{"id":1663,"date":"2010-03-01T09:54:52","date_gmt":"2010-03-01T16:54:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1663"},"modified":"2010-03-01T09:54:52","modified_gmt":"2010-03-01T16:54:52","slug":"david-sylvian-uma-ampola-de-tudo-uma-mao-cheia-de-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/03\/01\/david-sylvian-uma-ampola-de-tudo-uma-mao-cheia-de-nada\/","title":{"rendered":"David Sylvian &#8211; Uma Ampola De Tudo, Uma m\u00e3o Cheia De Nada"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>21.09.2001<br \/>\nUma Ampola De Tudo, Uma m\u00e3o Cheia De Nada<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/DavidSylvian.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/DavidSylvian.jpg\" alt=\"\" title=\"DavidSylvian\" width=\"450\" height=\"543\" class=\"alignnone size-full wp-image-1665\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/DavidSylvian.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/DavidSylvian-248x300.jpg 248w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>David Sylvian d\u00e1 a cara ao paradoxo. Esteta ou &#8220;estreta\u201d, pop ou ambiental, pintor do artif\u00edcio ou designer da simplicidade, artista do vazio ou apaziguador do caos, \u00e9 poss\u00edvel escutar na sua m\u00fasica o zumbido de algo que n\u00e3o tem fundo. O sil\u00eancio pode ser tudo e n\u00e3o conter nada. Vem a Portugal abrir a digress\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/David-Sylvian-Everything-and-Nothing.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/David-Sylvian-Everything-and-Nothing.jpg\" alt=\"\" title=\"David Sylvian- Everything and Nothing\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"alignnone size-full wp-image-1664\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/David-Sylvian-Everything-and-Nothing.jpg 240w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/David-Sylvian-Everything-and-Nothing-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/45242123\/Everything_And_Nothing__CD1_.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/45471616\/Everything_And_Nothing__CD2_.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD2)<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"295\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OQlm0Q8HKUE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OQlm0Q8HKUE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"295\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>David Sylvian \u00e9, como se costuma dizer, um esteta. Um esteta \u00e9 algu\u00e9m que contempla o mundo atrav\u00e9s das suas formas. Existem dois tipos de estetas. Um d\u00e1 sentido ao termo aristot\u00e9lico e considera a forma aquilo que faz cada coisa ser exactamente aquilo que \u00e9 e a distingue de todas as outras. Exist\u00eancia plena. O outro n\u00e3o consegue vislumbrar al\u00e9m da casca das coisas, deleitando-se com a sua apar\u00eancia. \u00c9 o esteta-decorador ou esteta da treta, vulgo \u201cestreta\u201d.<br \/>\nO estetosc\u00f3pio (salvo seja) de David Sylvian, oscila entre o esquema aristot\u00e9lico e o papel de parede. Al\u00e9m de que Sylvian \u00e9 o que se chama um tipo politicamente correcto.. E um verdadeiro neo-renascentista.<br \/>\nPinta, fotografa, cuida dos filhos, adora a mulher, Ingrid Chavez, ex-protegida de Prince (o teclado do Mcintosh n\u00e3o d\u00e1 para escrever o s\u00edmbolo\u2026\u201d, que tamb\u00e9m pinta e escreve e at\u00e9 d\u00e1 uma ajudinha, cantando de vez em quando nos concertos e nos discos do marido, interessa-se pelo zen e outras mat\u00e9rias esot\u00e9ricas, \u00e9 amigo de Ryuichi Sakamoto (outro esteta, os estetas d\u00e3o-se bem uns com os outros) e, claro, toca e canta.<br \/>\nRecentemente, o ex-Japan arranjou mesmo tempo extra para tocar ao vivo. Ao ponto de se abalan\u00e7ar numa nova digress\u00e3o que se inicia em Portugal. J\u00e1 na pr\u00f3xima segunda-feira, em Lisboa, prosseguindo no dia seguinte, no Porto. O resto da Europa e o Jap\u00e3o v\u00e3o ter que esperar.<br \/>\nAl\u00e9m da \u201ctourn\u00e9e\u201d, os aficionados de Sylvian t\u00eam ainda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o a colect\u00e2nea relativamente recente, \u201cEverything and Nothing\u201d, e a vers\u00e3o remasterizada e remisturada de \u201cDamage\u201d, gravado ao vivo em 1993, de parceria com o guitarrista dos King Crimson, Robert Fripp. Em 2002 estar\u00e1 dispon\u00edvel uma colect\u00e2nea de temas instrumentais.<br \/>\n\u201cEverything and Nothing\u201d serviu igualmente de gen\u00e9rico \u00e0 presente digress\u00e3o, o que significa que a maioria dos temas que David Sylvian ir\u00e1 interpretar faz parte dela. Na Internet ferve-se de impaci\u00eancia e fazem-se vota\u00e7\u00f5es com toda a gente a acotovelar-se na tentativa de pressionar o m\u00fasico para cantar as can\u00e7\u00f5es favoritas de cada um. Segundo as \u00faltimas estat\u00edsticas, \u201cRide\u201d lidera com 423 votos, seguido de \u201cSome Kind of Fool\u201d, \u201cThe Scent of Magnolia\u201d, \u201cCover me with Flowers\u201d e \u201cOrpheus\u201d. Quanto a \u00e1lbuns, \u00e9 curioso, \u201cBrilliant Trees\u201d, \u00e1lbum de estreia de 1984, vai \u00e0 frente, seguindo-se \u201cSecrets of the Beehive\u201d e \u201cThe First Day\u201d.<br \/>\nEm palco, para acompanhar David Sylvian neste \u201cTudo ou nada\u201d ao vivo, v\u00e3o estar o irm\u00e3o Steve Jansen, antigo companheiro seu nos Japan, na bateria, Matt Cooper, nos teclados, Tim Young, na guitarra, e Keith Lowe, no baixo.<\/p>\n<p>Jap\u00e3o Com Estilo<br \/>\nMas recordemos a hist\u00f3ria deste esteta, ou estreta, ou simplesmente um tipo que ganha a vida a fazer m\u00fasica com estilo e eleg\u00e2ncia.<br \/>\nDavid Sylvian nasceu h\u00e1 43 anos em Stone Park, Beckenham, Kent, iniciando-se nas lides musicais (express\u00e3o jornal\u00edstica idiota bastante vulgarizada) como letrista, compositor e vocalista dos Japan. A d\u00e9cada de 80 arrancava sob o manto de vergonha provocada pelo punk e era \u201cin\u201d ser \u201carty\u201d, \u201cpoppy\u201d e \u201cstylish\u201d. Os Japan eram tudo isto \u2013 uma mistura de electropop, romantismo, filosofia oriental, em jeito de cobertura de creme, a voz amaneirada de Sylvian. \u201cTin Drum\u201d, \u00e1lbum de 1981 dos Japan, continha a can\u00e7\u00e3o \u201cGhosts\u201d, ilustrativa da face mais ambiental e misteriosa do grupo e uma das suas melhores de sempre.<br \/>\nRyuichi Sakamoto, que trocara a veia p\u00f3s-Kraftwerk dos Yellow Magic Orchestra, pelos fatos Versace, foi sens\u00edvel \u00e0 beleza dos fantasmas. O japon\u00eas convidou o m\u00fasico dos Japan para dar voz a \u201cForbidden colours\u201d, uma das can\u00e7\u00f5es da banda sonora de \u201cMerry Christmas Mr. Lawrence\u201d, cuja pauta era assinada pelo pr\u00f3prio Sakamoto. O p\u00fablico adorou e ofereceu a Mr. Sylvian o seu primeiro grande sucesso internacional.<br \/>\nMas o melhor estava para vir. No ano seguinte, ainda fresco das \u201ccharts\u201d, surge \u201cBrilliant Trees\u201d. Gravado em Berlim, aconteceu-lhe o que geralmente acontece quando um artista via gravar a Berlim (como fez Bowie em \u201cLow e \u201cHeroes\u201d) \u2013 chega a ser brilhante. Tamb\u00e9m n\u00e3o admira, com uma lista de convidados de calibre que inclu\u00eda os trompetistas Jon Hassell, Kenny Wheeler e Mark Isham, o ide\u00f3logo dos Can, Holger Czukay, o contrabaixista pau-para-toda-a-obra, Danny Thompson, o insepar\u00e1vel par dos Japan, Steve Jansen e Richard Barbieri e, previsivelmente, Ryuichi Sakamoto. \u201cBrilliant Trees\u201d \u00e9 pop ambiental com textura de veludo, delicada filigrana de palavras polvilhada por sons e cores multi\u00e9tnicos.<br \/>\nJ\u00e1 artista completo e diplomado, Sylvian transita do microfone para a fotografia em Polaroid, publicando um livro, \u201cPerspectives\u201d, com montagens e bonecos. Segue-se um v\u00eddeo e as primeiras colabora\u00e7\u00f5es extra-Sakamoto. Em trio com Robert Fripp e Kenny Wheeler, grava o EP \u201cSteel Cathedrals\u201d que inclui o instrumental \u201cWords with the shaman\u201d, com Jon Hassell na trompete. O shaman poderia bem ser Robert Fripp, o guitarrista disc\u00edpulo de L\u00facifer.<\/p>\n<p>Elogio Da Pregui\u00e7a<br \/>\n\u00c0 medida que ganha confian\u00e7a, David Sylvian vai prolongando a dura\u00e7\u00e3o dos temas. Mas o que, num ambientalista de g\u00e9nio como Brian Eno, se aceita como emana\u00e7\u00e3o de uma zona t\u00e3o in\u00f3spita como luminosa do Esp\u00edrito, em David Sylvian aparenta mais o colorido de um rebu\u00e7ado enjoativo que leva eternidades a derreter. \u201cGone to Earth\u201d, de novo com Fripp, e contando com a presen\u00e7a de um segundo guitarrista, Bill Nelson, outro \u201cartista\u201d, com selo de origem nos Red Noise, estende-se pregui\u00e7osamente por dois \u00e1lbuns. \u201cAmbient\u201d sopor\u00edfera ferida pelas \u201cfrippertronics\u201d do \u201crei Carmesim\u201d. \u201cSecrets of the Beehive\u201d, de 1987 mexe-se um bocadinho mais e cont\u00e9m \u201cForbidden colours\u201d, uma das mais expressivas can\u00e7\u00f5es dos Japan.<br \/>\nO conv\u00edvio com Holger Czukay deixara, entretanto, as suas marcas e, de Berlim para Col\u00f3nia, Sylvian d\u00e1 o bra\u00e7o ao homem dos Can para com ele fazer os sintetizadores ressonar no par \u201cPlight &#038; Premonition\u201d (1988) e \u201cFlux &#038; Mutability\u201d. Ambos preenchidos por instrumentais looooooooongos que almejavam, em v\u00e3o, aflorar as zonas sagradas do sil\u00eancio que Czukay lograra registar, duas d\u00e9cadas antes, em \u201cCannaxis\u201d.<br \/>\n1989 \u00e9 o ano da caixa \u201cWeatherbox\u201d, com \u201cdesign\u201d do j\u00e1 desaparecido Russell Mills, outro esteta, que costumava trabalhar com Brian Eno. Com os seus antigos companheiros dos Japan enceta o projecto Rain Tree Crow o qual, em compara\u00e7\u00e3o com os bocejos anteriores, \u00e9 um toque de despertador. \u201cAmbient\u201d elegante, recupera algum do mist\u00e9rio perdido pelos Japan. Michael Brook, parceiro habitual de Brian Eno, \u00e9 um dos participantes. Curiosamente Eno e Sylvian nunca chegaram a trabalhar juntos\u2026<\/p>\n<p>O Sil\u00eancio, T\u00e3o Pr\u00f3ximo\u2026<br \/>\nSeguem-se novas e antigas colabora\u00e7\u00f5es. Ingrid Chavez, Bill Frisell, Robert Fripp, Sakamoto, Trey Gunn (outro King Crimson, de uma forma\u00e7\u00e3o mais tardia). Sylvian aproveita para casar com Ingrid e gravar um novo \u00e1lbum com Fripp, \u201cThe First Day\u201d. O que poderia ter acontecido se tivesse sucedido o inverso, jamais o saberemos.<br \/>\n\u201cThe First Day\u201d \u00e9 mais Fripp que Sylvian, da\u00ed o seu ar de amea\u00e7a. Mas Sylvian encaixa bem como o homenzinho de estatura pequena mas c\u00e9rebro descomunal que \u00e9 Robert Fripp. Um adequado \u201cnervous breakdown\u201d tornou-o digno de emparceirar com o autor de \u201c21st century schizoid man\u201d\u2026 O zen ajudou a harmonizar a sua vida.<br \/>\nJ\u00e1 nos anos 90, Sylvian lan\u00e7a \u201cDamage\u201d, ao vivo, com Fripp, e mais dois \u00e1lbuns a solo, \u201cDead Beees on a Cake\u201d e \u201cApproaching Silence\u201d. O t\u00edtulo deste \u00faltimo diz tudo. A m\u00fasica ambiental desliza sombria, provocando no ouvinte, consoante a sua disposi\u00e7\u00e3o, o sono ou a medita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTudo est\u00e1 calmo agora. David Sylvian vive em Nova Inglaterra com a mulher, as duas filhas, o enteado e o I-Ching. Cessou contrato com a Virgin e est\u00e1 a transformar a sua casa em est\u00fadio privado. Tudo est\u00e1 bem quando acaba bem. \u00c9 muito? \u00c9 pouco! A resposta pode ser dada estalando uma ampola de haiku (poema zen de tr\u00eas versos, contendo um paradoxo l\u00f3gico tendente a provocar o \u201csatori\u201d, a ilumina\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea): \u201cEverything and nothing\u201d. Tudo e nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.09.2001 Uma Ampola De Tudo, Uma m\u00e3o Cheia De Nada David Sylvian d\u00e1 a cara ao paradoxo. 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