{"id":1523,"date":"2010-02-07T10:39:18","date_gmt":"2010-02-07T17:39:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1523"},"modified":"2010-02-07T10:39:18","modified_gmt":"2010-02-07T17:39:18","slug":"robert-wyatt-rock-bottom-self-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/02\/07\/robert-wyatt-rock-bottom-self-conj\/","title":{"rendered":"Robert Wyatt &#8211; Rock Bottom (self conj.)"},"content":{"rendered":"<p>11.06.1998<br \/>\nReedi\u00e7\u00f5es<br \/>\nRobert \u00c9 Mais Estranho Que Wyatt<br \/>\nRobert Wyatt<br \/>\nRock Bottom (10)<br \/>\nRuth Is Stranger Than Richard (8)<br \/>\nNothing Can Stop Us (8)<br \/>\nOld Rottenhat (9)<br \/>\nRykodisc, distri. MVM<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"  http:\/\/www.megaupload.com\/?d=6DDUZ3OV\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/robertWyatt_RockBottom.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/robertWyatt_RockBottom-300x300.jpg\" alt=\"\" title=\"robertWyatt_RockBottom\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1524\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/robertWyatt_RockBottom-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/robertWyatt_RockBottom-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/robertWyatt_RockBottom.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-CAQERAcJDc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-CAQERAcJDc&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u201cRock Bottom\u201d \u00e9 um dos grandes discos da hist\u00f3ria do rock. Apesar de pouco ou nada ter a ver com o rock. apesar do t\u00edtulo. \u00c9 uma daquelas obras \u00fanicas e irrepet\u00edveis, sem ascend\u00eancia nem descend\u00eancia vis\u00edveis, ainda que \u201cShleep\u201d, o mais recente do autor, o revisite, filtrado pela dist\u00e2ncia.<br \/>\nCorria o ano de 1974. O Progressivo encontrava-se no seu espelendor m\u00e1ximo enquanto na editora Virgin se acolhiam os nomes mais importantes &#8211; e que ent\u00e3o soavam estranhos &#8211; exteriores ao movimento: Henry Cow, Hatfield and the North, Gong, Faust, Gilgamesh, Lady June, Slapp Happy, Tangerine Dream, Klaus Schulze, entre outros.<br \/>\nRobert Wyatt sa\u00edra dos Soft Machine logo a seguir \u00c0 grava\u00e7\u00e3o do seu volume \u201c4\u201d, desagradado com a orienta\u00e7\u00e3o exclusivamente jazz\u00edstica do grupo. Como j\u00e1 tinham feito antes Daevid Allen e Kevin Ayers, dois dos exc\u00eantricos mais iluminados da pop inglesa com sede em Canterbury, ainda que o primeiro fosse australiano. O aviso j\u00e1 fora feito na obra-prima \u201cThird\u201d, onde Wyatt assinava um lado inteiro de pop lunar (ou d elun\u00e1tico) numa longa can\u00e7\u00e3o \u00e0 qual dera o t\u00edtulo de \u201cThe moon in June\u201d.<br \/>\nMas para Robert Wyatt (como para Allen e Ayers) a m\u00fasica pop foi sempre encarada como um ve\u00edculo capaz de transportar e conter todos os desiquil\u00edbrios e direc\u00e7\u00f5es divergentes da sua personalidade. Nos Matching Mole encontrara o ent\u00e3o ainda baterista esse ve\u00edculo, gravando mais dois \u00e1lbuns imprescind\u00edveis, \u201cMatching Mole\u201d e o genial \u201cLittle Red Record\u201d.<br \/>\nQuando Wyatt preparava o terceiro disco dos Mole (com um novo elemento, o teclista Francis Monkman, vindo dos Curved Air) d\u00e1-se o acidente. Uma festa fat\u00eddica. A queda de um quarto-andar. Paralisia dos membros inferiores. A noite descia sobre Robert Wyatt.<br \/>\n\u201cRock Bottom\u201d, o fundo, \u00e9 tamb\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o do m\u00fasico que faz deste \u00e1lbum um manifesto da sua dor. A abertura do disco, \u201cSea song\u201d, \u00e9 uma luz velada em que a gra\u00e7a se confunde com a m\u00e1goa mais profunda numa esp\u00e9cie de ressaca metaf\u00edsica. O mundo, os sons e a alma do m\u00fasico desaceleram at\u00e9 ao espanto estremunhado. \u201cWhen you\u00b4re drunk you\u00b4re terrific \/ When you\u00b4re drunk I like you mostly \/ Late at night, you\u2019re quite allraight. \/ But I can\u2019t understand \/ The difference you in the morning \/ When it\u2019s time to play at being \/ Human for a while \/ Please smile\u201d canta Robert Wyatt naquela que ser\u00e1 uma das mais tocantes letras de can\u00e7\u00e3o de sempre. A m\u00fasica \u00e9 uma neblina de notas de piano e pequenas percuss\u00f5es \u00e0 deriva, varridos pela ventania da madrugada de um sintetizador. Um limbo de sentimentos molhados pelo sal e pelo \u00e1lcool que ardem como um sol gelado antes de se diluirem no \u00f3bvio. \u201cA last straw2 e \u201cLittle red riding hood hit the road\u201d prolongam esse estado de incredulidade e folia interior, for a da realidade, no \u00fanico lugar onde se torna poss\u00edvel suportar, mas n\u00e3o olhar de frente, o sofrimento. Depois \u00e9 o mergulho na loucura. \u201cAlifib\u201d e \u201cAlife\u201d descem, descem, descem sempre at\u00e9 atingirem o fundo negro onde se reflectem es estrelas do c\u00e9u. Uma palavra, \u201califib\u201d (Alfreda Benge, \u201cAlfie\u201d, a mulher sul-africana com quem casou nesse mesmo ano) vai sendo repetida obsessivamente, a voz desagregando-se aos poucos numa respira\u00e7\u00e3o h\u00famida. A l\u00f3gica desaparece. Wyatt estende as m\u00e3os e murmura coisas incompreens\u00edveis onde est\u00e3o aprisionados todos os sentidos. \u201cNot nit not \/ nit no not \/ Nit nit folly bololey\u201d, balbucia. a luz desaparece numa \u00faltima vertigem para reaparecer no tema final, \u201cLittle red Robin Hood hit the road\u201d, atrav\u00e9s da janela de um asilo. Robert Wyatt, ele pr\u00f3prio e a sua m\u00e1scara, pode enfim descansar, dobrado na posi\u00e7\u00e3o fetal. A voz de bar\u00edtono demente, de Ivor Cutler, declama sobre uma concertina as palavras da reden\u00e7\u00e3o. A alma de Wyatt, essa j\u00e1 voava, como a do \u00edndiuo de \u201cVoando sobre um Ninho de Cucos\u201d. E a voz do fundo, do muito fundo, de Cutler, a p\u00f4r um ponto fina na agonia com uma gargalhada cruel: \u201cNow I smash up the telly and what\u00b4s left of the broken phone\u201d. A crian\u00e7a paratira para longe. A crian\u00e7a partira o brinquedo.<br \/>\nNo ano seguinte, 1975, \u201cRuth is Stranger than Richard\u201d, dividido num lado \u201cRichard\u201d e num lado \u201cRuth\u201d (a presente reedi\u00e7\u00e3o troca a ordem do vinilo original) respira j\u00e1 fora do po\u00e7o. \u00c9 um \u00e1lbum de peda\u00e7os soltos, de desperd\u00edcios de jazz e m\u00fasica ambiental, com hinos pelo meio, ritmos africanos e uma vers\u00e3o de \u201cSong for Che\u201d de Charlie Haden. Fred Frith, Brian Eno, Mongezi Fesa, John Greaves, Bill MacCormick (ex-Matching Mole) e, sobretudo, o fabuloso saxofonista Gary Windo (j\u00e1 falecido) s\u00e3o alguns dos participantes de um \u00e1lbum cuja leveza contrasta violentamente com a claustrofobia emocional de \u201cRock Bottom\u201d.<br \/>\nO regresso \u00e0 terra das coisas concretas, pela porta da ideologia, acontece com \u201cNothing Can Stop Us\u201d, de 1978. Capa verde e vermelha com a estatueta de um oper\u00e1rio a enfeitar a dianteira de um Rolls-Royce. Wyatt entrara nessa altura para o Partido Comunista brit\u00e2nico. Mas se este trabalho representa o pensamento de um homem de Esquerda, nele est\u00e1 tamb\u00e9m presente uma ironia mordaz e uma lucidez que o impede de seer panflet\u00e1rio, em deliciosas can\u00e7onetas de interven\u00e7\u00e3o como \u201cBorn again cretin\u201d e \u201cStalin wasn\u2019t stallin\u2019\u201d (gravada pela primeira vez em 1943, pelo Golden Gate Quartet). Ao lado do hino do operariado, \u201cTrade Union\u201d, e da can\u00e7\u00e3o de luta latino-americana (\u201cCaimanera\u201d e, de Violeta Parra, \u201cArauco\u201d) encontramos uma fabulosa parceria com Elvis Costello, \u201cShipbuilding\u201d, uma vers\u00e3oo tocante de \u201cStrange Fruit\u201d e um momento de obscuridade, \u201cGrass\u201d, assinado por Chris Cutler, cuja costela, tamb\u00e9m esquerdista, sempre se resolveu, ao contr\u00e1rio de Wyatt, numa arquitectura herm\u00e9tica que come\u00e7ou a ser edificada nos Art Bears.<br \/>\nAinda marcado pelas preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, \u201cOld Rottenhat\u201d livra-se, todavia, da excessiva carga partid\u00e1ria que envolve \u201cNothin Can Stop Us\u201d. Aqui reencontramos as grandes can\u00e7\u00f5es, onde o individual e o colectivo se confundem, num \u00e1lbum de f\u00f4lego marcado pela electr\u00f3nica e pelas percuss\u00f5es sint\u00e9ticas. \u201cUnited states of Amnesia\u201d, \u201cSpeechless\u201d, \u201cThe age of self\u201d, \u201cThe british road\u201d ou \u201cMass medium\u201d aliam a acutil\u00e2ncia das letras (reduzidas ao essencial, em \u201cslogans\u201d coloridos por um humor surrealista) enquanto \u201cEast Timor\u201d estende o dedo de acusa\u00e7\u00e3o sem fazer uso de qualquer esp\u00e9cie de met\u00e1foras. Limpo de ret\u00f3rica, densamente povoado de sons e achados mel\u00f3dicos, \u201cOld Rottenhat\u201d \u00e9 ainda o \u00e1lbum em que a voz de Robert Wyatt evidencia for\u00e7a, clareza e extrovers\u00e3o, quando antes se refugiava nos c\u00edrculos impenetr\u00e1veis do seu \u201cscat\u201d pessoal\u00edssimo. Era ainda a sa\u00edda definitiva do po\u00e7o que lhe permitiria entrar nos anos 90, j\u00e1 n\u00e3o como a larva disforme mas como a borboleta que voa em liberdade, em \u00e1lbuns como \u201cDondestan\u201d e \u201cSchleep\u201d, de uma vitalidade surpreendente para este homem que, como Orfeu, passou pelo Inferno e sobreviveu.<br \/>\nAs presentes reedi\u00e7\u00f5es s\u00e3o remasterizadas (sem que se note uma melhoria espectacular do som). \u201cRock Bottom\u201d e \u201cRuth is Stranger than Richard\u201d trazem pela primeira vez impressas as letras. A capa de \u201cRock Bottom\u201d foi modificada, apresentando agora um novo desenho da autoria de Alfreda Benge, enquanto o enquadramento e as cores de \u201cRuth\u201d foram ligeiramente alteradas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11.06.1998 Reedi\u00e7\u00f5es Robert \u00c9 Mais Estranho Que Wyatt Robert Wyatt Rock Bottom (10) Ruth Is Stranger Than Richard (8) Nothing Can Stop Us (8) Old Rottenhat (9) Rykodisc, distri. MVM LINK \u201cRock Bottom\u201d \u00e9 um dos grandes discos da hist\u00f3ria do rock. 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