{"id":1791,"date":"2010-03-22T09:07:22","date_gmt":"2010-03-22T16:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1791"},"modified":"2010-03-22T09:07:22","modified_gmt":"2010-03-22T16:07:22","slug":"entrevista-com-tim-e-ze-pedro-xutos-no-lado-escuro-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/22\/entrevista-com-tim-e-ze-pedro-xutos-no-lado-escuro-da-lua\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Tim E Z\u00e9 Pedro &#8211; Xutos No Lado Escuro Da Lua"},"content":{"rendered":"<p>13.02.1998<br \/>\nEntrevista Com Tim E Z\u00e9 Pedro<br \/>\nXutos No Lado Escuro Da Lua<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xutosEPontapes_Tentacao.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xutosEPontapes_Tentacao.jpeg\" alt=\"\" title=\"xutosEPontapes_Tentacao\" class=\"alignnone size-full wp-image-1792\" height=\"276\" width=\"280\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/107162578\/_1998__BSO_Tenta__o.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object height=\"344\" width=\"425\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9o1Ng9iUJGw&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9o1Ng9iUJGw&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" height=\"344\" width=\"425\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Joa quim Leit\u00e3o ofereceu a sua \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d aos <a class=\"zem_slink\" href=\"http:\/\/www.xutos.pt\/\" title=\"Xutos o Pontap\u00e9s\" rel=\"homepage\">Xutos e Pontap\u00e9s<\/a> que n\u00e3o se fizeram rogados. Pegaram na hist\u00f3ria de amor entre um padre e uma toxicodependente e constru\u00edram sobre ela um exerc\u00edcio de espa\u00e7o e de programa\u00e7\u00f5es. \u201cThe Dark Side of the Moon\u201d de uma das bandas mais rockeiras do pa\u00eds? N\u00e3o admira, eles andaram a ouvir os Pink Floyd e tiraram da\u00ed umas ideias.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Tim e Z\u00e9 Pedro, voz principal e guitarra dos Xutos e Pontap\u00e9s, falaram ao P\u00daBLICO das suas mais recentes aventuras cinematogr\u00e1ficas. Depois da banda sonora de \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d, o som do grupo poder\u00e1 nunca mais voltar a ser o mesmo.<\/p>\n<p>FM &#8211; Quando e de quem partiu a ideia para fazerem a m\u00fasica de \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d, primeira liga\u00e7\u00e3o dos Xutos ao cinema?<\/p>\n<p>TIM &#8211; Foram eles! O produtor Tim Navarro, que se lembrou de n\u00f3s na sequ\u00eancia do que j\u00e1 tinham feito antes com o Abrunhosa e os Delfins [para o filme anterior de Leit\u00e3o, \u201cAd\u00e3o e Eva\u201d]. Devem ter percebido que, colando uma banda portuguesa a um filme portugu\u00eas, a coisa funcionava melhor.<\/p>\n<p>FM &#8211; Em que base \u00e9 que compuseram? Viram o filme j\u00e1 completo? Apenas algumas partes? N\u00e3o viram?<\/p>\n<p>TIM &#8211; Groos modo, contaram-nos a hist\u00f3ria do filme. Lemos o gui\u00e3o para ver que tuipo de hist\u00f3ria era &#8211; uma hist\u00f3ria da pesada. Meteram-se entretanto pelo meio os concertos no Coliseu. Mais tarde, come\u00e7\u00e1mos a receber cassetes de v\u00eddeo com excertos da obra. Eram todas fraquinhas, bocados do filme.<\/p>\n<p>FM &#8211; N\u00e3o tinham um aideia geral do argumento?<\/p>\n<p>TIM &#8211; Era a introdu\u00e7\u00e3o, o gen\u00e9rico inical, a cena dos \u201ccaldos\u201d&#8230; Sempre com uma sensa\u00e7\u00e3o muito fr\u00e1gil, apenas com base em algumas montagens do trabalho em que os di\u00e1logos ainda n\u00e3o est\u00e3o certos.<\/p>\n<p>Z\u00c9 PEDRO &#8211; Come\u00e7\u00e1mos a pensar num tema base que poderia, eventualmente, ser repartido pelo filme. Esteve para se \u201cA Voz do mal\u201d, que acabou por ficar na cena de ac\u00e7\u00e3o do Diogo Infante com o Joaquim de Almeida no t\u00fanel. A partir da\u00ed, com o Joaquim Leit\u00e3o, que nos foi dando ideias, sugerindo para tema-base algo mais ambientalista. Por fim ficou, como a grande can\u00e7\u00e3o de amor, o \u201cPara Sempre\u201d.<\/p>\n<p>TIM &#8211; Depois houve uma fase de trabalho em que prepar\u00e1mos uns dez peda\u00e7os de coisas que pusemos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Joaquim Leit\u00e3o que colaborou mais de perto connosco at\u00e9 ao fim. \u00c0s cinco da manh\u00e3 acabava as filmagens e come\u00e7ava a discutir a m\u00fasica, cinco segundos aqui, amis dez segundos ali,<\/p>\n<p>FM &#8211; Um trabalho de laborat\u00f3rio?<\/p>\n<p>TIM &#8211; Coisas de cinema que n\u00f3s nunca poderemos tocar ao vivo. Como o gen\u00e9rico ou a \u201cRessaca\u201d. Em que o Kal\u00fa tratou das partes r\u00edtmicas todas e eu das melodias e das partes vocais.<\/p>\n<p>Z\u00c9 PEDRO &#8211; A seguir a essa escolha de alguns segundos de m\u00fasica, entr\u00e1mos no est\u00fadio para fazer os temas na totalidade.<\/p>\n<p>TIM &#8211; Foi um trabalho que nos deu uma outra vis\u00e3o de n\u00f3s como m\u00fasicos. Dentro do mesmo tipo de tarefas, mas com outras mat\u00e9rias e meios de trabalho. O Kal\u00fa, por exemplo, que st\u00e1 ligado \u00e0 bateria, uma coisa f\u00edsica, mostrou que no seu interior tem outro tipo de ritmo que n\u00e3o necessita de ser f\u00edsico. Cada um criou uma esp\u00e9cie de \u201calter ego\u201d. Em termos t\u00e9cnicos tivemos que partir de uma base de computador, para podermos fazer a smontagens.<\/p>\n<p>FM &#8211; A introdu\u00e7\u00e3o de \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d exibe descaradamente o som dos Pink Floyd&#8230;<\/p>\n<p>TIM &#8211; [Risos.] Mas isso foi precisamente uma das refer\u00eancias que eu tive sempre presente quando escolhia as sonoridades, fazer algosemelhante ao que eles fizeram em \u201cLa Val\u00e9e\u201d, esse tipo de ambientes. Como a nossa m\u00fasica habitual \u00e9 muito directa e r\u00e1pida, certas coisas n\u00e3o podiam ser encaradas como can\u00e7\u00f5es. A linguagem de que and\u00e1vamos \u00e0 procura era outra &#8211; um ambiente que ligasse com as imagens.<\/p>\n<p>FM &#8211; Como \u00e9 que ouvem agora a m\u00fasica, j\u00e1 completamente integrada nas imagens?<br \/>\n\u00c9 muito mais forte! Fizemos coisas de que n\u00e3o t\u00ednhamos muito a ideia, em termos de imagem, do que iria acontecer. S\u00f3 depois de vermos o filme \u00e9 que percebemos algumas das ideias que o Joaquim Leit\u00e3o j\u00e1 tinha na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>FM &#8211; A partir de \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d, a m\u00fasica dos Xutos poder\u00e1 mudar ou, pelo menos, seguir m\u00e9todos de trabalho diferentes?<\/p>\n<p>TIM &#8211; O som dos Xutos teve sempre uma dicotomia, por um lado os habituais sete ou oito mesmes de estrada, em que a sm\u00fasicas s\u00e3o trabalhadas na altura, para as pessoas ouvirem no momento, e depois os outros meses de est\u00fadio, em que as m\u00fasicas s\u00e3o feitas para n\u00f3s pr\u00f3prios. Por vezes torna-se cansativo, sobretudo para mim e para o Kal\u00fa, puxarmos sozinhos a carro\u00e7a, trabalharmos primeiro as bases da m\u00fasica e depois esperarmos pelo trabalho das guitarras. Nas grava\u00e7\u00f5es de \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d, com a ajuda das m\u00e1quinas, foi tudo muito mais interactivo. Na pr\u00f3xima mudan\u00e7a de s\u00e9culo as coisas poder\u00e3o passar a funcionar mais para este lado.<\/p>\n<p>FM &#8211; O que \u00e9 que vos passou pela cabe\u00e7a quando gravaram a remistura tecno de \u201cEnquanto a noite cai\u201d?<\/p>\n<p>TIM &#8211; O Kal\u00fa sempre gostou muito de ritmos dan\u00e7\u00e1veis, sobretudo afro, de coisas para poderem ser tocadas em discoteca. Neste tema teve a desculpa certa.<\/p>\n<p>FM &#8211; Nos quatro temas cantados, as letras s\u00e3o um bocado simplistas, n\u00e3o acham?<\/p>\n<p>TIM &#8211; Minimalistas! N\u00e3o me preocupei muito com isso. As mensagens que eu queria dar eram muito descritivas das personagens e das suas emo\u00e7\u00f5es. \u201cA voz do mal\u201d, por exemplo, pretende mostrar a persegui\u00e7\u00e3o que o mau faz \u00e0 rapariga. O \u201cPara Sempre\u201d \u00e9 sobre o juramento que eles fazem no final do filme.<\/p>\n<p>FM &#8211; Consumada esta experi\u00eancia, s\u00e3o mesmo apreciadores de cinema?<\/p>\n<p>Z\u00c9 PEDRO &#8211; Eu mais do que todos. Principalmente Quentin Tarantino, o realizador mais pr\u00e1-frentex. E sou coleccionador de bandas sonoras.<\/p>\n<p>TIM &#8211; Tamb\u00e9m gosto imenso de ir ao cinema, mas j\u00e1 n\u00e3o tenho muitas hip\u00f3teses de escolha. Por causa dos meus dois putos mais novos, vejo os filmes do Walt Disney todos, no cinema, e depois, outra vez, em casa. [Risos.] Filmes \u201cf\u00e9tiche\u201d, tenho o \u201cBlade Runner\u201d. Tenho uma cultura cin\u00e9fila dos anos 70, o \u201cAmarcord\u201d, esse tipo de coisas.<\/p>\n<p>FM &#8211; Aceitariam fazer m\u00fasica para um filme de Manoel de Oliveira?<\/p>\n<p>Z\u00c9 PEDRO &#8211; S\u00f3 se fosse para animar as partes mortas do filme. [Risos.]<\/p>\n<p>complemento<br \/>\n28.02.1998<br \/>\nO Lado Escuro Da Pergunta<br \/>\nN\u00e3o me cabe a mim defender Manoel de Oliveira nem t\u00e3o-pouco cerrar barreiras contra o cineasta da moda Quentin Tarantino. O tempo dir\u00e1 (ali\u00e1s, n\u00e3o se cansa de provar) quem ficar\u00e1 na hist\u00f3ria do cinema ou quais os filmes que permanecer\u00e3o enquanto obras de arte. A qualidade cinematogr\u00e1fica \u00e9 o sarro do capitalismo.<br \/>\nO que me cabe a mim contestar \u00e9 a pergunta que o jornalista Fernando Magalh\u00e3es fez aos dois membros dos Xutos e Pontap\u00e9s Z\u00e9 Pedro e Tim, no suplemento Sons do P\u00daBLICO de 13\/2: \u201cAceitariam fazer m\u00fasica para um filme de Manoel de Oliveira?\u201d E, como seria de esperar, a resposta foi mesmo aquela que se estava \u00e0 espera: \u201cS\u00f3 se fosse para animar as partes mortas do filme [risos].\u201d<br \/>\nA ideia de sucesso e a onda do vale tudo fez esquecer aos Xutos e Pontap\u00e9s o tempo em que lan\u00e7avam discos como o \u201cCerco\u201d &#8211; provavelmente o melhor \u00e1lbum da banda &#8211; e em que n\u00e3o vendiam mais do que mil unidades. O facto de agora fazerem discos para filmes portugueses com bastante ucesso comercial (com todo o m\u00e9rito, sem d\u00favida) n\u00e3o lhes d\u00e1 o direito responderem apimbalhadamente a perguntas de segunda divis\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 que, meus caros companheiros da sociedade do espect\u00e1culo, j\u00e1 pensaram na resposta que Manoel de Oliveira daria se lhe perguntassem se aceitaria m\u00fasica dos Xutos e Pontap\u00e9s para um dos seus filmes? Falamos de coisas diferentes, n\u00e3o \u00e9 verdade? Ent\u00e3o para qu\u00ea mistur\u00e1-las? O pa\u00eds j\u00e1 \u00e9 demasiado pequeno para destilarmos ainda mais veneno, e qual \u00e9 o interesse de conspurc\u00e1-lo ainda mais?<br \/>\nP.S. Como curiosidade, posso dizer que ouvi bastante a m\u00fasica dos Xutos e vi grande parte dos filmes de Manoel de Oliveira. Quanto aos Xutos, j\u00e1 n\u00e3o ou\u00e7o e, em rela\u00e7\u00e3o aos filmes de Manoel de Oliveira, h\u00e1 uns que gosto e outros n\u00e3o. Ali\u00e1s, como as laranjas e as cerejas.<br \/>\nFernando Nunes<br \/>\nCoimbra<br \/>\nN.R. De facto, n\u00e3o h\u00e1 interesse absolutamente nenhum. N\u00e3o havia necessidade. Sendo assim, retiro a pergunta. As perguntas s\u00e3o o que s\u00e3o. Ali\u00e1s, como as melancias e as papaias.<br \/>\nFernando Magalh\u00e3es<\/p>\n<div style=\"margin-top: 10px; height: 15px;\" class=\"zemanta-pixie\"><a class=\"zemanta-pixie-a\" href=\"http:\/\/reblog.zemanta.com\/zemified\/92df9a8e-4048-4064-aee9-fb667e117fcd\/\" title=\"Reblog this post [with Zemanta]\"><img decoding=\"async\" style=\"border: medium none; float: right;\" class=\"zemanta-pixie-img\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/reblog_e.png?x-id=92df9a8e-4048-4064-aee9-fb667e117fcd\" alt=\"Reblog this post [with Zemanta]\"><\/a><span class=\"zem-script more-related pretty-attribution\"><script type=\"text\/javascript\" src=\"http:\/\/static.zemanta.com\/readside\/loader.js\" defer=\"defer\"><\/script><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13.02.1998 Entrevista Com Tim E Z\u00e9 Pedro Xutos No Lado Escuro Da Lua LINK Joa quim Leit\u00e3o ofereceu a sua \u201cTenta\u00e7\u00e3o\u201d aos Xutos e Pontap\u00e9s que n\u00e3o se fizeram rogados. 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