{"id":13176,"date":"2026-09-16T08:14:31","date_gmt":"2026-09-16T15:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=13176"},"modified":"2026-09-16T08:14:31","modified_gmt":"2026-09-16T15:14:31","slug":"dancas-ocultas-dancas-ocultas-estreiam-as-concertinas-tambem-choram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/09\/16\/dancas-ocultas-dancas-ocultas-estreiam-as-concertinas-tambem-choram\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7as Ocultas &#8211; &#8220;Dan\u00e7as Ocultas Estreiam AS CONCERTINAS TAMB\u00c9M CHORAM&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 21.02.1996<br \/>\n<strong>pop rock >> portugueses<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Dan\u00e7as Ocultas Estreiam<br \/>\nAS CONCERTINAS TAMB\u00c9M CHORAM<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nUm disco instrumental, ainda por cima s\u00f3 de concertinas, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o arriscada, por mais calculado que seja o risco. Foi isso que fizeram os Dan\u00e7as Ocultas, um grupo de \u00c1gueda que, no seu \u00e1lbum de estreia, decidiu elevar aquele instrumento de fole \u00e0 categoria de m\u00fasica de c\u00e2mara.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancasOcultas.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"453\" class=\"alignnone size-full wp-image-13177\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancasOcultas.jpg 678w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancasOcultas-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancasOcultas-624x417.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancasOcultas-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cdan\u00e7as Ocultas\u201d rejuvenesce um instrumento considerado durante muito tempo parente pobre, remetido para a anima\u00e7\u00e3o de romarias ou para o pedit\u00f3rio do cego. Se J\u00falio Pereira tirou o cavaquinho e a braguesa do gueto, e Tent\u00fagal e Fernando Meireles fizeram o mesmo com a sanfona, o quarteto de \u00c1gueda devolveu a concertina \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de nobre que \u00e9 capaz de chorar a melancolia de Satie. Artur Fernandes, mentor do projecto, num intervalo das filmagens do v\u00eddeo promocional, explicou ao P\u00daBLICO os segredos do instrumento.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Como decorreu a grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nARTUR FERNANDES \u2013 No in\u00edcio traz\u00edamos uma forma de execu\u00e7\u00e3o, um tipo de report\u00f3rio e uma determinada afina\u00e7\u00e3o das concertinas, a tradicional, com as palhetas mais vibrantes. A pedido do T\u00f3 Pinheiro da Silva [engenheiro de som e respons\u00e1vel pela sonoplastia], estud\u00e1mos a possibilidade de ter o som mais afinado, com as palhetas mais pr\u00f3ximas. Foi o que fizemos. N\u00e3o podemos igualmente negar a influ\u00eancia, no modo de trabalhar, do produtor Gabriel Gomes, determinante na feitura dos arranjos. Nos tr\u00eas dias que antecederam a grava\u00e7\u00e3o, alter\u00e1mos alguns aspectos dos temas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Gravaram ao vivo no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Como temos vindo a tocar sempre os quatro desde h\u00e1 seis anos, criou-se entre n\u00f3s um balan\u00e7o pr\u00f3prio. O T\u00f3 Pinheiro entendeu que isso devia ser aproveitado, essa envolv\u00eancia, gravando n\u00e3o por pistas mas todos juntos. Claro que deu mais trabalho, sempre que algu\u00e9m se enganava t\u00ednhamos de gravar outro \u201ctake\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia deu-se sem atritos?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tenho essa rela\u00e7\u00e3o, mas a outro n\u00edvel. Estou neste momento a fazer est\u00e1gio no curso superior de Composi\u00e7\u00e3o, mantendo uma rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica electro-ac\u00fastica, com sistemas digitais e anal\u00f3gicos. Este trabalho com as concertinas funciona, no entanto, a outro n\u00edvel.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O tema inicial, \u201cFolia\u201d, constitui uma experi\u00eancia radical na utiliza\u00e7\u00e3o da concertina\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 No acorde\u00e3o e na concertina existe um bot\u00e3o do ar que liberta o fole sem ser necess\u00e1rio tocar nos bot\u00f5es. No acorde\u00e3o, este bot\u00e3o serve essencialmente para, no fima da m\u00fasica, fechar o fole. Na concertina ele tem outra fun\u00e7\u00e3o, que \u00e9, durante a m\u00fasica, compensar a necessidade de maior ou menor tempo a abrir e a fechar o fole. Havendo esta funcionalidade do movimento do fole, opt\u00e1mos por explor\u00e1-lo isoladamente, de maneira a produzir uma sensa\u00e7\u00e3o de respira\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\n<strong>P. \u2013 As pessoas costumam ver na concertina um instrumento foli\u00e3o, extrovertido, mas \u201cDan\u00e7as Ocultas\u201d \u00e9 um disco bastante melanc\u00f3lico, poder\u00edamos mesmo dizer de m\u00fasica de c\u00e2mara\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Exacto. Comecei na m\u00fasica tradicional, a tocar concertina nos grupos folcl\u00f3ricos. Depois fui para o Conservat\u00f3rio e iniciei experi\u00eancias com a concertina, precisamente na \u00e1rea da m\u00fasica erudita. Verifiquei que o instrumento afinal n\u00e3o era t\u00e3o limitado assim. O que era necess\u00e1rio era explorar as suas potencialidades. Fui descobrindo ent\u00e3o o tipo de trabalho que se faz na m\u00fasica de c\u00e2mara, com distribui\u00e7\u00e3o das vozes pelos instrumentos, o tipo de envolv\u00eancia, ou a necessidade de tocar com o m\u00e1ximo de conforto. Anatomicamente, h\u00e1 a necessidade de tocarmos sentados, para obtermos um m\u00e1ximo de rendimento em termos de express\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O \u201cNo8c) turno das 7\u201d traz-nos ecos de uma \u201cgnossienne\u201d de Erik Satie\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o posso negar. Sobretudo no acompanhamento harm\u00f3nico e no tipo de ritmo. Mas h\u00e1 no disco todas as influ\u00eancias da m\u00fasica que ou\u00e7o e estudo, Piazzola (em \u201cQuartetra\u201d), de quem sou grande f\u00e3, m\u00fasicas tradicionais da Europa, menos Stravinsky, Messiaen e Webern, este \u00faltimo pelo culto da forma. Um pouco o que eu tento disciplinar neste projecto e que aprendi com a an\u00e1lise de Webern. Na \u201cmoda assim ao lado\u201d, n\u00e3o poso negar a inspira\u00e7\u00e3o de um Riccardo Tesi ou de um Kepa Junkera. Mas o nosso som resulta pessoal, em parte devido \u00e0 afina\u00e7\u00e3o diferente que procur\u00e1mos. Em Portugal, a concertina tem um som estridente. Em It\u00e1lia ou nos pa\u00edses celtas, trabalha-se um som que os afinadores chamam mais \u201cligado\u201d. N\u00f3s ainda fomos a um extremo maior. Tent\u00e1mos, nos v\u00e1rios arranjos, explorar a diferen\u00e7a de timbres, nas m\u00e3os esquerda e direita, al\u00e9m dos tais movimentos do fole.<br \/>\n<strong>P. \u2013 J\u00e1 pensou na possibilidade de desenvolver o instrumento, liga-lo \u00e0 electr\u00f3nica, como faz, por exemplo, Valentin Clastrier com a sanfona?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Para j\u00e1 n\u00e3o penso nisso, gosto imenso do som ac\u00fastico. Sinto mais vibra\u00e7\u00e3o no corpo assim do que com os sons electr\u00f3nicos ou electrificados.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Est\u00e1 consciente do risco que \u00e9 editar em Portugal um disco instrumental, para mais centrado num \u00fanico instrumento?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O projecto, quando come\u00e7ou, partiu precisamente da tal influ\u00eancia da m\u00fasica de c\u00e2mara. Sei que, por vezes, as pessoas precisam de seguir, ouvir uma letra, mas, talvez por estudar m\u00fasica, consigo dispensar a voz. Neste aspecto tenho como modelo o \u201cQuinteto do novo Tango\u201d, do Piazzola, onde os instrumentos t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o imitar as vozes humanas. \u00c9 um pouco pedag\u00f3gico tentar ensinar as pessoas a ouvir m\u00fasica e a aperceber-se de que n\u00e3o interessa se uma m\u00fasica \u00e9 comercial ou n\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Para eventuais interessados, quanto custa uma concertina?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 concertinas a tr\u00eas e duas vozes. Quer dizer, cada bot\u00e3o dispara tr\u00eas ou quatro palhetas. Com tr\u00eas palhetas, o som \u00e9 mais potente. A de tr\u00eas vozes \u00e9 mais cara, custar\u00e1 agora \u00e0 volta de 200 contos. As italianas, que s\u00e3o as melhores, custam ainda mais.<br \/>\n<strong>NOTA: Os Dan\u00e7as Ocultas apresentam o seu disco de estreia num espect\u00e1culo a realizar a 16 de Mar\u00e7o, no Pequeno Audit\u00f3rio do Centro Cultural de Bel\u00e9m. Por agora, est\u00e3o a gravar um v\u00eddeo de promo\u00e7\u00e3o com realiza\u00e7\u00e3o de T\u00f3 Forte, um jovem de 27 anos cujo curr\u00edculo inclui j\u00e1 trabalhos com os Kussondulola, Diva, Sacred Sin, S\u00e9rgio Godinho, M\u00e1rio Laginha e Janita Salom\u00e9, al\u00e9m da assinatura em programas para a televis\u00e3o como o extinto Pop-Off ou, actualmente, o de moda, \u201c86-80-86\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 21.02.1996 pop rock >> portugueses Dan\u00e7as Ocultas Estreiam AS CONCERTINAS TAMB\u00c9M CHORAM Um disco instrumental, ainda por cima s\u00f3 de concertinas, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o arriscada, por mais calculado que seja o risco. 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