{"id":1810,"date":"2010-03-25T07:21:18","date_gmt":"2010-03-25T14:21:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1810"},"modified":"2010-03-25T07:21:18","modified_gmt":"2010-03-25T14:21:18","slug":"realejo-montam-novos-%e2%80%9ccenarios%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/25\/realejo-montam-novos-%e2%80%9ccenarios%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Realejo Montam Novos \u201cCen\u00e1rios\u201d"},"content":{"rendered":"<p>20.03.1998<br \/>\nRealejo Montam Novos \u201cCen\u00e1rios\u201d<br \/>\nDeu A Mosca Na Sanfona<\/p>\n<p><object width=\"320\" height=\"265\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eFse3-nkO6U&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eFse3-nkO6U&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"320\" height=\"265\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Demorou, mas finalmente vai ver a luz do dia o segundo \u00e1lbum dos Realejo, intitulado \u201cCen\u00e1rios\u201d. Excelentes executantes, uma sonoridade \u00fanica e o prazer intenso de tocar combinam-se num dos grandes \u00e1lbuns folk portugueses de sempre. Os seus autores explicaram ao P\u00daBLICO as raz\u00f5es da demora, em que a editora tem culpas no cart\u00f3rio, e a nova postura em palco que trouxeram de Saint Chartrier. Na Galiza, os Realejo est\u00e3o a provocar uma pequena revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fernando Meireles, construtor de instrumentos, tocador de sanfona, bandolim e cavaquinho, e Amadeu Magalh\u00e3es, arranjador, gaita-de-foles, ponteira, flautas, concertina, cavaquinho, bandolim, braguesa e percuss\u00f5es, constituem o n\u00facleo principal dos Realejo, grupo de m\u00fasica de raiz tradicional origin\u00e1rio de Coimbra e um dos mais originais da cena folk nacional. A estes e a Of\u00e9lia Ribeiro, que j\u00e1 participara no \u00e1lbum de estreia do grupo, \u201cSanfonias\u201d, juntaram-se os novos elementos Jos\u00e9 Nunes, guitarra e bandolim, e Miguel Areia, violino. Prosseguindo um trabalho de renova\u00e7\u00e3o cujo esp\u00edrito vai muito al\u00e9m de uma prospec\u00e7\u00e3o do passado, os Realejo s\u00e3o, juntamente com os Vai de Roda e os Gaiteiros de Lisboa, um dos grupos cuja exist\u00eancia permite acreditar que a m\u00fasica portuguesa pode avan\u00e7ar no mesmo passo do resto da Europa.<\/p>\n<p>FM &#8211; Por que raz\u00e3o foi preciso esperar tanto tempo pela edi\u00e7\u00e3o deste vosso segundo \u00e1lbum?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; No nosso contrato temos uma cl\u00e1usula em que n\u00e3o podemos dizer mal da editora! [Risos.] De facto j\u00e1 t\u00ednhamos este disco preparado desde 1996 e gravado desde o ano passado. Digamos que houve alguns dos chamados \u201cproblemas t\u00e9cnicos\u201d que atrasaram todo o processo&#8230; A verdade \u00e9 que temos gravado imenso material e estamos a met\u00ea-lo na gaveta. Grav\u00e1mos o primeiro disco em 95, o segundo deveria ter sido gravado em 1996, em 97 poder\u00edamos ter gravado o terceiro e t\u00ednhamos agora o quarto&#8230; Mesmo o primeiro disco poder\u00edamos t\u00ea-lo feito dois anos antes&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; Esse atraso sistem\u00e1tico n\u00e3o tem prejudicado a carreira do grupo?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Obviamente que sim. S\u00e3o paragens for\u00e7adas.<\/p>\n<p>AMADEU MAGALH\u00c3ES &#8211; O grupo est\u00e1 sempre em evolu\u00e7\u00e3o. A editora, fazendo este tipo de coisas, n\u00e3o nos deixa progredir em termos de trabalho. N\u00e3o conseguem acompanhar o nosso ritmo.<\/p>\n<p>FM &#8211; De acordo com essa evolu\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 que mudou de \u201cSanfonias\u201d para estes novos \u201cCen\u00e1rios\u201d dos Realejo?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; estamos a tocar cada vez melhor os instrumentos e a experimentar, com eles, sonoridades e ritmos novos.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>FM &#8211; O som do grupo sugere uma grande cultura e h\u00e1bitos de audi\u00e7\u00e3o regulares da vossa parte. \u00c9 verdade?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Eu ou\u00e7o muita m\u00fasica. O Amadeu n\u00e3o ouve tanto, o que \u00e9 bom, porque acaba por fazer as coisas sem sofrer grandes influ\u00eancias exteriores.<\/p>\n<p>AMADEU MAGALH\u00c3ES &#8211; Sou o controlador&#8230; Fa\u00e7o os arranjos e componho os temas originais.<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o aos novos elementos fui eu que lhes incuti o gosto por esta m\u00fasica. Tenho e ou\u00e7o imensos discos, que estou sempre a mostrar aos outros. Por exemplo, comprei ultimamente o novo \u201cHippjock\u201d, dos Hedningarna\u201d, dos quais gosto imenso, embora reconhe\u00e7a que est\u00e3o a entrar um bocado em demasia nos ritmos de discoteca&#8230; Tamb\u00e9m comprei o disco de estreia de um novo grupo irland\u00eas, os Dan\u00fa, que adquiri no Festival de Saint Chartrier deste ano, no qual particip\u00e1mos. Tamb\u00e9m comprei um \u00e1lbum dos franceses Yole. E estamos a ouvir muito os Berroguetto. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sanfona, gosto de Nigel Eaton, e, dos franceses, Gilles Chabenat, Patrick Bouffard&#8230;<\/p>\n<p>AMADEU MAGALH\u00c3ES &#8211; Tamb\u00e9m ouvimos muito o J\u00falio Pereria. Na guitarra, gosto de Preston Redd. Na gaita-de-foles, Carlos Nunez.<\/p>\n<p>FM &#8211; Os mais novos do grupo, o que \u00e9 qu eouvem? T\u00eam alguns her\u00f3is?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 NUNES &#8211; J\u00falio Pereira! Sou o f\u00e3 n\u00famero um dele.<\/p>\n<p>MIGUEL AREIA &#8211; Eu ou\u00e7o outro tipo de coisas, devido \u00e0 minha forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. No violino cl\u00e1ssico admiro o Isaac Stern. Na tradicional ainda n\u00e3o encontrei refer\u00eancias.<\/p>\n<p>OF\u00c9LIA RIBEIRO &#8211; Violoncelistas da cl\u00e1ssica: Pablo Casals, Rostropovitch, Misha Maiski.<\/p>\n<p>FM &#8211; No in\u00edcio de carreira assumiam-se como um grupo de folk de c\u00e2mara. Mant\u00eam a mesma postura, sobretudo em palco?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; N\u00e3o, estamos mais voltados para o p\u00fablico, h\u00e1 uma empatia maior. Em certos temas tocamos de p\u00e9. E o novo report\u00f3rio \u00e9 mais dan\u00e7\u00e1vel, mais extrovertido.<\/p>\n<p>FM &#8211; Mas esse lado mais intimista, pelo menos a julgar pelo \u00e1lbum, n\u00e3o desapareceu&#8230;<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Claro, n\u00e3o deix\u00e1mos nunca de assumir esse lado. Continuamos a actual, sempre que nos pedem, em igrejas ou em salas de museus. S\u00f3 que agora, quando tocamos ao ar livre, o som \u00e9 diferente, a din\u00e2meica mudou completamente, amplific\u00e1mos os instrumentos&#8230;<\/p>\n<p>FM &#8211; Podendo parecer odiosas as compara\u00e7\u00f5es, \u00e9 l\u00edcito afirmar que, em oposi\u00e7\u00e3o ao lado mais conceptual dos Vai de Roda ou dos Gaiteiros, os Realejo s\u00e3o mais espont\u00e2neos, mais estritamente \u201cmusicais\u201d?<\/p>\n<p>AMADEU MAGALH\u00c3ES &#8211; Para n\u00f3s \u00e9 simples. O que gostamos tocamos &#8211; com toda uma viv\u00eancia cultural impl\u00edcita. O que precisamos, e o que queremos, \u00e9 tocar bem,<br \/>\ntirar o maior partido poss\u00edvel dos diversos instrumentos. N\u00e3o queremos sintetizadores para fazer a chamada \u201ccama\u201d. Preferimos desenvolver ao m\u00e1ximo os instrumentos tradicionais. S\u00f3 depois \u00e9 que poderemos, eventualmente, partir para outros caminhos.<\/p>\n<p>FM &#8211; Em Portugal, e em particular neste g\u00e9nero de m\u00fasica, essa exig\u00eancia t\u00e9cnica n\u00e3o faz parte dos h\u00e1bitos da maioria&#8230;<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Nunca houve preocupa\u00e7\u00e3o dos construtores em fazer bons instrumentos. E as pessoas que os tocam n\u00e3o t\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de os tocar bem. O \u00fanico que deu um pontap\u00e9 nesta situa\u00e7\u00e3o foi o J\u00falio Pereira. A partir dele \u00e9 que apareceu muita gente a aperceber-se de que era poss\u00edvel fazer melhor com os nossos instrumentos, a nossa cultura e as nossas viv\u00eancias. Em Portugal come\u00e7a a acontecer agora o que h\u00e1 muito j\u00e1 acontece na Irlanda e, mais recentemente, na Galiza, em que o n\u00edvel t\u00e9cnico m\u00e9dio dos executantes \u00e9 elevad\u00edssimo. Em Coimbra est\u00e1 a acontecer um pouco isso. O Amadeu d\u00e1 aulas. Eu ensino a fazer instrumentos. J\u00e1 h\u00e1 gente que aparece a querer tocar o bandolim ou o cavaquinho como eles devem ser tocados. Mas tem sido um trabalho apenas custeado por n\u00f3s, os apoios oficiais s\u00e3o nulos.<\/p>\n<p>FM &#8211; Os Realejo t\u00eam, cada vez mais, um som europeu, na linha de timbres quentes (gaita-de-foles, sanfona, violino, aus\u00eancia quase total de percuss\u00f5es) de grupos como os Yole ou os Ad Vielle Que Pourra. Concordam?<\/p>\n<p>AMADEU MAGALH\u00c3ES &#8211; Sim, e as refer\u00eancias tradicionais est\u00e3o, sobretudo, impl\u00edcitas. Um tema como a \u201cCantiga do realejo\u201d n\u00e3o soa a tradicional mas a m\u00fasica de c\u00e2mara ou a m\u00fasica antiga.<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; N\u00e3o vamos tocar a m\u00fasica de um cavador como ele a tocava na origem. Pegamos nos temas apenas porque gostamos deles. \u00c9 a \u00fanica forma de manter viva uma tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>FM &#8211; Qual tem sido a recep\u00e7\u00e3o da vossa m\u00fasica no estrangeiro?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; Como j\u00e1 dissemos, toc\u00e1mos o ano passado em Saint Chartrier. Foi uma experi\u00eancia muito intensa para todos n\u00f3s. Nunca t\u00ednhamos estado num ambiente musical t\u00e3 intenso. Apercebemo-nos de muitas coisas. Mesmo a nossa nova postura em palco mudou um bocado por causa disso.<\/p>\n<p>FM &#8211; E a Galiza?<\/p>\n<p>FERNANDO MEIRELES &#8211; J\u00e1 toc\u00e1mos l\u00e1 v\u00e1rias vezes. Aconteceu mesmo uma coisa muito gira. Conhecemos muita malta da Galiza e, quando os conhecemos, os galegos eram muito fundamentalistas. Agora j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o tanto; se calhar, um bocadinho por causa da nossa influ\u00eancia. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a gaita com gaita, come\u00e7am a meter guitarras. Tocam na sanfona temas para gaita. At\u00e9 j\u00e1 querem a \u201cmosca\u201d [pormenor t\u00e9cnico que permite, por uma esp\u00e9cie de sacudidela brusca na manivela, obter um timbre adicional e contrastante com a \u201cdrone\u201d de fundo] na sanfona!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20.03.1998 Realejo Montam Novos \u201cCen\u00e1rios\u201d Deu A Mosca Na Sanfona Demorou, mas finalmente vai ver a luz do dia o segundo \u00e1lbum dos Realejo, intitulado \u201cCen\u00e1rios\u201d. Excelentes executantes, uma sonoridade \u00fanica e o prazer intenso de tocar combinam-se num dos grandes \u00e1lbuns folk portugueses de sempre. 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