{"id":12770,"date":"2026-01-08T09:40:55","date_gmt":"2026-01-08T16:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12770"},"modified":"2026-01-08T09:40:55","modified_gmt":"2026-01-08T16:40:55","slug":"jorge-quintela-pedro-duarte-armindo-neves-luis-filipe-os-musicos-que-toda-a-gente-ouve-mas-ninguem-ve-dossier-musicos-de-sessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2026\/01\/08\/jorge-quintela-pedro-duarte-armindo-neves-luis-filipe-os-musicos-que-toda-a-gente-ouve-mas-ninguem-ve-dossier-musicos-de-sessao\/","title":{"rendered":"Jorge Quintela + Pedro Duarte + Armindo Neves + Lu\u00eds Filipe &#8211; &#8220;Os M\u00fasicos Que Toda A Gente Ouve Mas Ningu\u00e9m V\u00ea&#8221; (dossier | m\u00fasicos de sess\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 31.05.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>OS M\u00daSICOS QUE TODA A GENTE OUVE MAS NINGU\u00c9M V\u00ca<br \/>\n(Fernando Magalh\u00e3es e Marta Duarte)<\/strong><br \/>\n<\/center)\n\u00c9 um mundo diferente que o p\u00fablico apenas conhece atrav\u00e9s do rect\u00e3ngulo televisivo, cujos protagonistas recusam voluntariamente o estrelato. S\u00e3o m\u00fasicos e ganham a vida a fazer temas de dez segundos ou a acompanhar as \u201cestrelas\u201d que aparecem nas capas das revistas e dos jornais e s\u00e3o ouvidos na r\u00e1dio. Fazem parte dos chamados grupos de programas de televis\u00e3o, na maioria concursos, como Parab\u00e9ns, Eu Tenho Dois Amores e N\u00e3o se Esque\u00e7am da Escova de Dentes, ou de \u201ctalk-shows\u201d como Zona Mais. Gostam da sua actividade e sentem-se recompensados, nem que seja monetariamente ou em termos de estabilidade profissional. Lan\u00e7arem-se em projectos de outra natureza n\u00e3o \u00e9 uma necessidade premente embora possam ser encarados como alternatyivas. Para eles, conta sobretudo o gozo de fazer coisas diferentes. O gozo de criar um ambiente ou um arranjo para gente como Carlos do Carmo, Rui Veloso ou um conjunto de concertinas tradicionais. Ou de compor meia d\u00fazia de originais sob press\u00e3o. H\u00e1 quem pretenda a democratiza\u00e7\u00e3o absoluta da m\u00fasica e quem sonhe em faz~e-la para Steven Spielberg. Quem veja num simples fundo musical o sangue de uma liturgia do audiovisual e quem aponte o dedo \u00e0 mediocridade reinante no meio musical que fica do outro lado. No fundo todos est\u00e3o de acordo que aquilo que fazem tem um papel importante, n\u00e3o s\u00f3 para os programas aos quais est\u00e3o ligados, como no desafio que constitui uma rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica que \u00e9 sobretudo funcional. Armindo Neves, Jorge Quintela, Lu\u00eds Filipe e Pedro Duarte s\u00e3o alguns dos rostos sonoros e an\u00f3nimos das imagens que o grande p\u00fablico consome no pequeno ecr\u00e3. Sem eles seria tudo mais escuro e sem gra\u00e7a.\n(Fernando Magalh\u00e3es)\n\n<strong>JORGE QUINTELA<\/strong><br \/>\nDirector Musical da C.C.A. e pianista do programa \u201cZona +\u201d (Canal 1)<br \/>\n\u201cAntes os bastidores do que dar a cara\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/jorgeQuintela.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"425\" class=\"alignnone size-full wp-image-12771\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/jorgeQuintela.jpg 635w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/jorgeQuintela-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/jorgeQuintela-624x418.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/jorgeQuintela-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Desempenha as fun\u00e7\u00f5es de director musical dos programas da CCA, Carlos Cruz Audiovisual. Organiza os gen\u00e9ricos e dirige as bandas. A sua interven\u00e7\u00e3o no Zona Mais, o \u201ctalk-show\u201d de Carlos Cruz, limita-se a ser a de teclista do grupo. Para Jorge Quintela, esta acumula\u00e7\u00e3o de responsabilidades n\u00e3o o impede de, no actual programa, ter inteira liberdade para \u201cescolher os temas que mais prazer lhe d\u00e3o tocar\u201d. Isto, nos chamados \u201ctemas de exibi\u00e7\u00e3o\u201d, porque no que respeita ao acompanhamento dos artistas convidados obviamente que o \u201carranjo dever\u00e1 ter minimamente a ver com eles\u201d.<br \/>\nAntes do Zona Mais, Jorge Quintela trabalhou dez anos como demonstrador da Valentim de Carvalho, per\u00edodo durante o quela \u201ccome\u00e7ou a entrar na produ\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica\u201d e a \u201cfazer arranjos para discos\u201d, de Carlos Pai\u00e3o a Lara Li. Entretanto, conheceu Carlos do Cruz, com quem colabora h\u00e1 j\u00e1 bastante tempo. O tempo, na actividade a que se dedica, \u00e9 vital. \u201cTer tr\u00eas dias para preparar quatro temas\u201d n\u00e3o\u00e9 f\u00e1cil, embora no caso de Zona Mais essa dificuldade recaia nos ombros de Pedro Moreira, respons\u00e1vel pelos arranjos da banda. \u201cNa parte da composi\u00e7\u00e3o, torna-se mais complicado, tem que se imaginar o programa, a imagem que ele vai ter, qual a m\u00fasica que dever\u00e1 corresponder ao gen\u00e9rico, tudo muitas vezes feito em cima da hora. Com um certo \u201cforcing\u201d, comigo tem funcionado. H\u00e1 menos tempo para termos d\u00favidas.\u201d Jorge Quintela, \u201cpor uma quest\u00e3o de feitio\u201d, prefere trabalhar nos bastidores a \u201cestar \u00e0 frente de uma situa\u00e7\u00e3o e dar a cara\u201d. Por esta raz\u00e3o nunca participou em \u201cgrandes forma\u00e7\u00f5es musicais\u201d porque sempre sentiu mais prazer em \u201ctrabalhar em est\u00fadio\u201d. O que n\u00e3o o impede de se sentir \u201crealizado\u201d: \u201cDou uma parte de mim, em termos da linguagem musical que estou a p\u00f5r nos programas.\u201d<br \/>\nAdmite que aquilo que faz \u201c\u00e9 compensat\u00f3rio\u201d, em termos materiais, essencialmente \u201cporque d\u00e1 uma certa estabilidade econ\u00f3mica de saber que pelo menos durante \u2018x\u2019 semanas o trabalho est\u00e1 garantido\u201d. Tamb\u00e9m nunca teve vontade de liderar o seu pr\u00f3prio grupo, embora um dos seus objectivos seja a grava\u00e7\u00e3o de um disco, \u201cum projecto de m\u00fasica instrumental, de fus\u00e3o, que ainda n\u00e3o foi editado porque infelizmente neste pa\u00eds \u00e9 considerada m\u00fasica de elevador\u201d. Mas como considera gratificante a sua fun\u00e7\u00e3o no Zona Mais, onde \u201co Carlos Cruz tem feito quest\u00e3o de promover bastante a m\u00fasica e os m\u00fasicos da banda\u201d, o adiamento do disco tamb\u00e9m n\u00e3o constitui grande problema. \u00c9 ate\u00b4\u201dperfeitamente admiss\u00edvel\u201d que o grupo, na exibi\u00e7\u00e3o a solo que lhe compete, \u201cse sobreponha ao artista principal\u201d. Quando se trata de acompanhamento, a hist\u00f3ria muda e as fronteiras apertam-se. Deu-lhe particular gozo tocar com o Rui Veloso mas tamb\u00e9m com um grupo de concertinas tradicionais. Uma das suas maiores ambi\u00e7\u00f5es \u00e9 compor m\u00fasica para filmes, o que em Portugal considera ser bastante dif\u00edcil devido \u201caos or\u00e7amentos, t\u00e3o baixos, que n\u00e3o d\u00e3o para fazer nada de especial\u201d. Se pudesse, Jorge Quintela adoraria trabalhar com Steven Spielberg.<br \/>\n(Fernando Magalh\u00e3es)<\/p>\n<p><strong>PEDRO DUARTE<\/strong><br \/>\nDirector Musical e pianista do programa \u201cParab\u00e9ns\u201d (Canal 1)<br \/>\n\u201cSe n\u00e3o houver adrenalina isto n\u00e3o serve de nada!\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/pedroDuarte.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"406\" class=\"alignnone size-full wp-image-12772\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/pedroDuarte.jpg 623w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/pedroDuarte-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/pedroDuarte-100x65.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Aos 29 anos e com o sexto ano do Conservat\u00f3rio, Pedro Duarte tem prazer no que faz. \u00c9 director musical do concurso de Herman Jos\u00e9, \u201cParab\u00e9ns\u201d, faz os arranjos e \u00e9 pianista do grupo. N\u00e3o se considera um \u201cartista\u201d, no sentido de \u201calgu\u00e9m que tem que criar uma determinada imagem, como acontece nos grupos de rock\u201d, mas sim \u201cuma pessoa de fundo, que trabalha segundo princ\u00edpios\u201d, em que acredita e sobre os quais teoriza: \u201cT\u00eam a ver com a democratiza\u00e7\u00e3o das artes. Acredito que todas as pessoas, na posse das suas faculdades normais, podem compor. Toda a gente \u00e9 capaz de pintar, de fazer teatro, de dan\u00e7ar\u201d. \u201cA quest\u00e3o\u201d, diz, \u201c\u00e9 que a nossa cultura e a nossa sociedade tem frustrado grandes talentos logo \u00e0 partida. Acredito numa sociedade em que as pessoas t\u00eam o seu trabalho e em paralelo, como \u2018hobby\u2019, a cria\u00e7\u00e3o de qualquer coisa\u201d. Pedro Duarte afirma ter mesmo um projecto para fazer funcionar as coisas nesse sentido, e \u201cp\u00f4r as pessoas a mexer\u201d, baseado na aprendizagem atrav\u00e9s do computador.<br \/>\nAntes dos \u201cParab\u00e9ns\u201d, Pedro Duarte j\u00e1 tinha trabalhado em programas como \u201cRegresso ao Passado\u201d, de J\u00falio Isidro, \u201cJoaquim Letria Apresenta\u201d e \u201cOs Olhos da Lua\u201d, de Raul Solnado, num grupo de cuja forma\u00e7\u00e3o fazia ent\u00e3o parte um contrabaixista chamado Pedro Abrunhosa. Considera que o seu papel no actual grupo consiste em \u201cfazer m\u00fasica altamente funcional\u201d, contando para tal com eventuais sugest\u00f5es do pr\u00f3prio Herman Jos\u00e9. O m\u00fasico distingue o trabalho de acompanhamento dos artistas convidados do programa, dos chamados separadores, \u201caquels pequenos temas de 10, 12 segundos\u201d, e dos \u201ctapetes\u201d, como chama \u00e0 m\u00fasica de fundo. \u201cGostaria um dia de juntar uma s\u00e9rie deles e fazer um \u00e1lbum. Postos em voz alta s\u00e3o capazes de mostrar muito mais do que parecem ter\u201d. Pedro Duarte n\u00e3o considera frustrante o facto de a m\u00fasica estar em segundo plano e cita a prop\u00f3sito John Williams quando diz que \u201ca melhor m\u00fasica para cinema ser\u00e1 aquela em que as pessoas nem sequer notam que existe\u201d. No fundo, tudo \u201cdepende da ideia que se tem da m\u00fasica\u201d, explica, \u201c\u00e9 como que o sangue do programa\u201d. Nem tudo tem que estar em primeiro plano para ser importante\u201d. Vai mais longe quando afirma que \u201caquilo que normalmente n\u00e3o aparece \u00e9 mais importante doq eu aquilo que aparece\u201d. Pormenoriza: \u201cSe eu tenho um tema que est\u00e1 a servir de \u2018tapete\u2019, que gera um determinado ritmo e ambiente, carregado de energia, isso, mesmo inconscientemente, ajuda o presentador e a envolver as pessoas emocionalmente\u201d. Pedro Duarte compara estes \u201ctapetes\u201d de som com \u201cos ambientes m\u00e1gicos religiosos, carregados de m\u00fasica com um sentido muito profundo, como o som de um \u00f3rg\u00e3o de catedral, em que as pessoas por vezes nem percebem nada do que se est\u00e1 a passar, mas onde h\u00e1 uma profundidade espiritual muito grande\u201d. M\u00fasica de transporte? \u201cEu gosto de lhe chamar o sangue deste corpo inteiro que \u00e9 o programa\u201d. Uma linguagem lit\u00fargica que, em termos mais prosaicos, no \u201cParab\u00e9ns\u201d, atinge um m\u00e1ximo de intensidade no \u201cBoi\u00e3o da Cultura\u201d e durante a entrevista. \u201cTemos uim bocado a tend\u00eancia de pensar a arte pela arte, como algo abstracto. Eu sou um bocado romano a pensar. Prefiro pensar nas fun\u00e7\u00f5es. Nos filmes, por exemplo, temos os chamados efeitos sonoros, que s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes que a pr\u00f3pria m\u00fasica\u201d. A press\u00e3o do tempo n\u00e3o assusta este admirador de Henry Mancini, Jerry Goldsmith e John Williams,a ntes pelo contr\u00e1rio. \u201cAssim \u00e9 que tem piada\u201d, diz, \u201cse n\u00e3o houver adrenalina isto n\u00e3o serve para nada. Podem entregar-me as coisas tr\u00eas meses antes que eu n\u00e3o pego nelas. Quando chegar ao limite, a\u00ed assim agarro-me e come\u00e7o a escrever. Sou mais espont\u00e2neo desta maneira\u201d.<br \/>\n(Fernando Magalh\u00e3es)<\/p>\n<p><strong>ARMINDO NEVES<\/strong><br \/>\nGuitarrista e maestro do programa \u201cN\u00e3o Se Esque\u00e7a da Escova de Dentes\u201d (SIC)<br \/>\n\u201cPor que \u00e9 que n\u00e3o v\u00e3o ganhar o dinheironho para outro lado?\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/armindoNeves.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"461\" class=\"alignnone size-full wp-image-12773\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/armindoNeves.jpg 678w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/armindoNeves-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/armindoNeves-624x424.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/armindoNeves-100x68.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cUm dos pontos que est\u00e3o errados no profissionalismo musical em Portugal \u00e9 a ideia de que tocar na televis\u00e3o \u00e9 apenas mais uma forma de ganhar dinheiro.\u201d Armindo Neves, guitarrista e respons\u00e1vel pela banda de N\u00e3o Se Esque\u00e7a Da Escova De Dentes, considera que por tr\u00e1s da atitude interesseira se esconde uma certa cobardia. \u201cH\u00e1 os que dizem que se recusam a tocar na televis\u00e3o e essa recusa serve para esconder certas defici\u00eancias t\u00e9cnicas\u2026 A mediocridadezinha impera no meio musical.\u201d Armindo Neves v\u00ea no trabalho musical para televis\u00e3o a dignidade que todas as profiss\u00f5es devem ter. \u201cEm programas como o Parab\u00e9ns e o Zona Mais, encontram-se excelentes m\u00fasicos, bons leitores (de pautas, entenda-se), bem disciplinados, com bom som. Eles tocam a s\u00e9rio.\u201d Para Armindo Neves, que entre outras coisas tocou e produziu discos como \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d, da Banda Do Casaco, perante a m\u00fasica n\u00e3o pode ter-se a atitude de \u201cvir aqui ganhar uns dinheiros\u201d. \u00c9 mais honesto assumir que n\u00e3o se gosta de televis\u00e3o, ou de um determinado programa, e recusar-se a ir l\u00e1 tocar. Afinal, ele pr\u00f3prio admite que trabalhou em muitos programas que lhe deram pouco prazer. Sem mais desculpas esfarrapadas. N\u00e3o gosta \u00e9 de quem se arma em \u201cchico-esperto\u201d, desprezando por completo o trabalho da m\u00fasica em televis\u00e3o, apesar de, em situa\u00e7\u00f5es de aperto, ser a ele que recorrem. \u201cPor que \u00e9 que n\u00e3o v\u00e3o fazer o dinheirinho para outro lado?\u201d Provavelmente, porque tocar na televis\u00e3o \u00e9, muitas vezes, a \u00fanica sa\u00edda profissional, e de sobreviv\u00eancia, para m\u00fasicos vindos das mais diferentes \u00e1reas e forma\u00e7\u00f5es sonoras. \u201cNa vida n\u00e3o \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de ganhar mais. H\u00e1 que contar com o gozo\u201d, corta Armindo Neves. E \u00e9 o gozo que retirou de trabalhar em programas como o pol\u00e9mico Fisga, o Festival da Can\u00e7\u00e3o e o \u00faltimo de Joaquim Letria que o faz estar em N\u00e3o Se Esque\u00e7a da Escova de Dentes. Esse gozo \u00e9 vis\u00edvel no entusiasmo com que descreve as suas fun\u00e7\u00f5es no programa da SIC: \u201cNeste momento estou com duas noites sem dormir para conseguir transcrever dois arranjos do Frank Sinatra com a Orquestra do Count Basie para serem tocados hoje aqui, a acompanhar o Carlos do Carmo. E j\u00e1 c\u00e1 tive o Janita Salom\u00e9, a Lena d\u2019\u00c1gua, o Lu\u00eds Represas. S\u00e3o desafios musicais. N\u00f3s somos for\u00e7ados a ser extremamente flex\u00edveis para ter uma atitude perante a m\u00fasica de compreens\u00e3o do report\u00f3rio do artista. Tem que haver responsabilidade da parte dos m\u00fasicos, para aproximar a sua sonoridade, para conhecer o artista.\u201d Se fosse tudo uma quest\u00e3o de prefer\u00eancias, \u00e9 \u00f3bvio que lhe seria mais gratificante tocar, compor e fazer arranjos para um programa estritamente musical. \u201cA guerra das televis\u00f5es e o controlo sobre a escolha que se pode fazer da programa\u00e7\u00e3o levaram as direc\u00e7\u00f5es dos v\u00e1rios canais a concluir que os programas musicais n\u00e3o intyeressam muito. A televis\u00e3o vive das telenovelas, do futebol e dos concursos.\u201d Portanto, \u00e9 s\u00f3 nos concursos que pode haver espa\u00e7o para a m\u00fasica. H\u00e1 \u00e9 que saber aproveitar a oportunidade. Das audi\u00eancias, sobretudo, que est\u00e3o sempre \u00e0 espera de coisas cada vez mais fant\u00e1sticas. \u201cE isto \u00e9 do caneco. Acima de tudo temos que aproveitar o meio audiovisual para fazer passar a m\u00fasica. Este programa, e eu j\u00e1 fiz muitos, \u00e9 de longe o que me d\u00e1 mais gozo.\u201d<br \/>\nArmindo Neves n\u00e3o teme que a voracidade da televis\u00e3o, que precisa de m\u00fasicos, bons e maus, conforme os or\u00e7amentos, acabe por aniquilar talentos e carreiras. N\u00e3o acredita na exclusividade. \u201cQualquer um de n\u00f3s \u00e9 livre para ter o seu projecto l\u00e1 fora. Os m\u00fasicos que aqui est\u00e3o, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o dos metais, que mudam consoante as emiss\u00f5es, trabalham todos comigo no grupo do Lu\u00eds Represas. E n\u00e3o \u00e9 por causa disso que o grupo e o Lu\u00eds ficam para segundo plano.\u201d<br \/>\n(Marta Duarte)<\/p>\n<p><strong>LU\u00cdS FILIPE<\/strong><br \/>\nDirector musical do programa \u201cEu Tenho Dois Amores\u201d (Canal 1)<br \/>\n\u201cUm problema de dor de corno\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/luisFilipe.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"468\" class=\"alignnone size-full wp-image-12774\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/luisFilipe.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/luisFilipe-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/luisFilipe-624x428.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/luisFilipe-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Lu\u00eds Filipa j\u00e1 fez v\u00e1rios programas para a RTP, mas a maior parte do seu historial na m\u00fasica expande-se pela produ\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica da chamada m\u00fasica ligeira. Ao contrat\u00e1-lo, frisa Lu\u00eds Filipe, a RTP deixou ao seu crit\u00e9rio a escolha de elementos para a banda e de artistas convidados, de que resultam tr\u00eas momentos musicais distintos: as can\u00e7\u00f5es de Marco Paulo, para as quais faz os arranjos; as dos convidados, igualmente com produ\u00e7\u00e3o do director art\u00edstico, e a presta\u00e7\u00e3o de Maria Rueff, \u201cum momento especial, meio c\u00f3mico\u201d, em que lhe \u201cd\u00e1 um prazer especial avacalhar um bocado, com letras muito mordazes e bem feitas da Rosa Lobato Faria\u201d.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que se passa nos outros programas visitados, em Eu Tenho Dois Amores, a m\u00fasica \u00e9 preproduzida. Ou, trocando por mi\u00fados, os membros da banda e os convidados actuam com \u201cpalyback\u201d. \u201cO som que se consegue fazer em est\u00fadio [de som] \u00e9 imposs\u00edvel de reproduzir num est\u00fadio de televis\u00e3o, a n\u00e3o ser que se grave o programa a partir de um est\u00fadio de som\u201d, justifica Lu\u00eds Filipe, argumentando que o que interessa \u00e9 dar qualidade sonora ao telespectador. Assim, nem todos os membros da banda que vemos no ecr\u00e3 a tocar o est\u00e3o a fazer. Alguns s\u00e3o os que em est\u00fadio gravaram os temas, mas os outros limitam-se a ser figurantes. No entanto, segundo Lu\u00eds Filipe, \u201cmais vale estar a gravar um ou dois programas de televis\u00e3o por semana do que a tocar uma noite inteira num bar, onde se ganha miseravelmente: os donos dos bares exploram os m\u00fasicos\u201d. Se em termos financeiros \u00e9 compensador, em termos de experi\u00eancia, tocar na televis\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um passo importante. Atrav\u00e9s dos programas para que gravam, os m\u00fasicos v\u00e3o sabendo adaptar-se a diversos estilos e sonoridades, ficando aptos para tocar em qualquer ocasi\u00e3o. \u201cA televis\u00e3o \u00e9 o meio de comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX e XXI, \u00e9 natural que os m\u00fasicos tamb\u00e9m a ele acedam. Acho que dizer que \u00e9 desprestigiante actuar na televis\u00e3o \u00e9 um problema do cr\u00f3nico atraso de Portugal\u201d, diz Lu\u00eds Filipe quando interrogado sobre a dignidade de um trabalho feito para o televisor. \u201cSei que os m\u00fasicos na maioria, nem sequer ficam conhecidos \u2013 o nome passa no gen\u00e9rico, mas ningu\u00e9m o l\u00ea. As pessoas apenas os conhecem visualmente, e isso f\u00e1-los serem identificados com outros projectos exteriores ao programa.\u201d<br \/>\nMas esse anonimato que a televis\u00e3o imp\u00f5e tamb\u00e9m concorre para a recusa de muitos profissionais de actuarem nos seus programas, ou n\u00e3o ser\u00e1? Lu\u00eds Filipe considera que n\u00e3o, e \u00e9 categ\u00f3rico na resposta: \u201cEstou-me marimbando para os m\u00fasicos que acham mal tocar na televis\u00e3o. Penso que \u00e9 um problema de como dessas pessoas, que se calhar nem sabem tocar como deve ser. Provavelmente s\u00e3o m\u00fasicos espec\u00edficos de uma determinada \u00e1rea, t\u00eam tr\u00eas meses de aulas no Hot Clube e julgam que j\u00e1 s\u00e3o m\u00fasicos de jazz e n\u00e3o s\u00e3o nada.<br \/>\n(Marta Duarte).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 31.05.1995 OS M\u00daSICOS QUE TODA A GENTE OUVE MAS NINGU\u00c9M V\u00ca (Fernando Magalh\u00e3es e Marta Duarte)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1155,3924,1156,229,44,24,10],"tags":[4031,4029,4032,4033,4030],"class_list":["post-12770","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1995","category-dossiers-1995","category-entrevistas-1995","category-mpp","category-pop","category-portugueses","category-rock","tag-armindo-neves","tag-jorge-quintela","tag-luis-filipe","tag-musicos-de-sessao","tag-pedro-duarte"],"views":151,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12770"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12775,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12770\/revisions\/12775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}