{"id":12875,"date":"2026-03-18T04:21:07","date_gmt":"2026-03-18T11:21:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12875"},"modified":"2026-03-18T04:21:07","modified_gmt":"2026-03-18T11:21:07","slug":"rolling-stones-rolling-stones-diabolicos-deitam-fogo-aos-classicos-em-alvalade-retro-activos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/03\/18\/rolling-stones-rolling-stones-diabolicos-deitam-fogo-aos-classicos-em-alvalade-retro-activos\/","title":{"rendered":"Rolling Stones &#8211; &#8220;Rolling Stones  Diab\u00f3licos Deitam Fogo Aos Cl\u00e1ssicos Em Alvalade &#8211; Retro Activos&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> quarta-feira, 26.07.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Rolling Stones  Diab\u00f3licos Deitam Fogo Aos Cl\u00e1ssicos Em Alvalade<br \/>\nRetro Activos<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Os Stones ainda mexem. Como cobras. O espect\u00e1culo \u201cVoodoo Lounge&#8221; que apresentaram em Lisboa combina can\u00e7\u00f5es antigas, energia em doses transbordantes e cheiro a enxofre. Significa que os Rolling Stones foram \u201cretro\u201d e mais activos do que nunca. Cinquenta mil pessoas receberam em Alvalade o que estavam \u00e0 espera: \u201cSatisfaction\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rollingStones-1.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"529\" class=\"alignnone size-full wp-image-12876\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rollingStones-1.jpg 740w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rollingStones-1-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rollingStones-1-624x446.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rollingStones-1-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O est\u00e1dio de Alvalade, em Lisboa, encheu na noite de segunda-feira para cumprir o segundo ritual portugu\u00eas de adora\u00e7\u00e3o aos Rolling Stones. Mick Jagger e companhia corresponderam com a celebra\u00e7\u00e3o de outro ritual, este pag\u00e3o, inspirado no fogo e no rock \u2018n\u2019 rol remetido \u00e0s suas origens e premissas de base: os \u201cblues\u201d, o sexo, a dor e a revolta. Claro que aos cinquenta anos de idade tudo se reduz \u00e0 encena\u00e7\u00e3o, com o espect\u00e1culo a sobrepor-se \u00e0s convic\u00e7\u00f5es e os quatro Stones a funcionarem como actores de si pr\u00f3prios e de um passado com o qual agora procuram estabelecer contacto a todo o custo.<br \/>\nMas funcionou. Durante duas horas e um quarto Jagger, Richards, Watts e Wood conseguiram oferecer a ilus\u00e3o de que ainda acreditam. Melhor ainda, que t\u00eam for\u00e7a para continuar a acreditar.<br \/>\nO mesmo n\u00e3o aconteceu com os Black Crowes, que durante a hora de aquecimento que lhes coube, deram a ideia de j\u00e1 estarem mortos h\u00e1 muito.<br \/>\nO seu \u201chard rock\u201d fabricado sobre intermin\u00e1veis e massacrantes solos de guitarra constituiu uma barragem decib\u00e9lica que em vez de animar cortou a excita\u00e7\u00e3o que pairava no ar. Foram chatos. Foram In\u00fateis. Foram incomodativos. Ningu\u00e9m lhes ligou. Quando puseram, por fim, termo \u00e0 chinfrineira, nas bancadas suspirou-se de al\u00edvio.<br \/>\nQuinze minutos antes das 11h00, Mick Jagger irrompe sobre o palco e \u00e9 a primeira descarga de adrenalina. Os seus movimentos reptil\u00edneos adaptam-se na perfei\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00e1tica do concerto. Como uma serpente, o av\u00f4 do rock, hipnotizou e segregou veneno. \u201cFade away\u201d inaugura, por entre um mar de fogueiras, uma sequ\u00eancia de can\u00e7\u00f5es que no final registaria um total de vinte e tr\u00eas.<br \/>\nEm termos visuais, depois da cobra de metal que se erguia de um dos lados do palco, j\u00e1 ter cuspido um jacto de chamas, o primeiro grande momento acontece durante \u201cSparks will fly\u201d, \u201ctrompe l\u00f3eil\u201d luminot\u00e9cnico em que as luzes de palco se prolongam pelo espa\u00e7o virtual criado no gigantesco ecr\u00e3 (o termo t\u00e9cnico \u00e9 \u201cjumbotron\u201d) instalado atr\u00e1s dos m\u00fasicos. \u00c0 explos\u00e3o de luzes segue-se de imediato a explos\u00e3o de meia centena de milhar de gargantas que entoam em coro cada verso de (I can\u2019t get no) Satisfaction\u201d, o \u201csingle\u201d de 1965. Ilus\u00e3o ou n\u00e3o, foi imposs\u00edvel n\u00e3o sentir um arrepio ao ver Jagger vociferar e correr como um possesso, como se, passados 30 anos, ainda conservasse a mesma insatisfa\u00e7\u00e3o e a mesma raiva. Estava instalada a cumplicidade. A partir da\u00ed Jagger estabeleceu v\u00e1rias vezes com o p\u00fablico aquele tipo de comunica\u00e7\u00e3o s\u00f3 poss\u00edvel num concerto de m\u00fasica rock, a qual consiste na emiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de urros entre o artista e a assist\u00eancia. O tribalismo na sua vers\u00e3o mais medi\u00e1tica. Chamam-lhe \u201cshow business\u201d.<br \/>\n\u201cBeat of burden\u201d \u00e9 acompanhado, no ecr\u00e3, por imagens animadas subtilmente escabrosas, e \u201cAngie\u201d faz levantar os isqueiros. Nas bancadas e na relva v\u00eaem-se pares enla\u00e7ados. Uns dan\u00e7am, outros aproveitam para ensaiar outro tipo de encaixes anat\u00f3micos, como forma de luta contra o frio da noite. Mas Jagger n\u00e3o lhes d\u00e1 descanso e regressa em alta voltagem, com \u201cLike a rolling stone\u201d, de Dylan, harm\u00f3nica na boca e uma sess\u00e3o de pulos. Depois de \u201cOoh ooh the heartbreaker\u201d tem in\u00edcio a parte er\u00f3tica, com Lisa Fisher a assumir o protagonismo e os olhos da multid\u00e3o em bico contra os primeiros-planos da senhora oferecidos pela c\u00e2mara. 2Gimme Shelter\u201d, \u201cI go wild\u201d e, sobretudo, \u201cMiss you\u201d pertencem-lhe. \u201cO melhor da noite\u201d, exclama algu\u00e9m. Bobby Keys dispara num solo desenfreado no saxofone enquanto Ron Wood faz o seu n\u00famero da corrida para finalmente Jagger exclamar em portugu\u00eas: \u201cVoc\u00eas s\u00e3o fant\u00e1sticos!\u201d. A multid\u00e3o n\u00e3o se fez rogada e a aprecia\u00e7\u00e3o de Lisa Fisher encontra uma nova forma de express\u00e3o: \u201cTira, tira, tira!\u201d. \u201cHonk tonk women\u201d mant\u00e9m os \u00e2nimos acesos com nova s\u00e9rie de imagens projectadas no \u201cjumbotron\u201d \u2013 desta feita \u201cbad girls\u201d de v\u00e1rias \u00e9pocas e feitios \u2013 algumas delas em poses pouco ortodoxas. Richards pontapeia o piano, pondo fim a um apropriado solo \u201chonky tonk\u201d.<br \/>\n\u00c9 preciso p\u00f5r \u00e1gua na fervura e, par tal, nada melhor que p\u00f4r Keith Richards a cantar. O que ele faz, conseguindo num \u00e1pice gelar a assist\u00eancia com as interpreta\u00e7\u00f5es paquid\u00e9rmicas de \u201cHappy\u201d e \u201cSlipping Away\u201d. 2Est\u00e1 na altura de a gente se ir embora\u201d, diz uma voz mais enfastiada. N\u00e3o era caso para isso.<br \/>\nDas trevas surge entretanto um aglomerado de insufl\u00e1veis de aspecto diab\u00f3lico. O palco transforma-se num \u201cGrand Guignol\u201d, com v\u00e1rias personagens sinistras a balou\u00e7arem-se sobre os m\u00fasicos que cantam \u201cSympathy for the devil\u201d. Mick Jagger, &#8211; de \u00f3culos escuros e um chap\u00e9u como os de um velho alquimista dos sons de New Orleans e das artes \u201cvoodoo\u201d, Dr. John \u2013 n\u00e3o esqueceu um velho amigo. \u201cOld Mick\u201d e \u201cOld Nick\u201d. Os dois, por vezes, confundem-se\u2026<br \/>\nAt\u00e9 ao final \u00e9 uma sucess\u00e3o impar\u00e1vel de velhos \u00eaxitos: \u201cStreet fighting man\u201d, demon\u00edaco, entre a orgia das luzes, \u201cStart me up\u201d, acompanhado de nova explos\u00e3o de fogo, \u201cIt\u2019s only rock \u2018n\u2019 rol (but I like it)\u201d, \u201cBrown sugar\u201d, e, no \u201cencore\u201d previsto, \u201cJumpin\u2019 Jack flash\u201d, em que Jagger leva ao extremo as suas proezas atl\u00e9ticas. Tudo termina como come\u00e7ou. Com fogo, j\u00e1 n\u00e3o das fogueiras do \u201cbayou\u201d, mas o dourado do fogo de artif\u00edcio. Os r\u00e9pteis recolheram \u00e0 toca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> quarta-feira, 26.07.1995 Rolling Stones Diab\u00f3licos Deitam Fogo Aos Cl\u00e1ssicos Em Alvalade Retro Activos Os Stones ainda mexem. Como cobras. O espect\u00e1culo \u201cVoodoo Lounge&#8221; que apresentaram em Lisboa combina can\u00e7\u00f5es antigas, energia em doses transbordantes e cheiro a enxofre. Significa que os Rolling Stones foram \u201cretro\u201d e mais activos do que nunca. Cinquenta mil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1155,841,413,10,146],"tags":[4091,2704,770],"class_list":["post-12875","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1995","category-concertos","category-em-portugal","category-rock","category-rock-psicadelico","tag-black-crowes","tag-estadio-de-alvalade","tag-rolling-stones"],"views":105,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12877,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12875\/revisions\/12877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}