{"id":1298,"date":"2009-12-22T10:37:21","date_gmt":"2009-12-22T17:37:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1298"},"modified":"2009-12-22T10:37:21","modified_gmt":"2009-12-22T17:37:21","slug":"la-dusseldorf-viva-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/12\/22\/la-dusseldorf-viva-conj\/","title":{"rendered":"La D\u00fcsseldorf &#8211; Viva (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>12.09.1997<br \/>\nKrautrock<br \/>\nDo Fundo Da Cornuc\u00f3pia<br \/>\nNo seu \u201cromance\u201d pessoal sobre o \u201ckrautrock\u201d dos anos 70, \u201cKrautrocksampler\u201d, Julian Cope passou ao largo de grande parte da produ\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica dos grupos germ\u00e2ncios dessa \u00e9poca, cingindo-se aos nomes que fizeram hist\u00f3ria, dos Faust aos Amon D\u00fc\u00fcl II, dos Kraftwerk aos Neu!, dos Popol Vuh aos Tangerine Dream. Mas essa hist\u00f3ria foi feita por muitos mais. Em Portugal est\u00e1-se a desenterrar os tesouros esquecidos.<\/p>\n<p>A viagem come\u00e7a, precisamente, por uma das bandas referidas por Cope no seu livro, os Harmonia, conflu\u00eancia dos Cluster, de Dieter Moebius e Joachim Roedelius, com Michael Rother, dos Neu!, e pelo seu segundo \u00e1lbum, \u201cDeLuxe\u201d, de 1975, que contou ainda com a participa\u00e7\u00e3o do baterista dos Guru Guru Mani Neumeier. Obra fundamental do \u201ckrautrock\u201d, mais acess\u00edvel do que a estreia \u201cMusik Von Harmonia\u201d, nela a batida metron\u00f3mica funciona como pista para o expresionismo electr\u00f3nico de trio, bem ilustrado no kratwerkiano tema de abertura, com os Harmonia rolando na sua pr\u00f3pria \u201cautobahn\u201d. \u201cDeLuxe\u201d \u00e9 um disco fundamental para se compreender a transi\u00e7\u00e3o da fase inicial, mais c\u00f3smica, do \u201ckrautrock\u201d para o niilismo mecanicista (exemplificado no vertiginoso andamento do tema \u201cMonza\u201d) que infectaria a alma das grandes metr\u00f3poles teut\u00f3nicas, anunciando o \u201cpunk\u201d e o radicalismo de atitude de uma banda posterior, os La D\u00fcsseldorf, pilotados pela outra metade dos Neu!, Klaus Dinger. (Brain, import. Torpedo, 9.)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ladusseldorf_viva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ladusseldorf_viva.jpg\" alt=\"ladusseldorf_viva\" title=\"ladusseldorf_viva\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-1299\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ladusseldorf_viva.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ladusseldorf_viva-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ladusseldorf_viva-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/8635527\/Viva.zip\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"320\" height=\"265\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5b48qPmJudE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5b48qPmJudE&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"320\" height=\"265\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Seguindo o rasto, encontramos precisamente os La D\u00fcsseldorf, tamb\u00e9m no seu segundo \u00e1lbum, \u201cViva\u201d, de 1978, ou seja, no auge do \u201cpunk. Numa altura em que, em Inglaterra, os jovens de alfinetes queimavam os sintetizadores, os irm\u00e3os Klaus e Thomas Dinger equacionavam o seu uso num contexto derivado do pioneirismo dos Kraftwerk, pondo em liga\u00e7\u00e3o a est\u00e9tica do grito \u201cb\u00e1varo\u201d, como Cope lhe chama, com os circuitos integrados das m\u00e1quinas, transformadas em monstros de metal. Tamb\u00e9m desta banda volta a estar dispon\u00edvel o seu \u00e1lbum de estreia, \u201cLa D\u00fcsseldorf\u201d, igualmente na vers\u00e3o japonesa, da qual, como se pode ler no aviso da capa, foi copiada a anterior edi\u00e7\u00e3o pirata com o \u201cselo\u201d Germanofon. (Captain Tripi, import. Torpedo, 7.)<br \/>\nAvancemos para outro disco cl\u00e1ssico, este j\u00e1 sem a chancela de Julian Cope: \u201cOsmose\u201d, com data de edi\u00e7\u00e3o original de 1970, na Ohr, dos Annexus Quam, outra banda com origem em D\u00fcsseldorf. Representativo de uma \u00e1rea explorada, de forma mais sofisticada, por bandas como os Kraan ou Release Music Orchestra, \u201cOsmose\u201d entrela\u00e7a, por vezes de forma an\u00e1rquica, as tend\u00eancias jazz\u00edsticas que viriam a ser sistematicamente desenvolveidas no \u00e1lbum posterior, \u201cbeziehungen\u201d, com a mesma costela cosmico-percussiva de \u201cAtem\u201d, dos Tangerine Dream. (Spalax, import. Torpedo, 7.)<br \/>\nAsh Ra Tempel e Guru Guru s\u00e3o duas das bandas mais representativas do \u201ckrautrock\u201d. \u201cAsh Ra Tempel\u201d, a estreia, em 1971, do colectivo liderado pelo guitarrista e sintetista Manuel G\u00f6ttsching, foi a primeira de muitas \u201cacid jams\u201d que culminariam no encontro, patrocinado pelo esquizoguru da \u201cKosmische Muzik\u201d, Rolf-Ulrich Kaiser, com o guru do LSD, Timothy Leary, em \u201cSeven Up\u201d e que apenas parecem fazer sentido para uma cabe\u00e7a igualmente encharcada em \u00e1cido lis\u00e9rgico. Como a de Cope, que inclui este \u00e1lbum na sua lista de prefer\u00eancias. (Spalax, import. Torpedo, 6.)<br \/>\nJ\u00e1 \u201cTango Fango\u201d, \u00e1lbum de 1976 dos Guru Guru, constitui uma amostra pouco representativa do poder implosivo que caracteriza os dois primeiros \u00e1lbuns desta banda, desde sempre impulsionada pelo barerista Mani Neumeier, \u201cUFO\u201d e \u201cHinten\u201d. Em \u201cTango Fango\u201d mistura-se o jazz-rock trazido pelo novo recruta Roland Schaeffer, nos sopros, com tangos, m\u00fasica de variedades, marchas folcl\u00f3ricas, anedotas absurdas e canto \u201cyodelling\u201d. Interessante mas demasiado derivativo. (EFA, import. Torpedo, 6.)<br \/>\nLado a lado com os grupos cujo som era declaradamente \u201ckraut\u201d (leia-se \u201cc\u00f3smico\u201d, \u201clibert\u00e1rio\u201d, \u201cexplorat\u00f3rio\u201d, \u201ctripante\u201d&#8230;) coexistiram, na Alemanha, muitos outros, apostados em fazer m\u00fasica com menos conota\u00e7\u00f5es regionais, que cantavam em ingl\u00eas e, em geral, cometiam o pecado de dominar tecnicamente os instrumentos que tocavam. Os Grobschnitt inclu\u00edam-se nesta categoria. Entre 1972 e 1989, gravaram 13 \u00e1lbuns, chegando a alcan\u00e7ar n\u00edveis elevados depopularidade, no seu pa\u00eds de origem. \u201cBallerman\u201d, de 1974, um duplo \u00e1lbum na vers\u00e3o original, em vinil, \u00e1 marcado por influ\u00eancias d\u00edspares e por uma veia \u201cprogressiva\u201d bem assimilada, onde avulta a longa \u201csuite\u201d \u201cSolar Music\u201d, com os seus 33 minutos de experimenta\u00e7\u00f5es variadas em torno de sequencia\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas, psicadelismo tardio e efeitos de produ\u00e7\u00e3o. Este mesmo tema seria ampliado para mais de 50 minutos numa posterior vers\u00e3o garavada ao vivo e editada em 1978, com o t\u00edtulo \u201cSolar Music &#8211; Live\u201d.<br \/>\n\u201cRockpommel\u2019s Land\u201d, de 1977, \u00e9 um \u00e1lbum conceptual, mais sereno e inspirado nos Genesis, onde se conta a odisseia do pequeno Ernie, entre a s\u00e1tira e a preocupa\u00e7\u00e3o de emular na perfei\u00e7\u00e3o os mestres ingleses. Um \u00e1lbum de pormenores e subtilezas que \u201ctrepa\u201d a cada audi\u00e7\u00e3o. (Brain, import. Planeta Rock, 6 e 7).<br \/>\nEroc, de seu nome verdadeiro Joachim H. Ehrig, era o percussionista dos Grobschnitt. Mas os \u00e1lbuns que gravou a solo (onde estende os seus talentos de executante aos teclados, acorde\u00e3o, vibrafone e percuss\u00f5es v\u00e1rias) n\u00e3o tinham rigorosamente nada a ver com a m\u00fasica do grupo. \u201cWolkenreise\u201d \u00e9 uma colect\u00e2nea de temas gravados entre 1975 e 1982, que v\u00e3o do \u201ceasy listening\u201d alpino, seja l\u00e1 o que isso for, a neuroses ambientalistas, entre a par\u00f3dia aos rom\u00e2nticos e del\u00edrios electr\u00f3nicos de sintetizadores perdidos nos seus pr\u00f3prios devaneios. Sali\u00eancia para \u201cDes zauberers traum\u201d, de \u201cEroc\u201d, uma dos mais estranhos \u00e1lbun gravados por esta personalidade, arrumada entre Manuel G\u00f6ttsching e Michael Rother. (Brain, import. Planeta Rock, 6)<br \/>\nPara os Novalis n\u00e3o se punham d\u00favidas quanto aoa estilo a seguir. Eram rom\u00e2nticos declarados, como os Wallenstein, Hoelderlin ou Parzival, n\u00e3o escondendo a sua paix\u00e3o pelos sons dos progressivos do outro lado da Mancha. \u201cBanished Bridge\u201d (agora em vers\u00e3o remasterizada), com a qual se estrearam em 1973 na Brain, denota a influ\u00eancia descarada dos Pink Floyd, da fase \u201cA Saucerful of Secrets\u201d e \u201cUmmagumma\u201d, no tema conceptual de 17 minutos que d\u00e1 t\u00edtulo ao \u00e1lbum, com base no \u201cmellotron\u201d e restantes teclados de Lutz Rahn. Apesar disso, desprende-se dele magia e um ambiente de estranheza que cativa. Os restantes tr\u00eas s\u00e3o mais exibicionistas, oscilando entre a pirotecnia dos Emerson, Lake &#038; Palmer e o barroco insuflado dos Procol Harum (Brain\/Repertoire, import. Torpedo, 7.).<br \/>\nGuard\u00e1mos para o fim a maior surpresa. \u201cFull Horn\u201d, dos Cornucopia, \u00e9 uma p\u00e9rola que poucos conheceriam. \u00c9 o \u00fanico \u00e1lbum gravado por este septeto &#8211; auxiliado ainda por Jochen Petersen, saxofonista e flautista do grupo de Achim Reichel &#8211; que teve contra si o facto de estar demasiado avan\u00e7ado no tempo. Na altura ningu\u00e9m quis saber deles e os Cornucopia n\u00e3o tiveram outra alternativa sen\u00e3o desistir. Mas \u201cFull Horn\u201d, de 1973, faz justi\u00e7a ao t\u00edtulo, mostrando ser uma verdadeira cornuc\u00f3pia de onde jorram a cada instante renovados prazeres. Antes e mais, a banda era constitu\u00edda por executantes de excep\u00e7\u00e3o. Mas ao contr\u00e1rio do que era frequente acontecer, punham as suas capacidades ao servi\u00e7o de uma m\u00fasica inclassific\u00e1vel, com uma complexidade talvez apenas compar\u00e1vel aos Gentle Giant e um gosto pelo bizarro que, nalguns momentos, traz \u00e0 mem\u00f3ria Frank  Zappa. Os 19 minutos de \u201cDay of a Daydream Believer\u201d evoluem de forma imprevis\u00edvel atrav\u00e9s de vocaliza\u00e7\u00f5es arrevesadas, na linha dos Amon D\u00fc\u00fcl II, e constantes mudan\u00e7as de ritmo e ambiente. \u201cMorning Sun &#8211; Version 127 (for the charts)\u201d evoca a subtileza da escola de Canterbury enquanto \u201cAnd the Madness\u201d mergulha no mesmo universo de aliena\u00e7\u00e3o iluminada dos Gentle Giant de \u201cIn A Glass House\u201d ou dos Gracious. \u201cSpots on You, Kids\u201d faria boa figura num cat\u00e1logo seleccionado da Recommended. Um cl\u00e1ssico. (Brain\/Repertoire, import. Torpedo, 8.)<br \/>\nNa Planeta Rock encontram-se ainda dispon\u00edveis \u00e1lbuns dos Faust (\u201cThe Faust Tapes\u201d, \u201c71 Minutes of Faust\u201d e o novo \u201cYou Know FaUSt\u201d), Jane (\u201cHere We Are\u201d, \u201cJane III\u201d, \u201cLady\u201d e \u201cFire, Water, Earth &#038; Air\u201d), Grobschnitt (\u201cSolar Music &#8211; Live\u201d, \u201cIllegal\u201d e \u201cLast Party &#8211; Live\u201d) e Nektar, que eram ingleses mas fizeram carreira na Alemanha, acabando por ser adoptados pela grande fam\u00edlia do \u201ckrautrock\u201d (\u201cJourney to the Center of the Eye\u201d, \u201cA Tab in the Ocean\u201d e \u201cRemember the Future\u201d. Na Torpedo pode encontrar os Agitation Free (\u201cLast\u201d), os Cluster (\u201cCluster III\u201d), Guru Guru (\u201cUFO e \u201cHinten\u201d), Faust (\u201cRien\u201d), Harmonia (\u201cMusik von Harmonia\u201d), La! Neu? (\u201cD\u00fcsseldorf\u201d) e Moebius &#038; Plank (Rastakraut\/Material\u201d)<\/p>\n<p>Nota: Os Harmonia voltaram ao activo. Ao trio Moebius, Roedelius e Rother juntou-se um quarto elemento, nada mais nada menos do que Brian Eno, que, de resto, j\u00e1 gravara com a dupla dos Cluster os \u00e1lbuns \u201cCluster &#038; Eno\u201d e \u201cAfter the Heat\u201d. O novo \u00e1lbum dos Harmonia, a sair em breve, tem como t\u00edtulo \u201cTracks &#038; Traces\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12.09.1997 Krautrock Do Fundo Da Cornuc\u00f3pia No seu \u201cromance\u201d pessoal sobre o \u201ckrautrock\u201d dos anos 70, \u201cKrautrocksampler\u201d, Julian Cope passou ao largo de grande parte da produ\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica dos grupos germ\u00e2ncios dessa \u00e9poca, cingindo-se aos nomes que fizeram hist\u00f3ria, dos Faust aos Amon D\u00fc\u00fcl II, dos Kraftwerk aos Neu!, dos Popol Vuh aos Tangerine Dream. 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