{"id":1740,"date":"2010-03-12T04:11:17","date_gmt":"2010-03-12T11:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1740"},"modified":"2010-03-12T04:11:17","modified_gmt":"2010-03-12T11:11:17","slug":"balada-de-john-e-yoko","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/12\/balada-de-john-e-yoko\/","title":{"rendered":"Balada de John e Yoko"},"content":{"rendered":"<p>11.07.1997<br \/>\nReedi\u00e7\u00e3o dos primeiros \u00e1lbuns a dois<br \/>\nBalada de John e Yoko<br \/>\nYoko Ono destruiu os Beatles. Esta \u00e9, pelo menos, a opini\u00e3o de Paul McCartney. Seja quel for, por\u00e9m, o papel desempenhado pela japonesa na dissolu\u00e7\u00e3o dos fabulosos quatro, Ono considerava-se uma artista. A quest\u00e3o que se colocava, ent\u00e3o, para ela era como dar a conhece risso, sendo casada com um deles. A reedi\u00e7\u00e3o em CD dos quatro \u00e1lbuns gravados por Ono com John Lennon explica, entre outras coisas, o efeito devastador provocado pela uni\u00e3o musical deste casal \u201ckamikaze\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/johnLennonYokoOno_UnfinishedMusic2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/johnLennonYokoOno_UnfinishedMusic2.jpg\" alt=\"\" title=\"johnLennonYokoOno_UnfinishedMusic2\" width=\"200\" height=\"200\" class=\"alignnone size-full wp-image-1741\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/johnLennonYokoOno_UnfinishedMusic2.jpg 200w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/johnLennonYokoOno_UnfinishedMusic2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/43328533\/LWTL.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a> (&#8220;Unfinished Music No.2: Life with the Lions&#8221;)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aApEj7pAj_I&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aApEj7pAj_I&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u201cUnfinished Music No. 1 Teo Virgins\u201d (1968), \u201cUnfinished Music No. 2 Life With The Lions\u201d (1968), \u201cWedding Album\u201d (1969) e \u201cPlastic Ono Band\u201d (1970) constituem o primeiro pacote de remasteriza\u00e7\u00f5es, reeditadas pela MVM, aumentadas com temas extra e fotos in\u00e9ditas, da obra gravada do casal Lennon &#038; Yoko.<br \/>\nNa \u00e9poca em que surgiram, no final dos anos 60, ou seja, imediatamente antes da dissolu\u00e7\u00e3o dos Beatles, estes trabalhos surgiram \u00e0 revelia da est\u00e9tica geral que caracterizava o final da d\u00e9cada, na transi\u00e7\u00e3o do psicadelismo para o progressivo. Experimentais, herm\u00e9ticos, nalguns casos no limite do rid\u00edculo, os quatro \u00e1lbuns agora reeditados representam, em simult\u00e2neo, a afirma\u00e7\u00e3o de Yoko Ono, enquanto \u201cperformer\u201d, em transi\u00e7\u00e3o do gueto das vanguardas para o expositor privilegiado da m\u00fasica pop, ao mesmo tempo que a subjuga\u00e7\u00e3o de John Lennon \u00e0 voracidade art\u00edstica da sua mulher.<br \/>\nYoko Ono, antes de se tornar a senhora Lennon, tinha j\u00e1 um passado de artista radical, feito de sucessivas \u201cperfomances\u201d em \u00e1reas diversificadas, como a m\u00fasica, mas, sobretudo, no dom\u00ednio da pura conceptualiza\u00e7\u00e3o. Em 1960, a sua linguagem, recuperada quase tr\u00eas d\u00e9cadas mais tarde, pelos niilistas \u201cpunk\u201d, tomava como base o grito e o gesto e, principalmente, a organiza\u00e7\u00e3o e montagem de eventos \u201cmultimedia\u201d que partiam de instru\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para a cria\u00e7\u00e3o de modelos interactivos. Tome-se como exemplo um destes trabalhos, colectados no seu livro, publicado em 1964, com o t\u00edtulo \u201cGrapefruit\u201d: \u201cBata com a cabe\u00e7a numa parede\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSim!\u201d<br \/>\nEra \u00f3bvio que obras de arte deste tipo n\u00e3o agradavam a Paul McCartney, desde sempre adepto da can\u00e7\u00e3o pop limpinha, da qual, ali\u00e1s, era um genial inventor. Seja como for, a japonesa intrometeu-se, quebrando um equil\u00edbrio que, a partir de \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d, era j\u00e1 inst\u00e1vel. O \u00e1lbum seguinte do grupo, o c\u00e9lebre duplo branco, por alguns considerado superior ao seu universalmente aclamado antecessor, teve em Ono um fantasma ominipresente nas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, sendo a sua inspira\u00e7\u00e3o determinante na composi\u00e7\u00e3o do tema mais experimental do siscos, composto por Lennon, \u201cRevolution no. 9\u201d, na linha das suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es musicais.<br \/>\nRecuemos de novo ao per\u00edodo anterior ao casamento. Ono convivia ent\u00e3o com gente como o guru da est\u00e9tica minimalista, LaMonte Young, organizando em conjunto com ele exposi\u00e7\u00f5es e \u201cperfomances\u201d v\u00e1rias, ou um dos cultores originais do \u201cfree jazz\u201d, o saxofonista Ornette Coleman. Fez ainda parte do movimento Fluxus, forma\u00e7\u00e3o m\u00edtica que se manteve at\u00e9 aos nossos dias, com as suas concep\u00e7\u00f5es de uma arte total e actuante, em constante muta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nYono [sic] investiu igualmente na cena pop, infiltrando-se no meio e travando conhecimento, entre outros, com Eric Clapton e Mick Jagger. Mas foi John Lennon quem mordeu o isco. Aconteceu por acaso, atrav\u00e9s de uma pe\u00e7a criada pela japonesa em 1966, integrada num \u201cshow\u201d inteiramente idealizado e protagonizado por si. A \u201cpe\u00e7a\u201d em quest\u00e3o era constitu\u00edda por uma escada pela qual o visitante era convidado a usbir. Chegado ao cimo, este deveria espreitar por um pequeno orif\u00edcio, onde deparava com uma simples palavra escrita do outro lado: \u201cSim.\u201d Foi suficiente para Lennon pensar que tinha encontrado a alma g\u00e9mea. A liga\u00e7\u00e3o efectiva entre ambos deu-se dois anos mais tarde, mais ou menos na mesma altura em que Paul encontrou Linda Eastman, vindo os quatro a casar no mesmo m\u00eas, em Mar\u00e7o de 1969.<\/p>\n<p>Paz na Cama<br \/>\n\u201cTwo Virgins\u201d, primeiro \u00e1lbum gravado pela dupla, \u00e9 o mais interessante. \u00c9 o disco em que os dois aparecem na capa como vieram ao mundo, de frente e de costas, numa exposi\u00e7\u00e3o literal do conceito de inoc\u00eancia. Este e o \u00e1lbum seguinte, \u201cLife with the Lions\u201d, surgiram na sequ\u00eancia dos diversos \u201cbed in\u201d que Lennon e Yoko empreenderam na Primavera e no Ver\u00e3o de 1968, em hot\u00e9is como o Hilton, de Amsterd\u00e3o, ou em Montreal. Um \u201cbed in\u201d era a abertura total da intimidade conjugal \u00e0 imprensa, com os dois expostos aos fot\u00f3grafos e jornalistas, numa cruzada a favor da paz no mundo. \u201cTwo Virgins\u201d foi gravado em est\u00fadio mas o tema extra \u201cRemember Love\u201d foi captado no quarto 1742 do hotel La Reine. Os dosi temas principais, partes 1 &#038; 2 de \u201cTwo Virgins\u201d, s\u00e3o uma colagem de vozes, ru\u00eddo ambiente e sintetizadores agressivos que prenunciam o surrealismo m\u00e1gico dos Nurse With Wound. Na segunda, Ono usa pela primeira vez a sua voz de sirene (antecipando em muitos anos as impreca\u00e7\u00f5es de Diamanda Galas), que um cr\u00edtico da \u00e9poca considerou o som mais original depois do sintetizador \u201cMoog\u201d&#8230;<br \/>\n\u201cLife With The Lions\u201d, do mesmo ano, cap\u00edtulo segundo da \u201cUnfinished Music\u201d, tem in\u00edcio com os 26 minutos de \u201cCambridge 1969\u201d, nova sess\u00e3o de gritaria, ainda mais alucinada, de Ono, na personifica\u00e7\u00e3o de bruxa. Estranhamente, este tema foi gravado em 1969, quando a indica\u00e7\u00e3o da data de grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum se refere a Novembro de 1968. Dois expoentes da \u201cfree music\u201d, John Tchicai e John Stevens, colaboram na parte final. H\u00e1 ainda \u201cTwo Minute Silence\u201d, que \u00e9 isso mesmo, com menos dois minutos e 33 segundos que a pe\u00e7a de Cage, \u201cBaby\u00b4s Heartbeat\u201d, uma pulsa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel de ru\u00eddo que pretende ser o batimento card\u00edaco de um beb\u00e9, \u201cRadio Play\u201d, 12 minutos intoler\u00e1veis de \u201ccut-ups\u201d de emiss\u00f5es de r\u00e1dio, e \u201cNo bed for Beatle John\u201d, no qual Ono usa o lado infantil ??? vocal. Sobre esta obra, o coment\u00e1rio mais acurado pertence ao produtor dos Beatles, George Martin: \u201cSem coment\u00e1rios!\u201d<br \/>\nA loucura prossegue no \u00e1lbum seguinte, \u201cWedding Album\u201d, gravado integralmente num quarto de hotel do Hilton, em Amsterd\u00e3o, em mais um \u201cbed in\u201d causador de esc\u00e2ndalo. O tema inicial, \u201cJohn &#038; Yono\u201d, dura 22 minutos, ao longo dos quais John grita \u201cOno!\u201d e Ono grita \u201cJohn!\u201d, sobre uma textura electr\u00f3nica rude e repetitiva, numa multiplicidade de registos vocais e emocionais. Um caso n\u00edtido do foro psiqui\u00e1trico. \u201cAmsterdam\u201d (24m54s) \u00e9 uma longa melopeia em que os dois amantes gritam \u201cpeace!\u201d, em busca de uma qualquer harmonia oculta debaixo dos len\u00e7\u00f3is. Inclui explica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, pelos pr\u00f3prios protagonistas, na cama. Nos trmas extra, h\u00e1 a destacar a beleza invernal da balada \u201cListen, the snow is falling\u201d (com uma forma\u00e7\u00e3o rock convencional que incu\u00eda Ringo Starr, Nicky Hopkins e Klaus Voorman, e a produ\u00e7\u00e3o de Phil Spector) e a verifica\u00e7\u00e3o dolorosa de como Lennon era um executante limitado com uma guitarra ac\u00fastica nas m\u00e3os.<br \/>\nPor fim, \u201cPlastic Ono Band\u201d, intitulado a partir da banda entretanto formada em homenagem a Yoko, tem a particularidade de incluir a participa\u00e7\u00e3o de Ornette Coleman, recolhida durante um ensaio do tema \u201cAOS\u201d. \u00c9 o \u00e1lbum mais convencinal do lote, apenas perturbado pela inclus\u00e3o do tema extra \u201cThe South Wind\u201d, nova oportunidade concedida \u00e0 japonesa de poder libertar a sua l\u00edbido selvagem, com a coniv\u00eancia t\u00edmida de John, o Beatle.<br \/>\nTudo junto era demais. Os Beatles n\u00e3o aguentara. Trinta anos depois, continua a ser dif\u00edcil de aguentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11.07.1997 Reedi\u00e7\u00e3o dos primeiros \u00e1lbuns a dois Balada de John e Yoko Yoko Ono destruiu os Beatles. Esta \u00e9, pelo menos, a opini\u00e3o de Paul McCartney. Seja quel for, por\u00e9m, o papel desempenhado pela japonesa na dissolu\u00e7\u00e3o dos fabulosos quatro, Ono considerava-se uma artista. 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