{"id":1667,"date":"2010-03-01T10:03:25","date_gmt":"2010-03-01T17:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1667"},"modified":"2010-03-01T10:03:25","modified_gmt":"2010-03-01T17:03:25","slug":"arcebispos-de-cantuaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/01\/arcebispos-de-cantuaria\/","title":{"rendered":"Arcebispos de Cantu\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>21.05.2001<br \/>\nArcebispos de Cantu\u00e1ria<\/p>\n<p>Canterbury tornou-se uma lenda. Os novos m\u00fasicos est\u00e3o a redescobrir o imenso manancial oferecido por esta m\u00fasica que nos anos 70 se ergueu como uma catedral de um arcebispo louco no meio de um prado da velha Inglaterra.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan.jpg\" alt=\"\" title=\"caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-1668\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/caravan_TheCanterburyTales_TheBestofCaravan-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/135043116\/Caravan_-_The_Best_of_Caravan-Canterbury_Tales_CD1.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD 1) &#8220;Canterbury Tales &#8211; The Best of Caravan&#8221;<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/135061593\/Caravan_-_The_Best_of_Caravan-Canterbury_Tales_CD2.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD 2) &#8220;Canterbury Tales &#8211; The Best of Caravan&#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"320\" height=\"265\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G61UV0U0APc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G61UV0U0APc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"320\" height=\"265\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Canterbury (Cantu\u00e1ria) \u00e9 uma cidade inglesa situada no condado de Kent, a sudeste de Londres. Deu ao mundo os \u201cContos de Cantu\u00e1ria\u201d, de Geoffrey Chaucer, e o Arcebispo. Mas isso foi antes de um pequeno n\u00facleo de m\u00fasicos se juntar na segunda metade dos anos 60 para formar o grupo que daria origem a um movimento e uma est\u00e9tica aos quais se convencionou chamar \u201ccena de Canterbury\u201d ou \u201csom de Canterbury\u201d.<br \/>\nO grupo chamava-se The Wild Flowers, nunca chegou a gravar qualquer \u00e1lbum (embora, bem procurado, seja poss\u00edvel encontrar uma edi\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma preenchida por actua\u00e7\u00f5es ao vivo) mas continha os alicerces dos dois pilares que sustentariam a primeira gera\u00e7\u00e3o do \u201cCanterbury Sound\u201d: Soft Machine e Caravan. Kevin Ayers e Robert Wyatt, respectivamente vocalista e baterista dos Wild Flowers, formaram em 1967 os Soft Machine, aos quais se vieram a juntar o baixista Hugh Hopper, que tamb\u00e9m integrou os Wild Flowers, e Daevid Allen, o australiano exc\u00eantrico de cuja mente embotada pelos \u00e1cidos, o ch\u00e1 de haxixe, o espiritismo e as mensagens enviadas via r\u00e1dio por entidades alien\u00edgenas, haveriam de brotar os Gong. Quanto aos Caravan, j\u00e1 tinham a sua primeira forma\u00e7\u00e3o inscrita no \u201cline-up\u201d dos Wild Flowers: os irm\u00e3os David e Richard Sinclair, Richard Coughlan e Pye Hastings. \u00c9 deste grupo que agora nos surge o pacote da sua discografia para a Deram, re-remastrizada e enriquecida com temas e informa\u00e7\u00e3o adicionais.<\/p>\n<p>No Pa\u00eds Das Maravilhas<br \/>\nMas que som era este, afinal, que, extinta nos anos 70 a base do Progressivo sobre o qual evoluiu at\u00e9 meados da d\u00e9cada, se estendeu pelos anos 80, dos EUA ao Jap\u00e3o, em grupos como Happy The Man, However ou Kenso, e prosseguiu revitalizado pelos 90, onde foi adoptado pelo p\u00f3s-rock de Chicago dos The Sea And The Cake ou pelos neo-psicad\u00e9licos Gorky\u2019s Zygotic Minci?<br \/>\nA m\u00fasica, o estilo, a est\u00e9tica, as imagens com selo Canterbury ficaram demarcadas desde o in\u00edcio. Robert Wyatt e Richard Sinclair impuseram um estilo e uma filosofia vocais e po\u00e9ticos que renegavam o tom mais politizado do \u201cflower power\u201d, como eclodira do outro lado ao Atl\u00e2ntico, em S\u00e3o Francisco, personalizado por bandas como os Jefferson Airplane e os Grateful Dead, em assump\u00e7\u00e3o absoluta de uma \u201cbritishness\u201d paralela \u00e0 dos Beatles e dos Kinks, na pop.<br \/>\nEm vez dos mergulhos violentos na mente e das consequentes ressacas de Grace Slick e Jerry Garcia, imersos no \u201cacid rock\u201d e nas doutrinas pregadas pelo papa de LSD, Timothy Leary, Richard Sinclair e Robert Wyatt pegaram ao colo no lado mais surrealista e po\u00e9tico do psicadelismo. A Alice de Lewis Carroll bebeu o seu ch\u00e1 com o chapeleiro maluco \u00e0s cinco em ponto, num prado de Kent. David Sinclair, nos Caravan, e Mike Ratledge, na \u201cM\u00e1quina Mole\u201d, estabeleceram o contraste. \u00c0 suavidade, mas tamb\u00e9m \u00e0s deriva\u00e7\u00f5es intrincadas, tecidas como uma tape\u00e7aria \u201cnonsense\u201d, que eram as can\u00e7\u00f5es moldadas pelas vozes pop de Richard Sinclair e Robert Wyatt (de que a can\u00e7\u00e3o \u201cThe Moon in June\u201d, inclu\u00edda no j\u00e1 divergente \u201cThird\u201d, dos Soft Machine, ser\u00e1 o exemplo mais sublime), contrapuseram o \u201cfuzz\u201d do \u00f3rg\u00e3o electr\u00f3nico e fraseados jazzy que dispensavam a heran\u00e7a do rhythm \u2018n\u2019 blues, onde foi beber a gera\u00e7\u00e3o mais nova do rock progressivo.<\/p>\n<p>Como As Flores De Um Jardim<br \/>\nMas no fundo desta po\u00e7\u00e3o m\u00e1gica que tamb\u00e9m albergava uma nostalgia difusa pela bossa-nova e aragens folk, agitava-se algo indefin\u00edvel, uma eleg\u00e2ncia e um mist\u00e9rio que, apesar das inevit\u00e1veis dissid\u00eancias que proliferariam atrav\u00e9s de uma mir\u00edade de correntes derivadas do som original, conferiam unidade ao \u201csom de Canterbury\u201d.<br \/>\n\u201cVolume Two\u201d, dos Soft Machine (1969), e \u201cIf I Could Do It All Over Again, I\u2019d Do It All Over You\u201d (1970), tamb\u00e9m o segundo \u00e1lbum, dos Caravan, s\u00e3o os dois paradigmas da escola de Canterbury. A ch\u00e1vena de ch\u00e1 de Alice quebrar-se-ia na produ\u00e7\u00e3o posterior destes dois grupos, em particular dos Soft Machine, que a partir de \u201cThird\u201d encetariam uma das aventuras mais fascinantes de um grupo pop pelo jazz. Os Caravan mantiveram-se mais tempo fi\u00e9is \u00e0 f\u00e1bula, cedendo apenas ao fim do quinto \u00e1lbum, \u201cFor Girls Who Grow Plump in the Night\u201d (1973).<br \/>\nMas a aventura de Canterbury dispensava os seus progenitores. Criara-se uma esp\u00e9cie de fam\u00edlia, cujos membros n\u00e3o cessaram de difundir, sob formas mais ou menos personalizadas, o legado dos Caravan de dos Soft Machine. O \u201cCanterbury Sound\u201d espalhara-se como as flores de um jardim, polinizando o Progressivo com a sua aura colorida. Apareceram radicais e moderados, dissidentes e tradicionalistas, cada qual acrescentando uma letra, uma frase, \u00e0 hist\u00f3ria. Os mais ilustres foram os Hatfield and the North, com Dave Stewart, Pip Pyle e os irm\u00e3os Sinclair. Gravaram duas obras-primas que prolongaram o lado mais l\u00fadico e swingante dos Caravan. O lado experimental e cerebral encontra-se nos Egg e, posteriormente, nos National Health, projectos de Dave Stewart, Gilgamesh e Soft Heap orientaram as \u201ccanterbury tales\u201d segundo as coordenadas do jazz, os primeiros sob a batuta de Alan Gowen (j\u00e1 falecido, teclista \u201chonor\u00e1rio\u201d dos National Health), os segundos, segundo o comando de Hugh Hopper que, depois do terramoto a solo, \u201c1984\u201d, se dedicou a tentar fazer descarrilar o comboio do jazz-rock. O que os Soft Machine haviam perdido a partir de \u201cThird\u201d, conservou-o Robert Wyatt nos Matching Mole e Kevin Ayers na sua t\u00e3o disparatada como genial discografia a solo. Os Gong, muitas vezes conotados, com ou sem raz\u00e3o, com o esp\u00edrito de Canterbury, s\u00e3o algo mais. O seu bule de ch\u00e1 era uma nave espacial. E se estivermos atentos, percebemos que a sua \u201cr\u00e1dio gnome invisible\u201d continua a emitir.<br \/>\nCanterbury tornou-se numa lenda. Os novos m\u00fasicos, aqueles com dois dedos de testa, est\u00e3o a redescobrir o imenso manancial oferecido por esta m\u00fasica que se ergue como a catedral de um arcebispo louco no meio de um prado da velha Inglaterra.<br \/>\nRichard Sinclair, em \u201cR.S.V.P.\u201d, de 1994, diz em jeito de despedida dessa \u00e9poca, numa das can\u00e7\u00f5es, \u201cWhat\u2019s rattlin\u2019? (\u201cO que \u00e9 que est\u00e1 a fazer barulho?\u201d): I\u2019m bored with Caravan, Fleetwood Mac and Uncle Sam\/I\u2019m sick of Tangerine Dream, Hatfield and Soft Machine\/Radio Gnome and Henry Cow\/We\u2019re not part of that now\u201d, mas acaba a perguntar: \u201cOne question we all dream\/\u201dWhat\u2019s doing Mike Ratledge? (\u2026) What\u2019s doing Robert Wyatt?\/What\u2019s doing Kevin Ayers?\/What\u2019s rattling Mike Doodlage?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.05.2001 Arcebispos de Cantu\u00e1ria Canterbury tornou-se uma lenda. Os novos m\u00fasicos est\u00e3o a redescobrir o imenso manancial oferecido por esta m\u00fasica que nos anos 70 se ergueu como uma catedral de um arcebispo louco no meio de um prado da velha Inglaterra. 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