{"id":1676,"date":"2010-03-02T03:23:27","date_gmt":"2010-03-02T10:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1676"},"modified":"2010-03-02T03:23:27","modified_gmt":"2010-03-02T10:23:27","slug":"a-grande-arte-dandy-dos-xtc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/02\/a-grande-arte-dandy-dos-xtc\/","title":{"rendered":"A Grande Arte Dandy dos XTC"},"content":{"rendered":"<p>05.10.2001<br \/>\nA Grande Arte Dandy dos XTC<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/XTC.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/XTC.jpg\" alt=\"\" title=\"XTC\" width=\"450\" height=\"552\" class=\"alignnone size-full wp-image-1677\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/XTC.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/XTC-244x300.jpg 244w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A reedi\u00e7\u00e3o, em imaculadas miniaturiza\u00e7\u00f5es, da discografia correspondente \u00e0 primeira vida do grupo, volta a repor no imagin\u00e1rio pop das \u00faltimas duas d\u00e9cadas a grande arte \u201cdandy\u201d dos XTC.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xtc_Skylarking.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xtc_Skylarking.jpg\" alt=\"\" title=\"xtc_Skylarking\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-1678\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xtc_Skylarking.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xtc_Skylarking-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/xtc_Skylarking-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/?gqgyrzzqnbv\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hk41Gbjljfo&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hk41Gbjljfo&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>XTC sabe a \u201cecstasy\u201d. No ano em que os XTC se formaram, em 1976, ainda n\u00e3o tinham aparecido as pastilhas que d\u00e3o cor aos olhos e asas aos p\u00e9s. Mas estava certo. Quando, j\u00e1 no final da d\u00e9cada, o punk conseguiu por fim arranjar espa\u00e7o para introduzir a energia bruta e a bo\u00e7alidade na ent\u00e3o depauperada ind\u00fastria da pop, os XTC mostraram que afinal era poss\u00edvel ser forte e inteligente sem ter que dar um pontap\u00e9 no traseiro da tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHoje os XTC s\u00e3o sin\u00f3nimo de sofistica\u00e7\u00e3o levada aos limites do hedonismo e de arranjos que exigem do est\u00fadio no m\u00ednimo 72 pistas de grava\u00e7\u00e3o, de forma a fazer valer os seus direitos. Mas nem sempre foi assim.<br \/>\nA hist\u00f3ria da pop, ao contr\u00e1rio de todas as outras, repete-se. A dos XTC volta a ganhar honras de escuta, agora dignificada por um pacote de reedi\u00e7\u00f5es, da responsabilidade da EMI Toshiba japonesa (distribui\u00e7\u00e3o EMI-VC), da sua discografia maioritariamente dos anos 70 e 80. Fabulosas reprodu\u00e7\u00f5es miniatura cartonadas dos originais em vinilo de \u201cWhite Music\u201d (1978), \u201cGo 2\u201d (1978), \u201cDrums and Wires\u201d (1979), \u201cblack Sea\u201d (1980), \u201cEnglish Settlement\u201d (1982), \u201cMummer\u201d (1983), \u201cthe Big Express\u201d (1984), \u201cSkylarking\u201d (1986), \u201cOranges and Lemons\u201d (1989) e \u201cnonsuch\u201d (1992).<br \/>\nCorria ainda gloriosa a \u00e9poca do rock progressivo quando Andy Partridge, futuro l\u00edder venerado dos XTC, formou em Wiltshire, Inglaterra, em 1972, os Star Park (Rats Krap ao contr\u00e1rio). No ano seguinte o grupo, j\u00e1 com o novo elemento, Colin Moulding, alterou o nome para Helium Kids, sob a influ\u00eancia corrosiva do proto-punk de Detroit dos MC5 e do \u201ccamp\u201d sanguinolento de Alice Cooper. Ningu\u00e9m adivinharia que o futuro haveria de se chamar estilo, intelig\u00eancia e sonho.<br \/>\nAinda hesitante entre mudar de novo de nome, para XTC ou The Dukes of Stratosphere, Partridge optou pelo mais curto, ainda que os segundos tenham chegado a gravar os obscuros e psicad\u00e9licos \u201c25 O\u2019Clock\u201d e \u201cPsonic Psunspots\u201d (Partridge costumava dizer que tinha nascido com duas d\u00e9cadas de atraso \u2013 a sua p\u00e1tria era o psicadelismo). O punk chegara. Mas para os XTC a fase do \u201cnoise\u201d e da adrenalina gratuita j\u00e1 pertenciam ao passado. N\u00e3o admira que o \u00e1lbum de estreia, \u201cWhite Music\u201d, fosse recebido com exclama\u00e7\u00f5es de admira\u00e7\u00e3o, como reac\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201ccoragem\u201d demonstrada pelo grupo. A \u201ccoragem\u201d estava no factor mel\u00f3dico. Nas can\u00e7\u00f5es cantarol\u00e1veis. Numa \u201cbritishness\u201d de dandies diletantes que contrastava fortemente com o cinzentismo dos pros\u00e9litos do alfinete. Tudo isto se encontra em \u201cWhite Music\u201d, \u00e1lbum que contribuiu para que o punk se passasse a chamar \u201cnew wave\u201d. Mesmo assim, \u00e9 o \u00e1lbum mais energ\u00e9tico dos XTC, quase tosco, em compara\u00e7\u00e3o com as sinfonias pop que estavam para vir.<br \/>\n\u201cGo 2\u201d \u00e9 mais minimalista e urbano, atravessado por refregas industriais. Por esta altura, e em consequ\u00eancia de uma digress\u00e3o conjunta com o grupo americano, era costume apelidar os XTC de \u201cTalking Heads ingleses\u201d. Fazia sentido. Mas enquanto a banda de David Byrne sobrevoava a Am\u00e9rica desenhando o mapa das suas paran\u00f3ias, os XTC optaram por flutuar de bal\u00e3o sobre a velha England, fascinados pelos seus parados, os homens de chap\u00e9u de coco com o \u201cTimes\u201d debaixo do bra\u00e7o, e os telhados de Londres num dia de chuva.<\/p>\n<p>Sinfonias Barrocas<br \/>\nCom \u201cDrums and Wires\u201d a metamorfose estava completa. Os XTC tinham-se tornado uma banda pop com engenho e arte para preencher as \u201ccharts\u201d com can\u00e7\u00f5es de irresist\u00edvel apelo, como \u201cMaking plans for Nigel\u201d e o m\u00edssil mel\u00f3dico \u201cSenses working overtime\u201d. Os cinco sentidos faziam mesmo horas extraordin\u00e1rias.<br \/>\n\u201cBlack Sea\u201d apresenta-se  j\u00e1 como um objecto de luxo, fruto de uma rela\u00e7\u00e3o intensa com o est\u00fadio. Andy Partridge, apesar de exc\u00eantrico e de se vestir de forma rid\u00edcula, como os \u201cmods\u201d dos anos 60, ou de cal\u00e7\u00f5es e bon\u00e9 de ciclista, \u00e9 um perfeccionista que sempre preferiu a confec\u00e7\u00e3o laboratorial em est\u00fadio do que expor-se \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o ululante dos espect\u00e1culos ao vivo. Como Ray Davies, dos Kinks, tornou-se o retratista dos tiques, dos lugares e das personagens de uma Inglaterra presa entre as rendas vitorianas, as chamin\u00e9s das f\u00e1bricas, as tragicom\u00e9dias familiares que se ocultam atr\u00e1s de paredes de tijolo, e uma aristocracia de son\u00e2mbulos e \u201ctoilettes\u201d \u00e0 deriva entre Wimbledon, Brighton e Ascot.<br \/>\nO duplo \u201cEnglish Settlement\u201d e \u201cMummer\u201d s\u00e3o obras-primas de pop mesclada de folk e fantasia. Chamam-lhes os \u00e1lbuns \u201crurais\u201d e as capas de ambos s\u00e3o de facto manchas de verde, mar, bosques e humidade. \u00c9 necess\u00e1rio ouvi-los muitas vezes para se colher deles o maior n\u00famero de emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO comboio retrocedeu ligeiramente na esta\u00e7\u00e3o de \u201cThe Big Express\u201d. Can\u00e7\u00f5es sa\u00eddas de uma rotativa em andamento acelerado, tiveram pouco tempo para se cuidar em frente ao espelho.<br \/>\nMas acordados pela Primavera de \u201cSkylarking\u201d, o narcisismo e o gosto pela arquitectura barroca renasceram em todo o seu esplendor. Cada can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma filigrana de melodias, ora alinhadas ora em contram\u00e3o. Os arranjos, entre o chilrear de aves do para\u00edso, orquestras campestres e guitarras de l\u00e2mina afiada, t\u00eam a m\u00e3o de um deus qualquer. Provavelmente Todd Rundgren, que se encarregou da produ\u00e7\u00e3o, um dos g\u00e9nios e magos de est\u00fadio mais menosprezados da pop artificial, autor da descomunal alucina\u00e7\u00e3o s\u00f3nica que \u00e9 \u201cA Wizard\/A True Star\u201d. T\u00e3o alto voaram os XTC em \u201cSkylarking\u201d que alguns atreveram-se mesmo a invocar o nome sagrado dos Beatles.<br \/>\nAtingido o cume segue-se a queda. \u00c9 inevit\u00e1vel. Mas os XTC ca\u00edram devagar. Primeiro em \u201cOrange and Lemons\u201d, o \u00e1lbum funky, das can\u00e7\u00f5es longas e ritmos musculados. A seguir, as melodias arrevesadas de \u201cNonsuch\u201d, que tombam como flocos de neve.<br \/>\nCom a chegada do Inverno, os XTC retiraram-se para hibernar. Regressaram em 1999, mais pujantes do que nunca, para orbitarem em torno de V\u00e9nus e morderem a ma\u00e7\u00e3, na \u201ccontinuing story\u201d, \u201cApple Venus\u201d. Mas essa \u00e9 j\u00e1 outra hist\u00f3ria, com novos cambiantes. Comprovativa de que a hist\u00f3ria que Andy Partridge tem para contar, esteja ou n\u00e3o longe do seu ep\u00edlogo, ter\u00e1 sempre um final feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>05.10.2001 A Grande Arte Dandy dos XTC A reedi\u00e7\u00e3o, em imaculadas miniaturiza\u00e7\u00f5es, da discografia correspondente \u00e0 primeira vida do grupo, volta a repor no imagin\u00e1rio pop das \u00faltimas duas d\u00e9cadas a grande arte \u201cdandy\u201d dos XTC. LINK XTC sabe a \u201cecstasy\u201d. 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