{"id":12911,"date":"2026-04-09T03:40:31","date_gmt":"2026-04-09T10:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12911"},"modified":"2026-04-09T03:40:31","modified_gmt":"2026-04-09T10:40:31","slug":"art-zoyd-alianca-murnau-art-zoyd-provoca-agitacao-na-culturgest-depositos-de-loucura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/04\/09\/art-zoyd-alianca-murnau-art-zoyd-provoca-agitacao-na-culturgest-depositos-de-loucura\/","title":{"rendered":"Art Zoyd &#8211; &#8220;Alian\u00e7a Murnau \/ Art Zoyd Provoca Agita\u00e7\u00e3o Na Culturgest &#8211; Dep\u00f3sitos De Loucura&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira, 09.10.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Alian\u00e7a Murnau \/ Art Zoyd Provoca Agita\u00e7\u00e3o Na Culturgest<br \/>\nDep\u00f3sitos De Loucura<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nA loucura do vampiro. A loucura de Fausto que vende a alma ao diabo. A loucura de Murnau, ao expor a ess\u00eancia demon\u00edaca do cinema. A loucura musical dos Art Zoyd, ao surripiarem a alma de Murnau. A loucura de Jo\u00e3o C\u00e9sar Monteiro, na tentativa de boicote ao espect\u00e1culo. Noite desvairada no Audit\u00f3rio da Caixa Geral de Dep\u00f3sitos.<br \/>\nSob o ciclo do Apocalipse \u2013 Templo da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/artZoyd-1.jpg\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"558\" class=\"alignnone size-full wp-image-12912\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/artZoyd-1.jpg 738w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/artZoyd-1-300x227.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/artZoyd-1-624x472.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/artZoyd-1-100x76.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>A loucura assentou pra\u00e7a no Grande Audit\u00f3rio do Edif\u00edcio Sede da Caixa Feral de Dep\u00f3sitos, s\u00e1bado \u00e0 noite, durante a projec\u00e7\u00e3o do \u201cNosferatu\u201d de Friedrich Murnau, com acompanhamento musical ao vivo do quarteto franc\u00eas Art Zoyd. Um espect\u00e1culo fabuloso, sob v\u00e1rios aspectos, e que n\u00e3o poderia ser mais adequado \u00e0 tem\u00e1tica em quest\u00e3o: o Apocalipse.<br \/>\nTempo de todas as s\u00ednteses, sobreposi\u00e7\u00f5es e separa\u00e7\u00f5es. E paradoxos. Tempo da anula\u00e7\u00e3o do tempo e, como tal, da Hist\u00f3ria. A m\u00fasica \u201cmonstruosa\u201d dos Art Zoyd foi a melhor ilustra\u00e7\u00e3o e complemento para a grande ilus\u00e3o (monstruosidade de outra esp\u00e9cie, menos aparente) tecida pelo cinema do mestre do Expressionismo alem\u00e3o, em \u201cNosferatu\u201d e \u201cFaust\u201d.<br \/>\nN\u00e3o foi da mesma opini\u00e3o o realizador portugu\u00eas Jo\u00e3o C\u00e9sar Monteiro. Volvidos escassos minutos ap\u00f3s o in\u00edcio da projec\u00e7\u00e3o de 2Nosferatu\u201d, o autor de 2\u00aa Com\u00e9dia de Deus\u201d \u2013 cujas semelhan\u00e7as fision\u00f3micas com o vampiro de Murnau s\u00e3o not\u00f3rias \u2013 invadiu o palco, encetando o seu \u201cshow\u201d particular. Com o pr\u00e9mio obtido recentemente em Cannes debaixo do bra\u00e7o, lan\u00e7ou ali mesmo, aos m\u00fasicos e a uma plateia divertida, um manifesto contra o que considerou um \u201ccrime lesa cinema\u201d e que resumiu em tr\u00eas m\u00e1ximas fundamentais: \u201cJ\u00e1 fui enganado!\u201d, \u201cParem l\u00e1 com essa merda!\u201d e \u201cQuero a minha ma\u00e7aroca!\u201d. Enquanto o diabo esfrega um olho, os Art Zoyd tinham conseguido destruir cem s\u00e9culos de cinema e deitado por terra a respeitabilidade de Murnau\u2026 O circo encerrou quando um seguran\u00e7a tirou dali o senhor que ainda esbo\u00e7ou uns socos e pontap\u00e9s, acabando por deixar abandonado no ch\u00e3o \u2013 qui\u00e7\u00e1 num gesto simb\u00f3lico \u2013 o seu pr\u00e9mio t\u00e3o arduamente conquistado. No intervalo, o vampiro, perd\u00e3o, o realizador Monteiro voltou a insistir na tese de \u201clesa cinema\u201d, ao mesmo tempo que definia a m\u00fasica dos Art Zoyd como \u201cchinfrineira\u201d. No ar, deixou um terr\u00edvel repto: \u201cO cinema h\u00e1-de voltar!\u201d A C\u00e9sar oq eu \u00e9 de C\u00e9sar.<\/p>\n<p><strong>Um \u201cIntermezzo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Acabou por ser um \u201cintermezzo\u201d saboroso que teve o cond\u00e3o de amenizar um ritual de tr\u00eas horas de emo\u00e7\u00f5es fortes. Uma sess\u00e3o que ter\u00e1 abalado algumas convic\u00e7\u00f5es e posto em jogo o papel das imagens e da m\u00fasica, e da sua intersec\u00e7\u00e3o, enquanto formas de manipula\u00e7\u00e3o, f\u00edsica, mental e emocional. A m\u00fasica dos Art Zoyd, j\u00e1 o hav\u00edamos escrito e avisado, pode ser esmagadora. Para alguns at\u00e9, como se viu, insuport\u00e1vel. Cadinho onde fervem as mem\u00f3rias de Wagner e dos Magma, ou a m\u00fasica industrial dos Laibach e Test Dept., nas sequ\u00eancias de metal percutido, aut\u00eanticas marchas do Armaged\u00e3o, capazes de p\u00f5r os cabelos em p\u00e9 a muita gente. Havia o perigo de este protagonismo excessivo dos sons prejudicar a concentra\u00e7\u00e3o nas imagens e impedir a sua respira\u00e7\u00e3o ou parasitar o seu ritmo interno. Tal n\u00e3o aconteceu. O cinema de Murnau \u00e9 suficientemente forte e, da mesma forma que a est\u00e9tica dos Zoyd, aferido por escalas que transcendem as normas vulgares. Combate tit\u00e2nico mas tamb\u00e9m uma alian\u00e7a. Inferno contra inferno, mas tamb\u00e9m poesia potenciada por poesia. Acumula\u00e7\u00e3o de excessos at\u00e9 ao paroxismo.<br \/>\nO \u201cNosferatu\u201d musical dos Art Zoyd \u00e9 uma entidade aut\u00f3noma, gravada em disco, pe\u00e7a fundamental da m\u00fasica contempor\u00e2nea actual. O \u201cNosferatu\u201d de Murnau, ao contr\u00e1rio do que muitos insistem que seja, n\u00e3o \u00e9 mera pe\u00e7a de museu mas um raio de luz (e do seu inverso, as trevas) onde vem montado Lucifer, a reinar at\u00e9 ao presente. Juntos, s\u00e3o mais medo, um combate maior, alian\u00e7a superior, linguagem f\u00e9rtil que se desdobra num outro tipo de brilho, t\u00e3o ou mais intenso que o original.<\/p>\n<p><strong>O \u201cPecado\u201d Das Manipula\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o em saber se os dois fimes, na origem mudos, ganham ou perdem com a \u201cintrus\u00e3o\u201d da m\u00fasica \u00e9 sup\u00e9rflua. Os Art Zoyd, entre outras opera\u00e7\u00f5es de maior profundidade, assumem afinal a tal manipula\u00e7\u00e3o que toda a forma de arte em si encerra a neste final de s\u00e9culo se revela como condi\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca ao pr\u00f3prio acto criativo. Vide, em m\u00fasica, a import\u00e2ncia crescente das t\u00e9cnicas de samplagem, ou, em cinema, o exemplo dado pelo pr\u00f3prio C\u00e9sar Monteiro\u2026 De resto, o grupo franc\u00eas teve o cuidado, logo no gen\u00e9rico, de elucidar que se tratava do seu \u201cNosferatu\u201d, interpreta\u00e7\u00e3o que inevitavelmente iria provocar transforma\u00e7\u00f5es \u2013 de significado e de percep\u00e7\u00e3o \u2013 no seu companheiro cinematogr\u00e1fico.<br \/>\nAs duas longas composi\u00e7\u00f5es, mais composta a de \u201cNosferatu\u201d que a de \u201cFausto\u201d, remetida a um papel de pontua\u00e7\u00e3o, vivem da acumula\u00e7\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o de climaxes e distens\u00f5es. O lado marcial e sinf\u00f3nico das percuss\u00f5es electr\u00f3nicas acumula tens\u00f5es, saturando o lado narrativo das imagens. Por contraste, estas parecem ressuscitar para sentidos in\u00e9ditos e ainda mais perturbantes, quando a m\u00fasica recua para o sussurro ou para a chuva mi\u00fada de uma caixa-de-m\u00fasica, ou ainda quando reinventa c\u00e2nticos religiosos, uma gaita-de-foles ou sopros virtuais, iluminando lados de sombra, express\u00f5es singulares ou alguns momentos de humor que atravessam, sobretudo, o \u201cFausto\u201d do cineasta alem\u00e3o. Os Art Zoyd levaram o atrevimento ao ponto de ousar \u201ccan\u00e7\u00f5es\u201d nos instantes preparat\u00f3rios em que o sortil\u00e9gio do preto e branco n\u00e3o lan\u00e7ara ainda a investida. Se \u00e9 que se pode chamar \u201ccan\u00e7\u00f5es\u201d aos c\u00e2nticos guerreiros de Thierry Zaboitzeff, teletransportados do planeta \u201cKobaia\u201d, de Christian Vander.<br \/>\nNoite de loucura, repetimos, e de revela\u00e7\u00e3o. Da grande m\u00fasica dos Art Zoyd. E de algumas carantonhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira, 09.10.1995 Alian\u00e7a Murnau \/ Art Zoyd Provoca Agita\u00e7\u00e3o Na Culturgest Dep\u00f3sitos De Loucura A loucura do vampiro. A loucura de Fausto que vende a alma ao diabo. A loucura de Murnau, ao expor a ess\u00eancia demon\u00edaca do cinema. A loucura musical dos Art Zoyd, ao surripiarem a alma de Murnau. 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