{"id":13219,"date":"2026-10-20T07:57:04","date_gmt":"2026-10-20T14:57:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=13219"},"modified":"2026-10-20T08:06:25","modified_gmt":"2026-10-20T15:06:25","slug":"simon-jeffes-penguin-cafe-orchestra-simon-jeffes-dos-penguin-cafe-orchestra-apresenta-concerto-de-amanha-em-lisboa-pinguins-a-mesa-com-pitagoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/10\/20\/simon-jeffes-penguin-cafe-orchestra-simon-jeffes-dos-penguin-cafe-orchestra-apresenta-concerto-de-amanha-em-lisboa-pinguins-a-mesa-com-pitagoras\/","title":{"rendered":"Simon Jeffes \/ Penguin Caf\u00e9 Orchestra &#8211; &#8220;Simon Jeffes, Dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra, Apresenta Concerto De Amanh\u00e3, Em Lisboa &#8211; Pinguins \u00c0 Mesa Com Pit\u00e1goras&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 05.03.1996<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Simon Jeffes, Dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra, Apresenta Concerto De Amanh\u00e3, Em Lisboa<br \/>\nPinguins \u00c0 Mesa Com Pit\u00e1goras<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nTemos pinguins. Temos bica. Temos Gulbenkian. N\u00e3o temos \u00e9 uma orquestra de um caf\u00e9 de pinguins. Por isso \u00e9 de aproveitar a segunda vinda a Portugal da banda do \u201cmaestro\u201d Simon Jeffes, a Penguin Caf\u00e9 Orchestra. No Coliseu dos Recreios, a prometer sabe-se l\u00e1 o qu\u00ea. M\u00fasica mais ou menos cl\u00e1ssica, \u201cworld\u201d mais ou menos \u00e9tnica. Os pinguins de fraque tamb\u00e9m sonham. Um divertimento s\u00e9rio.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/simonJeffes.jpg\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"768\" class=\"alignnone size-full wp-image-13220\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/simonJeffes.jpg 647w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/simonJeffes-253x300.jpg 253w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/simonJeffes-624x741.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/simonJeffes-84x100.jpg 84w\" sizes=\"auto, (max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 a segunda vez que Simon Jeffes e a sua Penguin Caf\u00e9 Orchestra v\u00eam tocar a Portugal. Amanh\u00e3, \u00e0s 22h, no Coliseu dos Recreios em Lisboa. De 1993, data da sua primeira visita, para c\u00e1, nada de significativo mudou na atitude e na est\u00e9tica do grupo. Simon Jeffes, com quem o P\u00daBLICO falou em Londres, continua a defender as mesmas ideias e uma m\u00fasica que teima em n\u00e3o ter n\u00famero de cat\u00e1logo. S\u00e3o as intui\u00e7\u00f5es. \u00c9 o prazer, cada vez mais intenso, de tocar em concerto. Raz\u00e3o por que gravaram recentemente um duplo compacto ao vivo, \u201cConcert Program\u201d. S\u00f3 que, como bons perfeccionistas e exc\u00eantricos que s\u00e3o, por via das d\u00favidas, dispensaram a assist\u00eancia. Doidos.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 O que \u00e9 que podemos esperar de novo nesta segunda visita do grupo a Portugal?<\/strong><br \/>\nSIMON JEFFES \u2013 Fizemos uma derradeira digress\u00e3o antes de parar para um per\u00edodo de introspec\u00e7\u00e3o. Estou a mudar-me de Londres para um lugar bastante mais afastado, Somerset, no Oeste, onde poderei idealizar novas pe\u00e7as para o grupo. Nos \u00faltimos tempos n\u00e3o par\u00e1mos de viajar por todo o mundo. Descobri, nesses espect\u00e1culos, uma serenidade na nossa m\u00fasica. Uma serenidade que nasce da pr\u00f3pria experi\u00eancia de tocar. \u201cConcert Program\u201d \u00e9 isso. Uma grava\u00e7\u00e3o ao vivo, embora sem p\u00fablico. Fizemos tudo o que \u00e9 suposto fazer-se num \u00e1lbum ao vivo, com uma garrafa de \u201cJack Daniels\u201d e cervejas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Mud\u00e1mos de roupa e tudo. At\u00e9 fic\u00e1mos nervosos. Fomos para o audit\u00f3rio do est\u00fadio e demos um concerto.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Quiseram provar alguma coisa?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Bem, quando se ouve um disco de est\u00fadio, h\u00e1 uma compreens\u00e3o inconsciente da situa\u00e7\u00e3o com que se lida. Quando gravo uma pe\u00e7a de est\u00fadio, repito a grava\u00e7\u00e3o umas dez vezes num s\u00f3 dia. E posso tocar sozinho os instrumentos todos. O que pretendo captar, agora, \u00e9 a interactividade dos m\u00fasicos ao vivo, a cada instante. Captar a sensibilidade destes dez m\u00fasicos a tocarem juntos. Para mim, representa uma obra-de-arte. Uma experi\u00eancia f\u00edsica, emocional, mental e espiritual.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Essa experi\u00eancia vai afectar a pr\u00f3xima grava\u00e7\u00e3o de est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim. Para j\u00e1, foi como tocar sem amplifica\u00e7\u00e3o. Houve muitas li\u00e7\u00f5es para aprender. Vai ser como come\u00e7ar tudo de novo, no est\u00fadio, agora que j\u00e1 me interconectei com o mundo. Os meus sonhos encontraram-se com as minhas experi\u00eancias.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que esp\u00e9cie de sonhos?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sonhos sobre o que os Penguin Caf\u00e9 representam na sua ess\u00eancia. A vida vivida de uma forma espont\u00e2nea. Sem planeamentos excessivos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Dos primeiros \u00e1lbuns para os mais recentes, algum sentido de humor ficou pelo caminho, n\u00e3o acha?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Talvez. Bem v\u00ea, estou com 47 anos. Tinha 24 nessa altura\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 J\u00e1 n\u00e3o aprecia uma boa piada?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Pode crer que sim! Mas j\u00e1 n\u00e3o me preocupo se a m\u00fasica \u00e9 bem humorada ou n\u00e3o. Fa\u00e7o aquilo que fa\u00e7o e \u00e9 tudo. H\u00e1 pessoas com os pontos de vista mais extraordin\u00e1rios sobre a nossa m\u00fasica. Existe, claro, uma ironia\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mesmo nos aspectos formais da m\u00fasica do grupo, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O truque \u00e9 ser s\u00e9rio sem ser s\u00e9rio. Sou apaixonadamente s\u00e9rio sobre a minha m\u00fasica mas n\u00e3o gosto de m\u00fasica que seja demasiado s\u00e9ria. Mas tamb\u00e9m adoro m\u00fasica s\u00e9ria\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Tantos paradoxos. Era essa a atitude, quando gravou o seu \u00e1lbum com m\u00fasica para bailado?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Bem\u2026 Isso foi relativamente s\u00e9rio. N\u00e3o de uma seriedade absoluta. N\u00e3o \u00e9 um disco muito bom. A vers\u00e3o em v\u00eddeo n\u00e3o \u00e9 m\u00e1\u2026 N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para uma orquestra sinf\u00f3nica tocar este g\u00e9nero de m\u00fasica. S\u00e3o precisos muitos ensaios, numa orquestra com estas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u201cAs Imagens Distraem-me\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 H\u00e1 um v\u00eddeo do grupo bastante interessante, com pessoas disfar\u00e7adas de pinguins\u2026<\/strong><br \/>\nR. &#8211; \u2026 Mas o elemento visual desvia as aten\u00e7\u00f5es da m\u00fasica. Gosto de ouvir m\u00fasica na r\u00e1dio mas nunca, nunca mesmo, ou\u00e7o m\u00fasica na televis\u00e3o. N\u00e3o consigo. As imagens distraem-me. Talvez fa\u00e7a sentido, com um \u201csingle\u201d\u2026 Claro que se algu\u00e9m viesse ter connosco, propor algo mais experimental, um document\u00e1rio, por exemplo, aceitaria. Mas como isso custa imenso dinheiro, n\u00e3o posso ter veleidades de p\u00f4r em pr\u00e1tica esse tipo de experimentalismo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Vai buscar para a m\u00fasica do grupo muitos elementos da m\u00fasica \u00e9tnica, sobretudo ritmos\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Costumava ouvir muito esse tipo de m\u00fasica, nos anos 70. Aprendi algumas coisas com ela. Hoje, j\u00e1 n\u00e3o. O que aprendemos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 tanto sobre culturas mas sobre a pr\u00f3pria m\u00fasica. Gosto de pensar em termos r\u00edtmicos da mesma maneira que em termos de harmonia. Simples n\u00fameros e justaposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante eficazes. Como um compasso de 3 por 2, que uso bastante.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Quer dizer que aplica a matem\u00e1tica \u00e0 m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Num certo sentido, sim. Pode chamar-lhe uma liga\u00e7\u00e3o m\u00edstica e m\u00edtica a Pit\u00e1goras. Pit\u00e1goras via a m\u00fasica, o som, a conson\u00e2ncia e a disson\u00e2ncia, em termos de simples propor\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas. Algo que descobri ser verdade.<br \/>\n<strong>P. &#8211; \u2026 Sem deixar espa\u00e7o \u00e0 intui\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 intuitivo! O que se pode fazer \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o, fazer com que a intui\u00e7\u00e3o venha at\u00e9 n\u00f3s. Se se acredita que a tal propor\u00e7\u00e3o do 3 por 2 quer dizer realmente qualquer coisa, isso ajuda a descobrir algo de novo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Os Penguin Caf\u00e9 Orchestra, quer queira quer n\u00e3o, fazem hoje parte do imagin\u00e1rio de muitas bandas folk. \u201cMusic for a found harmonium\u201d, do \u00e1lbum \u201cBroadcasting\u201d, \u00e9 cada vez mais um \u201cstandard\u201d do g\u00e9nero\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 J\u00e1 o disse algumas vezes. Quando compus esse tema, em Kioto, no Jap\u00e3o, encontrei o tal \u201charmonium\u201d abandonado\u2026 Hoje o tema foi absorvido pelos m\u00fasicos irlandeses, escoceses e de outros pa\u00edses, como uma esp\u00e9cie de can\u00e7\u00e3o \u201cfolk\u201d que serve todos os prop\u00f3sitos. \u00c9 de facto estranho. Sem querer parecer pretensioso, sinto que, de algum modo, quando escrevi essa pe\u00e7a, me encontrava como que vazio, no meio do ambiente espiritual que me rodeava. Tem uma qualidade universal. Algo que encontrei. Ou que me encontrou\u2026 Algo em que sempre acreditei, que toda a minha m\u00fasica prov\u00e9m dessa esp\u00e9cie de \u2026 de fonte.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O sil\u00eancio?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Certamente o sil\u00eancio. E aquilo que nasce do sil\u00eancio. Um sil\u00eancio fecundo [\u201ca pregnant silence\u201d, perde com a tradu\u00e7\u00e3o]. [em voz solene e misteriosa]: \u201ca child born from a pregnant silence!\u201d. Terr\u00edvel!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Depois de muitos \u00e1lbuns editados na E.G., \u201cConcert Program\u201d saiu no vosso selo particular, Zopf\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A E.G. acabou. Vendeu todo o cat\u00e1logo \u00e0 Virgin. Abandonaram o barco. Gostaria de ter permanecido na E.G. para sempre. Era uma boa editora, com gente simp\u00e1tica. Tamb\u00e9m t\u00ednhamos boas rela\u00e7\u00f5es com a Virgin, mas a Virgin foi, por sua vez, vendida \u00e0 EMI\u2026 Pus-me a imaginar quem \u00e9 que iria comprara a EMI\u2026 [risos].<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cZopf\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de uma can\u00e7\u00e3o do primeiro \u00e1lbum, \u201cMusic from the Penguin Caf\u00e9\u201d. O que significa?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma palavra em alem\u00e3o engra\u00e7ada. Significa \u201ccauda de porco\u201d. Parece n\u00e3o querer dizer absolutamente nada. O que \u00e9 fant\u00e1stico!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 05.03.1996 Simon Jeffes, Dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra, Apresenta Concerto De Amanh\u00e3, Em Lisboa Pinguins \u00c0 Mesa Com Pit\u00e1goras Temos pinguins. Temos bica. Temos Gulbenkian. N\u00e3o temos \u00e9 uma orquestra de um caf\u00e9 de pinguins. 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