{"id":169,"date":"2009-03-31T03:41:31","date_gmt":"2009-03-31T10:41:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=169"},"modified":"2009-03-31T03:41:31","modified_gmt":"2009-03-31T10:41:31","slug":"entrevista-com-amon-tobin-a-proposito-de-%e2%80%9csupermodified%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/03\/31\/entrevista-com-amon-tobin-a-proposito-de-%e2%80%9csupermodified%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Entrevista com Amon Tobin, a prop\u00f3sito de \u201cSupermodified\u201d"},"content":{"rendered":"<p>09.06.2000<br \/>\nEntrevista com Amon Tobin, a prop\u00f3sito de \u201cSupermodified\u201d<br \/>\nComo um P\u00e1ssaro Mec\u00e2nico<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin_supermodified.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin_supermodified.jpg\" alt=\"amontobin_supermodified\" title=\"amontobin_supermodified\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-170\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin_supermodified.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin_supermodified-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin_supermodified-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=JR7YQRKI\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p>Um t\u00edtulo como \u201cSupermodified\u201d \u00e9 todo um manifesto de m\u00e9todos e inten\u00e7\u00f5es, protagonizados neste novo \u00e1lbum por Amon Tobin, um dos m\u00fasicos mais originais e criativos da electr\u00f3nica actual. Caleidosc\u00f3pio de metamorfoses, por vezes violentas, em que natureza dos sons n\u00e3o \u00e9 nunca aquela que parece. Como o p\u00e1ssaro mec\u00e2nico de um dos filmes de David Lynch.<\/p>\n<p>Escolher, cortar, alargar, comprimir, acelerar cada som at\u00e9 nada restar dele sen\u00e3o o estrato indefin\u00edvel que d\u00e1 forma a uma vis\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo seguido por Amon Tobin, m\u00fasico brasileiro h\u00e1 anos residente em Inglaterra, que ao longo da sua discografia tem vindo a operar uma revolu\u00e7\u00e3o no seio do \u201cdrum \u2018n\u2019 bass\u201d. \u201cSupermodified\u201d \u00e9 j\u00e1 outra coisa. Um mutante de electr\u00f3nica e metal cujo corpo foi desvendado ao P\u00daBLICO pelo seu criador.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin2-247x300.jpg\" alt=\"amontobin2\" title=\"amontobin2\" width=\"247\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-171\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin2-247x300.jpg 247w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin2-844x1024.jpg 844w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/amontobin2.jpg 1696w\" sizes=\"auto, (max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/><\/a><\/p>\n<p>FM \u2013 A prop\u00f3sito do \u00e1lbum anterior, \u201cPermutations\u201d, afirmou que a m\u00fasica foi criada, em primeiro lugar, a partir de uma espec\u00edfica rela\u00e7\u00e3o com os meios tecnol\u00f3gicos que tinha dispon\u00edveis. O que \u00e9 que foi \u201csupermodificado\u201d neste seu novo trabalho?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 \u201cSupermodified\u201d foi feito, na \u00edntegra, a partir de v\u00e1rias coisas diferentes. Cada som \u00e9 proveniente de um lugar espec\u00edfico. Tudo o que fiz foi arrancar cada elemento para fora do seu contexto, torc\u00ea-lo e reinseri-lo dentro daquilo que pretendia fazer.<br \/>\nFM \u2013 Foi uma \u201csupermodifica\u00e7\u00e3o\u201d?&#8230;<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Super, ultra! Foi tudo esmagado, comprimido ao m\u00e1ximo! Atrav\u00e9s de \u201cPlug-ins\u201d como o programa Cubase que acabei, no fim, por n\u00e3o utilizar muito, devido a n\u00e3o sair muito do compasso de 4\/4. Mas o aparecimento de novas tecnologias vai tornando o processo de cria\u00e7\u00e3o musical cada vez mais interessante.<br \/>\nFM \u2013 At\u00e9 que ponto o seu trabalho se baseia na intui\u00e7\u00e3o?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 N\u00e3o tenho outro rem\u00e9dio, sen\u00e3o us\u00e1-la! O meu conhecimento acad\u00e9mico sobre m\u00fasica est\u00e1 longe de ser impressionante\u2026<br \/>\nFM \u2013 Uma vez, afirmou que se via a si pr\u00f3prio apenas como DJ. Mant\u00e9m essa afirma\u00e7\u00e3o?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 N\u00e3o\u2026 Apenas disse isso porque o sampler n\u00e3o \u00e9 propriamente um instrumento convencional, mas a forma como o ouso \u00e9 certamente a de um m\u00fasico. N\u00e3o tenho qualquer interesse em usar instrumentos \u201creais\u201d, embora toque alguns deles, mas s\u00f3 em casa, para mim pr\u00f3prio. N\u00e3o se trata de chamar o melhor saxofonista, pianista ou clarinetista do mundo, o meu \u201cinput\u201d parte dos arranjos, da escolha e arranjo dos sons. N\u00e3o preciso de me tornar um saxofonista tecnicista para conseguir isso. Trata-se de \u201carranjar\u201d os sons, n\u00e3o de os tocar (\u201cperform\u201d), como faz um m\u00fasico tradicional. Em geral, quando se fala em \u201cmusicianship\u201d, associa-se o termo a esse acto de interpretar e eu, em definitivo, n\u00e3o sou um int\u00e9rprete, um executante\u2026<br \/>\nFM \u2013 Mas esse termo, associado ao executante, n\u00e3o se poderia transferir para o sampler, ou para um computador?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 \u00c9 verdade. Mas ainda neste caso n\u00e3o se trata de uma execu\u00e7\u00e3o ao vivo, como faz um performer tradicional. Uma das virtudes de tocar ao vivo um instrumento \u00e9 a possibilidade de se ser espont\u00e2neo. A minha m\u00fasica n\u00e3o tem nada de disso, n\u00e3o pretende ser espont\u00e2nea. Talvez na fase de produ\u00e7\u00e3o haja lugar para ela, mas o produto final \u00e9 absolutamente controlado.<\/p>\n<p>\u201cFala-me da tua cabe\u00e7a\u201d<br \/>\nFM \u2013 Encontrei na Net um \u201csite\u201d, mais ou menos oficial, sobre si, bastante bem constru\u00eddo, \u00c0 semelhan\u00e7a da sua m\u00fasica, em constante muta\u00e7\u00e3o. Estabelece uma rela\u00e7\u00e3o curiosa entre alguns conceitos musicais presentes em \u201cSupermodified\u201d e partes do corpo. Conhece-o? Teve alguma interfer\u00eancia ou interven\u00e7\u00e3o da sua parte?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Sei qual \u00e9! Foi criado por Clifford Gilberto, da editora para onde gravo, a Ninja Tune. Ele entrevistou-me por telefone e fez-me algumas perguntas bastante loucas (risos), do estilo: \u201cFala-me da tua cabe\u00e7a, fala-me dos teus dedos, fala-me do teu est\u00f4mago.\u201d O \u201csite\u201d acabou por ficar muito bom, muito \u201csci-fi\u201d.<br \/>\nFM \u2013 \u201cSupermodified\u201d dirige-se mais \u00c0 cabe\u00e7a, ao c\u00e9rebro, do que \u00e0s outras partes do corpo, n\u00e3o acha?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre a cabe\u00e7a e o resto do corpo. N\u00e3o sei fazer m\u00fasica para as pessoas analisarem. O que eu pretendo \u00e9 estabelecer um elo com o \u201cGroove\u201d natural das pessoas.<br \/>\nFM \u2013 O sample de guitarra ac\u00fastica, em \u201cDeo\u201d, lembrou-me a m\u00fasica dos Faust. Ouve muita m\u00fasica das d\u00e9cadas passadas?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Com certeza! Uma das particularidades da minha m\u00fasica \u00e9 a inclus\u00e3o de elementos dos anos 70, mas tamb\u00e9m dos 60 e 50, de velhas bandas sonoras, por exemplo. N\u00e3o conhe\u00e7o os Faust, vou ter de investigar. Aos 17, 18 anos, ouvia sobretudo blues ac\u00fasticos, Sonny Terry, Brownie McGhee, Lightin\u2019 Hopkins. E m\u00fasica brasileira, claro, Jobim, Astrud Gilberto, Baden-Powell\u2026 Tamb\u00e9m muito hip-hop.<br \/>\nFM \u2013 Que discos costuma passar nas sess\u00f5es de djing?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Bastante drum \u2018n\u2019 bass do antigo, misturado com material novo, de prefer\u00eancia o mais exc\u00eantrico poss\u00edvel, coisas inapropriadas (risos)\u2026<br \/>\nFM \u2013 Tem alguma coisa a responder \u00e0queles que assistiram \u00e0 sua actua\u00e7\u00e3o no ciclo \u201cBlue spot\u201d, em Matosinhos, e se lamentaram dos escassos 40 minutos que durou o seu \u201cset\u201d?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Sim, eu sei\u2026 Penso que os promotores se depararam nessa ocasi\u00e3o com alguns problemas. A sala era enorme e a assist\u00eancia bastante reduzida\u2026 N\u00e3o me lembro exactamente das raz\u00f5es que me levaram a actuar durante t\u00e3o pouco tempo, mas recordo-me de ter sido uma noite um bocado ca\u00f3tica\u2026<\/p>\n<p>Tangentes<br \/>\nFM \u2013 Voltemos a \u201cSupermodified\u201d. Numa das can\u00e7\u00f5es, \u201cPercursor\u201d, o ritmo \u00e9 feito com bocados de vozes\u2026<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Usei uma \u201cbeat box\u201d, a Quadraceptor, que me chegou de Montreux. J\u00e1 tinha na cabe\u00e7a uma s\u00e9rie de breakbeats acelerados, de 170 bpm. Gravei a sequ\u00eancia inteira no est\u00fadio e, mais tarde, em casa, reestruturei-os de maneira diferente.<br \/>\nFM \u2013 Em \u201cSaboteur\u201d, criou uma atmosfera de \u201cfilme negro2. Existe uma apropria\u00e7\u00e3o consciente da linguagem cinematogr\u00e1fica na m\u00fasica que faz?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Sem d\u00favida. Existe um paralelo entre o cinema e a m\u00fasica, por exemplo, no modo como uma cena dram\u00e1tica quando aparece a seguir a uma cena clama. Um estratagema que consiste em criar primeiro uma sensa\u00e7\u00e3o de aparente seguran\u00e7a para depois introduzir um elemento violento. O mesmo se aplica \u00e0 m\u00fasica. Cria-se um som leve e delicado e de repente, colado a ele, um som de extrema viol\u00eancia.<br \/>\nFM \u2013 Esse contraste entre suavidade e viol\u00eancia \u00e9 percept\u00edvel na estrutura de cada tema de \u201cSupermodified\u201d, algo que n\u00e3o acontecia em \u201cPermutations\u201d, onde os temas eram mais lineares\u2026<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Se reparar bem, em \u201cPermutations\u201dtamb\u00e9m acontece isso. Os temas come\u00e7am por ser uma coisa e acabam noutra totalmente diferente. Mas percebo o que quer dizer, talvez o novo \u00e1lbum tenha sido arranjado de uma forma mais din\u00e2mica. N\u00e3o se trata de usar a f\u00f3rmula coro-verso-cor, \u00e9 muito mais interessante desenvolver uma estrutura em tangente, algo que pode evoluir at\u00e9 regressar ao ponto de origem mas que tamb\u00e9m pode n\u00e3o regressar\u2026 Algo imprevis\u00edvel.<br \/>\nFM \u2013 Quando come\u00e7a a grava\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum, tem alguma ideia sobre a sua forma definitiva?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Quem me dera ter!&#8230; Mas a grava\u00e7\u00e3o demora tanto tempo que, a meio do processo, as ideias j\u00e1 se alteraram por completo. \u201cSupermodified\u201d levou quase dois anos a fazer, entre digress\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o a \u201cPermutations\u201d. Mesmo assim, a fase mais intensiva coincidiu com os \u00faltimos 12 meses. Cada tema foi-se desenvolvendo por si pr\u00f3prio, ao longo de sucessivas metamorfoses.<br \/>\nFM \u2013 Quando \u00e9 que decide que essa metamorfose tem de parar para o tema assumir uma forma definitiva?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Quando j\u00e1 tem sobre o corpo mais roupas do que aquelas que pode vestir. Acontece o mesmo com a pintura, pode continuar-se a pintar indefinidamente mas no final tem de corresponder minimamente a um modelo original.<br \/>\nFM \u2013 \u201cRhino jockey\u201d soa muito industrial\u2026<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Esse tema foi feito a partir de breaks de samba, tirados de diferentes instrumentos de percuss\u00e3o brasileiros. Alterei-os de maneira a soarem industriais, o resultado acabou por n\u00e3o ter nada a ver com ritmos brasileiros.<br \/>\nFM \u2013 O tema de abertura, \u201cGet your snack on\u201d, \u00e9 um dos meus favoritos. Como \u00e9 que faz para arrancar o \u201cswing\u201d das m\u00e1quinas?<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 Tomara ter um sistema em que pudesse confiar para obter sempre esse resultado. N\u00e3o sei\u2026 \u00c9 apenas mais uma faixa em que dispus de sons interessantes, neste caso um break fant\u00e1stico tirado de um disco trazido de uma loja por um m\u00fasico meu amigo. Todos os breaks foram constru\u00eddos a partir deste break inicial.<br \/>\nFM \u2013 O \u00e1lbum termina com \u201cNatureland\u201d, paradigma de uma Natureza inteiramente virtual.<br \/>\nAMON TOBIN \u2013 \u00c9 tudo mec\u00e2nico e virtual. Como o p\u00e1ssaro mec\u00e2nico que aparece em \u201cBlue Velvet\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>09.06.2000 Entrevista com Amon Tobin, a prop\u00f3sito de \u201cSupermodified\u201d Como um P\u00e1ssaro Mec\u00e2nico LINK Um t\u00edtulo como \u201cSupermodified\u201d \u00e9 todo um manifesto de m\u00e9todos e inten\u00e7\u00f5es, protagonizados neste novo \u00e1lbum por Amon Tobin, um dos m\u00fasicos mais originais e criativos da electr\u00f3nica actual. 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