{"id":12734,"date":"2025-12-22T05:27:09","date_gmt":"2025-12-22T12:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12734"},"modified":"2025-12-22T05:27:20","modified_gmt":"2025-12-22T12:27:20","slug":"vicente-amigo-vicente-amigo-em-mini-digressao-portuguesa-quando-o-duende-me-toca-sinto-me-um-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/12\/22\/vicente-amigo-vicente-amigo-em-mini-digressao-portuguesa-quando-o-duende-me-toca-sinto-me-um-rei\/","title":{"rendered":"Vicente Amigo &#8211; &#8220;Vicente Amigo Em Mini-Digress\u00e3o Portuguesa &#8211; &#8216;Quando O \u2018Duende\u2019 Me Toca, Sinto-me Um Rei!'&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> sexta-feira, 12.05.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Vicente Amigo Em Mini-Digress\u00e3o Portuguesa<br \/>\n\u201cQuando O \u2018Duende\u2019 Me Toca, Sinto-me Um Rei!\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>\u00c9 o artista estrangeiro que mais vezes tocou em Portugal. Se n\u00e3o estamos em erro, esta \u00e9 a d\u00e9cima visita de Vicente Amigo ao nosso pa\u00eds. Existem elos de amizade fortes entre n\u00f3s e este guitarrista de 28 anos que est\u00e1 a revolucionar o flamenco e a dar novas respostas ao sopro do \u201cduende\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/vicenteAmigo.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"445\" class=\"alignnone size-full wp-image-12735\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/vicenteAmigo.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/vicenteAmigo-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/vicenteAmigo-624x408.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/vicenteAmigo-100x65.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Depois de uma primeira actua\u00e7\u00e3o ontem no CCB, o espanhol Vicente Amigo, acompanhado pela sua banda e um bailarino, volta a actuar hoje, pelas 22h, no mesmo local, terminando mais esta mini-digress\u00e3o portuguesa, amanh\u00e3, \u00e0 mesma hora, no Europarque, em Vila da Feira.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 O seu primeiro mestre de guitarra foi Juan Munoz. Que tipo de ensinamentos recebeu? Diz-se que no flamenco h\u00e1 segredos que se transmitem de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nVICENTE AMIGO \u2013 N\u00e3o sei\u2026 n\u00e3o creio\u2026 Acredito simplesmente que, quando se chega a um determinado n\u00edvel, cada um descobre o seu pr\u00f3prio segredo. Ele ensinou-me apenas a t\u00e9cnica b\u00e1sica do flamenco e os seus ritmos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Quando sentiu pela primeira vez o \u201cduende\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Senti-o mesmo antes de tocar guitarra, a escutar Paco de Lucia, quando era pequeno.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Consegue definir essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O que senti, senti-o porque era algo que me estava a ser enviado, a iniciativa n\u00e3o foi minha. Quando o \u201cduende\u201d me toca, esque\u00e7o-me de tudo, das pessoas, sinto-me como um rei. Nesses momentos torna-se muito claro para mim que o que estou a tocar \u00e9 muito especial.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O \u201cduende\u201d toca-o sempre que actua ao vivo?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Muitas vezes\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 E das vezes que n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Arranjo as coisas de maneira a que ele chegue\u2026 Concentro-me at\u00e9 que o contacto se produza.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O seu nome anda geralmente associado ao de Paco de Lucia, devido a alegadas liga\u00e7\u00f5es de ambos com o jazz\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o fa\u00e7o fus\u00f5es com o jazz. O Paco, sim, a sua m\u00fasica enriqueceu-se com o contacto com os m\u00fasicos de jazz, assim como eles se enriqueceram ao tocarem com ele. Gostaria um dia de poder fazer o mesmo. Toquei uma vez em Fran\u00e7a com o Al di Meola e o John McLaughlin, mas n\u00e3o a sua m\u00fasica, apenas uma rumba sobre a qual improvis\u00e1mos os tr\u00eas. N\u00e3o se pode considerar uma fus\u00e3o de m\u00fasicas, mas apenas de m\u00fasicos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Dentro do flamenco, h\u00e1 algum g\u00e9nero pelo qual sinta alguma predilec\u00e7\u00e3o? A \u201cbuleria\u201d, talvez?&#8230;<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Gosto muito da \u201cbuleria\u201d, como gosto dos temas mais livres, em termos de ritmo. Penso que todas as coisas t\u00eam o seu ritmo. At\u00e9 a pr\u00f3pria liberdade\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em Espanha, \u00e9 mais conhecido nos meios do flamenco ou nas camadas de p\u00fablico mais generalistas?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Os mais novos, que ouvem rock \u2018n\u2019 rol ouvem-me tamb\u00e9m. N\u00e3o s\u00f3 a mim, mas ao flamenco em geral. Isso agrada-me. \u00c9 uma prova de que o flamenco est\u00e1 a atrair muita gente, n\u00e3o s\u00f3 os velhos apreciadores. Est\u00e3o a abrir-se novas portas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Gostava de ser uma estrela de rock?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o. Gosto \u00e9 de viver bem, com aquilo que tenho. N\u00e3o sei se o estatuto de estrela liga comigo. Ou se liga, \u00e9 a um n\u00edvel subconsciente. Tenho muito medo. Como estou agora j\u00e1 tenho imensa responsabilidade. Se fosse uma estrela teria muito mais.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que opini\u00e3o t\u00eam de si os puristas do flamenco?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 alguns que me criticam, mas de um modo geral respeitam-me e ajudam-me com as suas cr\u00edticas. N\u00e3o se atiram a mim a matar, o que \u00e9 l\u00f3gico, porque no fim de contas trata-se de flamenco, digam eles o que disserem. Sei de flamenco tanto como eles.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que pensa de grupos ligeiros como os Gypsy Kings ou os Jaleo?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Acho bem que existam porque h\u00e1 muita gente que est\u00e1 longe do flamenco e deste modo pode ficar mais perto. A m\u00fasica que esses grupos fazem recorda o flamenco mas n\u00e3o \u00e9 flamenco puro. Serve igualmente para abrir portas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 E de um \u201crevolucion\u00e1rio\u201d, embora veterano, da guitarra, como Paco el Gastor, acompanhante habitual do cantor El Cabrero?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Paco \u00e9 um acompanhante do canto\u2026 \u00e9 raro tocar a solo. Tem um estilo muito pr\u00f3prio.<br \/>\n<strong>P. \u2013 No seu caso, gosta de desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de acompanhante?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 J\u00e1 acompanhei Camer\u00f3n de la Isla que, para mim, era o flamenco em pessoa. Tamb\u00e9m j\u00e1 toquei com Enrique Morente, Carmen Linares e El Pele, que marcou uma forma de cantar flamenco diferente de tudo o que se fazia at\u00e9 ent\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Porque \u00e9 que aceitou tocar nos discos de artistas portugueses como Paulo de Carvalho e GNR?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Porque n\u00e3o? Paulo de Carvalho, sou amigo dele. Com os GNR limitei-me a tocar um pouco de flamenco. Em Espanha tamb\u00e9m j\u00e1 trabalhei com gente que n\u00e3o tem a ver com o flamenco, como Miguel Bos\u00e9.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Essa disponibilidade n\u00e3o \u00e9 muito comum nos m\u00fasicos de flamenco\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Seja qual for, nunca toco rock ou qualquer outro tipo de m\u00fasica. \u00c9 sempre flamenco. H\u00e1 quem ache que para soar flamenco basta tocar duas notas numa guitarra espanhola. Por isso tenho algumas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a estes convites. \u00c9 sempre uma aventura e por vezes os resultados s\u00e3o frustrantes. Apenas toco flamenco, mais nada. Se alguma vez algu\u00e9m me ensinar a tocar outra coisa qualquer\u2026 Tocar agora rock, por exemplo, seria romper de forma muito brusca. Mas gostava de aprender m\u00fasica brasileira. Ou fado, se me ensinarem\u2026 \u00c9 preciso tempo para nos sentirmos confort\u00e1veis a fazer qualquer tipo de m\u00fasica. H\u00e1 guitarristas de flamenco que dizem que sabem tocar jazz apenas porque um amigo que \u00e9 m\u00fasico de jazz lhes ensinou tr\u00eas acordes e umas harmonias de jazz\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que representa para si o flamenco?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O flamenco \u00e9 algo que existe em mim, uma forma de expressar os meus sentimentos, a minha maneira de ser. \u00c9 como um fogo. \u00c9 uma m\u00fasica profunda, potente, espiritual. Tem tristeza, tem raiva, tem do\u00e7ura, tem alegria. Gosto de rir. Rir \u00e9 uma das melhores coisas do mundo. Rir muito, e de uma maneira forte. N\u00e3o sei se o flamenco representa a forma de ser mais profunda de Espanha, ou a sua dor mais profunda. Quando se tem uma dor de dentes, sente-se igualmente uma dor profunda\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira, 12.05.1995 Vicente Amigo Em Mini-Digress\u00e3o Portuguesa \u201cQuando O \u2018Duende\u2019 Me Toca, Sinto-me Um Rei!\u201d \u00c9 o artista estrangeiro que mais vezes tocou em Portugal. Se n\u00e3o estamos em erro, esta \u00e9 a d\u00e9cima visita de Vicente Amigo ao nosso pa\u00eds. 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