{"id":1485,"date":"2010-01-30T08:23:06","date_gmt":"2010-01-30T15:23:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1485"},"modified":"2010-01-30T08:23:06","modified_gmt":"2010-01-30T15:23:06","slug":"tone-rec-pholcus-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2010\/01\/30\/tone-rec-pholcus-conj\/","title":{"rendered":"Tone Rec &#8211; Pholcus (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>24.04.1998<br \/>\nElectr\u00f3nica<br \/>\nEm Transe<br \/>\nMeia-noite. Hora impr\u00f3pria para expor o c\u00e9rebro \u00c0s emana\u00e7\u00f5es, ben\u00e9ficas ou venenosas, produzidas na f\u00e1brica das fantasias electr\u00f3nicas. P\u00f3s-rock, \u201ckrautrock\u201d, ambiental, fus\u00e3o. M\u00e1quinas e homens em simbiose passa a noite agitados pelo transe.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/toneRec_Pholcus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/toneRec_Pholcus-300x292.jpg\" alt=\"\" title=\"toneRec_Pholcus\" width=\"300\" height=\"292\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1486\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/toneRec_Pholcus-300x292.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/toneRec_Pholcus.jpg 328w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/309046666\/TRCP.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(&#8220;Coucy-Pack&#8221; 1999)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Numa folha de c\u00e1lculo por picotar desenrolada de uma impressora radioactiva l\u00ea-se o nome Tone Rec. S\u00e3o um grupo franc\u00eas vagamente aparentado com o p\u00f3s-rock.. o primeiro \u00e1lbum era uma m\u00e1quina de escrever encravada. O novo \u201cPholcus\u201d \u00e9 um portento, a matem\u00e1tica da electr\u00f3nica elevada a grande arte. Se os Kraftwerk propunham a poesia da m\u00e1quina, os Tone Rec desenvolvem a mec\u00e2nica da poesia. \u00c9 uma sucess\u00e3o de equa\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas lancinantes e de varia\u00e7\u00f5es brusacas de humor que correm numa auto-estrada de informa\u00e7\u00e3o sem conte\u00fado, mas onde os cirdcuitos brilham a abarrotar de energia. O meio \u00e9 a mensagem. O meio dos Tone Rec \u00e9 uma rede labir\u00edntica de centros nervosos. A mensagem, o prazer anal\u00edtico da contabilidade num jorro cont\u00ednuo de ideias fractais que a cada momento se entrecruzam num jogo probabil\u00edstico sem fim. A primeira obra-prima do p\u00f3s-p\u00f3s-rock continental. (Sub Rosa, import. Ananana, 10)<\/p>\n<p>Na Alemanha os velhos \u201ckrautrockers\u201d continuam apostados em dizer que este tempo tamb\u00e9m \u00e9 o deles. Seis destes teut\u00f3nicos excomungados de Bayreuth &#8211; Dieter Moebius (ex-Cluster), Mani Neumeier (ex-Guru Guru), J\u00fcrgen Engler (ex-Die Krupps), Chris Karrer (ex-Amon D\u00fc\u00fcl II), Werner \u201cZappi\u201d Diermaier (Faust) e Jean-Herv\u00e9 Peron (ex-Faust) &#8211; formaram o grupo dos grupos do novo rock alem\u00e3o. Escolherem para se chamar Space Explosion, e est\u00e1 bem visto. \u201cSpace Explosion\u201d \u00e9 simultaneamente uma supernova em expans\u00e3o e um ritual de novos primitivos. Na sua obsess\u00e3o pela batida infinita soam mais convincentes que os La! Neu? E n\u00e3o andam longe do que nesta mesma etiqueta fizeram tr\u00eas dos seus elementos, moebius, Engler e Neumeier, em \u201cOther Time\u201d. Para os deserdados dos agora monol\u00edticos Faust, os Space Explosion apresentam em pratos limpos a sua clonagem da era jur\u00e1ssica da \u201cindustrial kosmische muzik\u201d, algo como uma \u201cbad trip\u201d pelos mundos inferiores do cosmos, um buraco negro no qual escarafuncham at\u00e9 a cabe\u00e7a derreter. (Purple Pyramid, import. FNAC e Contraverso, 8)<\/p>\n<p>Outro ex-Cluster, Roedelius, o decano do \u201ckrautrock\u201d, passa por uma fase de debilidade. O que lhe costuma acontecer com alguma frequ\u00eancia. Na sua veia mais experimentalista consegue ser de um descaramento intrigante. Mas quando, como em \u201cAquarello\u201d, descamba para as futilidades \u201cnew age\u201d, pode ser um enjoo. S\u00e3o as m\u00e1s companhias dos italianos Nicola Alesini (electr\u00f3nica, programa\u00e7\u00f5es, sax) e Fabio Capanni (guitarra), a en\u00e9sima e estafada releitura de Satie pela lente de Roger Eno, os sons sint\u00e9ticos e ac\u00fasticos que parecem n\u00e3o combinar uns com os outros. Depois, o saxofone, aqui bem em destaque, \u00e9 o instrumento mais abstr\u00f4ncio que pode haver quando se mete a participar nas grandes contempla\u00e7\u00f5es c\u00f3smicas. J\u00e1 nos chega Jan Garbarek (o actual&#8230;), quanto mais este tal Alesini. (All Saints, distri. MVM, 6).<\/p>\n<p>Nicola Alesini, que na companhia do seu compatriota Pier Luigi Andreone (teclados) reincide na saga de Marco Polo. \u201cMarco Polo 2\u201d tem pouco para dizer. Ao contr\u00e1rio do aventureiro veneziano que no s\u00e9culo XIII banhou a Europa em adrenalina, a m\u00fasica compraz-se num acumulado de mercadorias importadas do quarto mundo j\u00e1 gastas por exploradores bem mais atrevidos. Deixou de impressionar este exotismo de pacotilha, onde a produ\u00e7\u00e3o faz tudo e a criatividade n\u00e3o faz nada. Jon Hassell disse, e bem, o que tinha a dizer sobrte este assunto, nas suas \u201cPossible Musics\u201d. A presen\u00e7a nesta viagem morna de outros gazeteiros, como Steve Jansen, Richard Barbieri (dosi ex-Japan), Roger Eno, Harold Budd e David Torn, tamb\u00e9m n\u00e3o leva a novas paragens. A \u00faltima faixa, em CD-ROM, destina-se aos que gostam de brincar com os computadores. Mas mesmo a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 muito por onde brincar. (Materiali Sonori, distri. Megam\u00fasica, 5).<br \/>\n&#8230;<br \/>\nRespira\u00e7\u00e3o ampla e profunda \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para se soprar com arte num didjeridu, de maneira a empurrar o ouvinte para o estado de transe. Nos l\u00e1bios e nos pulm\u00f5es de Stephen Kent est\u00e1 a garantia de uma boa viagem. Em \u201cFamily Tree\u201d, o emiurgo do didjeridu ritual recupera num primeiro CD encantamentos extra\u00eddos do seu primeiro e fabuloso \u00e1lbum a solo, \u201cLanding\u201d, ao lado de excertos dos seus projectos Trance Mission, Lights In A Fat City e Beasts of Paradise. O segundo CD \u00e9 uma longa incurs\u00e3o em tr\u00eas actos para didjeridu solo e sopros \u201corquestrados\u201d. O zumbido dos deuses. (Intuition, distri. Dargil, 8)<\/p>\n<p>Diferente deste \u00e9 o zumbido proposto pelos Frontier, um trio de Chicago que em \u201cFrontier 4\u201d nos quer fazer crer que as quatro esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o exclusivamente perten\u00e7a das abelhas no cio. Em quatro movimentos elaborados a partir de um complicado sistema de \u201cfeedback\u201d de guitarras manipulado em circuito fechado (\u00e0 semelhan\u00e7a do que David Meyers fez sob o pseud\u00f3nimo Arcane Device), procura-se, ainda neste caso, o transe, \u00e0 maneira de \u201cNo Pussyfooting\u201d, de Fripp &#038; Eno, s\u00f3 que o lugar onde se chega n\u00e3o \u00e9 o c\u00e9u mas a inquieta\u00e7\u00e3o e a paran\u00f3ia. (Emperor Jones \/ Trance Syndicate, distri. MVM, 7).<\/p>\n<p>Os Labradford, pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o em estado de gra\u00e7a. Se o anterior \u201cLabradford\u201d ressacava ainda as dores existenciais de Manchester dos anos 80, o novo \u201cMi Media Naranja\u201d \u00e9 o \u201cDark Side of the Moon\u201d do p\u00f3s-rock. Totalmente ambiental, obscuro e abstracto, tem contudo a no\u00e7\u00e3o exacta do pormenor e do prazer que provoca na psique a descoberta de detalhes escondidos, em pequenos achados s\u00f3nicos imaginados na mesa de mistura. Sombrio sem ser deprimente, complexo sem ser impenetr\u00e1vel, atraente sem ser f\u00e1cil, \u201cMi Media Naranja\u201d d\u00e1-se a conhecer como um \u00e1lbum de sensa\u00e7oes aqu\u00e1ticas, um mergulho nocturno nas profundezas de um lago povoado de monstros. Sempre diferentes de cada vez que se mergulha. (Blast First, distri. Symbiose, 8).<\/p>\n<p>Esses mesmos Biosphere, ou o mesmo \u00e9 dizer Geir Jenssen, assinam a banda sonora de \u201cImsomnia\u201d. A m\u00fasica paisag\u00edstica de Jenssen tem a beleza distante das est\u00e1tuas gregas e dos mares gelados do Norte. Poderia ser parecida com as manchas impressionistas de Brian Eno, se estas n\u00e3o tivessem carne, nem pele, nem \u00f3rg\u00e3os vitais, nem a luz do sol a banh\u00e1-las. Na biosfera deste sueco, a entequ\u00e9lia, a forma pura sem mat\u00e9ria e o motor im\u00f3vel de Arist\u00f3teles d\u00e3o-se a escutar em sil\u00eancio e profundo pesar, num \u201crequiem\u201d electr\u00f3nico de sepulcral beleza pelo fim dos dias. (Origo Sound, distri. Symbiose, 8).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>24.04.1998 Electr\u00f3nica Em Transe Meia-noite. Hora impr\u00f3pria para expor o c\u00e9rebro \u00c0s emana\u00e7\u00f5es, ben\u00e9ficas ou venenosas, produzidas na f\u00e1brica das fantasias electr\u00f3nicas. P\u00f3s-rock, \u201ckrautrock\u201d, ambiental, fus\u00e3o. M\u00e1quinas e homens em simbiose passa a noite agitados pelo transe. 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