no Inferno\u2019, t\u00eam muito a ver com a poesia contempor\u00e2nea, uma esp\u00e9cie de torrente po\u00e9tica que se vai ordenando \u00e0 medida que vai saindo. Esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre o mist\u00e9rio de algu\u00e9m qu efez tudo at\u00e9 aos 21 anos, e dpois, at\u00e9 aos 37, foi traficante de armas e at\u00e9, dizem, de escravos. A frase \u2018E apoesia? mera al\u00ednea?\u2019 foi inspirada numa das poucas fotos que existem de Rimbaud, tirada em \u00c1frica.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Afectos\u201d<br \/>\nM\u00fasica e Arranjo: Jorge Constante Pereira<br \/>\n\u201cO Jorge Constante Pereira, que j\u00e1 tinha trabalhado comigo, inclusive no \u00e1lbum anterior, \u2018Tinta Permanente\u2019, \u00e9 um m\u00fasico com uma vis\u00e3o muito pesoal e para quem sempre tive vontade de escrever uma letra, fora do contexto dos discos infantis. a ideia para esta can\u00e7\u00e3o surgiu quando me lembrei do teorema de Pit\u00e1goras, sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os lados de um tri\u00e2ngulo. H\u00e1 o conhecimento cient\u00edfico e os afectos, que nos fazem mover de uma maneira diferente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAguenta A\u00ed\u201d<br \/>\nArranjo: Jo\u00e3o Aguardela<br \/>\n\u201c\u00c9 uma chula onde falo do Porto como patrim\u00f3nio mundial, pelo lado feliz, mas tamb\u00e9m pelo das desigualdades sociais nas cidades. \u00c9 preciso ter consci\u00eancia que, ao incrementar a qualidade d euma cidade, se deve tamb\u00e9m incrementar a vida das pessoas. Achei que o Jo\u00e3o Aguardela casava bem neste universo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDias \u00dateis\u201d<br \/>\nArranjo: Manuel Faria e S\u00e9rgio Godinho<br \/>\n\u201cFala da alegria e do prazer. As \u00faltimas palavras s\u00e3o: \u2018Por motivos talvez claros \/ O prazer \u00e9 o que nos torna os dias raros \/ Por pretextos talvez f\u00fateis \/ Por motivos talvez claros.\u2019 \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o d epuros sentimentos em que a guitarra portuguesa e o violoncelo lhe conferem uma certa gravidade.\u201d<\/p>\n<p>Todas as letras e m\u00fasica, exceptuando nos casos indicados, s\u00e3o da autoria de S\u00e9rgio Godinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>04.06.1997 FACTO DE DOMINGO O dia de domingo foi passado por S\u00e9rgio Godinho a escrever mais um punhado de excelentes can\u00e7\u00f5es que reuniu no seu novo \u00e1lbum, \u201cDomingo no Mundo\u201d. Onde a dan\u00e7a das palavras se vestiu de experi\u00eancias musicais partilhadas com uma s\u00e9rie de outros m\u00fasicos e arranjadores. 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