{"id":1880,"date":"2010-04-03T06:37:16","date_gmt":"2010-04-03T13:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1880"},"modified":"2010-04-03T06:37:16","modified_gmt":"2010-04-03T13:37:16","slug":"droga-loucura-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/04\/03\/droga-loucura-morte\/","title":{"rendered":"Droga, Loucura, Morte"},"content":{"rendered":"<p>19.03.1999<br \/>\nDroga, Loucura, Morte<br \/>\nToda a gente sabe que a principal causa de mortalidade entre a popula\u00e7\u00e3o rock \u00e9 a droga. Janis Joplin, Jim morrison, Jimi Hendrix, Sid Vicious e uma quantidade de outras estrelas rock (Tim buckley, Gram Parsons, Tommy bolin, Andy Gibb, Billy Mercia, dos New York Dolls, Paul Gardiner, dos Tubeway Army&#8230;) morreram devido \u00e0 mesma praga, a droga. Bastaria esta realidade para desencorajar os mais novos de alguma vez pegarem numa guitarra el\u00e9ctrica ou numa bateria. Porque o rock \u00e9 o caminho mais curto para a droga e, de onde se depreende, para a morte. O rock, como a droga, mata. Mentes mesquinhas garantem que, sem a droga, m\u00fasicos como os acima citados jamais teriam feito a m\u00fasica (qui\u00e7\u00e1, perniciosa) que fizeram. N\u00e3o fora assim e sabe-se l\u00e1 se n\u00e3o ter\u00edamos hoje elementos produtivos, \u00fateis \u00e0 sociedade, excelenetes empregados de escrit\u00f3rio ou agentes de seguros, talvez mesmo advogados de sucesso.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a droga a m\u00e3e de todos os amles. Outras causas existiram que levaram desta para melhor nomes mais ou menos gloriosos da hist\u00f3ria do rock. Desastres de via\u00e7\u00e3o (Alan Barton, dos Smokie, Marc Bolan e Steve Curry, ambos dos T. Rex, Clarence White, dos Byrds, Harry Chapin, Eddie Cochran, Jerry Edmonton e Rushton Morebe, dos Steppenwolf, os rockers Johnny Kidd e Dickie Valentine; inclusive de bicicleta, como \u00e9 o caso de Nico) e de avi\u00e3o (Buddy Holly e Ritchie Valens, ambos no mesmo voo, Patsy Cline, Jim Reeves, Otis Redding, Jim Croce, Ronnie Van Zant e Steve Gaines, dos Lynyrd Akynyrd, Paul Jeffreys, dos Cockney Rebel, Rick Nelson, John Denver&#8230;), overdose, queda de escadas (Sandy Denny), consumo desenfreado de subst\u00e2ncias il\u00edcitas, enforcamento (nada mais nada menos do que cinco &#8211; Ian Curtis, Peter Ham, dos Badfinger, Phil Ochs, Michael Hutchence, dos INXS e Richard Manuel, dos The Band), ingest\u00e3o desmesurada de psicotr\u00f3picos, hipn\u00f3ticos, \u00e1cidos, antipir\u00e9ticos e afins, enfim toda uma s\u00e9rie de acidentes tr\u00e1gicos que puseram fim a tantas e t\u00e3o promissoras carreiras.<br \/>\nQuanto ao \u00e1lcool, pode gabar-se de ter acabado com as vidas de Bon Scott (dos AC\/DC), John Bonham (Led Zeppelin), Brian Jones (Rolling Stones), Clyde McPhatter (Drifters), David Byron (Uriah Heep), Gene Vincent e Keith Moon (The Who). Uma anorexia nervosa levou Karen Carpenter, dos Carpenters. A sida fez o mesmo a Freddie mercury, dos Queen. Frank Zappa e Bob Marley n\u00e3o resistiram ao cancro. De Divine pode afirmar-se que comeu demais.<br \/>\nH\u00e1 mortes mais est\u00fapidas do que outras. John Lennon, baleado \u00e0 porta do seu apartamento em Nova Iorque, \u00e9 um exemplo deste tiupo de estupidez letal. Al Jackson (dos Booker T and the MGs), Peter Tosh, um dos her\u00f3is da soul music, Sam Cooke e Marvin Gaye foram igualmente mortos por tiros. Os dois primeiros, por gatunos. Cooke, por uma mulher que perseguia um pretenso violador. Gaye sucumbiu a um tiro disparado pelo seu pr\u00f3prio pai. Michael Mensom, dos Double Trouble, foi atacado por um \u201cgang\u201d de adolescentes que o regaram com gasolina e lhe pegaram fogo. Vivain Stanshall, do grupo c\u00f3mico Bonzo Dog Doo Dah Band, e Steve Marriott, dos Small Faces, morreram em inc\u00eandios nas respectivas casas. Keith Relf, guitarrista dos Yardbirds, caiu electrocutado. Johnny Ace, um obscuro baladeiro norte-americano dos anos 50, perdeu a vida numa jogada infeliz de roleta russa. Graham Bond, m\u00fasico ingl\u00eas de jazz e blues dos anos 70, foi atropelado pelo metropolitano. O rocker Johnny Burnette morreu num acidente de pesca.<br \/>\nMas h\u00e1 o reverso da medalha. Morrer cedo, para um m\u00fasico, significa a sua mitifica\u00e7\u00e3o, nalguns casos a santidade. Na condi\u00e7\u00e3o, bem entendido, de a circunst\u00e2ncia ser devidamente acompanhada por uma apropriada campanha promocional e pelo apoio dos \u201cmedia\u201d. Morrer \u00e9, nesta profiss\u00e3o, o caminho mais curto para o sucesso. Para a ind\u00fastria a morte possui ainda o atractivo adicional de diminuir vitaliciamente as despesas com o artista e de garantir muitos e bons ganhos a longo prazo, gra\u00e7as \u00e0 s\u00e1bia administra\u00e7\u00e3o de todo o material gravado que se conseguir sacar do caixote do lixo e guardar em arquivo para poder dedicar-se ao lan\u00e7amento de futuras reedi\u00e7\u00f5es com \u201cmaterial in\u00e9dito\u201d do falecido, constitu\u00eddo por demos, vers\u00f5es alternativas, ensaios, conversas de cama e outros rasgos de g\u00e9nio antes incompreensivelmente escondidos do p\u00fablico.<br \/>\nClaro que as v\u00edtimas sabem o que fazem e no que se metem. Acontece que muitas n\u00e3o aguentam. Ian Curtis, por exemplo, ou Krt Cobain (cujo quinto anivers\u00e1rio da morte, em Abril pr\u00f3ximo, est\u00e1 j\u00e1 a ser devidamente preparado) n\u00e3o aguentaram a suprema dor de estar vivo, as press\u00f5es do \u201cshow business\u201d e os fracassos pessoais. No seu caso a aura de \u201crom\u00e2nticos\u201d assenta-lhes bem. Como, de resto, a todos os susicidas: Nick Drake, Peter Ham e Tom Evans, dos Badfinger, Terry Kath, dos Chicago, Marge Ganser, das Shangri-La, Del Shannon, Paul Williams, dos Temptations, Richard Manuel, dos The Band e Phil Ochs.<br \/>\nA outros, por\u00e9m, a morte apanhou-os de surpresa, sem aviso pr\u00e9vio. Esses n\u00e3o tiveram tempo de preparar o testamento, v\u00edtimas que foram da estupidez do destino. Talvez por isso, como no caso de Sandy Denny, que morreu ao cair de uma escada, a entrada na galeria dos mitos demorasse mais e necessitasse de requerimento, ficando em primeiro lugar para a eternidade a m\u00fasica, no lugar dos epis\u00f3dios, mais ou menos agitados e escandalosos, da vida de \u201cstar\u201d.<br \/>\nSeja qual for, por\u00e9m, a circunst\u00e2ncia da morte, ficar\u00e1 para sempre a d\u00favida do que poderia ter sido a vida e obra dos que se foram antes de tempo. O que seriam hoje, se fossem vivos, Brian Jones, Jimi Hendrix, Jim Morrison? Conseguiriam eles sobreviver ao seu pr\u00f3prio passado ou, pelo contr\u00e1rio, teriam feito as pazes com a exist\u00eancia, aproveitando as suas benesses? Seriam ainda g\u00e9niso malditos ou estariam a jogar golfe com Alice Cooper e Phil Collins, a fazer duetos com Pavarotti ou a compor bandas sonoras para filmes de Walt Disney? Ningu\u00e9m sabe. Ficaram a m\u00fasica e as lendas. Sobretudo a m\u00fasica, como \u00fanica verdade absoluta capaz de sobreviver ao seu criador. E, paradoxalmente, \u00e0 aura, tantas vezes mistificadora, criada em torno dela pela morte, essa entidade assustadora que chegar\u00e1 inevitavelmente para nos confrontar com o nada. E com o que sobrevive para al\u00e9m dele. Para os registos de necrofilia ficam as fichas de algumas das mortes mais bem documentadas. Fichas secas. Como a morte.<\/p>\n<p>\u201cToo Old To mRock\u2019n\u2019Roll, To Young To Die\u201d (t\u00edtulo de um \u00e1lbum dos Jetthro Tull)<br \/>\nHank Williams (1923-1952)<br \/>\nSofrendo de uma dor cr\u00f3nica nas costas, Hank procura al\u00edvio no consumo sistem\u00e1tico de analg\u00e9sicos, tornando-se rapidamente viciado. Come\u00e7a a falhar concertos, chegando aos recintos atrasado e b\u00eabedo. no \u00faltimo dia do ano de 1952 a estrela da country sente-se mal durante uma viagem de carro e \u00e9 transportado paraum hotel de Knoxville, no Tenessee, onde chega j\u00e1 inconsciente. \u00c9 chamado um m\u00e9dico que lhe ministra uma injec\u00e7\u00e3o com uma mistura de morfina e vitamina B. No dia seguinte, Williams \u00e9 transportado, ainda inconsciente, de novo de autom\u00f3vel, para o Ohio, numa viagem atribulada. Um pol\u00edcia de tr\u00e2nsito obriga o condutor a parar por excesso de velocidade e pergunta, com ironia, se o m\u00fasico est\u00e1 ou n\u00e3o vivo. Williams \u00e9 conduzido finalmente a um hospital, na Virg\u00ednia, onde \u00e9 declarado morto.<\/p>\n<p>Buddy Holly (1936-1959) e Ritchie Valens (1941-1959)<br \/>\nDia 3 de Fevereiro de 1959. A meio de uma digress\u00e3o , a \u201cWinter Dance Pary Tour\u201d, Buddy Holly decide animar o estado de esp\u00edrito da sua banda e recusa viajar num desconfort\u00e1vel autocarro. Aluga um voo \u201ccharter\u201d num pequeno aparelho Beechcraft Bonanza que o deveria levar de Clear Lake, Iowa, a Moorhead, no Minnesota. Com ele seguem Richi Havens (que ganhara esse dirteito no jogo da moeda ao ar com o guitarrista do grupo. Tommy Alsup, e o disc-jockey Big Bopper, autor de \u201cChatilly Lace\u201d (que consegue o lugar por troca com Waylon Jennings). O avi\u00e3o descola \u00e0s duas da madrugada no meio de uma tempestade de neve e cai pouco tempo depois, embatendo contra um muro e matando todos os que seguiam a bordo. O acidente serviu de inspira\u00e7\u00e3o ao \u201chit\u201d de 1972 de Don McLean, \u201cAmerican Pie\u201d.<\/p>\n<p>Jimi Hendrix (1942-1970)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/jimiHendrix_AreYouExperienced.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/jimiHendrix_AreYouExperienced.jpg\" alt=\"\" title=\"jimiHendrix_AreYouExperienced\" width=\"698\" height=\"696\" class=\"alignnone size-full wp-image-1881\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/jimiHendrix_AreYouExperienced.jpg 698w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/jimiHendrix_AreYouExperienced-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/jimiHendrix_AreYouExperienced-300x299.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=XKW6OY9D\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LOjwMxccsZc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LOjwMxccsZc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Jimi Hendrix era um g\u00e9nio da guitarra. Com ou sem a ajuda da hero\u00edna, a sua Fender Stratocaster falava, gritava, explodia e incendiava-se num dos discursos virtuos\u00edsticos mais inovadores de sempre deste instrumento. Uma acumula\u00e7\u00e3o de excessos que se estendia \u00e0 sua vida privada. Passa o dia 17 de Setembro com a sua namorada, Monika Dannemann. No dia seguinte, de manh\u00e3, ingere alguns comprimidos para dormir e, algum tempo depois, Monika repara que ele se est\u00e1 a sentir mal. Tenta acord\u00e1-lo. Em v\u00e3o. No hospital diagnosticam uma mistura mortal de alco\u00f3l e barbit\u00faricos.<\/p>\n<p>Janis Joplin (1943-1970)<br \/>\nOs Kozmic Blues da cantora que engolia garrafas inteiras de whisky nos concertos deixam de se ouvir a 4 de Outubro. Janis \u00e9 encontrada morta num quarto do Landmark Hotel, em Hollywood, com marcas recentes de agulha no bra\u00e7o. \u201cOverdose\u201d de hero\u00edna. Tinha agendado a grava\u00e7\u00e3o das partes cantadas de \u201cBuried alive in the blues\u201d, \u201centerrada viva nos blues\u201d. Anos antes proferira a seguinte frase, quando da morte do presidente Eisenhower, impedindo, deste modo, a publica\u00e7\u00e3o de uma foto sua na capa da \u201cNewsweek\u201d: \u201cDepois de resistir a 14 ataques de cora\u00e7\u00e3o, tinha logo de morrer na minha semana. Na MINHA semana!\u201d<\/p>\n<p>Jim Morrison (1943-1971)<br \/>\nCircunst\u00e2ncias da morte: o mist\u00e9rio e a d\u00favida ainda hoje permanecem cerrados em torno da morte do carism\u00e1tico cantor dos Doors. H\u00e1 mesmo quem afirme que ele continua vivo, retirado da vida p\u00fablica, e que a sua \u201cmorte\u201d n\u00e3o passaria de um embuste destinado a camuflar o seu desaparecimento. No dia 5 de Julho o empres\u00e1rio dos Doors, Bill Siddons, chega a casa de Jim, em Paris, onde o m\u00fasico se tinha exilado, e encontra a Pamela, a sua namorada da altura, j\u00e1 com o caix\u00e3o selado e uma certid\u00e3o de \u00f3bito assinada por um m\u00e9dico franc\u00eas. Causa da morte: ataque de cora\u00e7\u00e3o motivado por \u201coverdose\u201d de hero\u00edna. O t\u00famulo no cemit\u00e9rio de P\u00e8re Lachaise, onde Jim Morrison se encontra enterrado (ou n\u00e3o se encontra, de acordo com a teoria dos que afirma que ele est\u00e1 vivo&#8230;) tornou-se, ao longo dos anos, num lugar de culto.<\/p>\n<p>Marvin Gaye (1939-1974)<br \/>\nProblemas de impostos, conflitos com a editora, a mulher que o engana com Teddy Pendergrass e o consumo desregrado de coca\u00edna provocam em Marvin, autor de \u201cWhat\u2019s going on\u201d e \u201cSexual healing\u201d, uma paran\u00f3ia crescente que o leva a desconfiar de toda a gente e a amontoar armas em casa. Na manh\u00e3 de 1 de Abril de 1984, o pai, alco\u00f3lico, for\u00e7a a entrada em casa do m\u00fasico, que o considera um intruso. A m\u00e3e de Marvin separa os dois mas Marvin Gaye s\u00e9nior volta \u00e0 carga e dispara um primeiro tiro de rev\u00f3lver que atinge o filho no peito. Volta a disparar j\u00e1 com ele ca\u00eddo no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Nick Drake (1948-1974)<br \/>\n\u201cN\u00e3o consigo pensar em quaisquer palavras. N\u00e3o sinto emo\u00e7\u00f5es sobre coisa nenhuma. N\u00e3o quero rir sem chorar. Sinto-me dormente. morto por dentro.\u201d S\u00e3o declara\u00e7\u00f5es de Nick Drake, confrontado com uma eterna depress\u00e3o e a dificuldade em arranjar letras para o seu \u00e1lbum de estreia, \u201cFive Leaves Left\u201d. Na manh\u00e3 de 25 de Novembro de 1974 o po\u00e7o engoliu-o de vez. A m\u00e3e, Molly Drake, dirige-se ao quarto de Nick para o acordar. Tarde de mais. Nick sucumbira a uma dose exagerada de sedativos. No gira-discos ainda rolava um dos concertos brandeburgueses de Bach. \u00c0 cabeceira descansavam as p\u00e1ginas de \u201cO Mito de S\u00edsifo\u201d, de Albert Camus.<\/p>\n<p>Tim Buckley (1947-1975)<br \/>\nO autor das fantasmagorias \u201cHappy Sad\u201d e \u201cStarsailor\u201d corria velozmente atr\u00e1s da noite. Encontra-a na noite de 29 de Junho. Tim dirige-se, meio \u00e9brio, a casa de um \u201camigo\u201d, Richard Keeling, \u00e0 procura de hero\u00edna. Richard, apanhado prestes a drogar-se, reage com alguma agressividade e prepara-lhe uma dose com uma mistura de hero\u00edna e morfina, desafiando-o: \u201cToma, fica com tudo!\u201d Tim aceita o desafio, convencido de que se trata apenas de coca\u00edna e snifa o p\u00f3 todo de uma vez. Morre no hospital de Santa M\u00f3nica. Longe das estrelas com que costumava sonhar. O seu filho e digno sucessor, Jeff Buckley, morre a 29 de Maio de 1997, afogado nas \u00e1guas do porto de Mud Island, a ouvir \u201cWhole Lotta Love\u201d, dos Led Zeppelin. Em \u201cYou and I\u201d, can\u00e7\u00e3o do seu segundo \u00e1lbum, canta: \u201cAh, calma que existe por baixo daquele rio selvagem e envenenado.\u201d<\/p>\n<p>Marc Bolan (1947-1977)<br \/>\nA 16 de Setembro, o ex-hippie e rei do glam rock sai de carro com a sua amiga Gloria Jones e alguns amigos para ouvir m\u00fasica no clube Speakeasy e jantar no restaurante Morton. Ele e Gloria arrancam de regresso \u00e0s 4 da manh\u00e3 no Mini 1275 GR roxo de Gloria. Uma hora depois o autom\u00f3vel esbarra contra uma \u00e1rvore, numa curva a seguir \u00e0 ponte de Queen\u2019s Ride, no Sudoeste de Londres. Gloria fica gravemente ferida. O fundador dos Tyranossaurus Rex morre.<\/p>\n<p>Sandy Denny (1941-1978)<br \/>\nCair de uma escada abaixo \u00e9 uma morte pouco gloriosa, mas foi esta a maneira que o destino encontrou para p\u00f4r fim \u00e0 vida da maior voz de sempre da folk inglesa. Sandy sofreu o acidente no dia 21 de Abril, na casa de um amigo. Partiu a cabe\u00e7a e entrou imediatamente em coma, falecendo pouco tempo depois, j\u00e1 no hospital, v\u00edtima de uma hemorragia cerebral, sem voltar a recuperar a consci\u00eancia. O desastre aconteceu quando ela e o marido planeavam mudar-se para os Estados Unidos, para um relan\u00e7amento da carreira. A morte da cantora dos Fairport Convention e dos Fothergay aconteceu nove meses depois do nascimento da primeira filha do casal, Georgia.<\/p>\n<p>Sid Vicious (1957-1979)<br \/>\nSid Vicious, para falar verdade, parece nunca ter estado vivo. Da anarquia punk dos Sex Pistols, lado a lado e aos encontr\u00f5es, com Johnny Rotten, \u00e0s convuls\u00f5es a solo e ao romance infectado com o seu grande amor, Nancy, tudo na exist\u00eancia de Sid apontava para o descalabro e para o niilismo. Nancy \u00e9 encontrada no dia 12 de Outubro de a978 na casa de banho de sua casa, encharcada numa po\u00e7a de sangue com uma faca de mato a seu lado. Sid admite \u00e0 pol\u00edcia ter sido ele o assassino. \u00c9 acusado de assass\u00ednio em segundo grau. Desesperado com a korte de Nancy, Sid \u00e9 preso por causar desacatos num clube nocturno, mas sai em liberdade no dia da audi\u00eancia.<br \/>\nVai a correr para o apartamento da sua mais recente namorada, Michelle Robinson, injectar-se. Segue-se nova dose, com material mais puro, o que, a seguir a um per\u00edodo (for\u00e7ado) de abstin\u00eancia (na pris\u00e3o), n\u00e3o costuma dar bons resultados. Sid entra em colapso. Mas volta a si e adormece. Acorda a meio da noite para mais um chuto. O \u00faltimo. Algu\u00e9m disse de Sid Vicious que \u201ccultivava uma imagem de antagonismo\u201d. Ele preferia cantar uma vers\u00e3o de uma can\u00e7\u00e3o de Frank Sinatra e dizer: \u201cThis is my way.\u201d<\/p>\n<p>John Lennon (1940-1980)<br \/>\nDepois de conseguir, na manh\u00e3 de Dezembro de 1980, um aut\u00f3grafo de Lennon, Mark David Chapman, que viajara de Havai para Nova Iorque s\u00f3 para ver o seu \u00eddolo, permanece seis horas em frente ao apartamento do ex-Beatle aguardando a sua chegada. L\u00ea \u201cUma agulha no palheiro\u201d, de J. D. Salinger, enquanto espera. Quando Lennon chega e sai da sua \u201climousine\u201d, Chapman dispara sobre ele uma sequ\u00eancia de sete tiros. Lennon morre sete minutos depois. Chapman \u00e9 preso e o seu livro confiscado. Numa das p\u00e1ginas escrevera: \u201cEsta \u00e9 a minha declara\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>Ian Curtis (1956-1980),<br \/>\nPhil Ochs (1940-1976)<br \/>\nPeter Ham (1947-1975)<br \/>\nEnforcaram-se o tr\u00eas. Ian Curtis, l\u00edder da mais famosa banda do eixo neurodepressivo de Manchester, enrola a corda ao pesco\u00e7o imediatamente antes de um concerto. A morbidez das letras que escrevia, juntamente com a epilepsia e a depress\u00e3o cr\u00f3nica de que padecia contribu\u00edram para o desenlace fatal.<br \/>\nPhil Ochs, cantor de protesto, autor do hino anti-Vietname dos anos 60, \u201cI ain\u2019t marching\u201d, sofre, numa viagem a \u00c1frica, um misterioso ataque de um estrangulador que o leva \u00e0s portas da morte. como consequ\u00eancia as suas cordas vocais ficam danificadas para sempre, facto que acentua a depress\u00e3o de que j\u00e1 sofria. n\u00e3o resiste, enforcando-se na casa da sua irm\u00e3.<br \/>\nNo caso de Peter Ham, o insucesso de vendas dos \u00e1lbuns dos Badfinger, depois d euma fase inicial marcada por can\u00e7\u00f5es de \u00eaxito, aliado a dissens\u00f5es no seio do grupo, levam \u00e0 rescis\u00e3o de contrato com a editora e ao aparecimento da depress\u00e3o. Problemas familiares fizeram o resto. Ham p\u00f5e ponto final na amargura e enforca-se.<\/p>\n<p>Bob Marley (1945-1981) e Peter Tosh (1944-1987)<br \/>\nEm finais dos anos 80, num dos primeiros concertos de uma digress\u00e3o pelos Estados Unidos, Bob Marley tem uma s\u00edncope em pleno palco. A digress\u00e3o \u00e9 cancelada e a Marley \u00e9 diagnosticado um cancro no c\u00e9rebro e nos pulm\u00f5es. Morre sete meses mais tarde vitimado pela doen\u00e7a.<br \/>\nPeter Tosh, outra das lendas do reggae, \u00e9 atingido a tiro por um gatuno quando este tenta assaltar a sua resid\u00eancia na Jamaica.<\/p>\n<p>Karen Carpenter (1950-1983)<br \/>\nAos 31 anos a cantora da dupla pop The Carpenters tomava laxantes e rem\u00e9dios para a tir\u00f3ide, como resultado de tens\u00e3o em demasia (provocada pela carreira e pela vida familiar), a par da depend\u00eancia de drogas. Pesa nessa altura 35 quilos. ap\u00f3s algumas tentativas de tratamento e um internamento, parece melhorar e aumenta o seu peso para 41 quilos. No princ\u00edpio de 1983, a 4 de Fevereiro, Karen faz uma visita \u00e0 m\u00e3e, Agnes. Conversam sobre roupas. No dia seguinte a m\u00e3e encontra-a desfalecida no quarto. A aut\u00f3psia menciona como causa da morte uma paragem card\u00edaca provocada por anorexia nervosa.<\/p>\n<p>Nico (1940-1988)<br \/>\nChamavam-lhe a deusa da lua. Nico, modelo, actriz e, acidentalmente, cantora, era um espectro. A sua figura de diva do outro mundo que assombra o \u00e1lbum da banana dos Velvet Underground esfumou-se como a sua vida, entre drogas, alternando entre excitantes e calmantes, uma ins\u00f3nia permanente e uma carreira que todos manipulavam, sem, todavia, penetrarem na ess\u00eancia do mist\u00e9rio. A 18 de Julho, Nico, na altrura a viver com o poeta John Cooper Clarck, embate com a sua bicicleta numa \u00e1rvore e sofre uma hemorragia cerebral. A deusa da lua encontrou a morte sob o sol de Ibiza, onde estava a passar f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Fredy Mercury (1946-1991)<br \/>\n\u00c9 uma das primeiras v\u00edtimas medi\u00e1ticas da sida, doen\u00e7a que o cantor dos Queen apenas admite ter 24 horas antes do desenlace fatal, atrav\u00e9s de uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica: \u201cDesejo confirmar que fui considerado seropositivo e que tenho sida. Achei correcto manter esta informa\u00e7\u00e3o privada, at\u00e9 agora, para proteger a intimidade dos que me rodeiam. Contudo, chegou a altura de os meus amigos e f\u00e3s saberem a verdade. Espero que todos se juntem a mim e aos meus m\u00e9dicos contra esta terr\u00edvel doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Kurt Cobain (1967-1994)<br \/>\nUma incompatibilidade cr\u00f3nica com a vida conduz o m\u00fasico dos Nirvana \u00e0 hero\u00edna, juntamente com a sua mulher, Courtney Love. Uma primeira tentativa de suic\u00eddio, por \u201coverdose\u201d volunt\u00e1ria, definida pelo casal como \u201cum acidente\u201d, falha. Os restantes elementos do grupo convencem Kurt a tentar a desintoxica\u00e7\u00e3o numa cl\u00ednica. Kurt acede mas foge de imediato para Seattle deixando um bilhete a Love: \u201cLembra-te, aconte\u00e7a o que acontecer, amo-te.\u201d A 5 de Abril de 1994 Kurt barrica-se em casa. Deixa a carteira aberta no ch\u00e3o, com a carta de condu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o. Injecta-se com hero\u00edna, encosta o cano de uma espingarda \u00e0 testa e dispara. O corpo \u00e9 descoberto apenas dois dias e meio mais tarde por um electricista que trabalhava em sua casa.<\/p>\n<p>Jerry Garcia (1942-1995)<br \/>\nConsumidor compulsivo de coca\u00edna, hero\u00edna, \u00e1cidos (recebera a alcunha de \u201cCapit\u00e3o Trips\u201d) e tabaco (tr\u00eas ma\u00e7os por dia), Jerry Garcia tinha uma obsess\u00e3o pela morte, chamando ao seu grupo grateful Dead e enchendo as capas dos discos com caveiras. Ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas frustradas de desintoxica\u00e7\u00e3o (uma delas deixa-o em coma) faz um derradeiro esfor\u00e7o para se libertar da hero\u00edna numa cl\u00ednica da Calif\u00f3rnia. Durante uma visita de rotina um advogado do centro encontra o m\u00fasico j\u00e1 sem vida na sua cama, v\u00edtima de um ataque de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras Mortes Nada Naturais<br \/>\nPor Abuso De Drogas E \u00c1lcool<br \/>\n1968 &#8211; Frankie Lymon<br \/>\n1969 &#8211; Brian Jones (rolling Stones)<br \/>\n1973 &#8211; Gram Parsons (Byrds e Flying Burrito Brothers)<br \/>\n1974 &#8211; Robbie McIntosh (average White Band)<br \/>\n1976 &#8211; Paul Kossoff (Free)<br \/>\n1978 &#8211; Keith Moon (The Who)<br \/>\n1979 &#8211; Tommy Bolin (Deep Purple)<br \/>\n1980 &#8211; Tim Hardin<br \/>\n1980 &#8211; John Bonham (Led Zeppelin)<br \/>\n1981 &#8211; Mike Bloomfield<br \/>\n1986 &#8211; Phil Lynott (thin Lizzy)<br \/>\n1987 &#8211; Paul Butterfield (Butterfield Blues Band)<br \/>\n1988 &#8211; Andy Gibb (The Bee Gees)<br \/>\n1995 &#8211; Rob Stinson (Replacements)<br \/>\n1998 &#8211; Rob Pilatus (Milli Vanilli)<br \/>\nPor Acidente<br \/>\n1960 &#8211; Eddie Cochran, num desastre de carro<br \/>\n1967 &#8211; Otis Redding e cinco membros da banda de suporte Bar-kays, num desastre de avi\u00e3o<br \/>\n1969 &#8211; Martin Lamble (Fairport Convention)<br \/>\n1971 &#8211; Duane Allman (Allman Brothers), num desastre de moto<br \/>\n1977 &#8211; Quatro dos Lynyrd Skynyrd, num desastre de avi\u00e3o<br \/>\n1985 &#8211; Rick Nelson, num desastre de avi\u00e3o e D Boon (Minutemen) num desastre de carro<br \/>\n1998 &#8211; Sonny bono (Sony &#038; Cher), num acidente de sky<br \/>\nPor Assass\u00ednio<br \/>\n1964 &#8211; Sam Cooke<br \/>\n1974 &#8211; Harry Womack<br \/>\n1987 &#8211; Scott La Rock<br \/>\n1995 &#8211; Selena<br \/>\n1996 &#8211; Tupac Shakur<br \/>\n1997 &#8211; notorious BIG<br \/>\nPor Suic\u00eddio<br \/>\n1954 &#8211; Johnny Ace<br \/>\n1973 &#8211; Paul Williams (Temptations)<br \/>\n1976 &#8211; Phil Oachs<br \/>\n1979 &#8211; Donny Hathaway<br \/>\n1986 &#8211; Richard Manuel (The Band)<br \/>\n1997 &#8211; Billy mcKenzie (associates)<br \/>\n1997 &#8211; Michel Hutchence (INXS)<br \/>\n1998 &#8211; Wendy O. Williams (plasmatics)<br \/>\nEsta lista inclui celebridades t\u00e3o estimadas quanto as antes referidas, mas tamb\u00e9m artistas e culto, uns j\u00e1 esquecidos, outros sobretudo lembrados depois da morte. Tamb\u00e9m n\u00e3o pretende ser exaustiva, mas apenas acrescntar-se \u00e0 primeira lista (Luis Maio)<br \/>\nInforma\u00e7\u00f5es compiladas dos livros \u201cdead before their time\u201d, de Diana Karanikas harvey e Jackson Harvey (ed. Metrobooks, 1996) e \u201cEles morreram cedo demais\u201d, de Tony Hall (ed. Edinter, 1996).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19.03.1999 Droga, Loucura, Morte Toda a gente sabe que a principal causa de mortalidade entre a popula\u00e7\u00e3o rock \u00e9 a droga. 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