{"id":1788,"date":"2010-03-21T10:44:57","date_gmt":"2010-03-21T17:44:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1788"},"modified":"2010-03-21T10:44:57","modified_gmt":"2010-03-21T17:44:57","slug":"rao-kyao-viaja-em-%e2%80%9cnavegantes%e2%80%9d-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/21\/rao-kyao-viaja-em-%e2%80%9cnavegantes%e2%80%9d-entrevista\/","title":{"rendered":"R\u00e3o Kyao viaja em \u201cNavegantes\u201d &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>23.01.1998<br \/>\nR\u00e3o Kyao viaja em \u201cNavegantes\u201d<br \/>\nBambu E Especiarias<\/p>\n<p>Foi-se o fado, mas as ondas do mar continuam a empurrar R\u00e3o Kyao na direc\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica cada vez mais ampla e com mais espa\u00e7o para respirar. Em \u201cNavegantes\u201d, o seu novo \u00e1lbum, a flauta de bambu dan\u00e7a com as vozes, um salt\u00e9rio e uma sec\u00e7\u00e3o de cordas. \u00cdndia, Jamaica, Ar\u00e1bia, Portugal olhado do Oriente. Mapa de uma viagem interior atenta ao sopro dos mestres e do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/raoKyao_Navegantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/raoKyao_Navegantes.jpg\" alt=\"\" title=\"raoKyao_Navegantes\" width=\"125\" height=\"126\" class=\"alignnone size-full wp-image-1789\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/297645777\/Rao-Cantado.part1.rar.html\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(En-Cantado, 2009 &#8211; Parte 1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/297645349\/Rao-Cantado.part2.rar.html\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(En-Cantado, 2009 &#8211; Parte 2)<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dTNghllJ2qY&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dTNghllJ2qY&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u201cNavegantes\u201d \u00e9 um \u00e1lbum ac\u00fastico em que R\u00e3o Kyao desenha as cores do que ele pr\u00f3prio chama o \u201cuno no m\u00faltiplo\u201d. Uma esp\u00e9cie de espect\u00e1culo ao vivo da alma do m\u00fasico, inspirada no movimento das \u00e1guas e na sabedoria de um dos mestres indianos da flauta, Hariprasad Chaurasia.<\/p>\n<p>FM &#8211; \u201cNavegantes\u201d recorre a uma quantidade de meios t\u00e9cnicos e humanos pouco habitual nos seus discos. trata-se de um alargamento da sua vis\u00e3o musical ou de algo mais?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; H\u00e1, efectivamente uma mudan\u00e7a. Gravar um novo disco, s\u00f3 por gravar, n\u00e3o fazia sentido. \u00c9 uma ideia que j\u00e1 tinha com o Lu\u00eds Pedro Fonseca [produtor e arranjador do \u00e1lbum], de apresentar um disco basicamente ac\u00fastico, uma direc\u00e7\u00e3o que quero aprofundar cada vez mais, bem como uma utiliza\u00e7\u00e3o orquestral, algo que j\u00e1 havia feito antes, mas de uma forma ligeira.<br \/>\nFM &#8211; Afirma na capa que este disco \u00e9 \u201cuma viagem interior\u201d.<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Um dos t\u00edtulos que cheguei a ponderar muito para este disco, s\u00f3 que n\u00e3o consegui reduzi-lo a uma palavra, era \u201co uno no m\u00faltiplo\u201d. a unidade da express\u00e3o musical manifestada atrav\u00e9s de certas experi\u00eancias que me s\u00e3o int\u00edmas. Essa viagem interior passa por v\u00e1rios pontos que s\u00e3o, no fundo, o meu legado musical, a minha espiritualidade musical. \u00c9 um tipo que est\u00e1 a navegar, navega\u00e7\u00e3o no sentido interior.<br \/>\nFM &#8211; Uma viagem sob o signo das \u00e1guas&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; \u00c1guas, porque \u00e9, de todos os elementos, o mais associado \u00e0 pr\u00f3pria sonoridade da flauta de bambu.<br \/>\nFM &#8211; \u201cNavegantes\u201d navega explicitamente nas \u00e1guas da \u201cworld music\u201d. Na contracapa aparece mesmo o r\u00f3tulo \u201crare things from Portugal\u201d. Uma aposta para o estrangeiro?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Espero que sim. Interessa-me alargar o meu mercado o mais poss\u00edvel. Parece-me que h\u00e1 um interesse, l\u00e1 fora, por este tipo de m\u00fasica, n\u00e3o s\u00f3 por ser \u201cworld music\u201d, mas por um tratamento natural dos sons. \u201cNavegantes\u201d \u00e9 quase um disco de rua.<br \/>\nFM &#8211; \u201cNo balan\u00e7o\u201d tem por base um ritmo reggae&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; \u00c9 uma coisa de rua. Um aceno a um ritmo de que gosto muito e que se tornou internacional. \u00c9 um tema que temos vindo a tocar ao vivo, que confere \u00e0 m\u00fasica uma colora\u00e7\u00e3o muito festiva.<br \/>\nFM &#8211; A m\u00fasica \u00e1rabe aflora em \u201cArab\u201d.<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Isso \u00e9 mesmo, abertamente, um aceno aos nosso amigos \u00e1rabes, cuja m\u00fasica constitui para mim uma grande influ\u00eancia.<br \/>\nFM &#8211; Depois h\u00e1 a m\u00fasica indiana. O mais interessante \u00e9 que, para al\u00e9m dos temas em que esta m\u00fasica assume, de forma inequ\u00edvoca, esta influ\u00eancia, ela est\u00e1 presente, de forma mais subtil, nos temas que tomam por base a tradi\u00e7\u00e3o portuguesa. Isso nota-se, por exemplo, nas interpreta\u00e7\u00f5es vocais. At\u00e9 a convidada Filipa Pais soa algo indiana quando canta uma can\u00e7\u00e3o como \u201cNa vindima\u201d&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Acho giro que diga isso, embora talvez n\u00e3o gostasse de v\u00ea-lo escrito, poderia soar a uma pretens\u00e3o absurda da minha parte&#8230;<br \/>\nFM &#8211; n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica, antes pelo contr\u00e1rio&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Pois, a nossa m\u00fasica, atrav\u00e9s de todas as suas formas, tem realmente esse aspecto. Digamos que eu, ao interpret\u00e1-la, vou mais para esse lado. \u00c9 algo que me \u00e9 \u00edntimo. Uma m\u00fasica que, sendo portuguesa, tem essa costela mais des\u00e9rtica, no sentido daquela sonoridade que vem da \u00cdndia.<br \/>\nFM- \u201cOca\u201d e \u201cEcos tribais\u201d s\u00e3o exerc\u00edcios solit\u00e1rios, respectivamente na ocarina e na flauta de bambu, onde recorre \u00e0 t\u00e9cnica de \u201cmultitracking\u201d. Um desejo de interioriza\u00e7\u00e3o mais abstracta?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; S\u00e3o as tais viagens. Se assistir a um espect\u00e1culo meu, seria incompleto n\u00e3o aparecer esse aspecto&#8230; N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o \u201cmultitracking\u201d, mas a maneira como se joga com a sonoridade e as possibilidades do instrumento. A flauta pode ser vista de uma forma percussiva, de uma forma cantada, de uma formaencantat\u00f3ria&#8230; Os \u201cEcos tribais\u201d t\u00eam um aspecto ritualizado&#8230;<br \/>\nFM &#8211; Nunca tinha tocado ocarina antes, nos seus discos. Trata-se de experimentar diferentes tipos de respira\u00e7\u00e3o, no sentido mais lato deste termo?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Sim. Tenho v\u00e1rias maneiras de desenvolver as t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o. Por exemplo, estou a introduzir, lentamente, a utiliza\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o, da sua sonoridade, pelo nariz, como um ritmo alternado \u00e0 flauta. Uma das cosias que a m\u00fasica tem que ter \u00e9 uma boa respira\u00e7\u00e3o. Num m\u00fasico de sopros essa respira\u00e7\u00e3o \u00e9-lhe naturalmente dada pelo facto de ter que respirar.<br \/>\nFM &#8211; Tamb\u00e9m toca, pela primeira vez, em \u201cLen\u00e7\u00f3is de trigo\u201d, um salt\u00e9rio, que nem sequer \u00e9 um instrumento de sopro&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Utilizo-o apenas para obter um determinado tipo de resson\u00e2ncia.<br \/>\nFM &#8211; E canta muito neste disco&#8230;<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; \u00c9 uma coisa que tenho andado a fazer nos espect\u00e1culos ao vivo. Pensando bem, este disco \u00e9 como se fosse um espect\u00e1culo meu ao vivo. Uso a voz de uma forma onomatopaica que n\u00e3o pode ser escutada separada da flauta.<br \/>\nFM &#8211; A espiritualidade que ressalta da sua forma de tocar fez-nos lembrar o flautista indiano Hariprasad Chaurasia. Conhece a sua m\u00fasica?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; \u00c9 um grande amigo meu! Coneci-o na \u00cdndia, onde estive muitos anos a estudar flauta, numa altura em que eu tinha arranjado emprego a tocar em filmes indianos. Torn\u00e1mo-nos amigos. Sou f\u00e3 dele e reconhe\u00e7o-o como uma influ\u00eancia muito grande na minha m\u00fasica.<br \/>\nFM &#8211; E Stephan Micus, outro m\u00fasico que me parece cada vez mais pr\u00f3ximo de si?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Esse j\u00e1 pelo aspecto do conceito. \u00c9 um m\u00fasico que j\u00e1 chamo de \u201cvanguarda\u201d, no sentido de ir \u00e0 frente, de ver a m\u00fasica com outra profundidade e de abrir novos caminhos&#8230;<br \/>\nFM &#8211; Trata-se de algu\u00e9m cuja m\u00fasica est\u00e1 muito ligada aos elementos e que, inclusive, j\u00e1 tocou em pedras e em vasos. Sente tamb\u00e9m essa liga\u00e7\u00e3o forte com a Natureza?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; \u00c9 um dos aspectos que sempre me fascinou. Nunca quis tocar uma flauta transversal, met\u00e1lica. A flauta de bambu sempre representou a minha aproxima\u00e7\u00e3o a um elemento natural.<br \/>\nFM &#8211; Considera-se um m\u00fasico de fus\u00e3o?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; O termo s\u00f3 me desagrada por ach\u00e1-lo exagerado. Ou seja, n\u00e3o como frango por anan\u00e1s. A fus\u00e3o s\u00f3 faz sentido, ou concord\u00e2ncia, ou conson\u00e2ncia, na liga\u00e7\u00e3o de estilos. Se formos a ver, toda a m\u00fasica que tem uma raiz funa no mundo nasceu de uma fus\u00e3o. O jazz, por exemplo, \u00e9 uma m\u00fasica completamente de fus\u00e3o, no entanto tem uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria. E a nossa pr\u00f3pria m\u00fasica tradicional &#8211; mais fus\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel&#8230; H\u00e1, realmente, coisas que surgem e se mant\u00e9m pelo tempo, criam uma raiz e d\u00e3o frutos de fus\u00e3o. Mas, ao mesmo tempo, sou um m\u00fasico que pensa muito emtermos de uma m\u00b4suica de raiz, h\u00e1 aqui uma bipolaridade. O maior m\u00fasico \u00e9 aquele que tem uma raiz muito profunda, mas, ao mesmo tempo, est\u00e1 sempre aberto a encontros.<br \/>\nFM &#8211; Como e quando \u00e9 que vai levar \u201cNavegantes\u201d para a estrada?<br \/>\nR\u00c3O KYAO &#8211; Vou levar os m\u00fasicos todos. O in\u00edcio da digress\u00e3o pelo pa\u00eds vai ser no pr\u00f3ximo dia 3 de Fevereiro, no espa\u00e7o Roma, em Lisboa. O que n\u00e3o quer dizer que v\u00e1 fazer o mesmo nos espect\u00e1culos de prov\u00edncia &#8211; n\u00e3o \u00e9 para minimizar, mas n\u00e3o posso andar com 40 m\u00fasicos atr\u00e1s. A\u00ed teremos que fazer um apleo aos \u201csamplers\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23.01.1998 R\u00e3o Kyao viaja em \u201cNavegantes\u201d Bambu E Especiarias Foi-se o fado, mas as ondas do mar continuam a empurrar R\u00e3o Kyao na direc\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica cada vez mais ampla e com mais espa\u00e7o para respirar. 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