{"id":1744,"date":"2010-03-12T04:16:43","date_gmt":"2010-03-12T11:16:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1744"},"modified":"2017-05-03T08:17:31","modified_gmt":"2017-05-03T15:17:31","slug":"salgueiro-entre-ciprestes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/12\/salgueiro-entre-ciprestes\/","title":{"rendered":"Salgueiro Entre Ciprestes"},"content":{"rendered":"<p>18.07.1997<br \/>\nCantora dos Madredeus e mestre da guitarra, lado a lado<br \/>\nSalgueiro Entre Ciprestes<br \/>\nUma pequena vila da Tosc\u00e2nia, na It\u00e1lia, rendeu-se ao fado, \u00e0 guitarra portuguesa e \u00e0 voz de Teresa Salgueiro. Foi em Montecastello di Pontedera, na Villa Malaspina, a convite de uma marquesa, que o trio Teresa Salgueiro, Ant\u00f3nio Chainho e Fernado Alvim encheu a noite toscana de saudade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/teresaSalgueiro_Matriz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/teresaSalgueiro_Matriz.jpg\" alt=\"\" title=\"teresaSalgueiro_Matriz\" width=\"320\" height=\"320\" class=\"alignnone size-full wp-image-1745\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/teresaSalgueiro_Matriz.jpg 320w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/teresaSalgueiro_Matriz-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/teresaSalgueiro_Matriz-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/222551139\/TerSalg09.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a> (&#8220;Matriz&#8221;)<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"295\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3ZpUfOBU1tw&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3ZpUfOBU1tw&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"295\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>O concerto, integrado na programa\u00e7\u00e3o italiana do Festival Sete S\u00f3is Sete Luas, teve lugar na noite do passado s\u00e1bado, constituindo, sob todos os aspectos, um \u00eaxito. A experi\u00eancia n\u00e3o era nova. J\u00e1 antes a vocalista dos Madredeus cantara com o mestre da guitarra portuguesa, Ant\u00f3nio Chainho. Mas esta foi uma ocasi\u00e3o especial. Um encontro com a noite, de nostalgias e alegria partilhadas.<br \/>\nAnt\u00f3nio Chainho, acompanhado \u00e0 viola por Fernando Alvim, fez de anfitri\u00e3o. Teresa Salgueiro, enquanto voz convidada, fez figura de j\u00f3ia da coroa, jogando-se muito do sucesso e da viabilidade (em termos de aflu\u00eancia de p\u00fablico) desta colabora\u00e7\u00e3o no facto de Teresa pertencer aos Madredeus, grupo que, sobretudo a partir da aceita\u00e7\u00e3o internacional obtida com a banda sonora de \u201cLisbon Story\u201d, de Wim Wenders, no \u00e1lbum \u201cAinda\u201d tem neste momento um cartel bastante forte em It\u00e1lia, sendo este concerto, ali\u00e1s, precedido por uma minidigress\u00e3o de sies concertos do grupo, neste pa\u00eds.<br \/>\nA noite, enquadrada pelos ciprestes que acentuam a nobreza da paisagem toscana, convidava ao intimismo. O recinto, na ocasi\u00e3o o p\u00e1teo de uma daquelas \u201cvillas\u201d italianas que imaginamos dos filmes, transformado em audit\u00f3rio, encheu-se de italianos vindos n\u00e3o s\u00f3 das pricipais cidades mais pr\u00f3ximas, como Floren\u00e7a e Pisa, como tamb\u00e9m de outras mais distantes, como Mil\u00e3o. Todos atra\u00eddos pela combina\u00e7\u00e3o de uma voz onde o fado baila disfar\u00e7ado com a mestria das guitarras antigas, tangidas por quem sabe. A expectativa fora criada previamente, tendo o concerto sido anunciado com bastante anteced\u00eancia, em diversas publica\u00e7\u00f5es italianas.<br \/>\nChainho e Alvim jogaram declaradamente no virtuosismo, com a preocupa\u00e7\u00e3o de prender a assist\u00eancia desde o in\u00edcio. Sobretudo o primeiro, solou em constantes acelera\u00e7\u00f5es, descendo no bra\u00e7o da guitarra \u00e0s tonalidades mais latas, passe o paradoxo, em exerc\u00edcios de estilo que deixaram o p\u00fablico italiano boquiaberto. Com um disco gravado recentemente com a Orquestra Sinf\u00f3nica de Londres, Ant\u00f3nio Chainho tem, neste momento, \u201cuma aposta\u201d, como ele pr\u00f3prio nos confidenciou, durante a ceia oferecida pelospropriet\u00e1rios da Villa Malaspina a todos os convidados, ap\u00f3s o concerto: \u201cFazer com que a guitarra portuguesa seja mais conhecida.\u201d A publicidade, pelo que se viu, foi boa.<br \/>\nO primeiro encontro entre ele Chainho e Teresa Salgueiro tivera lugar na celebra\u00e7\u00e3o dos 30 anos de carreira do guitarrista, com a presen\u00e7a dos Madredeus. Nessa ocasi\u00e3o, Chainho, Jos\u00e9 Peixoto, Pedro Ayrtes de Magalh\u00e3es e Teresa Salgueiro improvisaram juntos. Em It\u00e1lia, ficou assinalado o sexto encontro entre o guitarrista e a cantora.S\u00f3 que a responsabilidade desta era maior.<br \/>\nConsumada a afirma\u00e7\u00e3o orgulhosa &#8211; e portentosa &#8211; da guitarra, aumentava a excita\u00e7\u00e3o entre os italianos, ansiosos por ouvirem a voz dos Madredeus neste seu novo contexto. teresa surgiu, como habitualmente, de negro, pose recolhida, a voz aquecida entrando numa nota de lirismo, com \u201cCantiga de Amigo\u201d, de Oulman e Meninho. Estavam previstos cinco temas. Teresa Salgueiro cantou o dobro, incluindo dois \u201cencores\u201d. Ao todo, ouviram-se, al\u00e9m daquele, ainda os seguintes fados: \u201cNome de Rua\u201d, \u201cFado Malhoa\u201d, \u201cRua do Capel\u00e3o\u201d, \u201cD\u00e1-me o bra\u00e7o anda da\u00ed\u201d, uma s\u00e9rie, cantada pela primeira vez por Teresa, constitu\u00edda por \u201cSolid\u00e3o\u201d, \u201cHavemos de ir a Viana\u201d e \u201cFadinho da Tia Maria Benta\u201d, masi \u201cMaria Lisboa\u201d e \u201cEspelho Quebrado\u201d.<br \/>\nNesta progress\u00e3o, a voz foi ganhando for\u00e7a e conquistando o p\u00fablico. O fado, que Teresa Salgueiro aprendeu a amar e a cantar desde muito nova, ganhou nela uma luz menos velada, transformando-se o luto em claridade. Teresa n\u00e3o \u00e9 fadista. Ou, pelo menos, n\u00e3o o \u00e9 da mesma maneira a que estamos habituados. Chainho reconhece isso. \u201c\u00c9 como transportarmos uma can\u00e7\u00e3o e dar-lhe um cunho de fado\u201d, disse, referindo-se a experi\u00eancias semelhantes de outros cantores na \u00e1rea do fado. Ou ser\u00e1 melhor chamar-lhe \u201cneofado\u201d? A pr\u00f3pria Teresa Salgueiro admite que os Madredeus \u201cpodem ter uma influ\u00eancia do fado\u201d. Ainda que, para ela, o mais importante, para l\u00e1 de todas as formas e estilos, seja a \u201cviv\u00eancia\u201d. O modo como se entrega. A alma com que se afirma.<br \/>\nO p\u00fablico adorou, n\u00e3o regateando aplausos ao trio. Ant\u00f3nio Chainho conseguiu o pretendido, chamar a aten\u00e7\u00e3o para  a sua m\u00fasica e para a m\u00fasica e musicalidade da guitarra portuguesa. Teresa Slagueiro, por seu lado, p\u00f4s em pr\u00e1tica, uma vez mais, o que considera ser a sua \u201cpaix\u00e3o\u201d, s\u00f3 poss\u00edvel nos intervalos das digress\u00f5es e do trabalho dos Madredeus, um grupo em plena fase de transi\u00e7\u00e3o, cujo pr\u00f3ximo \u00e1lbum &#8211; \u201ch\u00e9las\u201d &#8211; ser\u00e1 gravado em solo italiano, mais concretamente em Veneza, havendo a possibilidade de, pela primeira vez, ter lan\u00e7amento mundial. As grava\u00e7\u00f5es estar\u00e3o, em princ\u00edpio, conclu\u00eddas em 17 de Agosto. Depois, os Madredeus partir\u00e3o para nova digress\u00e3o, no M\u00e9xico, onde nunca actuaram antes, nos Estados Unidos e Canad\u00e1.<br \/>\nNo dia seguinte, na Villa Comunale de Pontedera, foi a vez de o cineasta Manoel de Oliveira, apresentar e comentar a sua \u00faltima longa-metragem \u201cViagem ao Princ\u00edpio do Mundo\u201d. No debate realizado no final, entre interroga\u00e7\u00f5es do porqu\u00ea de alguns fundos parecerem desfocados (\u201cN\u00e3o \u00e9 uma defici\u00eancia t\u00e9cnica mas uma op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica\u201d, teve de explicar o realizador portugu\u00eas&#8230;) e uma verdadeira sess\u00e3o de hermen\u00eautica, disparada por uma entusiasmada italiana, aluna de uma escola de cinema, houve o genu\u00edno interesse do p\u00fablico e um Manoel de Oliveira em noite de interessant\u00edssimas divaga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas em torno do seu cinema.<br \/>\nRiccardo Tesi, toscano de geam, e a sua Banditaliana actauram na segunda-feira numa min\u00fascula aldeia das redondezas. Concerto inesquec\u00edvel. No meio dos anci\u00e3os da aldeia, de crian\u00e7as barulhentas e at\u00e9 da intrus\u00e3o do ru\u00eddo de alarme de autom\u00f3vel de Ettore Bonaf\u00e9 (extraordin\u00e1rio vibrafonista!), estacionado mesmo lai, Riccardo Tesi e a sua banda deram uma li\u00e7\u00e3o de profissonalismo, mostrando que a arte de viver n\u00e3o est\u00e1 desligada da arte de tocar.<\/p>\n<p>Quadros De Uma Disposi\u00e7\u00e3o<br \/>\nO ambiente n\u00e3o podia ser mais po\u00e9tico. Sob o c\u00e9u estrelado da Tosc\u00e2nia, em frente aos muros de uma t\u00edpica \u201cvilla\u201d italiana, o cen\u00e1rio parecia tirado de um filme dos irm\u00e3os Taviani. Moldura, humana e paisag\u00edstica, a condizer. Uma aura de mist\u00e9rio no ar. Ciprestes acentuanod as sombras. Pquenas velas dispostas em volta, iluminando os fantasmas que a m\u00fasica convocava. A Villa Malaspina, onde se realizou o concerto de Ant\u00f3nio Chainho com Fernando Alvim e Teresa Salgueiro, \u00e9 propriedade de um casal de nobres italianos. Soava mais fundo, a m\u00fasica, como que inebriada nos corredores do tempo.<br \/>\nAp\u00f3s o concerto, foi servida uma ceia no interior da velha habita\u00e7\u00e3o. Mudan\u00e7a de cen\u00e1rio. A maqrquesa, envergando uma \u201cT-shirt\u201d com marca de estilista c\u00e9lebre, com o nome de Placido Domingo nas costas, quis falar pessoalmente com os m\u00fasicos. Instalou-se a comitiva. Palavras de ocasi\u00e3o. O cerimonial, de in\u00edcio, de quem quer atravessar a ponte, mantendo-se as dist\u00e2ncias. Perguntas da praxe. Qual o pr\u00f3ximo disco, o fado, sempre o fado. De Fernando Alvim, a discri\u00e7\u00e3o em pessoa, nem uma palavra. Depois, o gelo a quebrar-se com um copo de tinto. Teresa Salgueiro e a marquesa \u00e0 conversa. Mais animada. Os sal\u00f5es, amplos e quase sem mob\u00edlia, a colorirem-se de quadros inexistentes. A Tosc\u00e2nia lan\u00e7a um feiti\u00e7o. Tr\u00eas m\u00fasicos portugueses, a m\u00fasica portuguesa, trespassaram com a sua tradi\u00e7\u00e3o uma outra tradi\u00e7\u00e3o. Ficaram os quadros. De um estado de esp\u00edrito. Em verde e vermelho. Cores de duas bandeiras com as mesma cores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>18.07.1997 Cantora dos Madredeus e mestre da guitarra, lado a lado Salgueiro Entre Ciprestes Uma pequena vila da Tosc\u00e2nia, na It\u00e1lia, rendeu-se ao fado, \u00e0 guitarra portuguesa e \u00e0 voz de Teresa Salgueiro. 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