{"id":1702,"date":"2010-03-06T10:16:29","date_gmt":"2010-03-06T17:16:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1702"},"modified":"2010-03-06T10:16:29","modified_gmt":"2010-03-06T17:16:29","slug":"um-hino-que-e-uma-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/06\/um-hino-que-e-uma-vergonha\/","title":{"rendered":"Um Hino Que \u00c9 Uma Vergonha"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>27.06.1997<br \/>\nUm Hino Que \u00c9 Uma Vergonha<br \/>\nNo passado dia 10, Dia de Portugal, no discursos que proferiu em Chaves, o escritor Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Baptista (A.A.B.) insurgiu-se contra a letra do nosso hino nacional, que em 1890 Henrique Lopes de Mendon\u00e7a escreveu para a m\u00fasica de Alfredo Keil. \u201cA letra do hino nacional n\u00e3o me parece adequada \u00e0 nova civiliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tem nenhum eco no cora\u00e7\u00e3o da juventude evocar a vitalidade da p\u00e1tria, gritando \u2018\u00e0s armas\u2019 e propondo-nos marchar contra os canh\u00f5es\u2019\u00b4, afirmou, na altura, o ilustre intelectual. Tem carradas de raz\u00e3o. A malta \u00e9 jovem mas est\u00e1 atenta aos ventos da \u201cnova civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, a qual, como se sabe, prenuncia um novo s\u00e9culo de paz e prosperidade planet\u00e1rias. H\u00e1 \u00e9 muita gente que n\u00e3o sabe.<br \/>\nN\u00f3s vamos mais longe e mais fundo do que A.A.B. Al\u00e9m de belicista e \u201cdesadequado\u201d, o nosso hino \u00e9 uma completa pouca-vergonha. Sem nos querermos substituir \u00e0 palavra s\u00e1bia do di\u00e1cono Rem\u00e9dios, at\u00e9 porque o hino \u00e9 um bom hino, valha-nos Deus, mas temos que reconhecer que \u00e9 preciso rever, cortar, adaptar, ajustar a velha e despudorada letra de Lopes de Mendon\u00e7a simultaneamente aos anseios da nossa juventude e aos imperativos da moral. At\u00e9 para evitar que recaia sobre ele a tesoura da censura.<br \/>\nPassemos, ent\u00e3o, cuidadosamente em revista a letra de \u201cA Portuguesa\u201d. \u201cHer\u00f3is do mar, nobre povo, na\u00e7\u00e3o valente, imortal\u201d. Her\u00f3is do mar s\u00e3o os presidentes, os comiss\u00e1rios e os secret\u00e1rios da Expo. Nobre povo? Ser\u00e1 melhor \u201cpobre povo\u201d. \u201cImortal\u201d, basta um descuido, cai o \u2018t\u2019, l\u00e1 fica \u201cimoral\u201d na boca do povo. Melhor prevenir e eliminar toda a frase, por incorrecta e desnecess\u00e1ria. \u201clevantai hoje de novo o esplendor de Portugal\u201d. \u00c9 de evitar o verbo \u201clevantar\u201d, verbo amb\u00edguo com \u00f3bvias conota\u00e7\u00f5es sexuais. Propomos a sua oblitera\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o por \u201cla la la\u201d: \u201cLa la la hoje de novo\u201d etc.<br \/>\n\u201cEntre as brumas da mem\u00f3ria\u201d. Aqui, o despudor atinge as raias do descaramento. Entre as brumas? Da mem\u00f3ria? Coramos s\u00f3 de imaginar as coisas inconfess\u00e1veis que se podem fazer entre as brumas. A mem\u00f3ria a levar entre as brumas, francamente&#8230; E, depois, n\u00e3o \u00e9 preciso ir mais longe, brumas-nevoeiro, nevoeiro-nuvem, nuvem-algod\u00e3o, algod\u00e3o-macio, macio-colch\u00e3o, colch\u00e3o-cama, cama-sexo. C\u00e1 est\u00e1! E mem\u00f3ria? Mem\u00f3ria-cabe\u00e7a, cabe\u00e7a-bacalhau, bacalhau quer alho. Sem coment\u00e1rios! Deve pura e simplesmente desaparecer!<br \/>\nA seguir vem aquela sequ\u00eancia jarreta da \u201cvoz\u201d dos \u201cegr\u00e9gios av\u00f3s\u201d \u2013 seus velhadas! \u2013 \u201cque h\u00e1-de guiar-te \u00e0 vit\u00f3ria\u201d. Tretas, meu. Quem guiava e podia levar \u00e0 vit\u00f3ria era o Lamy e foi o que se viu. E eis que chegamos \u00e0 tal parte que tanto irritou A.A.B., \u201c\u00c0s armas, \u00e0s armas! \/ Sobre a terra, sobre o mar \/ \u00c0s armas, \u00e0s armas! \/ Pela p\u00e1tria lutar \/ Contra os canh\u00f5es marchar, marchar!\u201d \u00c9, de facto, violento. A nossa sugest\u00e3o, tempor\u00e1ria, vai no sentido de ficar assim: \u201c\u00c0s flores, \u00e0s pombas \/ Sobre a terra, pelo ar \/ \u00c0s flores, \u00e0s pombas \/ Pela p\u00e1tria a beijocar \/ contra os canh\u00f5es, amar, amar!\u201d<br \/>\nSeria, repetimos, uma solu\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria. Porque \u00e9 preciso um hino inteiramente novo, alinhado, que v\u00e1 ao encontro da linguagem da gente nova e do povo, sem os corromper. A nossa proposta definitiva \u00e9 ent\u00e3o que a letra do hino nacional passe a ser: \u201cPortugal \u00e9 uma curte, pa\u00eds lindo, \u00e0 beira-mar plantado\u201d, entoado dez vezes seguidas (de p\u00e9). Viva Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>27.06.1997 Um Hino Que \u00c9 Uma Vergonha No passado dia 10, Dia de Portugal, no discursos que proferiu em Chaves, o escritor Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Baptista (A.A.B.) insurgiu-se contra a letra do nosso hino nacional, que em 1890 Henrique Lopes de Mendon\u00e7a escreveu para a m\u00fasica de Alfredo Keil. \u201cA letra do hino nacional n\u00e3o me [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[542,24],"tags":[543,544],"class_list":["post-1702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1997","category-portugueses","tag-a-portuguesa","tag-hino-nacional"],"views":3592,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1702"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1703,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1702\/revisions\/1703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}