{"id":12747,"date":"2025-12-30T06:01:23","date_gmt":"2025-12-30T13:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12747"},"modified":"2025-12-30T06:01:47","modified_gmt":"2025-12-30T13:01:47","slug":"varios-vi-cantigas-do-maio-no-seixal-pedrinhas-para-a-velha-coxa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/12\/30\/varios-vi-cantigas-do-maio-no-seixal-pedrinhas-para-a-velha-coxa\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;VI Cantigas Do Maio No Seixal &#8211; Pedrinhas Para A Velha Coxa&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira, 22.05.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>VI Cantigas Do Maio No Seixal<br \/>\nPedrinhas Para A Velha Coxa<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nREALIZARAM-SE neste fim-de-semana as primeiras jornadas das VI Cantigas do Maio que est\u00e3o a decorrer na vila do Seixal. Na nova sala do F\u00f3rum Cultural teve lugar o espect\u00e1culo de abertura, com as Cantareiras da A. X. Xiradela de Arteixo e a banda de gaitas Xarabal, ambos da Galiza, e o Grupo de Tocadores de Pedrinhas de Arronches, do Alto Alentejo. Sala cheia, ambiente prop\u00edcio \u00e0 festa. Houve de tudo.<br \/>\nOito mulheres, na maioria bastante jovens, vestidas com trajes t\u00edpicos da Galiza, trouxeram consigo a extrovers\u00e3o solar das \u201cmuineiras\u201d. Com uma postura menos radical que a das Leilia, as cantareiras de Arteixo deram um exemplo de dignidade e de respeito pelo patrim\u00f3nio da sua regi\u00e3o, pondo em relevo t\u00e9cnicas ancestrais de interpreta\u00e7\u00e3o como o estilo antigo \u2013 e mais dif\u00edcil \u2013 na pandeireta, com os punhos fechados.<\/p>\n<p><strong>\u201cTi\u201d Maur\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Tocou a seguir o grupo das pedrinhas de Arronches e foi um forrobod\u00f3. Al\u00e9m dos tocadores de pedras \u2013 dois anci\u00e3os, entre os quais \u201cTi\u201d Maur\u00edcio, de 72 anos, e dois mi\u00fados de nove anos \u2013 vieram um acordeonista, um tocador de castanholas e outro de bombo. As pedras, tocadas com mestria, dispensavam o resto. O acorde\u00e3o, o tem\u00edvel acorde\u00e3o portugu\u00eas, e o bombo, bastante desengon\u00e7ado, criaram de imediato um tom de romaria \u00e0 portuguesa, estilo piquenic\u00e3o. Mas o bombo da festa foi o apresentador e respons\u00e1vel cultural do grupo.<br \/>\nA cada interven\u00e7\u00e3o sua, o p\u00fablico ria a bandeiras despregadas. Empolgado, convencido do sucesso que estava a fazer, as palavras brotavam-lhe em catadupa. Falou nas maravilhosas pedrinhas, contou hist\u00f3rias de namorados, agradeceu aos presentes estarem ali a \u201cperder a paci\u00eancia\u201d. Os \u201cpedrinha\u201d v\u00e3o actuar a todo o lado, com especial prefer\u00eancia pelos lares da terceira idade, onde tocam para animar \u201cos velhinhos j\u00e1 quase coxos\u201d. Nesta altura o apresentador n\u00e3o se conteve e afirmou que nestas ocasi\u00f5es costuma \u201csaltar para o meio deles\u201d e \u201cdan\u00e7ar com a velhinha mais coxa de todas!\u201d. Palmas para ele.<br \/>\nA contrastar com o arraial dos \u201cpedrinhas\u201d, a banda de gaitas Xarabal devolveu \u00e0 noite dignidade de um trabalho s\u00e9rio, com ra\u00edzes profundas na tradi\u00e7\u00e3o. Sa\u00eddos da \u201cObradoiro\u201d, escola de instrumentos musicais populares galegos da Universidade Popular de Vigo, os Xarabal encheram o palco com os seus 16 gaiteiros e quatro percussionistas, sob a direc\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3n Coral. Alternaram \u201cMuineiras\u201d e \u201cjotas\u201d tradicionais com um \u201cna dro\u201d bret\u00e3o, n\u00e3o se coibindo de utilizar instrumentos \u201cher\u00e9ticos\u201d como o sintetizador ou o tamborim, ou importados de tradi\u00e7\u00f5es vizinhas, como o timbal\u00e3o escoc\u00eas. Na mem\u00f3ria fica uma 2Marcha processional\u201d solene, de provocar arrepios.<br \/>\nNo dia seguinte, s\u00e1bado, a festa saiu para a rua, largo da Igreja. A abrir, os Realejo. A sanfona de Fernando Meireles, o violino de Manuel Rocha, a gaita-de-foles e flautas de Amadeu Magalh\u00e3es, a guitarra de Rui Seabra e o violoncelo de Of\u00e9lia Ribeiro demonstraram uma nobreza, nas cores her\u00e1ldicas da m\u00fasica antiga que talvez tivesse recebido um acolhimento mais caloroso num recinto entre-portas.<br \/>\nDa \u201cCan\u00e7\u00e3o do gaiteiro\u201d, \u201cMilho verde\u201d ou \u201cRosinha\u201d, at\u00e9 uma das \u201cCantigas de Santa Maria\u201d de Afonso, com que fecharam o concerto, passando por temas das tradi\u00e7\u00f5es galega (2\u00ba ceu andante\u201d), irlandesa (\u201cRambling rake\u201d), e francesa (\u201cNe pas du loup\u201d) e dois temas dos Blowzabella (\u201cThe man in the Brown hat\u201d e \u201cThe house of Caty\u201d, do \u00e1lbum \u201cA \u2026cher Dust\u201d, os Realejo fizeram do largo, palco de uma actua\u00e7\u00e3o contida, quais trovadores de um reino esquecido.<br \/>\nJ\u00falio Pereira veio a seguir. Acompanhado pela guitarra de Jos\u00e9 Carrapa, fundamental no suporte e no jogo de contraponto e cordas \u2013 e pelo sintetizador e voz de Minela, que est\u00e1 ao seu melhor n\u00edvel numa interpreta\u00e7\u00e3o de antologia \u201ca capella\u201d, de \u201cSenhora do Almort\u00e3o\u201d. J\u00falio Pereira n\u00e3o pertence a esta freguesia. A sua m\u00fasica, servida por um virtuosismo estonteante, tornou-se inteiramente pessoal. Para tr\u00e1s ficou o r\u00f3tulo de int\u00e9rprete de \u201cm\u00fasica popular portuguesa\u201d e o lastro de \u201cMike Oldfield portugu\u00eas\u201d.<br \/>\nJ\u00falio Pereira \u00e9 hoje int\u00e9rprete apenas de si pr\u00f3prio. Na noite de s\u00e1bado, no Seixal, entregou-se ao bandolim e \u00e0 braguesa como um argonauta que a cada noite descobre novas rotas e ao pr\u00f3prio se descobre. Pelas cordas passaram a complexidade dos compassos dos Balc\u00e3s e a hipnose de uma \u201craga\u201d indiana. Quem o acompanhou at\u00e9 ao fim, sorriu. O Seixal fora banhado por um rio de \u00e1guas mais luminosas e profundas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira, 22.05.1995 VI Cantigas Do Maio No Seixal Pedrinhas Para A Velha Coxa REALIZARAM-SE neste fim-de-semana as primeiras jornadas das VI Cantigas do Maio que est\u00e3o a decorrer na vila do Seixal. Na nova sala do F\u00f3rum Cultural teve lugar o espect\u00e1culo de abertura, com as Cantareiras da A. X. 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