{"id":13199,"date":"2026-10-07T03:53:13","date_gmt":"2026-10-07T10:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=13199"},"modified":"2026-10-07T03:53:13","modified_gmt":"2026-10-07T10:53:13","slug":"rockfellows-taco-a-taco-com-os-anos-60-artigo-de-fundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/10\/07\/rockfellows-taco-a-taco-com-os-anos-60-artigo-de-fundo\/","title":{"rendered":"Rockfellows &#8211; &#8220;TACO A TACO COM OS ANOS 60&#8221; (artigo de fundo)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>TACO A TACO COM OS ANOS 60<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nT\u00eam todos o ar respeit\u00e1vel de chefes de fam\u00edlia e, alguns deles, umas n\u00e3o menos respeit\u00e1veis barrigas. A m\u00e9dia de idades ronda o meio s\u00e9culo, mas tocam com a genica de adolescentes. N\u00e3o querem gravar discos nem fazer da m\u00fasica profiss\u00e3o. Chegam-lhes os amigos, para quem tocam em festas selecionadas e a quem enviam \u201cmails\u201d a avisar. S\u00e3o os Rockfellas, um quinteto da linha que se dedica exclusivamente a tocar vers\u00f5es de \u00eaxitos dos anos 50, 60, sobretudo 60, e 70. Elvis, Cliff Richard, Adamo, Beatles, Doors, nomes que amaram na adolesc\u00eancia e que n\u00e3o foram capazes de largar. As suas vers\u00f5es respeitam, na medida do poss\u00edvel, os originais. Os Rockfellows s\u00e3o por isso uma esp\u00e9cie de museu. Andaram nessa \u00e9poca por bandas da segunda divis\u00e3o, nos concursos y\u00e9-y\u00e9 do Monumental, e quando passaram por algumas da primeira nem deram por isso. Gozavam o m\u00e1ximo que podiam. Hoje ainda gozam e agarram-se \u00e0 m\u00fasica como um escape para aliviar as tens\u00f5es do dia-a-dia. N\u00e3o h\u00e1 mais nenhum grupo em Portugal como os Rockfellas. Sintonizem, por favor, como eles dizem, na R\u00e1dio Nostalgia.<\/p>\n<p><strong>JOS\u00c9 SANTOS FERNANDES<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1JoseSantosFernandes.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"456\" class=\"alignnone size-full wp-image-13200\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1JoseSantosFernandes.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1JoseSantosFernandes-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1JoseSantosFernandes-624x418.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1JoseSantosFernandes-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nTeclas. Tem 43 anos e \u00e9 propriet\u00e1rio agr\u00edcola em Vendas Novas. Vive em S\u00e3o Jo\u00e3o do Estoril e foi a\u00ed que os Rockfellows se formaram na passagem dos anos 80 para os 90. O grupo nasceu do seu encontro com Michel Monier, da Ala Praia, que na altura tocava no Conjunto Mist\u00e9rio. \u201cUsavam mascarilhas, para os pais n\u00e3o saberem.\u201d Antes, Jos\u00e9 Fernandes costumava \u201ctocar sozinho\u201d em casa, \u201cnavegando na \u00e1rea dos \u2018blues\u2019\u201d. O bichinho da m\u00fasica come\u00e7ou a morder com mais for\u00e7a quando ouviu o Tony Jackson Group, na passagem deste grupo ingl\u00eas por Portugal. \u00c9 convidado posteriormente para integrar os Bridge. N\u00e3o entrou porque precisavam de algu\u00e9m com um \u00f3rg\u00e3o Hammond e ele n\u00e3o tinha. Fez \u201calgumas brincadeiras\u201d com os Ephedra, grupo m\u00edtico da cena progressiva nacional dos anos 70. Ali\u00e1s, Jos\u00e9 Fernandes \u00e9 o \u201cprogressivo\u201d dos Rockfellows. Os seus her\u00f3is s\u00e3o os Gentle Giant e toma como modelos, em mat\u00e9ria de teclistas, Keith Emerson, \u201cdo tempo dos Nice\u201d, Rick Wakeman (\u201ctenho um \u00f3rg\u00e3o igual ao que ele usava, um CX3, da Korg\u201d). Tony Banks, dos Genesis, e Steve Winwood, dos Traffic. \u201cMais para tr\u00e1s\u201d, menciona Booker T. Jones, Jimmy Smith, Alan Price com Georgie Fame, e Johnny Pearson, \u201caquele gajo dos Sounds Orchestra\u201d. E o merseybeat em geral, os Searchers, ou os Easybeats, da Austr\u00e1lia. \u201c\u2019Hello, how are you\u2019, \u2018Friday on my mind\u2019 e ponto final!\u201d Na m\u00fasica electr\u00f3nica, Walter Carlos, de \u201cSwitched on Bach\u201d, depois Wendy Carlos. Ainda n\u00e3o desistiu de p\u00f4r em pr\u00e1tica um outro projecto, com \u201cm\u00fasicas dos King Crimson\u201d, \u201ccom grandes \u2018mellotrons\u2019 e grandes sons de \u2018Moog\u2019\u201d. Mas nessa altura contentava-se em tocar em casa vers\u00f5es dos Santana ou dos Chicago. Nunca tencionou levar a m\u00fasica a s\u00e9rio. Hoje orgulha-se de ter conseguido \u201csamplar\u201d na perfei\u00e7\u00e3o o som de flauta de Ian Anderson, dos Jethro Tull e de reproduzir, nota a nota, os acordes de um \u201cmellotron\u201d. \u201cUm dos meus gozos \u00e9 simular o som de outros instrumentos.\u201d Recorda os tempos de decad\u00eancia do \u201cprogressivo\u201d, por volta de 1975, quando os grandes grupos do g\u00e9nero s\u00e3o substitu\u00eddos por nomes como Chris de Burgh, Gerry Rafferty ou Electric Light Orchestra. \u201cThe \u2018real thing\u2019 tinha acabado!\u201d Ao pop ingl\u00eas que surge depois, chama \u201cuma coisa ser\u00f4dia\u201d. \u00c9 a partir de 1975 que come\u00e7a a colecionar a m\u00fasica que ficara mais para tr\u00e1s, The Byrds, Beach Boys, Mamas &#038; Papas, Lovin\u2019 Spoonful e The Monkees, que \u201cn\u00e3o eram t\u00e3o maus como pareciam\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>MICHEL MONIER<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2MichelMonier.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"451\" class=\"alignnone size-full wp-image-13201\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2MichelMonier.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2MichelMonier-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2MichelMonier-624x413.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2MichelMonier-100x66.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Bateria. Tem 53 anos e \u00e9 supervisor de cabina da TAP. Fan\u00e1tico de Cliff Richard e dos Shadows, fez parte do Conjunto M e foi um dos membros fundadores do Quarteto 1111. Recorda a origem deste n\u00famero. \u201cEra o n\u00famero de telefone da garagem onde ensai\u00e1vamos\u201d, no Estoril. Como os restantes elementos dos Rockfellows, nunca pensou em seguir uma carreira profissional. \u201cPara isso teria sido preciso saber ler m\u00fasica \u00e0 primeira.\u201d Cita Steve Gadd como seu baterista preferido. \u201cToca tudo, desde o jazz ao rock.\u201d \u00c9 Michel quem avisa para ouvir a m\u00fasica dos Rockfellows \u201cde uma certa maneira\u201d. \u201cSomos um grupo de garagem, o verdadeiro grupo de garagem. Ensaiamos numa garagem e damos f\u00edfias. Faz parte.\u201d<\/p>\n<p><strong>JAIME DOS SANTOS PEREIRA<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3JaimeDosSantosPereira.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"462\" class=\"alignnone size-full wp-image-13202\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3JaimeDosSantosPereira.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3JaimeDosSantosPereira-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3JaimeDosSantosPereira-624x424.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3JaimeDosSantosPereira-100x68.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n Baixo e voz. 48 anos, \u201cfeitos \u00e0 dias\u201d. \u00c9 chefe de vendas e trabalha numa multinacional inglesa. Est\u00e1 ligado ao ramo n\u00e1utico. Est\u00e1 h\u00e1 quatro anos nos Rockfellows. O seu percurso iniciou-se com a m\u00fasica brasileira. Fez parte de uma escola de samba de Sesimbra, os Trepa no Coqueiro. Andou oito, dez anos a tocar m\u00fasica brasileira. No Xafarix, por exemplo. Insiste em referir o nome de \u201cum grande guitarrista\u201d com quem tocou nessa \u00e9poca, Reinaldo Nunes. Com ele formou um trio, o Saque Trio. Depois, \u201cpor raz\u00f5es diversas\u201d foi perdendo o contacto. \u201cSesimbra cada vez estava mais longe.\u201d \u201cA m\u00fasica tem destas coisas\u201d, explica com a naturalidade de quem nunca se levou demasiado a s\u00e9rio. Da\u00ed passou para a am\u00fasica popular portuguesa, integrando grupos desconhecidos, da Moita, \u201cde tipos que faziam a pesquisa do cancioneiro\u201d, como os Off e Sina da M\u00fasica. Jaime Pereira andou, portanto, \u201cmuitos anos afastado da m\u00fasica anglo-americana\u201d, afinal aquela que fora, desde sempre, a sua \u201craiz\u201d. \u201cAos 14 anos ouvia os Beatles.\u201d Gota , em particular, dos nomes da pop inglesa mais melodiosos. Beatles, Bee Gees (embora estes sejam australianos), Donovan, Cat Stevens. Durante os anos 60 contentou-se em fazer parte de grupos de bairro, \u201csem dinheiro nem material para ir a lado nenhum\u201d. H\u00e1 uma passagem muito r\u00e1pida pelos B\u00e1bulas, \u201cuma experi\u00eancia que atirava um bocado para o \u2018jazz\u2019\u201d. \u201cQueriam que eu fizesse vozes roucas.\u201d A verdade \u00e9 que hoje tem gosto emm cantar Otis Redding. Os Beatles voltam \u00e0 baila como \u201ca maior influ\u00eancia\u201d. Mais a influ\u00eancia \u201cmarginal\u201d, os Rolling Stones. \u201cVivia um pouco dividido\u201d entre as duas. \u201cOs Beatles eram o \u2018show business\u2019 e os Stones a verdadeira pop inglesa de rua.\u201d Mais tarde, na For\u00e7a A\u00e9rea, viaja at\u00e9 Angola, onde encontra uma banda no regimento AB3, no Norte do territ\u00f3rio, chamada Os G\u00e9nios, que, na sua opini\u00e3o, integrava \u201cum dosmaiores guitarristas contempor\u00e2neos, o Carlos Velez, que hoje toca fados\u201d. A primeira bateria de Jaime Pereira custou 400 escudos. \u201cUm bombo, uma tarola e um prato\u201d. Chegou para formar os Full Stop Group, \u201cporque havia o Spencer Davis Group\u201d. Jaco Pastorius, que o seu filho lhe deu a conhecer, \u00e9 o seu her\u00f3i actual da guitarra baixo. Mas, l\u00e1 est\u00e1, o m\u00fasico que mais aprecia \u00e9 Paul McCartney, \u201cem termos de baixista e de compositor\u201d. \u201cComecei a cantar o \u2018My bonnie\u2019, do tempo do Tony Sheridan, dos Beat Boys.\u201d Diziam-me que eu tinha a voz igual \u00e0 do Tony Sheridan.\u201d H\u00e1 ainda a \u201csoul\u201d e o rhythm \u2018n\u2019 blues a integrar o lote das suas prefer\u00eancias. Otis Redding, Sam &#038; Dave.<\/p>\n<p><strong>ALFREDO LARANJINHA<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4AlfredoLaranjinha.jpg\" alt=\"\" width=\"714\" height=\"295\" class=\"alignnone size-full wp-image-13204\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4AlfredoLaranjinha.jpg 714w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4AlfredoLaranjinha-300x124.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4AlfredoLaranjinha-624x258.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4AlfredoLaranjinha-100x41.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nGuitarra ritmo. 50 anos. Professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e treinador de T\u00e9nis da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa desta modalidade. Os Rockfellows representam \u201cuma parte importante\u201d da sua vida, \u201cum escape espectacular para os \u2018stresses\u2019 todos que envolvem as profiss\u00f5es das pessoas\u201d. No seu curr\u00edculo constam, \u201ca s\u00e9rio\u201d, um dueto com o Lu\u00eds Pinto de Freitas \u201cque vem do Liceu Franc\u00eas, a cantar as m\u00fasicas dos Everly Brothers\u201d. Depois vem Elvis, \u201cmuito Elvis\u201d, \u201ca discografia quase toda do Elvis\u201d. E Cliff Richard. 2Tudo at\u00e9 aos Beatles.\u201d \u00c9 o homem do rock \u2018n\u2019 roll, nos Rockfellows. Ou melhor, do rockabilly, \u201crockabilly puro\u201d. H\u00e1 uma hist\u00f3ria desses tempos que conta com prazer. \u201cDeu origem \u00e0 \u00fanica m\u00fasica que fiz na minha vida.\u201d \u201c\u00c9 mesmo uma rebeldia\u201d, garante. \u201cHavia na Nazar\u00e9, o s\u00edtio onde passava f\u00e9rias, um tipo, o Zeca do Rock. O Zeca do Rock andava com as mi\u00fadas todas da Nazar\u00e9. Tinha um descapot\u00e1vel e uma garrafa de whisky na alavanca das mudan\u00e7as. Os borrachos estavam todos do lado dele. Estava um bocado complicado para o meu lado. Ainda por cima ele tinha um rock que era o \u2018Rock da Nazar\u00e9\u2019, uma coisa assim, \u2018Nazar\u00e9 rock, Nazar\u00e9 roll\u201d [imita a voz gutural]. \u00c9 p\u00e1, uma noite deu-me um ataque de mau g\u00e9nio e disse de mim para mim que n\u00e3o podia ser. Tinha que dar a volta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Fiz o \u2018Twist da Nazar\u00e9\u2019, sobre o \u2018Let\u2019s twist again\u2019 do Chubby Checker, com uma letra adaptada \u00e0 Nazar\u00e9. Teve um grande sucesso. Na Nazar\u00e9, claro. Sa\u00eda nos altifalantes da praia. Trouxe a raparigada toda para o meu lado.\u201c Hoje Alfredo Laranjinha confessa o desgosto que sente \u201cem n\u00e3o ser m\u00fasico\u201d, uma \u201cestrela do rock \u2018n\u2019 roll\u201d. Desforra-se projectando-se e acompanhando de perto a carreira de um familiar seu famoso, Rui Veloso, que \u00e9 seu primo. \u201c\u00c9 o segundo \u2018teddy boy\u2019 da fam\u00edlia. Eu fui o primeiro.\u201d Nos Rockfellows canta can\u00e7\u00f5es de Elvis Presley, Cliff Richard, Ricky Nelson, mas tamb\u00e9m \u201cas francesas e italianas\u201d. \u201cOs Chats Sauvages e Johnny Halliday.\u201d E, em Portugal, V\u00edtor Gomes e os Gatos Negros, a quem os Rockfellows ainda h\u00e1 pouco tempo \u201cdedicaram uma m\u00fasica\u201d. Alfredo Laranjinha recorda de s\u00fabito uma banda por onde passou, Les Fanatiques: \u201cUm grupo do Liceu Franc\u00eas com um elemento de cada nacionalidade, um belga, um turco, um marroquino, um portugu\u00eas. Penso que o marroquino era o Michel, o cozinheiro.\u201d Participou, como n\u00e3o podia deixar de ser, com Les Fanatiques, nos concursos y\u00e9-y\u00e9 do Monumental e fizeram uma primeira parte dos Gatos Negros, no Teatro S\u00e1 da Bandeira, no Porto. Houve ainda os Jotas, \u201cgente de Torres\u201d e Os Camberras. \u201cNos Jotas t\u00ednhamos uma m\u00e1quina, a \u2018Cliff Richard Reverberation\u2019. Uma m\u00e1quina que reverberava a voz. Dava uns efeitos que faziam com que a minha ficasse id\u00eantica \u00e0 do Cliff Richard.\u201d Esteve ainda nos Charruas, na Escola Agr\u00edcola de Santar\u00e9m, de onde fez parte o Dany Silva. \u201cEra o nosso viola-baixo.\u201d Mas \u201co m\u00e1ximo dos m\u00e1ximos\u201d foi mesmo tocar no Conjunto Mist\u00e9rio ao lado do seu companheiro actual nos Rockfellows, Michel Monier.<\/p>\n<p><strong>LU\u00cdS PINTO DE FREITAS<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5LuisPintoDeFreitas.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"468\" class=\"alignnone size-full wp-image-13205\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5LuisPintoDeFreitas.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5LuisPintoDeFreitas-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5LuisPintoDeFreitas-624x428.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5LuisPintoDeFreitas-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nGuitarra solo e voz. \u201cMeio s\u00e9culo\u201d de idade. Na vida profissional faz \u201co m\u00ednimo poss\u00edvel\u201d. Est\u00e1 nos Rockfellows h\u00e1 meia d\u00fazia de anos. Como m\u00fasico, aprendeu a tocar guitarra com Alfredo Laranjinha, \u201cna quarta classe\u201d. Dez anos sem se verem e, mais tarde, o reencontro \u201cna tropa\u201d. \u201cEnquanto toda a gente ia fazer aquelas semanas de campo, n\u00f3s ensai\u00e1vamos a festa do fim da recruta.\u201d Mais dez anos sem se verem e, por fim, os Rockfellows. \u201cO mais curioso \u00e9 que tocamos sempre as mesmas m\u00fasicas que aprendemos na quarta classe\u201d [\u2018E ainda n\u00e3o as sabem!\u2019, grita algu\u00e9m do lado]. Everly Brothers, Elvis, Little Richard. \u201cCanto umas coisas do Georgie Fame, outras francesas, e Shadows, gosto imenso de tocar Shadows.\u201d \u201cTudo \u00fanica e exclusivamente como um divertimento. Mas um divertimento a s\u00e9rio. N\u00e3o queremos enganar as pessoas.\u201d Lu\u00eds Freitas participou, claro, num concurso y\u00e9-y\u00e9, contra outras \u201ccem bandas\u201d concorrentes, distribu\u00eddas pelas v\u00e1rias eliminat\u00f3rias. Um desses concorrentes eram Os Claves, que ganharam o concurso. E os Rocks, de Eduardo Nascimento, do \u201coi\u00e7am, oi\u00e7am\u2026\u201d. O solista dos Rockfellows n\u00e3o nutre grande simpatia pelos sons actuais. \u201cH\u00e1 umas \u00e9pocas de m\u00fasica sint\u00e9tica, que n\u00e3o diz nada a ningu\u00e9m, mas depois volta outra vez uma m\u00fasica com mais conte\u00fado.\u201d A brincar, Lu\u00eds Pinto de Freitas confessa que ouve apenas a R\u00e1dio Nostalgia. \u201cE o meu filho que tem 18 anos e tamb\u00e9m toca umas coisas.\u201d N\u00e3o \u00e9 tanto assim. Afinal, o homem que vibra a tocar e a cantar \u201cBorn to be Wild\u201d, dos Steppenwolf, at\u00e9 v\u00ea assiduamente a MTV. \u201cE esta coisa do \u2018unplugged\u2019\u201d, para si tamb\u00e9m \u201cum bom sinal\u201d de que se est\u00e1 a voltar \u201caos instrumentos ac\u00fasticos\u201d e a \u201ccoisas mais naturais\u201d. Lu\u00eds Pinto de Freitas n\u00e3o consegue ver o futuro, como m\u00fasico, fora dos Rockfellows. Vai ser tocar at\u00e9 ao fim. \u201cLembro-me de ver um \u2018videoclip\u2019 em que o baterista vinha de cadeira de rodas.\u201d<\/p>\n<p><strong>NASCIDOS PARA SER SELVAGENS<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Rockfellows.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"464\" class=\"alignnone size-full wp-image-13203\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Rockfellows.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Rockfellows-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Rockfellows-624x425.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Rockfellows-100x68.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nO t Club (clube das tias) recebeu os Rockfellows na noite de quinta para sexta-feira. O in\u00edcio do espect\u00e1culo estava marcado para as 23h30, mas foi preciso esperar mais uma hora at\u00e9 os m\u00fasicos tomarem os seus lugares num dos lados da pista, onde se amontoavam os instrumentos. \u00c9 sabido que nesta sala, localizada em pleno Espelho  de \u00c1gua, em Bel\u00e9m, o ambiente n\u00e3o costuma ser propriamente esfusiante. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso manter as apar\u00eancias e s\u00f3 depois, se a ocasi\u00e3o se proporcionar, arriscar dar nas vistas. O ideal \u00e9 conseguir as duas coisas ao mesmo tempo.<br \/>\nQuando so Rockfellows come\u00e7aram, a tocar, atirando-se com f\u00faria a \u201cRock around the clock\u201d, de Bill Halley, era como se toda a gente estivesse mergulhada numa tina de gelo na Gronel\u00e2ndia. Ningu\u00e9m mexeu um m\u00fasculo. Jos\u00e9 Santos Fernandes, teclista do grupo, gesticulava a apelava ao tumulto, mas a verdade \u00e9 que ningu\u00e9m pareceu interessado em acompanhar, assim de chofre, o \u201cspeed\u201d dos m\u00fasicos. Os Rockfellows n\u00e3o esmoreceram. As can\u00e7\u00f5es mais aceleradas intercalavam com baladas de Cliff Richard, um instrumental dos Shadows ou \u201cHouse of the rising sun\u201d, dos Animals. \u00d3 tempo, volta para tr\u00e1s. E o tempo ia voltando.<br \/>\nDe s\u00fabito, quando nada o fazia prever, uma balada fez \u201cclic\u201d num ponto cr\u00edtico qualquer da assist\u00eancia. \u201cMa vie\u201d, de Adamo, expoente m\u00e1ximo nos anos 60 do rock sentimental\u00e3o, \u201cm\u00e1 vida\u201d, como foi apresentada na galhofa, atirou toda a gente para a pista, pares bem colados, o \u201cslow\u201d \u2013 lembram-se? \u2013 um dos momentos mais ansiosamente aguardados pelos frequentadores das \u201cbo\u00eetes\u201d (antigamente era assim que se chamava \u00e0s, hoje, discotecas) nos idos de 70. A partir da\u00ed foi o triunfo. Ningu\u00e9m arredou p\u00e9 e era ver os velhotes de l\u00e1grima ao canto do olho finalmente levados pela m\u00e1quina do tempo at\u00e9 ao local e \u00e0 \u00e9poca onde as suas almas ficaram cativas.<br \/>\nTamb\u00e9m havia gente mais nova, divertida e convencida com a m\u00fasica dos tios, das tias e dos \u201cpappies\u201d. De entre aquela faixa et\u00e1ria de transi\u00e7\u00e3o entre a verdura da adolesc\u00eancia e a sabedoria dos 30, destacava-se uma graciosa figura feminina, loura, de vestido negro com gola de rendinhas brancas \u00e0 minhota, muito justo, vestido asc\u00e9tico, dos que v\u00e3o evoluindo no sentido ascendente ao ritmo das sacudidelas da perna. Com este g\u00e9nero de est\u00edmulos visuais a ajudar, a m\u00fasica dos Rockfellows tornou-se t\u00f3rrida, tresandando a pecado. Estou a exagerar um bocadinho, confesso, mas \u00e9 porque sem o recurso \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o a coisa corria o risco de ficar chata.<br \/>\n\u201cDon\u2019t let me down\u201d, dos Beatles, \u201cJailhouse rock\u201d, dos Doors, pelos Rockfellows, ou as tornamos perversas ou sabem a espuma a quem seguiu viagem. Os Rockfellows, entre um copo e um dedo de conversa, mais do que um grupo de m\u00fasica \u201cmoderna\u201d constituem um repto \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. As suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o um inebriamento, um cen\u00e1rio, um quadro vivo do passado, um pretexto para quem quiser reinventar uma \u00e9poca que, sendo a sua, foi, evidentemente, a melhor de todas. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel conter o sorriso \u2013 pu a l\u00e1grima \u2013 e ver para al\u00e9m da mera sess\u00e3o de nostalgia a incarna\u00e7\u00e3o de um sonho que teima em n\u00e3o se desfazer. Ent\u00e3o olhamos para a figura respons\u00e1vel de Lu\u00eds Pinto e Freitas, cabelos brancos, patriarcais, agarrado \u00e0 guitarra a cantar com raiva \u201cBorn to be Wild\u201d, dos Steppenwolf, e vislumbramos nessa figura aparentemente recortada de outro livro o verdadeiro rebelde, que recusa submeter-se \u00e0 espada do destino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996 TACO A TACO COM OS ANOS 60 T\u00eam todos o ar respeit\u00e1vel de chefes de fam\u00edlia e, alguns deles, umas n\u00e3o menos respeit\u00e1veis barrigas. A m\u00e9dia de idades ronda o meio s\u00e9culo, mas tocam com a genica de adolescentes. N\u00e3o querem gravar discos nem fazer da m\u00fasica profiss\u00e3o. Chegam-lhes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1265,841,44,24,10],"tags":[4258,4257],"class_list":["post-13199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1996","category-concertos","category-pop","category-portugueses","category-rock","tag-rockfellows","tag-t-club"],"views":10,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13199"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13206,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13199\/revisions\/13206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}