{"id":1854,"date":"2010-03-30T04:55:16","date_gmt":"2010-03-30T11:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1854"},"modified":"2010-03-30T04:55:16","modified_gmt":"2010-03-30T11:55:16","slug":"rivalizando-com-os-classicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/30\/rivalizando-com-os-classicos\/","title":{"rendered":"Rivalizando Com Os Cl\u00e1ssicos"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>14.08.1998<br \/>\nRivalizando Com Os Cl\u00e1ssicos<br \/>\nO rock ambicionou rivalizar com os cl\u00e1ssicos ao entrar na chamada \u201cidade adulta\u201d, algures entre 1969 e 1974. Dos King Crimson aos Procol Harum, passando mesmo pelos Deep Purple, a m\u00fasica el\u00e9ctrica jogou a cartada do prest\u00edgio e da seriedade. E nem tudo foi t\u00e3o desastroso quanto a reac\u00e7\u00e3o punk quis fazer crer.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/kingCrimson_Touched.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/kingCrimson_Touched.jpg\" alt=\"\" title=\"kingCrimson_Touched\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-1855\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/kingCrimson_Touched.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/kingCrimson_Touched-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/kingCrimson_Touched-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=y5m3sw51\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"295\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UleDzM-5lIs&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UleDzM-5lIs&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"295\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Em 1970, um cr\u00edtico do jornal ingl\u00eas \u201cMelody Maker\u201d intitulava a sua recens\u00e3o de \u201cLizard\u201d, terceiro \u00e1lbum dos King Crimson: \u201cRivalling the Classics\u201d, rivalizando com os cl\u00e1ssicos, t\u00edtulo demonstrativo, em partes iguais, de espanto e de admira\u00e7\u00e3o. Espanto porque \u201cLizard\u201d representa, de facto, um salto qualitativo enorme. Admira\u00e7\u00e3o, perante a complexidade ostensiva e a riqueza \u201corquestral\u201d dos arranjos de um \u00e1lbum que ficou como um dos marcos da m\u00fasica progresiva e que, devido a essa complexidade estrutural, podia de facto rivalizar com as grandes constru\u00e7\u00f5es sinf\u00f3nicas da m\u00fasica cl\u00e1ssica.<br \/>\nMas \u201cLizard\u201d representa uma excep\u00e7\u00e3o numa m\u00fasica que sofreu nas d\u00e9cadas seguintes com o an\u00e1tema redutor de \u201crock sinf\u00f3nico\u201d que alguma cr\u00edtica pouco esclarecida lhe colou, provavelmente confundindo a parte tardia e americana, de aventesmas como os Journey e os Boston, com o todo. Mas, como se pode ler numa das \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es da revista \u201cWire\u201d, a prop\u00f3sito do novo (e excelente) \u00e1lbum dos 5Uu\u2019s, nos anos 70 e na m\u00fasica progressiva em particular, para cada Emerson, Lake &#038; Palmer, Renaissance e Procol Harum existiram sempre uns Soft Machine, Magma ou Faust.<br \/>\nSeria, contudo, f\u00e1cil ver na d\u00e9cada de 70 um cadinho de excessos, mas tal n\u00e3o se verificou. A complexidade do progressivo orientou-se noutra direc\u00e7\u00e3o, aumentando n\u00e3o o formato cl\u00e1ssico da can\u00e7\u00e3o pop da d\u00e9cada anterior (Beatles, Stones, Kinks, Beach Boys), mas sim o esqueleto dos blues. S\u00e3o os blues, e a sua deriva\u00e7\u00e3o para o rhythm\u2019n\u2019blues, que em Inglaterra partem para a grande aventura do progressivo, atrav\u00e9s da inclus\u00e3o de est\u00e9ticas que, essas sim, eram alheias \u00e0s ra\u00edzes negras. Dos Jethro Tull aos Blowding Pig, dos Atomic Rooster aos Colosseum, dos Jody Grind aos Grounhogs.<br \/>\nAssiste-se ent\u00e3o, sobretudo entre 1969 e 1974, \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de faixas longu\u00edssimas que deveriam ocupar lados inteiros de um LP ou, melhor ainda, um disco inteiro (\u201cTales from Topographic Oceans\u201d, dos Yes, preenchia dois&#8230;). Por outro lado, era ponto de honra mostrar nas capas fichas t\u00e9cnicas n\u00e3o menos extensas, com a descri\u00e7\u00e3o detalhada de todos os instrumentos utilizados, do sintetizador mais sofisticado \u00e0 campainha de porta. A m\u00fasica cl\u00e1ssica entrava, como era evidente &#8211; at\u00e9 pela forma\u00e7\u00e3o erudita que tinham sobretudo os teclistas das bandas -, nesta equa\u00e7\u00e3o, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos cl\u00e1ssicos. Exemplares desta cultura intelectualizante e erudita foram os Gentle Giant, que faziam gala em integrar na sua m\u00fasica o violoncelo, o timbal\u00e3o de orquestra, o obo\u00e9 e o fagote. Mas os Gentle Giant eram geniais, apesar de usarem, num dos temas do seu \u00e1lbum de estreia, \u201cGentle Giant\u201d, algumas notas de piano de \u201cFur Elise\u201d, e Beethoven, sem mencionarem a fonte.<br \/>\nPor outro lado, a utiliza\u00e7\u00e3o de orquestras (que, ali\u00e1s, j\u00e1 vinha dos anos 60, dos Beatles aos Moody Blues) serviu sempre mais de bal\u00e3o de oxig\u00e9nio do que de ve\u00edculo de enormes inspira\u00e7\u00f5es \u00e9picas. \u201cConcerto for Group and Orchestra\u201d, dos Deep Purple, ou \u201cLive in Edmonton\u201d, dos Procol Harum &#8211; que viraram ao contr\u00e1rio a \u201cSuite n\u00ba 3 em R\u00e9 Maior\u201d de Bach, em \u201cA Whiter Shade of Pale\u201d&#8230; &#8211; s\u00e3o meras redund\u00e2ncias orquestrais que funcionaram para os respectivos autores do mesmo modo que uma injec\u00e7\u00e3o de cortic\u00f3ides num atleta.<br \/>\ndepois h\u00e1 as imita\u00e7\u00f5es de composi\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas. Os Emerson, Lake &#038; Palmer gravaram um \u00e1lbum inteiro com a sua recria\u00e7\u00e3o das \u201cPictures at an Exhibition\u201d, de Mussorgski. Os Renaissance fizeram a sua pr\u00f3pria \u201cSchherazade\u201d, de Rimsky-Korsakov. Mesmo os Egg, paradigma do lado mais criativo e experimental do progressivo, n\u00e3o resistiram a mostrar no \u00e1lbum de estreia que eram capazes de interpretar \u00e0 sua maneira a \u201cTocata e Fuga em R\u00e9 Menor\u201d, de Bach, ao mesmo tempo que se inspiraram num dos andamentos da sua \u201cSymphony n\u00ba 2\u201d, \u201cDanse des Adolescents\u201d, e na \u201cSagra\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d, de Stravinsky. Rick Wakeman, dos Yes, enfiou a sua adapta\u00e7\u00e3o do terceiro andamento da \u201cQuarta Sinfonia em Mi Menor\u201d, de Brahms, em \u201cFrasgile\u201d. Os Beggars Opera, em \u201cAct One\u201d, transformaram em \u201chard rock\u201d a m\u00fasica de Franz Von Supp\u00e9. Richard Harvey, dos Gryphon, gravou a solo \u201cDivisions on a Ground\u201d, um exerc\u00edcio de m\u00fasica barroca onde mostrou todo o seu virtuosismo na flauta de bisel. Vivaldi era presen\u00e7a ass\u00eddua no violino de Daryl Way, dos Curved Air.<br \/>\nMas estes foram pecados menores de uma m\u00fasica que viajou t\u00e3o longe quanto lhe foi concedido pela ind\u00fastria, antes de ser estrangulada pelo punk. Nesta medida, na vontade nietzscheana em transcender os seus pr\u00f3prios limites, a m\u00fasica progressiva, rivalizou, de facto, com os cl\u00e1ssicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14.08.1998 Rivalizando Com Os Cl\u00e1ssicos O rock ambicionou rivalizar com os cl\u00e1ssicos ao entrar na chamada \u201cidade adulta\u201d, algures entre 1969 e 1974. Dos King Crimson aos Procol Harum, passando mesmo pelos Deep Purple, a m\u00fasica el\u00e9ctrica jogou a cartada do prest\u00edgio e da seriedade. 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