{"id":1557,"date":"2010-02-13T09:34:27","date_gmt":"2010-02-13T16:34:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1557"},"modified":"2010-02-13T09:34:27","modified_gmt":"2010-02-13T16:34:27","slug":"x-per-xr-looking-left-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/02\/13\/x-per-xr-looking-left-conj\/","title":{"rendered":"X.Per XR &#8211; Looking Left (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>31.07.1998<br \/>\nElectr\u00f3nica<br \/>\nA M\u00fasica Electr\u00f3nica \u00c9 Sexy?<br \/>\nOs X.Per XR acham que sim. Os Schnnistelle garantem que n\u00e3o. Para os QNTAL o mais importante \u00e9 o amor. Para os Fuxa n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o se possa fazer com Viagra. E Paul Sch\u00fctze pergunta o que \u00e9 o sexo.<\/p>\n<p>Os Residents fizeram uma caricatura de \u201cMeet The Beatles\u201d, dos fabulous four, em \u201cMeet the Residents\u201d, cuja capa apresenta uns rabsicos desenhados por cima dos rostos dos quatro ingleses. Zappa tamb\u00e9m gozou graficamente com a capa de \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d. Trinta anos depois um grupo franco-japon\u00eas designado X.Per XR adulterou por completo a capa de \u201cThe Mix\u201d, dos Kraftwerk, seguindo a mesma t\u00e9cnica de apagamento e garatujas dos Residents. O \u00e1lbum chama-se \u201cLooking Left\u201d e \u00e9 um del\u00edrio do princ\u00edpio ao fim. Que os X.per XR n\u00e3o se levam muito a s\u00e9rio \u00e9 evidente logo no in\u00edcio, quando colam alguns segundos de aplausos a premiar onomatopeias pseudo-nip\u00f3nicas. Surgem a seguir vozes e tribalismos \u201cnaif\u201d que fazem recordar os Renaldo &#038; The Loaf, para depois os samplers fazerem a sua entrada triunfal. Neste aspecto os X.per XR pilham no sentido literal do termo. H\u00e1 sequ\u00eancias inteiras de m\u00fasica recortada das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, na sua vertente mais \u201ckitsch\u201d, desde solos de guitarra de Carlos Santana at\u00e9 \u201cdisco sound\u201d do mais pimba (\u201cDo ya think I\u2019m sexy?\u201d, de Rod Stewart, por exemplo) e \u201chip hop\u201d, \u201cscratch\u201d e \u201cfunk\u201d com a cabe\u00e7a no lugar dos p\u00e9s. Sobre este arsenal de vulgaridade e de lugares-comuns erguem-se bizarrasa articula\u00e7\u00f5es sonoras sem sentido nem tino aparentes que v\u00e3o da m\u00fasica industrial ran\u00e7osa e bailes patrocinados por Steve Fisk, passando por \u201cpolifonias\u201d patetas onde vale tudo. Os X.per XR atiram para dentro de um saco quantidades enormes de lixo para o reciclarem em casa, transformando-o em muta\u00e7\u00f5es aberrantes. \u00c9 como se Holger Hiller ou os Negativland tivessem ido ao \u201cBig Sho SIC\u201d de Jo\u00e3o Bai\u00e3o e ganho o concurso. O \u00e1lbum \u00e9 produzido por&#8230; Quincy Bones. Na ficha t\u00e9cnica os X.per XR agradecem a \u201cquem comprar esta merda\u201d. (Geffen, distri. Mat\u00e9ria Prima\/Ananana, 8).<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>No registo opsto ao dos X-per XR est\u00e3o os (ou o&#8230;) Schnnitstelle, com \u201cRather Interesting\u201d, uma equa\u00e7\u00e3o gelada de m\u00fasica program\u00e1tica que cruza a sintomatologia sequencial dos Oval com o jazz digital de Paul Sch\u00fctze. Destitu\u00edda de qualquer emo\u00e7\u00e3o a m\u00fasica deste projecto, gravadp em Santiago (de Cuba, do Chile, de Compostela, do Cac\u00e9m?&#8230;) e com monitoriza\u00e7\u00e3o digital efectuada no laborat\u00f3rio de um tal Antonio Monasterio (ser\u00e1 o grupo espanhol?) petrifica o conceito de improvisa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 em \u201crather Interesting\u201d uma beleza estampada na dist\u00e2ncia cuja frieza chega a ser assustadora. Os pr\u00f3prios Kraftwerk sentir-se-iam perdidos neste labirinto de liga\u00e7\u00f5es e circuitos instalados por uma equipa de t\u00e9cnicos de TV por cabo no continete \u00c1rtico. \u201cRtather Interesting\u201d poder\u00e1 ainda ser encarado como uma extens\u00e3o, levada ao absurdo, de \u201cWhite Noise 2 &#8211; Concerto for Synthesizer\u201d, de David Vorhaus. (RI, import. FNAC, 7).<\/p>\n<p>Novo salto, agora para a Idade-M\u00e9dia, atrav\u00e9s das transcri\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas dos QNTAL, no seu segundo volume de \u201ctechno medieval\u201d, monasticamente intitulado \u201cQNTAL II\u201d. Do ponto de vista do respeito pelas formas musicais antigas, a linguagem deste projecto liderado por Michael Popp (que nos Estampie desenvolve, em paralelo, uma pr\u00e1tica mais aprofundada do seu particular\u00edssimo conceito de s\u00edntese) pode ser considerada uma heresia, cujo perd\u00e3o apenas ser\u00e1 considerado gra\u00e7as \u00e0 excepcionalidade e pureza da voz de Sigrid Hausen, perfeitamente enquadrada no c\u00e2nones da m\u00fasica antiga. H\u00e1 nos QNTAL um entido l\u00fadico que se torna irresist\u00edvel. Faixas como \u201cFr\u00fchling\u201d ou \u201cHymni nocturnales\u201d juntam a melodia e a leveza da pop electr\u00f3nica dos OMD e dos Depeche Mode \u00e0 luminosidade de uma catedral g\u00f3tica. Detesta-se ou ama-se a f\u00f3rmula dos QNTAL, demasiado pr\u00f3xima da tradi\u00e7\u00e3o para passar despercebida, demasiado radical e \u201cpopulista\u201d no modo como dela de apropria, a m\u00fasica dos QNTAL, torna-se um gosto adquirido mas nunca aborrecida. Faz pensar se a noite dos trovadores n\u00e3o era afinal a noite do amor mas do Kremlin. (Gymnastic, distri. Symbiose, 7).<\/p>\n<p>Em It\u00e1lia, quando h\u00e1 tempo, junta-se um n\u00facleo de executantes conotados com as \u201cnovas m\u00fasicas\u201d, os La 1919, em torno do guitarrista (mas tamb\u00e9m manipulador de samples, loops e programa\u00e7\u00f5es v\u00e1rias) Luciano Margorani, autor, a solo, do magn\u00edfico \u201cHome Recording Is Killing The Studio\u201d e Piero Chianura (samples, electr\u00f3nica e percuss\u00e3o). \u201cGiorni Felici\u201d conta, al\u00e9m de outros dois m\u00fasicos italianos, Franco Fabbri e Fausto Rossi, com a guitarra desalinhada e o Synclavier de Henry Kaiser e, num dos temas, com o saxofone alto de John Oswald, no lugar da electr\u00f3nica e das fitas magn\u00e9ticas que lhe s\u00e3o habituais. Sem ser particularmente estimulante ou inovadora, a proposta musical dos La 1919, insere-se de forma natural na est\u00e9tica Recommended, com acentua\u00e7\u00f5es na guitarra, por vezes Frithiana, de Margorani, e uma complexidade estrutural que por vezes toca nos 5 Uu\u00b4s ou nos Motor Totemist Guild. (Materiali Sonori, distri. Megam\u00fasica, 7).<\/p>\n<p>Bom, e o.. p\u00f3s-rock, ainda existe? Aparentemente sim, a julgar pela colabora\u00e7\u00e3o de Doug Scharin e Joe Goldring, respectivamente dos Him e Codeine, em \u201cOut of Worship\u201d. As coordenadas do movimento s\u00e3o respeitadas, embora a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos dois m\u00fasicos se centre mais na musculatura, na energia, do que nas li\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria. \u201cMoment must of said\u201d dispensa o comp\u00eandio alem\u00e3o e do Progressivo ingl\u00eas para se albergar sob o toldo de Bill Laswell, montado na segunda e orientalista fase dos Material. \u201cO hip hop\u201d saturado de radia\u00e7\u00f5es, guitarras quase sempre a rasgar e um certo lado tribal recolhido das latas e bid\u00f5es dos Chrome confluem nos 18 minutos de \u201cMeta stigmata\u201d, poderosa puls\u00e3o em que o p\u00f3s-rock se transforma simplesmente em&#8230; rock. Inquieto e em busca de lugares escuros, na esteira do ru\u00eddo e da distors\u00e3o. Um t\u00fanel de tortura, \u00f3leos pesados e \u00e1cido do inferno. Provavelmente o mesmo que corroeu a alma de Peter Hammill, em \u201cMagog (In Bromine Chambers)\u201d, do \u00e1lbum \u201cIn Camera\u201d. (Sub Rosa, import. Ananana, 7).<\/p>\n<p>Mais ortodoxos e respeitadores das normas do p\u00f3s-rock s\u00e3o os Fuxa, que j\u00e1 se tinham apresentado em Portugal com \u201cVery Well Organized\u201d. \u201c3 Field Rotation\u201d, o \u00e1lbum de estreia, era bastante mais interessante que o seu sucessor. Embalada na mesma textura de m\u00e1rmore, desfocada por papel vegetal, a m\u00fasica de fumo e vapor dos Fuxa sofre aqui curiosas altera\u00e7\u00f5es de estado, em varia\u00e7\u00f5es de registo que em \u201cVery Well Organized\u201d se deixavam sufocar pela sonoridade de um \u00f3rg\u00e3o sulfuroso. \u201c3 Field Rotation\u201d est\u00e1 mais pr\u00f3ximo dos osciladores dos Silver Apples e dos Suicide em segunda via carimbados pelos Jessamine, cultivando o risco e situa\u00e7\u00f5es s\u00f3nicas de alguma indefini\u00e7\u00e3o que tanto podem desembocar em baladas espaciais como em carnificinas de ru\u00eddo anal\u00f3gico ou, como acontece no tema final, num batuque libertador. Os Fuxa s\u00e3o ing\u00e9nuos que adoram o som do som. (i-Ch\u00e9, import. Lojas Valentim de Carvalho, 7).<\/p>\n<p>Inventor do jazz digital, em \u201cSite Anubis\u201d, Paul Sch\u00fctze \u00e9 um compositor de m\u00fasica electr\u00f3nica que faz quest\u00e3o em se demarcar de qualquer escola, sendo, por esta raz\u00e3o, dif\u00edcil de classificar. Aflorando o ambientalismo, a \u201cKosmische musik\u201d, a m\u00fasica industrial, o jazz program\u00e1tico ou a simples abstrac\u00e7\u00e3o sonora, sempre sob perspectivas originais e conceptualmente f\u00e9rteis (\u201cSite Anubis\u201d deu origem a todo um s\u00e9quito de seguidores), Sch\u00fctze tem vindo a construir uma obra important\u00edssima da qual \u201cApart\u201d, com data de edi\u00e7\u00e3o de 1995, \u00e9 um dos seus exemplos mais belos. Trata-se de um CD duplo, dividido em dois universos musicais distintos. O primeiro disco flutua em pe\u00e7as et\u00e9reas onde o vibrafone adquire especial relevo (como se Stomu Yamashta tivesse aderido \u00e0 m\u00fasica c\u00f3smica, o que chegou a suceder em \u201cFloating Music\u201d). N\u00e3o existe, \u00e0 maneira de Eno, qualquer linha narrativa, mas sim uma infinita suspens\u00e3o, ora de vagas sonoras imensas (algo que Steve Roach sistematiza de firma admir\u00e1vel) ora de pontua\u00e7\u00f5es minimalistas (sinos e outras percuss\u00f5es sequenciadas). Um mundo absolutamente alien\u00edgena &#8211; com t\u00edtulos sugestivos como \u201cRivers of Mercury\u201d, \u201cVisions of a Sand Drinker\u201d ou \u201cThe ghosts of Animals\u201d &#8211; correspondentes \u00e0 foto da capa. O segundo CD apresenta uma longa composi\u00e7\u00e3o, dividida em tr\u00eas partes, \u00e0 qual o compositor chamou \u201cSleep\u201d. 40 minutos de viagem atrav\u00e9s do lado escuro da mente, aquele de onde nascem todas as imagens. Uma falsa \u201cdrone\u201d onde a aparente imobilidade \u00e9 quebrada, quando menos se espera, por irrup\u00e7\u00f5es de ru\u00eddo quase subliminares que obrigam a aten\u00e7\u00e3o a manter-se, ela sim, acordada. Uma pe\u00e7a de antologia, ao n\u00edvel da totalidade de \u201cOn Land\u201d, de Brian Eno, ou \u201cThe Flight\u201d (do \u00e1lbum \u201cSyn\u201d), provavelmente o melhor bocado de m\u00fasica alguma vez composto por Pete Namlook. (Virgin, import. Lojas Valentim de Carvalho, 8).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31.07.1998 Electr\u00f3nica A M\u00fasica Electr\u00f3nica \u00c9 Sexy? Os X.Per XR acham que sim. Os Schnnistelle garantem que n\u00e3o. Para os QNTAL o mais importante \u00e9 o amor. Para os Fuxa n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o se possa fazer com Viagra. E Paul Sch\u00fctze pergunta o que \u00e9 o sexo. 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