{"id":12840,"date":"2026-02-21T05:01:41","date_gmt":"2026-02-21T12:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12840"},"modified":"2026-02-21T05:01:41","modified_gmt":"2026-02-21T12:01:41","slug":"laurie-anderson-laurie-anderson-apresentou-the-nerve-bible-no-coliseu-mae-conta-me-uma-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/02\/21\/laurie-anderson-laurie-anderson-apresentou-the-nerve-bible-no-coliseu-mae-conta-me-uma-historia\/","title":{"rendered":"Laurie Anderson &#8211; &#8220;Laurie Anderson Apresentou &#8216;The Nerve Bible&#8217; No Coliseu M\u00e3e, Conta-me Uma Hist\u00f3ria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira, 07.07.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Laurie Anderson Apresentou \u201cThe Nerve Bible\u201d No Coliseu<br \/>\nM\u00e3e, Conta-me Uma Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/laurieAnderson.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"488\" class=\"alignnone size-full wp-image-12841\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/laurieAnderson.jpg 678w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/laurieAnderson-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/laurieAnderson-624x449.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/laurieAnderson-100x72.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nH\u00e1 quanto tempo n\u00e3o nos contavam hist\u00f3rias? H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o nos manifestavam o amor pelas palavras, n\u00e3o tanto pelo que elas dizem mas pelo calor que delas se desprende? Laurie Anderson pegou no futuro, nas palavras e nas imagens para nos fazer parar no tempo e pensar. Uma quest\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Coliseu dos Recreios em Lisboa encheu para ver e ouvir Laurie Anderson e a sua tralha electr\u00f3nica audiovisual. Esperava-se um espect\u00e1culo de pasmar, tecnologia em passagem de modelos, o futuro ali \u00e0 m\u00e3o. Bom, foi mais ou menos o que aconteceu sem ser impressionante por a\u00ed al\u00e9m. O espect\u00e1culo da noite de quarta-feira da \u201cperformer\u201d norte-americana, integrado na digress\u00e3o The Nerve Bible Tour, ponto final no ciclo Mist\u00e9rios de Lisboa, dividiu-se em duas partes distintas.<br \/>\nNa primeira, Laurie evidenciou os seus dotes de contadora de hist\u00f3rias. Os mon\u00f3logos substitu\u00edram a m\u00fasica. Na segunda, pelo contr\u00e1rio, a norte-americana de cabelo espetado tocou violino, cantou e chegou-se mais ao conceito da artista rock \u2018n\u2019 rol da nova idade.<br \/>\nEm termos de tralha esperava-se mais. Houve um painel triplo que abria e fechava, servindo de ecr\u00e3 a excelentes imagens elaboradas por computador, alguns fumos banais, duas apari\u00e7\u00f5es franciscanas de raios \u201claser\u201d e, na segunda parte, uma esfera e um cubo suspensos onde eram igualmente projectadas imagens. O violino fluorescente e a voz moldada no sexo masculino s\u00e3o \u201cgimmicks\u201d j\u00e1 conhecidos que n\u00e3o causaram qualquer surpresa. Pouco, a este n\u00edvel, para as expectativas criadas. Mas funcional ao m\u00e1ximo.<br \/>\nO p\u00fablico foi deste modo obrigado a concentrar-se no essencial que, no caso de Laurie Anderson, s\u00e3o mesmo as palavras. O fogo, met\u00e1fora cara \u00e0 autora, como elemento agregador e transmutador no ritual de transmiss\u00e3o da palavra, apareceu logo de in\u00edcio, na imagem de um livro em chamas. \u201cFahreneit 451, grau de destrui\u00e7\u00e3o\u201d, o fim e o in\u00edcio de uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o que regressou \u00e0s formas primitivas da oralidade. Logo num dos primeiros temas a artista referiu esse movimento bidimensional do tempo que simultaneamente caminha na direc\u00e7\u00e3o do passado e do futuro. Laurie Anderson sentou-se \u00e0 lareira electr\u00f3nica e contou-nos hist\u00f3rias onde a credibilidade se confunde com o absurdo. Numa delas, um epis\u00f3dio, fict\u00edcio ou n\u00e3o, pouco importa, passado no Tibete, a narra\u00e7\u00e3o foi inteiramente feita em portugu\u00eas. Uma hist\u00f3ria de palavras, do som das palavras e do seu efeito m\u00e1gico eu ter\u00e3o salvo uma vida. A vibra\u00e7\u00e3o pura e simples da voz, cord\u00e3o umbilical de uma humanidade anterior a Babel.<\/p>\n<p><strong>O Fantasma De John Cage<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o, posta por Laurie Anderson no in\u00edcio e no fim do espect\u00e1culo, \u00e9 s\u00f3 uma: \u201cAs coisas est\u00e3o melhores ou piores do que antes?\u201d.<br \/>\nConvocados o f\u00edsico Stephen Hawking e o fantasma de John Cage, nem assim surgiu uma resposta conclusiva. O tempo, omnipresente nas imagens de rel\u00f3gios, no som dos batimentos card\u00edacos, relativizado e transcendido no tempo subjectivo das hist\u00f3rias.<br \/>\nA segunda parte teve uma estrutura mais convencional. Feita de can\u00e7\u00f5es, se assim lhes quisermos chamar. Laurie Anderson solou no violino monstruosamente amplificado e distorcido, desafinou como qualquer ser humano vulgar e ironizou sobre o discurso e os jarg\u00f5es da modernidade que se ligam a Internet e ao ciberespa\u00e7o, fabulosas fontes de lixo informativo que entre outros prod\u00edgios nos permitem estar a par, por exemplo, dos boletins meteorol\u00f3gicos de todas as regi\u00f5es do globo. \u00c0 satura\u00e7\u00e3o das palavras e da pluralidade dos seus sentidos contrapunham-se, no ecr\u00e3, imagens de povos e dan\u00e7as primitivas.<br \/>\nE foi assim, alternando hist\u00f3rias de \u201cThe Ugly One with the Jewels\u201d com can\u00e7\u00f5es de \u201cBright Red\u201d que Laurie Anderson respondeu, de forma subtil, \u00e0 tal quest\u00e3o, \u201cEstamos melhor ou pior do que antes?\u201d. A resposta \u00e9 que estamos na mesma. Ou como dizia John Cage, \u201cestamos mais r\u00e1pidos mas somos demasiado lentos para o perceber\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira, 07.07.1995 Laurie Anderson Apresentou \u201cThe Nerve Bible\u201d No Coliseu M\u00e3e, Conta-me Uma Hist\u00f3ria H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o nos contavam hist\u00f3rias? H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o nos manifestavam o amor pelas palavras, n\u00e3o tanto pelo que elas dizem mas pelo calor que delas se desprende? 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