{"id":1688,"date":"2010-03-05T04:37:12","date_gmt":"2010-03-05T11:37:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1688"},"modified":"2010-03-05T04:37:12","modified_gmt":"2010-03-05T11:37:12","slug":"steve-fisk-desfeita-ao-drum-%e2%80%98n%e2%80%99-bass","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/05\/steve-fisk-desfeita-ao-drum-%e2%80%98n%e2%80%99-bass\/","title":{"rendered":"Steve Fisk &#8211; Desfeita Ao Drum \u2018N\u2019 Bass"},"content":{"rendered":"<p>11.05.2001<br \/>\nSteve Fisk<br \/>\nDesfeita Ao Drum \u2018N\u2019 Bass<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk1.jpg\" alt=\"\" title=\"steveFisk\" width=\"399\" height=\"552\" class=\"alignnone size-full wp-image-1690\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk1.jpg 399w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk1-216x300.jpg 216w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quantos n\u00edveis existem de desfazer? Exactamente novecentos e noventa e nove para Steve Fisk. Colagens e del\u00edrios t\u00e3o estranhos como a criatura informe a descansar sobre um cr\u00e2nio como o da capa de 999 Levels of Undo. Um pontap\u00e9 no rabo do drum \u2018n\u2019 bass.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk_999LevelsofUndo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk_999LevelsofUndo.jpg\" alt=\"\" title=\"steveFisk_999LevelsofUndo\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-1691\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk_999LevelsofUndo.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/steveFisk_999LevelsofUndo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=0XJU3HGK\" target=\"_blank\">LINK<\/a><br \/>\npwd: p-l-m.blogspot.com<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OQjD7dwrU3o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OQjD7dwrU3o&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Steve Fisk \u00b4um g\u00e9nio do sampling que nos anos 80 gravou o m\u00edtico \u201c448 Deathless Days\u201d, do qual o novo \u00e1lbum, \u201c999 levels of undo\u201d, \u00e9 digno sucessor. Colaborador ass\u00edduo dos Negativland, assinou pelo meio colabora\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o com os Nirvana, Soundgarden e Screaming Trees, ao mesmo tempo que devolveu ao som de Seattle a inova\u00e7\u00e3o perdida, com os Pigeonhead.<br \/>\nA sua m\u00fasica alia uma utiliza\u00e7\u00e3o do sampler \u2013 enquanto armazenador de mem\u00f3rias perdidas da m\u00fasica negra dos anos 70 e 80 \u2013 a concep\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas que tanto devem \u00e0 colagem contestat\u00e1ria dos Negativland como ao impulso card\u00edaco do drum \u2018n\u2019 bass, que Fisk obriga a escorregar para fora das pistas de dan\u00e7a. Para este veterano que coloriu com as travessuras do experimentalismo a estafada cena das bandas grunge de Seattle e conserva o gosto pelos velhos sintetizadores anal\u00f3gicos dos anos 70, a electr\u00f3nica \u00e9 um carro de combate e uma tenda de circo. Ou uma orquestra de acontecimentos em que as surpresas se sucedem ao ritmo de uma imagina\u00e7\u00e3o sem limites. \u201cDesfazendo\u201d o novelo dos estilos e o conforto da rotina, Steve Fisk fez um dos discos mais estimulantes do ano.<\/p>\n<p>FM \u2013 O novo \u00e1lbum, como o anterior \u201c448 Deathless Days\u201d, ostenta uma sonoridade que tanto parece ser criada a partir de m\u00e1quinas anal\u00f3gicas, como logo a seguir toma formas inteiramente digitais\u2026<br \/>\nSTEVE FISK \u2013 Comecei a interessar-me pela electr\u00f3nica aos 15 anos e um ano depois comprei o meu primeiro sintetizador, um A.R.P. Odyssey, hoje uma pe\u00e7a de museu. Se soava bem na altura, continua a soar bem agora. As pessoas redescobriram o prazer de ouvir estes aparelhos, como o mellotron, que tamb\u00e9m continuo a usar e que adorava ouvir nos anos 70, pelos King Crimson. O computador uso-o para fazer os \u2018edits\u2019, todos os sons que gravo s\u00e3o passados atrav\u00e9s dele. Sem ele, as colagens que fa\u00e7o nos meus discos soariam todas baralhadas. J\u00e1 utilizava um em \u201c448 Deathless Days\u201d, de 1987, embora a maior parte de colagem desse \u00e1lbum fosse manual.<\/p>\n<p>FM \u2013 Esse estilo de colagens faz lembrar nalguns casos os Negativland, com quem de resto j\u00e1 colaborou, em \u201cEscape From Noise\u201d.<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 Gosto bastante dos Negativland, com quem trabalhei nesse \u00e1lbum mas n\u00e3o s\u00f3. Costumamos trocar samples por correio e temos uma quantidade de material que fizemos juntos, registado em cassete e pronto a ser editado, incluindo uma can\u00e7\u00e3o que soa vagamente a \u201cWhite Rabbit\u201d, dos Jefferson Airplane (risos). Est\u00e3o sempre a pedir-me para lhes mandar sons que tenho gravados em casa. E fa\u00e7o parte de uma banda de improvisa\u00e7\u00e3o, com Mark Hosler, um dos m\u00fasicos do grupo.<\/p>\n<p>FM \u2013 Qual a import\u00e2ncia desempenhada pela m\u00fasica negra de dan\u00e7a num trabalho de composi\u00e7\u00e3o que cita e desfaz, com toda a desfa\u00e7atez, as malhas do drum \u2018n\u2019 bass?<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 Sempre apreciei artistas como Prince, Stevie Wonder, Sly &#038; The Family Stone, Parliament, Funkadelic, as bandas de Minneapolis. Embora eu procure o mesmo tipo de organicidade, a minha m\u00fasica est\u00e1 longe de ser dirigida para as pistas de dan\u00e7a, como faz DJ Shadow, por exemplo, que tamb\u00e9m admiro particularmente. E verdade que, at\u00e9 certo ponto, acabei em \u2018999 Levels of Undo\u2019 por ir parar ao drum \u2018n\u2019 bass, mas n\u00e3o foi uma atitude volunt\u00e1ria. Procuro evitar ao m\u00e1ximo ouvir as correntes musicais em voga, n\u00e3o se d\u00ea o caso de inconscientemente apanhar alguma ideia ou \u201cGroove\u201d alheio\u2026<\/p>\n<p>FM \u2013 Em termos de sampling, \u201c999 Levels of Undo\u201d \u00e9 um \u00e1lbum t\u00e3o revolucion\u00e1rio como \u201cSupermodified\u201d de Amon Tobin. Conhece esse disco?<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 Esse \u00e9 um grande elogio, comparar-me, em import\u00e2ncia, ao Amon Tobin. \u00c9 um m\u00fasico fant\u00e1stico. Ouvi-o recentemente num spot publicit\u00e1rio televisivo de uma marca de autom\u00f3veis\u2026<\/p>\n<p>FM \u2013 \u00c9 poss\u00edvel estabelecer compara\u00e7\u00f5es entre os seus discos a solo e o trabalho que desenvolveu entre um e outro, com Shawn Smith, nos Pigeonhed?<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 H\u00e1 caracter\u00edsticas comuns entre \u2018448 Dethless Days\u2019 e \u2018999 Levels of Undo\u2019, apresentando ambos uma quantidade de \u2018drumbeats\u2019 em cascata, falsos come\u00e7os\u2026 Mas a m\u00fasica que componho a solo \u00e9 muito diferente da que fa\u00e7o com os Pigeonhed que \u00e9 bastante mais acelerada, estilo 130 batidas por minuto\u2026 Sozinho componho coisas menos fren\u00e9ticas, num registo quase orquestral, na medida em que crio sequ\u00eancias de acontecimentos e efeitos especiais ligados entre si. Mas houve alturas em que cheguei a sentir-me embara\u00e7ado, por pensar que as pessoas pudessem associar os sons a um certo jazz-rock err\u00e1tico, quando o humor \u00e9 afinal parte integrante da minha m\u00fasica. Gostaria que as pessoas se rissem ao ouvir certos temas\u2026<br \/>\nFM \u2013 Rir, quando se confrontam logo \u00e0 partida com uma imagem t\u00e3o perturbante como a da capa?<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 A escultura original, da autoria de Katherine Wolf, \u00e9 um bocado m\u00f3rbida. Pedi a um amigo meu para fazer uma pintura de um cr\u00e2nio a partir dela e foi da\u00ed que resultaram todas as gravuras que aparecem na capa. A ideia \u00e9 mostrar dois p\u00f3los opostos e indissoci\u00e1veis, a vida e a morte. Creio que as imagens reflectem as minhas pr\u00f3prias formas e processos musicais.<\/p>\n<p>FM \u2013 E o t\u00edtulo, que \u00e0 semelhan\u00e7a do disco anterior, recorre a um n\u00famero, qual foi a ideia?<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 Partiu de uma piada em torno de um procedimento habitual em est\u00fadio atrav\u00e9s do qual \u00e9 sempre poss\u00edvel desfazer o \u00faltimo \u2018take\u2019 de uma grava\u00e7\u00e3o e voltar ao precedente\u2026 Wendy Carlos, por exemplo, criou no seu computador um sistema que permite bloquear esse processo, n\u00e3o suportava a simples possibilidade de que fosse apagada m\u00fasica que j\u00e1 estivesse feita, de alterar qualquer decis\u00e3o sua na escolha das vers\u00f5es definitivas. Claro que tamb\u00e9m me passou pela cabe\u00e7a que 999 \u00e9 666 invertido\u2026<\/p>\n<p>FM \u2013 Para terminar, uma lista dos seus discos favoritos\u2026<\/p>\n<p>STEVE FISK \u2013 \u201cComputer World\u201d, dos Kraftwerk; o primeiro volume de \u201cWoodstock\u201d, que me mostrou como soam as pessoas reais, num contexto real, em contraste com a forma como soam em est\u00fadio. O som \u00e9 p\u00e9ssimo e algumas das perfomances s\u00e3o de fugir, mas aprendi imenso com ele\u2026 O \u00e1lbum ao vivo de Todd Rundgren com os Utopia \u2013 que, provavelmente, foi respons\u00e1vel por me ter posto a cabe\u00e7a a funcionar de mil e uma maneiras \u201chorr\u00edveis\u201d \u2013 e o primeiro volume de uma colect\u00e2nea de m\u00fasica electr\u00f3nica da Columbia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11.05.2001 Steve Fisk Desfeita Ao Drum \u2018N\u2019 Bass Quantos n\u00edveis existem de desfazer? Exactamente novecentos e noventa e nove para Steve Fisk. 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