{"id":12779,"date":"2026-01-13T07:03:20","date_gmt":"2026-01-13T14:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12779"},"modified":"2026-01-13T07:03:20","modified_gmt":"2026-01-13T14:03:20","slug":"john-cale-e-tod-browning-john-cale-e-tod-browning-braco-de-ferro-no-tivoli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/01\/13\/john-cale-e-tod-browning-john-cale-e-tod-browning-braco-de-ferro-no-tivoli\/","title":{"rendered":"John Cale e Tod Browning &#8211; &#8220;John Cale E Tod Browning &#8211; Bra\u00e7o-De-Ferro No Tivoli&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 04.06.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>John Cale E Tod Browning<br \/>\nBra\u00e7o-De-Ferro No Tivoli<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\u201cTHE UNKNOWN\u201d, \u201co Homem Sem Bra\u00e7os\u201d, \u00e9 uma obra-prima. A hist\u00f3ria de um homem que se faz amputar os bra\u00e7os por amor a uma mulher que n\u00e3o suporta nem v\u00ea-los, quanto mais ser tocada por eles, mas que afinal acaba por ir parar aos bra\u00e7os de outro, n\u00e3o perdeu um milion\u00e9simo do seu fasc\u00ednio, 68 anos depois de Tod Browning a ter realizado. A diferen\u00e7a, decorridos estes anos todos, no cinema Tivoli, em Lisboa, e nos seus \u201cMist\u00e9rios\u201d, est\u00e1 em que desta vez teve John Cale a dar-lhe m\u00fasica ao vivo. De in\u00edcio foi irritante, com grandes vagas electr\u00f3nicas a desviarem a aten\u00e7\u00e3o e a sobreporem-se \u00e0s imagens. Depois, \u00e0 medida que o filme ia destilando o seu veneno e o enredo se aproximava da trag\u00e9dia, a m\u00fasica p\u00f4s-se no seu lugar, perdendo em ostenta\u00e7\u00e3o o que ganhou em poder de sugest\u00e3o. E \u00e9 assim que deve ser. A fun\u00e7\u00e3o de uma banda sonora, seja ela qual for, n\u00e3o \u00e9 sobrepor-se mas sim marcar presen\u00e7a a um n\u00edvel subliminal.<br \/>\nPara acompanhar musicalmente \u201cThe Unknown\u201d, num Tivoli muito perto da lota\u00e7\u00e3o esgotada, Cale tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o uma pan\u00f3plia de teclados electr\u00f3nicos. Abusou deles que se fartou. Logo de entrada carregou forte no lado neocl\u00e1ssico \u2013 que, na sua pessoa, atira regra geral para o pesado (uma vez algu\u00e9m afirmou que Cale toca piano \u201ccomo se usasse luvas de boxe\u201d) \u2013 enquanto se ficava a saber que Nanon n\u00e3o suportava que bra\u00e7os masculinos a tocassem, que Malabar, o homem dos b\u00edceps avantajados, estava preso pelo beicinho, e que Alonzo, &#8211; interpretado por um Lon Chaney fabuloso \u2013 fingia n\u00e3o ter bra\u00e7os s\u00f3 para impressionar a pequena. Estava mesmo a verse que a coisa ia dar para o torto.<br \/>\nEntretanto, a ac\u00e7\u00e3o avan\u00e7a e a m\u00fasica vai perdendo embalagem. Ou \u00e9ramos n\u00f3s que nos \u00edamos esquecendo dela. Quando Cale utiliza o computador para simular um piano, sente-se uma sintonia, um mist\u00e9rio partilhado. Ali\u00e1s, o ex-Velvet Underground, tamb\u00e9m ele se ter\u00e1 deixado prender pela for\u00e7a do filme, o que teve a virtude de, at\u00e9 ao final, sons e imagens n\u00e3o entrarem num bra\u00e7o-de-ferro declarado.<br \/>\nQuando Alonzo (e n\u00e3o Malabar, como por lapso, escrevemos no texto de apresenta\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo) decide cortar os bra\u00e7os e, noutra cena, vemos Nanon j\u00e1 liberta do seu complexo, feliz e apertada num amplexo pelo seu amado Malabar, adivinha-se o desenlace tr\u00e1gico. \u00c9 nesta altura que a m\u00fasica adquire tonalidades surreais, disparando ru\u00eddos e vozes parasit\u00e1rias, o que acentua o ambiente de loucura crescente. Lon Chaney desmultiplica-se em esgares, tornando o seu rosto num palco de mil emo\u00e7\u00f5es desencontradas, num desempenho de antologia, enquanto Cale, durante toda a projec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegue uma \u00fanica vez recuar at\u00e9 ao sil\u00eancio.<br \/>\nO final \u00e9 de apoteose, embora se possa dizer tamb\u00e9m que seja de corte. Alonzo, amputado, decide vingar-se. Nanon saltita dos bra\u00e7os do amado para os cotos do outro que nessa altura se assume como vil\u00e3o declarado (antes j\u00e1 estrangulara o pai da rapariga, mas fora por amor). Malabar n\u00e3o sabe o que o espera.<br \/>\nMesmo, mesmo, no fim, quando o n\u00famero de Malabar com os cavalos \u00e9 sabotado, h\u00e1 uma cena que n\u00e3o se percebe. V\u00ea-se um dos seus bra\u00e7os j\u00e1 praticamente arrancado por um dos equ\u00eddeos, estilo asa de frango para chupar, com a carninha \u00e0 mostra. Mas n\u00e3o, tudo acaba num \u201chappy-end\u201d, com o par enla\u00e7ado, que \u00e9 como quem diz, com tudo no s\u00edtio, incluindo o tal bra\u00e7o (um homem n\u00e3o \u00e9 de ferro mas s\u00f3 um bra\u00e7o pode ser?). Seja como for, \u201cThe Unknown\u201d \u00e9, para todos os efeitos, um filme espantoso. Tomara a m\u00fasica de John Cale chegar-lhe, j\u00e1 n\u00e3o dizemos aos bra\u00e7os, mas aos calcanhares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 04.06.1995 John Cale E Tod Browning Bra\u00e7o-De-Ferro No Tivoli \u201cTHE UNKNOWN\u201d, \u201co Homem Sem Bra\u00e7os\u201d, \u00e9 uma obra-prima. 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